Por João Villaverde e Sérgio Leo
O saldo comercial brasileiro neste ano deve ser de, no máximo, US$ 15 bilhões, avalia a área econômica do governo. A estimativa é inferior à projeção do Banco Central (BC), que estima em US$ 18 bilhões o saldo da balança comercial do país em 2012. Mesmo acima de projeções mais pessimistas como as da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), que prevê um superávit de US$ 8 bilhões, a revisão da área econômica indica que, pelo sétimo ano seguido, a balança comercial do Brasil terá influência negativa sobre o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB).
"Uma parte do estímulo à demanda está vazando para o comércio exterior, e isso vai continuar neste ano", comentou o economista da Fundação Getulio Vargas (FGV), Régis Bonelli. Especialistas da FGV preveem uma leve subida nas exportações neste ano e calculam que, sem surpresas desagradáveis no cenário externo, o saldo comercial poderá ficar acima de US$ 16 bilhões. Caso se comprove a estimativa da AEB, de queda também nas exportações, porém, em 2012 o PIB terá duas pressões negativas vindas do comércio exterior: a queda nas vendas dos exportadores e o aumento nas importações.
De janeiro até a semana passada, a diferença entre as exportações e as importações acumulou US$ 8,5 bilhões, resultado 47,6% inferior a igual período do ano passado. Se confirmada a estimativa, o saldo comercial de até US$ 15 bilhões será o menor desde 2002, quando o resultado chegou a US$ 13,1 bilhões. A pessimista AEB espera déficits no segundo semestre devido à queda nos preços das commodities metálicas, ao esgotamento do efeito positivo dos embarques de soja, antecipados neste ano, e ao contínuo aumento nas importações.
Para continuar lendo, clique aqui.
Vivemos em um país em que os jovens já nascem conservadores, e se tornam ainda mais conservadores conforme envelhecem. São incentivados pelo anacronismo e pelas facilidades a evitar o pensamento crítico. O escapismo é a ordem e o progresso é a intolerância.
terça-feira, 31 de julho de 2012
Voto no TopBlog
Este Blog participa do prêmio TopBlog. Fui indicado por alguém que desconheço, e todo o registro está lá. Não sou -- como bem sabe o leitor daqui -- um entusiasta dessas coisas, embora respeite e dê a maior importância, afinal, é com prêmios que se cria estímulos para aqueles blogueiros que fazem da internet sua força motriz.
Como o Blog para mim é curtição, nunca foi o meu caso. Mas, como ele foi indicado, faço o que devo: os leitores que desejarem podem votar neste Blog: basta clicar aqui, ou no link que está no pé desta página (sim, lá embaixo), e na página que surgir fazer três coisas: clicar no botão azul "Votar", em seguida preencher seu nome, e, por fim, seu e e-mail. Pronto.
Muito mais fácil que assistir a uma peça do Felipe Hirsch, né?
Aliás, que belíssima crônica essa do Xexéo ontem na revista d'O Globo. Ele disse tudo o que o blogueiro queria dizer. Aproveito também para registrar que achei lindo o novo visual do jornal: O Globo ficou moderno, e mais quente, no linguajar jornalístico. Fora que ontem foi muito bem acompanhado com o especial sobre mestre Jorge Amado no Segundo Caderno (com uma bela coluna de Caetano sobre o escritor baiano), uma boa especial sobre a dificuldade em conseguir táxi no Rio de Janeiro (o que é a mais pura verdade), e, claro, Xexéo.
Uma boa mudança como essa de O Globo é sadia num mundo que vai para a internet com muita velocidade. O que essa mudança faz é dizer, em alto e bom som, que SIM, há espaço para jornal e blog conviverem juntos. Eles não são excludentes. E é sempre bom lembrar que, quando Bill Gates, o homem que criou o Windows, desenvolveu a ideia de que o livro morreria ele... escreveu um livro.
Bom, mas sobre a votação no TopBlog, que fique claro o interesse do blogueiro: Vai que eu consigo arranhar uma posição boa no ranking, tipo 358 ou coisa parecida?
; )
Como o Blog para mim é curtição, nunca foi o meu caso. Mas, como ele foi indicado, faço o que devo: os leitores que desejarem podem votar neste Blog: basta clicar aqui, ou no link que está no pé desta página (sim, lá embaixo), e na página que surgir fazer três coisas: clicar no botão azul "Votar", em seguida preencher seu nome, e, por fim, seu e e-mail. Pronto.
Muito mais fácil que assistir a uma peça do Felipe Hirsch, né?
Aliás, que belíssima crônica essa do Xexéo ontem na revista d'O Globo. Ele disse tudo o que o blogueiro queria dizer. Aproveito também para registrar que achei lindo o novo visual do jornal: O Globo ficou moderno, e mais quente, no linguajar jornalístico. Fora que ontem foi muito bem acompanhado com o especial sobre mestre Jorge Amado no Segundo Caderno (com uma bela coluna de Caetano sobre o escritor baiano), uma boa especial sobre a dificuldade em conseguir táxi no Rio de Janeiro (o que é a mais pura verdade), e, claro, Xexéo.
Uma boa mudança como essa de O Globo é sadia num mundo que vai para a internet com muita velocidade. O que essa mudança faz é dizer, em alto e bom som, que SIM, há espaço para jornal e blog conviverem juntos. Eles não são excludentes. E é sempre bom lembrar que, quando Bill Gates, o homem que criou o Windows, desenvolveu a ideia de que o livro morreria ele... escreveu um livro.
Bom, mas sobre a votação no TopBlog, que fique claro o interesse do blogueiro: Vai que eu consigo arranhar uma posição boa no ranking, tipo 358 ou coisa parecida?
; )
segunda-feira, 30 de julho de 2012
A morte no cinema
Texto espetacular do amigo Rodrigo Cássio, doutorando em filosofia pela UFMG, e um dos melhores textos sobre cinema da blogosfera.
***
A morte no cinema
Por Rodrigo Cássio
O massacre que deixou 12 pessoas mortas e 50 feridas em um cinema do Colorado, nos EUA, durante a pré-estreia do filme Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge, trouxe à tona algumas discussões intermitentes sobre a violência. Assim como em 1999, quando dois estudantes mataram 12 colegas e um professor na escola Columbine, também no Colorado, a facilidade de acesso a armas de fogo despontou como o principal ponto do debate nos EUA. No entanto, o fato de que o massacre do filme do Batman ocorreu em uma sala de cinema, envolvendo a experiência dos jovens com um imaginário de violência muito comum nos produtos da indústria cultural, reacendeu também uma velha polêmica sobre a relação entre o consumo destes produtos e o comportamento agressivo que, pelo menos indiretamente, liga-se a ele.
Ainda que uma interpretação moralista e infecunda possa dominar este segundo ponto de debate, ele não deveria ser descartado rapidamente, como alguns comentaristas e teóricos optam por fazer, alegando que recusam uma visão “apocalíptica” dos meios de comunicação de massa. A despeito desse cacoete teórico, que costuma apenas obscurecer a crítica da indústria cultural, há uma série de elementos que justificam uma reflexão mais demorada que interpele o envolvimento dos produtos culturais com seus consumidores.
Não é de se ignorar, nesse sentido, que James Holmes, de 24 anos, o atirador do filme do Batman, tenha entrado na sala de cinema com uma capa preta semelhante ao do famoso personagem. Ele tinha os cabelos pintados de vermelho e apresentou-se aos policiais, quando detido, como sendo “o Coringa”, nome do vilão que teve grande destaque no filme anterior do Batman. Essa aparente “transformação” do atirador em um personagem da ficção lembra um episódio muito similar ocorrido em 1999, em um cinema de São Paulo, quando o estudante de medicina Mateus Meira, também com 24 anos, matou três pessoas em uma sessão do filme Clube da Luta. Mateus era um fã do game de violência Duke Nukem, e teria se inspirado em uma das fases do jogo para cometer o assassinato. Nela, há um ataque a um cinema, incluindo um tiro contra o espelho do banheiro, gesto que Mateus também imitou.
Que se diga com ênfase: a afirmação de que o consumo de jogos ou filmes violentos provoca o aumento da violência praticada pelos jovens é muito frágil e deve ser descartada. Quem afirma isso, em geral, defende que nossa sociedade seria menos violenta se não permitisse que a violência fosse tão visível nas imagens da TV, do cinema ou dos games. A essas pessoas é possível responder que os maiores massacres do século 20 ocorreram por trás dos muros bastante opacos dos campos de concentração nazistas, ou nos confins invisíveis dos gulags soviéticos. Ocultar a violência nunca foi, e certamente nunca será, indício de uma sociedade pacífica.
A concentração do debate nessa hipótese simplista, que finalmente propõe censurar as imagens, acaba confrontando-a a uma hipótese contrária, igualmente simplista, que polariza as opiniões. Trata-se de dizer que os jovens atiradores de São Paulo e do Colorado são meros doentes mentais, pessoas perturbadas, desajustadas socialmente. “Loucos” que não conseguiriam diferenciar a realidade da ficção, e acabaram promovendo matanças ao terem acesso a armas de fogo. Mesmo que estes jovens não tenham saúde mental, essa interpretação também não é satisfatória, pois deixa de lado as características singulares da violência ligada aos produtos da indústria cultural. É como se a alusão de Mateus Meira e de James Holmes ao universo dos games e dos filmes fosse apenas uma coincidência, um detalhe fortuito, um dado completamente irrelevante nos dois crimes abomináveis. Não há motivo plausível para aceitar essa tese. Ora, as imagens não são poderosas no sentido de determinarem exatamente aquilo que fazemos no mundo, como se o jovem fã de games estivesse condenado a imitar a violência de um jogo porque gosta de jogá-lo. Mas tampouco as imagens são indiferentes, hoje, a ponto de a realidade poder determinar-se sem elas. Muito além do cinema, produzimos, recebemos e compartilhamos cada vez mais imagens com nossos celulares, netbooks, tablets e mil novas invenções portáteis sempre à mão.
O poder das imagens no mundo de hoje vem justamente de elas se oferecerem para nós no mesmo nível da realidade, e não acima ou abaixo dela. Elas são tão inerentes ao modo como experimentamos a vida que aquilo que mostram tem tanta força de realidade quanto o que acontece fora delas.
É claro que isso não significa que um tiro de rifle visto na tela do cinema causa o mesmo estrago que os tiros do rifle que o atirador utilizou para matar as pessoas na sala do Colorado. Pelo contrário. Significa que o que deveria nos deixar consternados não é somente a disposição do assassino em imitar um personagem ou uma cena, mas também que o seu crime tenha sido “antecipado” no trailer do filme Caça aos Gangsters, exibido logo antes de Batman. Este trailer mostra uma cena em que um grupo de criminosos abre fogo contra a plateia de um cinema (a Warner retirou o trailer do ar depois do massacre). Os espectadores mortos tinham vivenciado o seu próprio destino fatídico, na forma de imagem (e certamente com prazer visual), minutos antes do acontecimento.
Essa lamentável ironia desloca a nossa atenção do atirador para o público, e daí, enfim, para a relação que mantemos com as imagens. Não para corroborar a íntima ligação delas com o real, mas para quebrar e superar esse elo. Nós, que não somos “loucos” nem assassinos, não deixamos, por isso, de praticar rituais que supõem o trânsito livre entre a realidade e a imagem, como se elas fossem, de fato, uma coisa só. Nesse sentido, uma confusão patológica da realidade com a sua própria imagem está longe de ser algo incomum entre nós, e estamos mais próximos dos atiradores que se acreditam vivendo dentro de filmes ou games do que talvez gostássemos de admitir. Que o digam os turistas que se obstinam em registrar em fotografias os bons momentos da viagem, e, assim, nunca “estão ali” para viver diretamente o quanto eles são bons. Que o digam os divorciados que abrem processos judiciais porque um dos parceiros não muda o status de casado no Facebook. No fundo, o nosso padrão de normalidade, de sanidade mental, há muito tempo excluiu um conceito de realidade como algo que se diferencia claramente das imagens que lhe dão sentido.
Mas é preciso ir além desses exemplos, quase caricatos, e perguntar pelos governantes cuja legitimidade depende mais da condenação ou absolvição nas imagens da mídia que do juízo que os seus governados constroem sobre o estado de suas próprias vidas em coletividade. A onda de assassinatos em Goiânia, recentemente, parece associar nossa realidade a uma ficção barata de filmes de mafiosos. Ao contrário do que esperam os cidadãos que acompanham os jornais diariamente, nunca surgirá uma imagem capaz de mostrar o que realmente é a sociedade goiana. Tampouco por meio dos militantes das redes sociais tal coisa parece possível, se as imagens que eles produzem também reivindicam aquele elo impossível, dizendo-se “mais reais” que as mentiras da “velha mídia”.
Nada disso implica abandonar as imagens, destruir os games ou atear fogo em rolos de filmes. Mas adverte, com certeza, que a dificuldade de uma crítica no mundo atual passa pelo fato de que ninguém jamais viu um espectador se levantar durante um filme, voltar-se para o projetor de onde sai o feixe de luz, e dizer: “O que realmente é essa imagem a que eu me entrego pelo simples motivo de estar sentado aqui?
***
A morte no cinema
Por Rodrigo Cássio
O massacre que deixou 12 pessoas mortas e 50 feridas em um cinema do Colorado, nos EUA, durante a pré-estreia do filme Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge, trouxe à tona algumas discussões intermitentes sobre a violência. Assim como em 1999, quando dois estudantes mataram 12 colegas e um professor na escola Columbine, também no Colorado, a facilidade de acesso a armas de fogo despontou como o principal ponto do debate nos EUA. No entanto, o fato de que o massacre do filme do Batman ocorreu em uma sala de cinema, envolvendo a experiência dos jovens com um imaginário de violência muito comum nos produtos da indústria cultural, reacendeu também uma velha polêmica sobre a relação entre o consumo destes produtos e o comportamento agressivo que, pelo menos indiretamente, liga-se a ele.
Ainda que uma interpretação moralista e infecunda possa dominar este segundo ponto de debate, ele não deveria ser descartado rapidamente, como alguns comentaristas e teóricos optam por fazer, alegando que recusam uma visão “apocalíptica” dos meios de comunicação de massa. A despeito desse cacoete teórico, que costuma apenas obscurecer a crítica da indústria cultural, há uma série de elementos que justificam uma reflexão mais demorada que interpele o envolvimento dos produtos culturais com seus consumidores.
Não é de se ignorar, nesse sentido, que James Holmes, de 24 anos, o atirador do filme do Batman, tenha entrado na sala de cinema com uma capa preta semelhante ao do famoso personagem. Ele tinha os cabelos pintados de vermelho e apresentou-se aos policiais, quando detido, como sendo “o Coringa”, nome do vilão que teve grande destaque no filme anterior do Batman. Essa aparente “transformação” do atirador em um personagem da ficção lembra um episódio muito similar ocorrido em 1999, em um cinema de São Paulo, quando o estudante de medicina Mateus Meira, também com 24 anos, matou três pessoas em uma sessão do filme Clube da Luta. Mateus era um fã do game de violência Duke Nukem, e teria se inspirado em uma das fases do jogo para cometer o assassinato. Nela, há um ataque a um cinema, incluindo um tiro contra o espelho do banheiro, gesto que Mateus também imitou.
Que se diga com ênfase: a afirmação de que o consumo de jogos ou filmes violentos provoca o aumento da violência praticada pelos jovens é muito frágil e deve ser descartada. Quem afirma isso, em geral, defende que nossa sociedade seria menos violenta se não permitisse que a violência fosse tão visível nas imagens da TV, do cinema ou dos games. A essas pessoas é possível responder que os maiores massacres do século 20 ocorreram por trás dos muros bastante opacos dos campos de concentração nazistas, ou nos confins invisíveis dos gulags soviéticos. Ocultar a violência nunca foi, e certamente nunca será, indício de uma sociedade pacífica.
A concentração do debate nessa hipótese simplista, que finalmente propõe censurar as imagens, acaba confrontando-a a uma hipótese contrária, igualmente simplista, que polariza as opiniões. Trata-se de dizer que os jovens atiradores de São Paulo e do Colorado são meros doentes mentais, pessoas perturbadas, desajustadas socialmente. “Loucos” que não conseguiriam diferenciar a realidade da ficção, e acabaram promovendo matanças ao terem acesso a armas de fogo. Mesmo que estes jovens não tenham saúde mental, essa interpretação também não é satisfatória, pois deixa de lado as características singulares da violência ligada aos produtos da indústria cultural. É como se a alusão de Mateus Meira e de James Holmes ao universo dos games e dos filmes fosse apenas uma coincidência, um detalhe fortuito, um dado completamente irrelevante nos dois crimes abomináveis. Não há motivo plausível para aceitar essa tese. Ora, as imagens não são poderosas no sentido de determinarem exatamente aquilo que fazemos no mundo, como se o jovem fã de games estivesse condenado a imitar a violência de um jogo porque gosta de jogá-lo. Mas tampouco as imagens são indiferentes, hoje, a ponto de a realidade poder determinar-se sem elas. Muito além do cinema, produzimos, recebemos e compartilhamos cada vez mais imagens com nossos celulares, netbooks, tablets e mil novas invenções portáteis sempre à mão.
O poder das imagens no mundo de hoje vem justamente de elas se oferecerem para nós no mesmo nível da realidade, e não acima ou abaixo dela. Elas são tão inerentes ao modo como experimentamos a vida que aquilo que mostram tem tanta força de realidade quanto o que acontece fora delas.
É claro que isso não significa que um tiro de rifle visto na tela do cinema causa o mesmo estrago que os tiros do rifle que o atirador utilizou para matar as pessoas na sala do Colorado. Pelo contrário. Significa que o que deveria nos deixar consternados não é somente a disposição do assassino em imitar um personagem ou uma cena, mas também que o seu crime tenha sido “antecipado” no trailer do filme Caça aos Gangsters, exibido logo antes de Batman. Este trailer mostra uma cena em que um grupo de criminosos abre fogo contra a plateia de um cinema (a Warner retirou o trailer do ar depois do massacre). Os espectadores mortos tinham vivenciado o seu próprio destino fatídico, na forma de imagem (e certamente com prazer visual), minutos antes do acontecimento.
Essa lamentável ironia desloca a nossa atenção do atirador para o público, e daí, enfim, para a relação que mantemos com as imagens. Não para corroborar a íntima ligação delas com o real, mas para quebrar e superar esse elo. Nós, que não somos “loucos” nem assassinos, não deixamos, por isso, de praticar rituais que supõem o trânsito livre entre a realidade e a imagem, como se elas fossem, de fato, uma coisa só. Nesse sentido, uma confusão patológica da realidade com a sua própria imagem está longe de ser algo incomum entre nós, e estamos mais próximos dos atiradores que se acreditam vivendo dentro de filmes ou games do que talvez gostássemos de admitir. Que o digam os turistas que se obstinam em registrar em fotografias os bons momentos da viagem, e, assim, nunca “estão ali” para viver diretamente o quanto eles são bons. Que o digam os divorciados que abrem processos judiciais porque um dos parceiros não muda o status de casado no Facebook. No fundo, o nosso padrão de normalidade, de sanidade mental, há muito tempo excluiu um conceito de realidade como algo que se diferencia claramente das imagens que lhe dão sentido.
Mas é preciso ir além desses exemplos, quase caricatos, e perguntar pelos governantes cuja legitimidade depende mais da condenação ou absolvição nas imagens da mídia que do juízo que os seus governados constroem sobre o estado de suas próprias vidas em coletividade. A onda de assassinatos em Goiânia, recentemente, parece associar nossa realidade a uma ficção barata de filmes de mafiosos. Ao contrário do que esperam os cidadãos que acompanham os jornais diariamente, nunca surgirá uma imagem capaz de mostrar o que realmente é a sociedade goiana. Tampouco por meio dos militantes das redes sociais tal coisa parece possível, se as imagens que eles produzem também reivindicam aquele elo impossível, dizendo-se “mais reais” que as mentiras da “velha mídia”.
Nada disso implica abandonar as imagens, destruir os games ou atear fogo em rolos de filmes. Mas adverte, com certeza, que a dificuldade de uma crítica no mundo atual passa pelo fato de que ninguém jamais viu um espectador se levantar durante um filme, voltar-se para o projetor de onde sai o feixe de luz, e dizer: “O que realmente é essa imagem a que eu me entrego pelo simples motivo de estar sentado aqui?
domingo, 29 de julho de 2012
Domingo
A vida é aproveitar os momentos de tranquilidade, e rir um pouco. O resto tem que ser aguentado, os altos e os baixos, é preciso aguentar. A vida é um sopro.
Oscar Niemeyer, arquiteto e gênio brasileiro.
***
Hoje é aniversário do meu ídolo: meu pai.
Oscar Niemeyer, arquiteto e gênio brasileiro.
***
Hoje é aniversário do meu ídolo: meu pai.
sexta-feira, 27 de julho de 2012
quinta-feira, 26 de julho de 2012
Semana que vem será quente...
...se você estiver no Brasil, especialmente em Brasília.
O Supremo Tribunal Federal (STF) começa o julgamento do caso do "mensalão", o mais barulhento no STF desde o julgamento de Fernando Collor, em 1994.
O Congresso Nacional volta do recesso, e, com ele, as sessões da CPI do Cachoeira, que vai entrar com tudo contra o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB).
A presidente Dilma Rousseff volta de Londres (Inglaterra), onde está desde terça-feira, e começa a preparar os detalhes finais de mais um pacote de estímulos à economia -- desta vez, os estímulos serão focados na redução de custos na conta de energia elétrica (o governo deve praticamente zerar o PIS/Cofins que incide sobre a conta de luz, e também extinguir encargos setoriais), e na concessão à iniciativa privada de aeroportos (Galeão, no Rio de Janeiro, e Confins, em Belo Horizonte), portos, estradas e ferrovias.
Além disso tudo, as campanhas eleitorais nos municípios vai começar a pegar fogo.
Preparem-se, amigos e amigas.
O Supremo Tribunal Federal (STF) começa o julgamento do caso do "mensalão", o mais barulhento no STF desde o julgamento de Fernando Collor, em 1994.
O Congresso Nacional volta do recesso, e, com ele, as sessões da CPI do Cachoeira, que vai entrar com tudo contra o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB).
A presidente Dilma Rousseff volta de Londres (Inglaterra), onde está desde terça-feira, e começa a preparar os detalhes finais de mais um pacote de estímulos à economia -- desta vez, os estímulos serão focados na redução de custos na conta de energia elétrica (o governo deve praticamente zerar o PIS/Cofins que incide sobre a conta de luz, e também extinguir encargos setoriais), e na concessão à iniciativa privada de aeroportos (Galeão, no Rio de Janeiro, e Confins, em Belo Horizonte), portos, estradas e ferrovias.
Além disso tudo, as campanhas eleitorais nos municípios vai começar a pegar fogo.
Preparem-se, amigos e amigas.
quarta-feira, 25 de julho de 2012
Interlúdio
Aqui, minha nova casa em Brasília -- na Super Quadra Sul (SQS) 108, ou, simplesmente, a 108 Sul.
Trata-se da quadra onde começou Brasília -- sim, esta foi a primeira quadra residencial a ficar pronta, no início de 1959, junto da 107 Sul, que fica ao lado. Ambas ficaram prontas antes da inauguração da cidade, em abril de 1960. Até a inauguração, as quadras que ficam acima -- as 307 e 308 Sul -- também estavam prontas.
Este quadrilátero formado pelas quadras 107, 108, 307 e 308 na Asa Sul é o único que seguiu o projeto original de Lúcio Costa, o responsável pelo projeto urbano de Brasília. Os prédios são de Oscar Niemeyer -- os únicos residenciais feitos pelo arquiteto dos prédios públicos da capital federal. Esse quadrilátero conta com o Cine Brasília, o famoso cinema que recebe, todos os anos, o Festival de Cinema de Brasília, com a linda Igrejinha Nossa Senhora de Fátima, com ladrilhos de Athos Bulcão, e paisagem de Roberto Burle Marx.
Mas o melhor mesmo é a Pizzaria Dom Bosco, que fica na 107 Sul, do lado de casa. Existe desde 1960, entrega o único sabor (pizza tradicional, de muzzarela com tomate), em pedaço, e acompanhado de mate, tirado como é tirado no Rio de Janeiro, no copo de botequim.
Trata-se da quadra onde começou Brasília -- sim, esta foi a primeira quadra residencial a ficar pronta, no início de 1959, junto da 107 Sul, que fica ao lado. Ambas ficaram prontas antes da inauguração da cidade, em abril de 1960. Até a inauguração, as quadras que ficam acima -- as 307 e 308 Sul -- também estavam prontas.
Este quadrilátero formado pelas quadras 107, 108, 307 e 308 na Asa Sul é o único que seguiu o projeto original de Lúcio Costa, o responsável pelo projeto urbano de Brasília. Os prédios são de Oscar Niemeyer -- os únicos residenciais feitos pelo arquiteto dos prédios públicos da capital federal. Esse quadrilátero conta com o Cine Brasília, o famoso cinema que recebe, todos os anos, o Festival de Cinema de Brasília, com a linda Igrejinha Nossa Senhora de Fátima, com ladrilhos de Athos Bulcão, e paisagem de Roberto Burle Marx.
Mas o melhor mesmo é a Pizzaria Dom Bosco, que fica na 107 Sul, do lado de casa. Existe desde 1960, entrega o único sabor (pizza tradicional, de muzzarela com tomate), em pedaço, e acompanhado de mate, tirado como é tirado no Rio de Janeiro, no copo de botequim.
terça-feira, 24 de julho de 2012
Anatel x TIM, Claro e Oi
Hoje participo como convidado do programa "Tribuna Independente", na Rede Vida, que recebe também Jarbas Valente, vice-presidente da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). Vamos discutir , diretamente com um dos protagonistas, um dos temas mais quentes de 2012 -- a decisão da Anatel, que regula o setor de telecomunicações no Brasil, de suspender a venda de novos chips para celulares das operadoras TIM, Claro e Oi.
O "Tribuna Independente" é comandado pelo jornalista Leandro Mazzini e pela ótima Denise Rothenburg, que também é colunista do Correio Braziliense. O programa é transmitido ao vivo, e começa as 22h15min.
O "Tribuna Independente" é comandado pelo jornalista Leandro Mazzini e pela ótima Denise Rothenburg, que também é colunista do Correio Braziliense. O programa é transmitido ao vivo, e começa as 22h15min.
segunda-feira, 23 de julho de 2012
O fim do poder americano...?
Quando o cientista político americano Michael Mandelbaum nasceu, em 1946, seu Estado - Califórnia - estava no centro cultural, com os estúdios de cinema de Hollywood, da nova ordem global que acabara de ser inaugurada. Os soldados americanos que voltaram a seu país, terminada a Segunda Guerra, se tornaram pais e mães a partir do ano seguinte, iniciando a geração de "baby boomers", como ficou conhecido o boom de nascimentos entre 1946 e 1964. Essa geração, que liderou e assistiu à hegemonia de seu país no mundo, começou a se aposentar no ano passado e hoje lida com um país numa transição que pode ser fatal.
O período é crítico, entende Mandelbaum, que nos últimos três anos tem direcionado toda a sua atenção para a delicada situação econômica de seu país. O mote de seu trabalho é simples: os Estados Unidos não podem perder sua hegemonia. No início do ano passado, quando a breve recuperação econômica de 2010 começou a se esvair, Mandelbaum procurou o jornalista Thomas L. Friedman, seu amigo, para conversar sobre a decadência americana, os desafios colocados diante do país e o que fazer para superá-los. Autor de "O Mundo É Plano" (Objetiva, 2005) e colunista do jornal "The New York Times", Friedman chamou a atenção para a globalização - o fenômeno cujo principal propagador, os EUA, estão tendo dificuldades para administrar.
Das conversas entre Friedman e Mandelbaum saiu "Éramos Nós: A Crise Americana e Como Resolvê-la" (Companhia das Letras, 416 págs., R$ 46,00), recém-lançado no Brasil. No livro, escrito em forma de conversa entre os autores, Friedman e Mandelbaum listam os quatro principais desafios colocados diante dos EUA neste momento: atingir (ou manter, a depender do setor) a vanguarda tecnológica na comunicação, alterar profundamente seu padrão de consumo (excessivo) de energia, além da globalização e dos elevados déficits (orçamentário e comercial).
Aposentados ou em via de se aposentar, a geração de "baby boomers", da qual Mandelbaum e Friedman (nascido em 1953) fazem parte, começa a constituir uma enorme e crescente despesa previdenciária para o setor público, já perigosamente endividado.
Doutor em ciência política por Harvard, Mandelbaum já serviu a dois presidentes de lados opostos - trabalhou no Departamento de Estado no governo, em Washington, entre 1982 e 1984, durante o governo republicano de Ronald Reagan, e, dez anos depois, foi conselheiro econômico do democrata Bill Clinton. Essa versatilidade parece impossível hoje, diante do acirramento entre republicanos, empurrados à direita pelo movimento conservador Tea Party, e dos democratas, do presidente Barack Obama, que apoiou o casamento homossexual e implementou maior democratização do acesso à saúde pública.
A polarização política e o envelhecimento populacional são dois entraves à solução de um problema maior, o déficit de quase US$ 15 trilhões mantido pelo governo americano para financiar sua máquina todos os anos. Tendo de obter recursos da ordem de seu Produto Interno Bruto (PIB), anualmente, para continuar rolando suas dívidas, o Estado americano está diante de uma encruzilhada, uma vez que precisa estimular a economia e gerar empregos e, ao mesmo tempo, honrar suas despesas obrigatórias, como aposentadorias, que são crescentes.
Especialista em relações exteriores e professor na Universidade Johns Hopkins, Mandelbaum afirma ao Valor que "o escopo da política externa americana será reduzido, sensivelmente, em virtude de restrições fiscais crescentes. Isso me parece claro, e já está acontecendo". Mas essa menor participação externa dos EUA não deixa, necessariamente, um espaço aberto a outro país, diz Mandelbaum. As graves e crescentes restrições econômicas dos EUA vão reduzir o papel americano no mundo, mas para Mandelbaum "isso será ruim para todos os países, não apenas [talvez não particularmente] para os Estados Unidos". A seguir, os principais trechos da entrevista.
Clique aqui para ler a entrevista na íntegra.
domingo, 22 de julho de 2012
sexta-feira, 20 de julho de 2012
Fim de expediente
Com Metallica, interpretando a clássica "Seek and Destroy", de 1983. Ao vivo em 2010.
quarta-feira, 18 de julho de 2012
O Brasil contemporâneo, por FHC
Belíssima avaliação do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso sobre o atual estágio de desenvolvimento do país, que ele governou de 1995 a 2002. Sua análise sobre os partidos políticos é soberba. A entrevista foi concedida a André Petry, em Washington, e publicada na edição de Veja que circulou no último fim de semana.
***
Aqui, FHC discorre sobre a política adotada desde 2003 no país. Ele, é claro, critica -- por razões óbvias, já que o ex-presidente é um cardeal do PSDB, o partido que, desde 2003, faz oposição ao PT, que está no governo federal desde então.
FHC: A Bolsa Empresa está forte no Brasil. É provável que na década de 70, com grandes estatizações e grandes empresas, a renda tenha se concentrado. Agora, não será igual porque temos os dois movimentos: concentração para cima e desconcentração para baixo. O Brasil hoje é o país da Bolsa Família e da Bolsa Empresa, o que resultou na felicidade geral. Daí o apoio ao governo.
Isso é ruim?, pergunta Petry ao ex-presidente.
A resposta:
FHC: Primeiro, a felicidade é quase geral. A classe média ficou de fora. Mas, com a prosperidade das bolsas, as pessoas perderam a motivação para debater. Não há mais debate. O debate político-partidário perdeu sua centralidade. Não é um fenômeno só brasileiro. A Europa vive isso, os EUA também, mas com menor intensidade. No nosso caso, isso decorre da desconexão entre o mundo institucional da política e a sociedade. Passou a haver uma relação direta do Executivo com o povo, pulando o Congresso. É uma tendência brasileira antiga, mas se acentuou. Toda hora dizem que não temos oposição no Brasil. Está errado. A oposição está dentro do Congresso, só que o Congresso não tem repercussão na rua. Os partidos saíram da sociedade e se aninharam no Congresso ou no governo. O partido com mais vínculo com o movimento social era o PT. Com o PT no governo, o movimento social virou cadeia de transmissão da vontade oficial. Perdeu vitalidade. O debate se deslocou para a mídia. É por isso que o governo acusa a mídia de ser oposição. Porque é a única instituição que fala e o povo ouve.
Com isso, Petry pergunta a FHC como os partidos no Brasil podem voltar a se conectar com a sociedade. A resposta de FHC é magistral:
FHC: Eles precisam tomar posição diante dos fatos correntes. Como têm medo de assumir posições, os partidos não falam nada. Legalização das drogas? Silêncio. Aborto? Silêncio. Relação do estado com a religião? Silêncio. Qual a melhor maneira de resolver a questão do transporte? Silêncio. São questões do cotidiano. Questões que levariam a população a se identificar com os partidos. A própria sociedade civil, antes vibrante e ativa, se encolheu. Sempre digo: se você não politiza, não acontece nada. Veja o mensalão. Se Roberto Jefferson não tivesse dramatizado e politizado, talvez o caso não tivesse a conseqüência que teve. Política requer que se tome partido, que se tome posição.
***
Em tempo: o Congresso entra em recesso legislativo nessa semana, e volta só em agosto.
Em tempo II: agosto será um mês de desgosto para muita gente: o Supremo Tribunal Federal (STF) começa a votação do caso do "mensalão", com 40 réus. Ao mesmo tempo, a CPI do Cachoeira deve apertar os trabalhos. Por fim, as campanhas municipais vão começar a pegar fogo.
***
Aqui, FHC discorre sobre a política adotada desde 2003 no país. Ele, é claro, critica -- por razões óbvias, já que o ex-presidente é um cardeal do PSDB, o partido que, desde 2003, faz oposição ao PT, que está no governo federal desde então.
FHC: A Bolsa Empresa está forte no Brasil. É provável que na década de 70, com grandes estatizações e grandes empresas, a renda tenha se concentrado. Agora, não será igual porque temos os dois movimentos: concentração para cima e desconcentração para baixo. O Brasil hoje é o país da Bolsa Família e da Bolsa Empresa, o que resultou na felicidade geral. Daí o apoio ao governo.
Isso é ruim?, pergunta Petry ao ex-presidente.
A resposta:
FHC: Primeiro, a felicidade é quase geral. A classe média ficou de fora. Mas, com a prosperidade das bolsas, as pessoas perderam a motivação para debater. Não há mais debate. O debate político-partidário perdeu sua centralidade. Não é um fenômeno só brasileiro. A Europa vive isso, os EUA também, mas com menor intensidade. No nosso caso, isso decorre da desconexão entre o mundo institucional da política e a sociedade. Passou a haver uma relação direta do Executivo com o povo, pulando o Congresso. É uma tendência brasileira antiga, mas se acentuou. Toda hora dizem que não temos oposição no Brasil. Está errado. A oposição está dentro do Congresso, só que o Congresso não tem repercussão na rua. Os partidos saíram da sociedade e se aninharam no Congresso ou no governo. O partido com mais vínculo com o movimento social era o PT. Com o PT no governo, o movimento social virou cadeia de transmissão da vontade oficial. Perdeu vitalidade. O debate se deslocou para a mídia. É por isso que o governo acusa a mídia de ser oposição. Porque é a única instituição que fala e o povo ouve.
Com isso, Petry pergunta a FHC como os partidos no Brasil podem voltar a se conectar com a sociedade. A resposta de FHC é magistral:
FHC: Eles precisam tomar posição diante dos fatos correntes. Como têm medo de assumir posições, os partidos não falam nada. Legalização das drogas? Silêncio. Aborto? Silêncio. Relação do estado com a religião? Silêncio. Qual a melhor maneira de resolver a questão do transporte? Silêncio. São questões do cotidiano. Questões que levariam a população a se identificar com os partidos. A própria sociedade civil, antes vibrante e ativa, se encolheu. Sempre digo: se você não politiza, não acontece nada. Veja o mensalão. Se Roberto Jefferson não tivesse dramatizado e politizado, talvez o caso não tivesse a conseqüência que teve. Política requer que se tome partido, que se tome posição.
***
Em tempo: o Congresso entra em recesso legislativo nessa semana, e volta só em agosto.
Em tempo II: agosto será um mês de desgosto para muita gente: o Supremo Tribunal Federal (STF) começa a votação do caso do "mensalão", com 40 réus. Ao mesmo tempo, a CPI do Cachoeira deve apertar os trabalhos. Por fim, as campanhas municipais vão começar a pegar fogo.
terça-feira, 17 de julho de 2012
O futuro da capital do Brasil
Brasília deveria parar.
Essa é a avaliação do homem que é sinônimo de Brasília: Oscar Niemeyer, o maior arquiteto da história do país, e um dos três maiores do mundo. A ideia de que Brasília deveria parar foi feita por Niemeyer no belíssimo documentário "A Vida é um Sopro", de Fabiano Maciel. (obrigado, He Will Be Bach)
Seu raciocínio é simples.
Brasília cresceu muito, muito além do que seus pais fundadores -- o presidente Juscelino Kubistchek, o urbanista Lúcio Costa, o arquiteto Oscar Niemeyer, o construtor Israel Pinheiro e, em parte, o paisagista Roberto Burle Marx. A capital do Brasil é o auge do país, o auge do crescimento estruturado, da criação de algo novo, para um homem novo, cuja existência só seria possível em Brasília.
A cidade cresceu muito. Não é mais cidade de meio de semana, sem povo. Niemeyer -- o único e o mais genial sobrevivente daqueles tempos -- teme que Brasília caminhe para a degradação de São Paulo e Rio de Janeiro, onde a superpopulação fez as pessoas viverem amassadas umas nas outras, e onde a desolação é grande.
A desolação é grande também em Brasília, porque desolação é coisa humana, não coisa criada. Ela já nasce com o homem, que depois pode até criar cidades sem desolação, mas não homens sem desolação. O que Niemeyer quer é que, com menos homens, a desolação é menor, simplesmente porque a vida é melhor.
Para Niemeyer, as cidades, todas elas, deveriam "parar". Que pare Brasília, e que criemos uma cidade nova. "Brasília deveria parar e ser toda circulada com mata, com verde. A partir daí, outra cidade deve nascer, e assim sucessivamente. Essa é a cabeça racional, claro", diz o arquiteto.
Seu raciocínio é simples, como é simples sua arquitetura. Simples como uma composição dos Rolling Stones. É um simples que é complexo, um simples que, no entanto, ninguém faz. Um simples que te faz pensar que é fácil. Mas o que é simples não é fácil.
Nós temos ideias simples, mas nossa vida não é fácil.
Essa é a avaliação do homem que é sinônimo de Brasília: Oscar Niemeyer, o maior arquiteto da história do país, e um dos três maiores do mundo. A ideia de que Brasília deveria parar foi feita por Niemeyer no belíssimo documentário "A Vida é um Sopro", de Fabiano Maciel. (obrigado, He Will Be Bach)
Seu raciocínio é simples.
Brasília cresceu muito, muito além do que seus pais fundadores -- o presidente Juscelino Kubistchek, o urbanista Lúcio Costa, o arquiteto Oscar Niemeyer, o construtor Israel Pinheiro e, em parte, o paisagista Roberto Burle Marx. A capital do Brasil é o auge do país, o auge do crescimento estruturado, da criação de algo novo, para um homem novo, cuja existência só seria possível em Brasília.
A cidade cresceu muito. Não é mais cidade de meio de semana, sem povo. Niemeyer -- o único e o mais genial sobrevivente daqueles tempos -- teme que Brasília caminhe para a degradação de São Paulo e Rio de Janeiro, onde a superpopulação fez as pessoas viverem amassadas umas nas outras, e onde a desolação é grande.
A desolação é grande também em Brasília, porque desolação é coisa humana, não coisa criada. Ela já nasce com o homem, que depois pode até criar cidades sem desolação, mas não homens sem desolação. O que Niemeyer quer é que, com menos homens, a desolação é menor, simplesmente porque a vida é melhor.
Para Niemeyer, as cidades, todas elas, deveriam "parar". Que pare Brasília, e que criemos uma cidade nova. "Brasília deveria parar e ser toda circulada com mata, com verde. A partir daí, outra cidade deve nascer, e assim sucessivamente. Essa é a cabeça racional, claro", diz o arquiteto.
Seu raciocínio é simples, como é simples sua arquitetura. Simples como uma composição dos Rolling Stones. É um simples que é complexo, um simples que, no entanto, ninguém faz. Um simples que te faz pensar que é fácil. Mas o que é simples não é fácil.
Nós temos ideias simples, mas nossa vida não é fácil.
segunda-feira, 16 de julho de 2012
Botafogo chegando
Depois do passeio sobre o Bahia (com um sonoro 3 x 0), uma vitória incontestável contra o Corinthias no Pacaembu (por 3 x 1) e um empate com gosto de vitória contra o Fluminense, ontem, (por 1 x 1), o Botafogo está ganhando musculatura.
A entrada do meio campo Seedorf, que veio do Milan (Itália), pode fazer desse time o Botafogo com as melhores chances de se sagrar campeão Brasileiro desde... 1995, quando vencemos pela última vez.
Nesta quarta-feira outro grande teste: enfrentaremos o Santos, em Santos (SP).
Vamos, Fogo.
A entrada do meio campo Seedorf, que veio do Milan (Itália), pode fazer desse time o Botafogo com as melhores chances de se sagrar campeão Brasileiro desde... 1995, quando vencemos pela última vez.
Nesta quarta-feira outro grande teste: enfrentaremos o Santos, em Santos (SP).
Vamos, Fogo.
domingo, 15 de julho de 2012
Domingo
Se você quer ter um amigo aqui em Washington D.C., então compre um cachorro.
Harry Truman, presidente dos Estados Unidos entre 1945 e 1952.
Harry Truman, presidente dos Estados Unidos entre 1945 e 1952.
sexta-feira, 13 de julho de 2012
Hegemonia dos EUA em discussão
Hoje, o Valor publica a entrevista que fiz com o cientista político americano Michael Mandelbaum, sobre seu recém-lançado livro "Éramos Nós", em coautoria com Thomas Friedman (o mesmo de "O Mundo é Plano"). A entrevista vem acompanhada da resenha que fiz do livro.
O material está publicado no caderno cultural do Valor, o "Eu&FimdeSemana". A entrevista pode ser lida aqui, e a resenha do livro, aqui.
Espero que os leitores do Blog gostem. Foi um orgulho só fazer a entrevista com um dos maiores especialistas em política externa americana -- Mandelbaum é doutor por Harvard, foi do Departamento de Estado americano no início do governo Ronald Reagan e consultor econômico de Bill Clinton.
Trata-se de uma das cabeças mais influentes nos Estados Unidos hoje.
O material está publicado no caderno cultural do Valor, o "Eu&FimdeSemana". A entrevista pode ser lida aqui, e a resenha do livro, aqui.
Espero que os leitores do Blog gostem. Foi um orgulho só fazer a entrevista com um dos maiores especialistas em política externa americana -- Mandelbaum é doutor por Harvard, foi do Departamento de Estado americano no início do governo Ronald Reagan e consultor econômico de Bill Clinton.
Trata-se de uma das cabeças mais influentes nos Estados Unidos hoje.
quinta-feira, 12 de julho de 2012
Os 50 anos dos Rolling Stones
Hoje, 12 de julho, há 50 anos, os Rolling Stones faziam seu primeiro show -- a estreia foi no Marquee Club, que existe até hoje em Londres.
Para o blogueiro, um dos acontecimentos mais importantes do século XX, ao lado de Neil Armstrong pisando na Lua em 1969, da Revolução Russa de 1917, da derrota do nazismo em 1945 e do título brasileiro de 1995 do Botafogo.
Para o blogueiro, um dos acontecimentos mais importantes do século XX, ao lado de Neil Armstrong pisando na Lua em 1969, da Revolução Russa de 1917, da derrota do nazismo em 1945 e do título brasileiro de 1995 do Botafogo.
quarta-feira, 11 de julho de 2012
domingo, 8 de julho de 2012
Domingo
Pedem vossos pulmões ar salitrado
Correi antes que a tísica os algeme
Deixai do Rio o centro infeccioso
Tomai um bonde que vai dar ao Leme
Propaganda da Companhia Jardim Botânico, do fim do século XIX, para convencer os cariocas, todos concentrados, então, no centro do Rio de Janeiro, a tomar o bonde e ir a Copacabana, o bairro recém-inaugurado.
Quando o então vice-presidente da República, marechal Floriano Peixoto, inaugurou o Túnel Alaor Prata, que liga o bairro de Botafogo a Copacabana, em 6 de julho de 1892, um novo Rio de Janeiro se abria. Era difícil convencer os cariocas a irem a Copacabana.
Hoje, 120 anos depois, difícil é convencer os cariocas a deixarem Copacabana.
***
O Túnel Alaor Prata, que faz 120 anos, hoje é conhecido como "Túnel Velho" pelos cariocas, e, realmente, está caindo aos pedaços.
***
Copacabana é samba, é berço do Beco das Garrafas, onde nasceu a Bossa Nova, dos sorvetes dos Moraes, mas, mais do que isso, é onde moram meus avós paternos desde os anos 1970. Um grande abraço a Dalva e João, que estão entre os 146 mil sortudos que moram em Copacabana, segundo registro da Prefeitura do Rio.
Correi antes que a tísica os algeme
Deixai do Rio o centro infeccioso
Tomai um bonde que vai dar ao Leme
Propaganda da Companhia Jardim Botânico, do fim do século XIX, para convencer os cariocas, todos concentrados, então, no centro do Rio de Janeiro, a tomar o bonde e ir a Copacabana, o bairro recém-inaugurado.
Quando o então vice-presidente da República, marechal Floriano Peixoto, inaugurou o Túnel Alaor Prata, que liga o bairro de Botafogo a Copacabana, em 6 de julho de 1892, um novo Rio de Janeiro se abria. Era difícil convencer os cariocas a irem a Copacabana.
Hoje, 120 anos depois, difícil é convencer os cariocas a deixarem Copacabana.
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O Túnel Alaor Prata, que faz 120 anos, hoje é conhecido como "Túnel Velho" pelos cariocas, e, realmente, está caindo aos pedaços.
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Copacabana é samba, é berço do Beco das Garrafas, onde nasceu a Bossa Nova, dos sorvetes dos Moraes, mas, mais do que isso, é onde moram meus avós paternos desde os anos 1970. Um grande abraço a Dalva e João, que estão entre os 146 mil sortudos que moram em Copacabana, segundo registro da Prefeitura do Rio.
quarta-feira, 4 de julho de 2012
terça-feira, 3 de julho de 2012
Governo estuda adoção de pacote para o turismo
O governo estuda medidas para dinamizar o turismo e reduzir um déficit externo que se aproxima de US$ 15 bilhões por ano. O plano deve incluir redução da carga tributária sobre a cadeia do turismo, como hospedagem, transporte, alimentação, feira e eventos, agências de viagem e locação de veículos, criação de "zonas de tributação especial" em determinadas regiões de apelo turístico e de um "vale-hotel", que os trabalhadores formais receberiam para ser usado em hotéis na baixa temporada. A intenção é zerar o déficit dos gastos de turistas brasileiros no exterior em oito anos.
Pressionado pela presidente Dilma Rousseff e tendo como meta atrair 7,2 milhões de visitantes ao Brasil em 2015, o Ministério do Turismo abriu várias negociações para agilizar a formação de um pacote de medidas. "O Banco Central realiza um pente-fino para entender melhor os gastos dos brasileiros no exterior", disse ao Valor o ministro Gastão Vieira. Só nos primeiros cinco meses do ano, o déficit nas contas externas produzido por gastos de turistas no exterior somou US$ 6 bilhões.
Matéria que fiz com o amigo Lucas Marchesini, no Valor de hoje, que certamente interessa aos leitores do Blog. Para ler na íntegra, clique aqui.
segunda-feira, 2 de julho de 2012
O Brasil vai a China em busca de tecnologia e inovação espacial
O governo quer ampliar a participação da indústria e dos técnicos brasileiros no acordo de cooperação tecnológica e científica com a China, e isso vai exigir um “enorme esforço” das companhias brasileiras, afirmou ao Valor o ministro de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Marco Antônio Raupp. O passo mais evidente do acordo entre Brasil e China será o lançamento do satélite sino-brasileiro CBERS-3 em novembro, garantido por Raupp. O ministro chega hoje a Pequim para negociar os termos do acordo entre os dois países, que inclui o aumento das responsabilidades brasileiras com os satélites, dos atuais 30% para 50%, a partir de 2014.
O próximo satélite, CBERS-4, tem lançamento agendado para agosto de 2014, e ainda contará com 70% de participação chinesa, que também será responsável por seu lançamento. Raupp vai apresentar ao governo chinês a intenção de não só elevar a participação brasileira, como também a disposição do governo Dilma Rousseff de sediar o lançamento de futuros satélites a partir da base de Alcântara, no Maranhão.
“Queremos empresas com maior protagonismo na construção dos satélites”, disse Raupp, em entrevista, em Brasília. Hoje, as empresas são apenas fornecedoras do Instituto Nacional de Pesquisa Espacial (INPE), que é o responsável por todo o projeto, inclusive a gestão e o acompanhamento de contratos. Raupp estuda colocar a Agência Espacial Brasileira (AEB) e o INPE para fazer apenas o projeto básico de engenharia dos futuros projetos envolvendo técnicos e pesquisadores chineses e brasileiros, deixando para as empresas a produção do projeto executivo de engenharia e a implementação.
Ex-presidente da AEB, Raupp avalia que o programa espacial brasileiro “está a merecer algum sucesso”. O satélite sino-brasileiro chegou há poucas semanas a China, depois de passar pela bateria de testes ambientais em seus equipamentos e subsistemas promovidos pelo Laboratório de Integração e Testes (LIT) do INPE, em São José dos Campos, no interior de São Paulo. Neste momento, na China, o satélite passa pelos testes finais de qualificação para o lançamento em novembro.
Na viagem à China, Raupp também vai detalhar a criação dos centros de biotecnologia e de nanotecnologia que os dois países vão desenvolver conjuntamente. “Somos contrários a comprar tecnologia. Tecnologia não se compra, se absorve. Por isso, essa negociação com os chineses é muito importante”, disse Raupp.
Para continuar lendo a reportagem, assinada pelo blogueiro e por Daniel Rittner, publicada no Valor de hoje, clique aqui.
O próximo satélite, CBERS-4, tem lançamento agendado para agosto de 2014, e ainda contará com 70% de participação chinesa, que também será responsável por seu lançamento. Raupp vai apresentar ao governo chinês a intenção de não só elevar a participação brasileira, como também a disposição do governo Dilma Rousseff de sediar o lançamento de futuros satélites a partir da base de Alcântara, no Maranhão.
“Queremos empresas com maior protagonismo na construção dos satélites”, disse Raupp, em entrevista, em Brasília. Hoje, as empresas são apenas fornecedoras do Instituto Nacional de Pesquisa Espacial (INPE), que é o responsável por todo o projeto, inclusive a gestão e o acompanhamento de contratos. Raupp estuda colocar a Agência Espacial Brasileira (AEB) e o INPE para fazer apenas o projeto básico de engenharia dos futuros projetos envolvendo técnicos e pesquisadores chineses e brasileiros, deixando para as empresas a produção do projeto executivo de engenharia e a implementação.
Ex-presidente da AEB, Raupp avalia que o programa espacial brasileiro “está a merecer algum sucesso”. O satélite sino-brasileiro chegou há poucas semanas a China, depois de passar pela bateria de testes ambientais em seus equipamentos e subsistemas promovidos pelo Laboratório de Integração e Testes (LIT) do INPE, em São José dos Campos, no interior de São Paulo. Neste momento, na China, o satélite passa pelos testes finais de qualificação para o lançamento em novembro.
Na viagem à China, Raupp também vai detalhar a criação dos centros de biotecnologia e de nanotecnologia que os dois países vão desenvolver conjuntamente. “Somos contrários a comprar tecnologia. Tecnologia não se compra, se absorve. Por isso, essa negociação com os chineses é muito importante”, disse Raupp.
Para continuar lendo a reportagem, assinada pelo blogueiro e por Daniel Rittner, publicada no Valor de hoje, clique aqui.
Espanha 4 x 0 Itália - O passeio
Nunca houve uma seleção de futebol na Europa como esta da Espanha.
Ontem, a seleção espanhola venceu a Eurocopa -- sua segunda, de forma consecutiva, uma vez que venceu também em 2008. Foi a primeira vez que um mesmo país ganhou a Eurocopa de forma consecutiva.
Foi também a maior goleada em finais da Eurocopa em toda a história: antes fora o 3 x 0 da Alemanha sobre a União Soviética, em 1972. Ontem, a Espanha aplicou um sonoro 4 x 0 sobre a Itália.
Entre o título de campeã da Eurocopa em 2008 e o título de 2012, conquistado ontem, a Espanha também ganhou a Copa do Mundo, em 2010.
É a única seleção do mundo que joga bonito, goste-se ou não.
A Espanha é, também, a favorita absoluta para a Copa do Mundo de 2014, no Brasil.
Viva a Espanha!!
Ontem, a seleção espanhola venceu a Eurocopa -- sua segunda, de forma consecutiva, uma vez que venceu também em 2008. Foi a primeira vez que um mesmo país ganhou a Eurocopa de forma consecutiva.
Foi também a maior goleada em finais da Eurocopa em toda a história: antes fora o 3 x 0 da Alemanha sobre a União Soviética, em 1972. Ontem, a Espanha aplicou um sonoro 4 x 0 sobre a Itália.
Entre o título de campeã da Eurocopa em 2008 e o título de 2012, conquistado ontem, a Espanha também ganhou a Copa do Mundo, em 2010.
É a única seleção do mundo que joga bonito, goste-se ou não.
A Espanha é, também, a favorita absoluta para a Copa do Mundo de 2014, no Brasil.
Viva a Espanha!!
domingo, 1 de julho de 2012
Domingo
Hoje é dia de final da Eurocopa entre Itália e Espanha.
O Blog, é claro, está torcendo loucamente pela Espanha, em nome dos Villaverde.
O Blog, é claro, está torcendo loucamente pela Espanha, em nome dos Villaverde.
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