sexta-feira, 29 de junho de 2012

quinta-feira, 28 de junho de 2012

Xeque-mate

Na segunda-feira, escrevi no Valor que o governo lançaria um pacote de estímulos à economia, que seria calcado nas compras governamentais (em especial nas compras dos ministérios da Saúde, da Defesa e da Educação). Além disso, o governo também cortaria a taxa de juros do BNDES, a TJLP, de 6% para 5,5% ao ano. O governo também lançaria o Plano Safra 2012/13 e, finalmente, prorrogaria o IPI reduzido para eletrodomésticos da linha branca, móveis e luminárias.

Na quarta, ontem, o governo anunciou o pacote de estímulos à economia, calcado nas compras governamentais -- que foram ampliadas em R$ 6,6 bilhões -- com atenção especial às compras de medicamentos e ambulâncias (Ministério da Saúde), mobília e ônibus escolares (Ministério da Educação), tanques e lançadores de mísseis (Ministério da Defesa). Além disso, o governo cortou a TJLP de 6% para 5,5% ao ano.

Hoje, o governo anuncia o Plano Safra 2012/13.

Ah, mas faltou a prorrogação do IPI para eletrodomésticos da linha branca, móveis e luminárias.

Calma.

Isso será anunciado amanhã.

Xeque-mate, amigos.

terça-feira, 26 de junho de 2012

Paraguai, constrangido, Paraguai

Eu tenho vergonha de ser latino americano quando coisas como as que aconteceram com o Paraguai acontecem.


O Paraguai aturou, por 61 anos, um dos mais mesquinhos regimes políticos da América Latina: o governo de falsa democracia do Partido Colorado. Sim, haviam eleições, quando o general Alfredo Stroessner não estava tocando uma ditadura. Mas as eleições eram para inglês ver.


Eleições em país miserável é banquete de burguês que convida os amigos a escolher o vinho. Normalmente, o vinho é importado.


Os paraguaios nunca foram governados por paraguaios, mas por títeres de países ricos. Estes são uma espécie muito comum aqui na América Latina. Falo aqui da pior estirpe da elite, aquela que viaja para fora e se deslumbra com o que os norte-americanos, japoneses e europeus construíram, e tentam repetir em seus países as mesmas políticas dos ricos que os receberam.


Mas nós, latino americanos, somos miseráveis. Somos porque os ricos, desde sempre, nos sugaram o campo, a indústria, os índios e os poucos intelectuais que aqui brotaram. Não sabemos andar com as próprias pernas, porque dificilmente tentamos.


Os brasileiros tiveram mais sorte, uma vez que a imensidade territorial e a maior densidade populacional permitiram uma ramificação da elite. Como nossa elite sempre foi grande, tivemos a sorte de, para cada Rui Barbosa (o típico burguês deslumbrado com o exterior) termos um José Bonifácio.


Os demais vizinhos nunca tiveram a mesma sorte. Com elite pequena, os poucos ricos são, como há de ser, deslumbrados com o que vem lá fora. A Argentina do fim do século XIX talvez seja uma exceção, tal como o Chile e do Uruguai da metade do século XX, porque a educação avançada permitiu, ao menos, o nascimento de uma elite diferente, que vai de Prebisch a Neruda e Benedetti.


O Paraguai nunca teve essa sorte. O Paraguai tem o Partido Colorado.


A vitória de Fernando Lugo, em 2008, rompeu a falsa democracia perpetrada pelo Partido Colorado ao longo de 61 anos. É claro que a elite paraguaia nunca aceitou isso.


Lugo não fez um bom governo. E não me refiro, aqui, aos escândalos envolvendo suas relações com diversas mulheres – Lugo era padre da igreja católica. Refiro-me à pequena aptidão para lidar com o Congresso, e a dificuldade em radicalizar com a burocracia estatal herdada dos Colorados, em especial as forças de repressão (polícia e exército). Fez, no entanto, uma boa política social, e, mais que isso, falava aos paraguaios.
Mas os deslumbrados da elite paraguaia nunca conseguiram aceitar Lugo.

Deram-lhe um golpe, na cara dura, um golpe de Estado, na última sexta-feira. Em menos de 24 horas, a Câmara dos Deputados e o Senado paraguaio retiraram o presidente eleito pelas urnas em 2008 do poder, há um ano das eleições. Acusaram-lhe de um “mau governo” e o responsabilizaram pelas mortes de 17 camponeses em um conflito com a polícia estatal há quinze dias.

Foi um julgamento político, comandado pelo Partido Colorado, que não sabe o que é perder eleições. Lugo estava há um ano das eleições. Por que não esperaram?


Miseráveis.

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Pacote para estimular os investimentos no Brasil

O governo deve lançar nos próximos dias um pacote de estímulos aos investimentos com o objetivo de empurrar o ritmo de avanço do Produto Interno Bruto (PIB) ainda em 2012. A redução da Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP), que baliza os empréstimos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), é uma das medidas em estudo e que podem ser anunciadas. Desde junho de 2009 em 6% ao ano, a TJLP deve ser reduzida para 5,5% ou mesmo 5% ao ano. Haverá também forte estímulo às compras governamentais, por meio da regulamentação das margens de preferência para produtos do complexo industrial da saúde, e a ampliação da lista de produtos para compras do Ministério da Educação.
O governo também deve anunciar a prorrogação, por mais três meses, do Imposto Sobre Produtos Industrializados (IPI) reduzido para eletrodomésticos da linha branca, móveis, laminados PET, papel de parede, luminárias e lustres. A atual tabela de IPI reduzido para esses setores perde validade no sábado.

Os últimos detalhes das medidas serão fechados entre hoje e amanhã pelos técnicos dos ministérios da Fazenda, Planejamento, Saúde, Educação e Casa Civil, além de técnicos do Tesouro Nacional e do BNDES. Também na quinta-feira, o governo deve anunciar o Plano Safra 2012/2013, que contará com cerca de R$ 115 bilhões, reduções nos juros dos empréstimos rurais, criação de novas linhas de crédito e a desoneração tributária de insumos.

As compras governamentais serão "reforçadas, aceleradas e antecipadas", afirmou uma fonte graduada do governo. O Ministério da Educação, por exemplo, vai reforçar a lista de produtos adquiridos pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), que já compra desde ônibus escolares a uniformes, e passará a comprar também geladeiras, fogões, móveis para creches e brinquedos pedagógicos. O Ministério da Saúde vai acelerar a regulamentação dos instrumentos que permitem pagar até 25% mais por produtos nacionais nas compras que a pasta faz para o Sistema Único da Saúde (SUS).

A área econômica entende que é possível estimular a economia imediatamente por meio das compras governamentais, e, adicionalmente, criar um efeito indutor sobre os investimentos privados. O governo espera gastar mais de R$ 60 bilhões neste ano em compras públicas, ante R$ 51,7 bilhões no ano passado, segundo dados do Ministério do Planejamento.

Uma portaria será publicada com a regulamentação do decreto 7.713, de abril deste ano, prevendo as margens de preferência de 8% para "insumos farmacêuticos ativos" em desenvolvimento ou com capacidade nacional de fabricação imediata, 20% para fármacos, medicamentos não ativos e medicamentos que utilizem fármacos específicos, e 25% para produtos biológicos (biofármacos).

Na quinta-feira, o Conselho Monetário Nacional (CMN) deve autorizar a criação da linha especial de crédito de R$ 20 bilhões do BNDES para financiar projetos de investimentos em infraestrutura nos 26 Estados e Distrito Federal. Essa linha terá um ano de carência e dez anos para ser paga, a partir de julho de 2013, com juro de 1,1% ao ano, além da TJLP. Com o provável corte na TJLP, cuja prerrogativa legal é do CMN, essa linha especial de crédito será barateada.

No governo, o corte na TJLP visa "acompanhar" a redução dos juros na economia como um todo, a começar pela taxa básica de juros, a Selic, hoje em 8,5% ao ano. A atual diferença entre as taxas, de 2,5 pontos percentuais, é a menor da história - a diferença entre a Selic e a TJLP era de 6,5 pontos percentuais em agosto do ano passado, quando o Banco Central (BC) iniciou a política de cortes na taxa básica de juro.

A presidente Dilma Rousseff deve reunir os ministros envolvidos no "esforço pelos investimentos públicos", como as medidas estão sendo tratadas no Palácio do Planalto, para cobrar maior agilidade na liberação de recursos para essas despesas. Em especial, os ministérios dos Transportes e das Cidades, onde os projetos de infraestrutura estão concentrados, devem agilizar os investimentos, represados neste primeiro semestre.

Há grande preocupação no governo quanto ao ritmo do PIB neste ano, que pode registrar avanço inferior aos 2,7% verificados em 2011. O estímulo aos investimentos visa, também, "preparar o terreno" para 2013, quando o Ministério da Fazenda espera dobrar o ritmo de avanço da economia. Adicionalmente ao pacote que deve ser lançado nos próximos dias, a desoneração da folha de pagamentos para 15 setores da economia, prevista no programa Brasil Maior, entra em vigor na semana que vem.

Nesta semana, também, o Banco Central deve reduzir de 3,5% para 3% a estimativa para o avanço do PIB neste ano, por meio do Relatório de Inflação.

domingo, 24 de junho de 2012

Domingo

Vivemos numa época em que nossa vida interior é dominada pela mente discursiva, que divide, reparte, etiqueta e empacota o mundo como se ele pudesse ser entendido.

Thomas Richards.

sexta-feira, 22 de junho de 2012

Fim de expediente

Para destruir tudo nesta sexta-feira, Sepultura interpreta "Orgasmatron" em Donnington, Inglaterra, em 1994.

Max Cavalera na guitarra e nos vocais, Andreas Kisser, na guitarra, Paulo Jr. no baixo e Igor Cavalera na bateria.

Que maravilha.


quinta-feira, 21 de junho de 2012

O aumento da gasolina...

O Ministério da Fazenda não descarta um reajuste no preço da gasolina, mas, se o aumento no preço efetivamente ocorrer, não será de 15%, como quer a Petrobras. No plano de negócios da estatal aprovado na semana passada pelo conselho de administração, um aumento de 15% é defendido como auxiliar ao projeto de investimentos.

A área econômica entende que o reajuste é importante para os investimentos da Petrobras, e, até por isso, os técnicos do Ministério da Fazenda não descartam uma medida. Ao Blog, uma fonte no governo afirmou que "há espaço na inflação para uma eventual elevação do preço da gasolina", algo que era "totalmente fora de questão" em 2010 e 2011, quando o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) estava pressionado -- o IPCA terminou 2010 em 5,9% e no ano passado registrou 6,5% de avanço. Hoje, o IPCA já está abaixo de 5% nos 12 meses acumulados em abril, o espaço para aumento de preços é maior.

Outro caminho para facilitar o caminho para fazer deslanchar os investimentos da Petrobras seria uma nova redução da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide). Hoje, a alíquota da Cide é de R$ 0,091 por litro de gasolina (alíquota 60,4% menor que a vigorava até dezembro) e de R$ 0,047 por litro no diesel (alíquota 32,8% menor que até dezembro). A arrecadação da Cide no ano não tem sido representativa, e uma nova rodada de redução das alíquotas não implicaria em perda substancial de arrecadação para a Receita Federal.

O Blog apurou que entre janeiro e maio a arrecadação da Cide foi de R$ 2,1 bilhões, resultado 40% inferior ao registrado em igual período do ano passado.

quarta-feira, 20 de junho de 2012

1 ano de Brasília

Cá estou, um ano depois, em Brasília.



Cheguei aqui pela primeira vez em 29 de maio, para uma semana de climatização. Gostei do vi, o Valor gostou da ideia, e reforçou o convite para que o repórter deixasse a sede do jornal, em São Paulo, para engrossar a sucursal na capital federal.

Cheguei em definitivo no sábado, 18 de junho, e o primeiro dia trabalhando já como repórter oficialmente estabelecido em Brasília foi a segunda-feira, 20 de junho do ano passado.

Há um ano.

***

Parece que faz muito mais do que 12 meses que escrevi este post, citando Clarice Lispector, e anotando minhas primeiras impressões da nova cidade.

A vida é tão intensa por aqui que os dias parecem anos. Mas não porque são chatos -- ao contrário, ser jornalista em Brasília é das coisas mais emocionantes que há.

Vamos que vamos que ainda tenho muito o que fazer!


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Este foi um período rico. Estou preparando um post amplo, uma espécie de "Carta de Brasília", com um relato pessoal sobre os últimos 12 meses. Vocês vão gostar.


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Abaixo, a foto mais recente, tirada na noite de segunda-feira, 18, com o amigo Leonêncio Nossa, do Estadão, que acabara de lançar "Mata!", pela Companhia das Letras. Seu livro é a conclusão de uma reportagem iniciada há dez anos com o major Curió, sobre a guerrilha no Araguaia.

Corri do fechamento no Valor à Livraria Cultura para dar um abraço no Leonencio e pegar uma cópia do livro, que começo a ler no fim de semana.

A paralisia total no Ministério do Trabalho

O ministro do Trabalho, Brizola Neto, já deu início aos esforços para alterar as regras de concessão de registros para entidades sindicais. No dia 8 de maio, o ministro realizou uma reunião com representantes das centrais sindicais para discutir o assunto. Ficou acertado que os sindicalistas apresentariam sugestões para alterar a portaria que define essas regras. No entanto, segundo a assessoria de imprensa da pasta, apenas a Central Única dos Trabalhadores (CUT) e a Força Sindical enviaram suas propostas.

Embora a União Geral dos Trabalhadores (UGT), a Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) e a Nova Central Sindical de Trabalhadores critiquem as mudanças no comando das Secretaria de Relações de Trabalho adotadas por Brizola Neto, argumenta o Ministério do Trabalho, as três centrais ainda não fizeram contribuições formais ao debate. O mesmo ocorreu com as entidades patronais consultadas.

A Secretaria de Relações de Trabalho é considerada uma área delicada do Ministério do Trabalho. Segundo sindicalistas e empresários, é estratégica para levar adiante a ideia de se acabar com a chamada "fábrica de sindicatos" instalada na pasta. O ministério ainda aguarda as sugestões das entidades que não se manifestaram, mas tocará os estudos sobre a mudança na portaria enquanto não receber as propostas. A ideia de Brizola Neto é dar maior transparência e definir regras que reduzam critérios subjetivos no processo de concessão de registros para entidades sindicais. O ministério não trabalha com um prazo para concluir os estudos e editar uma nova portaria sobre o assunto.

Brizola Neto, há um mês no cargo, mudou toda a cúpula do ministério, numa reforma para tornar a pasta mais dinâmica. Todas as pessoas do alto escalão do período em que Carlos Lupi, presidente do PDT, foi ministro do Trabalho (abril de 2007 a dezembro de 2011), foram demitidas. Com os 160 dias de vacância, entre a renúncia de Lupi e a posse de Brizola Neto, e os 40 dias de reformas, o Ministério do Trabalho "começa o ano" devendo: até abril, segundo dados do Tesouro Nacional, o ministério executou apenas R$ 112,1 mil em gastos, equivalente a somente 0,2% dos R$ 89 milhões previstos para o ano.
Os três principais secretários da era Lupi foram demitidos por Brizola Neto: o secretário-executivo, Paulo Roberto Pinto, o secretário de políticas públicas de emprego, Carlo Roberto Simi, e a secretária de relações do trabalho, Zilmara Alencar. Das quatro secretarias do Ministério do Trabalho, apenas o secretário de Economia Solidária, Paul Singer, continua no cargo.

A primeira a cair foi Zilmara, responsável desde março de 2010 pela homologação dos sindicatos no país. Criticada por algumas centrais sindicais, em especial pela maior, a Central Única dos Trabalhadores (CUT), Zilmara será substituída pelo sindicalista Manoel Messias, secretário de saúde do trabalhador da CUT. Antes de Zilmara, a secretaria de relações do trabalho fora ocupada por Luiz Antônio de Medeiros, fundador da Força Sindical.

Já Carlo Roberto Simi, que comandava a principal secretaria do ministério há cinco anos, responsável pela formulação das políticas da pasta, foi substituído por Marcelo Aguiar, que era assessor parlamentar do ministério. A gestão de Simi foi especialmente criticada pela falta de "determinação" e de "objetivos claros", segundo uma fonte na pasta. Além de formular e gerir as políticas do ministério, Simi também presidia o Conselho do Fundo de Amparo do Trabalhador (FAT), que nos últimos anos perdeu praticamente todas as suas prerrogativas, em especial a definição de estratégias para qualificar trabalhadores no país.

A última a deixar a pasta foi Ana Paula Silva, diretora de qualificação, vinculada à secretaria de políticas públicas de emprego. Ana Paula deixou o ministério na semana passada para concorrer à Prefeitura de Bombinhas (SC) pelo PDT. Sua substituição ainda não foi definida ontem.

terça-feira, 19 de junho de 2012

Marcelo Néri pode ser novo presidente do Ipea

Essa notícia vai deixar o amigo NPTO feliz, imagino. Apuramos -- eu e o amigo Raymundo Costa, repórter especial do Valor cá em Brasília -- que o economista Marcelo Néri está com grandes chances de suceder Márcio Pochmann na presidência do Ipea.

Escrevemos toda a história no Valor de hoje, e a reportagem pode ser lida clicando aqui.

Abaixo, um tira gosto:

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O ministro Wellington Moreira Franco, da Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE), sugeriu à presidente Dilma Rousseff a nomeação do economista carioca Marcelo Néri para a presidência do Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea). Presidido de forma interina pela economista Vanessa Petrelli há duas semanas, o Ipea é vinculado à SAE. Desde que o presidente anterior, Márcio Pochmann, deixou o Ipea para disputar a Prefeitura de Campinas (SP) pelo PT, iniciou-se uma disputa nos bastidores por sua sucessão. Dilma deve definir o novo presidente apenas quando retornar do Rio de Janeiro, de onde despacha durante a Rio +20 entre amanhã e sexta-feira.


“Marcelo Neri é um nome de CPF próprio, de grande expressão”, afirmou o ministro Moreira Franco ao Valor, ontem. Moreira Franco sugeriu o nome de Neri à ministra-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, na semana passada. “O Ipea não pode ser partidarizado, é um órgão técnico”, afirmou o ministro.

A substituição de Pochmann no Ipea abriu uma disputa política que irritou Dilma, que desejava fazer uma sucessão “suave”, segundo uma fonte no Palácio do Planalto. À Dilma, Pochmann indicou os diretores Vanessa Petrelli e Jorge Abrahão, além de endossar também a indicação da economista Leda Paulani, feita pelo ex-ministro da Educação, Fernando Haddad.

Outros nomes foram sugeridos à presidente, como o de Ricardo Paes de Barros, adjunto de Moreira Franco na SAE, e do economista José Luis Oreiro, da Universidade de Brasília (UnB). A economista Maria da Conceição Tavares, que fora professora de Dilma, chegou a conversar com a presidente por telefone para expor sua contrariedade ao nome de Oreiro, apoiado pelo ex-ministro da Fazenda, Luiz Carlos Bresser-Pereira.

Sem filiação partidária, Marcelo Néri é o chefe do Centro de Políticas Sociais da Fundação Getulio Vargas, no Rio (FGV-RJ). No fim de abril, o economista foi elogiado publicamente pela presidente Dilma Rousseff, em cerimônia no Rio. “Eu sugiro a leitura do livro do Marcelo Neri, ‘A Nova Classe Média’, um dos estudos mais bem feitos”, disse Dilma. Lançado em março, “A Nova Classe Média” é a síntese das pesquisas chefiadas por Neri na FGV-RJ nos últimos anos.

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Grécia continua no euro e...

...a União Europeia não vai explodir. Por enquanto.

Ontem, o partido conservador venceu as eleições, com quase 30% dos votos, a frente da esquerda radical, com 26%, e os socialistas, com 12%. Eram os socialistas que estavam no poder até 2011, e eles, na Grécia, são quase conservadores. Assim, conservadores e socialistas devem formar um governo coalizão, somando forças com outros partidos nanicos, e assim representar pouco mais de 50% dos votos.

A Grécia vai engolir o pesado programa de estabilização definido pela União Europeia, e, assim, não deixará a zona do euro.

Os mercados agradecem.

Agora é a vez da Espanha.

Aliás, será que os europeus vão aguentar tanto aperto assim?

domingo, 17 de junho de 2012

Domingo

O homem solitário é uma besta ou um deus.


Aristóteles, pensador grego.

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Hoje é um dia crucial. Os gregos votam para definir seu novo governo. A depender do vencedor, a Grécia pode ser o primeiro país a deixar a União Europeia.

Se isso acontecer, ninguém faz ideia do que pode acontecer.

Amanhã, os líderes das 20 maiores economias do mundo (o G-20), se reúnem para definir os próximos passos da política econômica global. Todos estarão discutindo uma coisa só: Grécia.

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Fim de expediente

Com Nara Leão, a mulher que mais gostaria de ter conhecido na vida. Aqui sua magistral interpretação de "Opinião", samba de Zé Keti de 1965, interpretado em 1966.

Nara, toda delicada e meiga no trato (como reconhecem todos que a conheceram), larga na frente nos protestos à ditadura. "Opinião", já em 1966, era um grito aos generais que ainda se arrumavam em suas cadeiras no poder.

Com o Rio de Janeiro pegando fogo, os militares aceleraram o processo de "fuga" do poder federal da Cidade Maravilhosa para Brasília.

Em Brasília, longe dos teatros, das ruas, das arquibancadas, os militares enfim se instalaram, entre Costa e Silva e a Junta Militar (1967-1969).

Aqui de Brasília, longe do povo e da cultura popular, o poder se emana desde então.

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Governo prepara medidas de incentivos às indústrias de autopeças e química

O governo deve anunciar nas próximas semanas um conjunto de estímulos à indústria química e um programa de incentivo aos fabricantes de autopeças. As medidas estão sendo finalizadas pelos ministérios da Fazenda, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação e serão submetidas à presidente Dilma Rousseff.

Heloísa Menezes, secretária de Desenvolvimento da Produção do Ministério do Desenvolvimento, diz que a ideia é conceder estímulos tributários e de crédito aos setores em troca de investimentos em inovação e maior utilização de conteúdo nacional. O pacote da indústria de autopeças visa preparar os fabricantes para o novo regime automotivo, a partir de 2013.

A Receita Federal faz uma avaliação sobre a situação fiscal das companhias do setor, que pediram ao governo, por meio do conselho de competitividade do setor automotivo (um dos 19 previstos no programa Brasil Maior) refinanciamento de dívidas com o Fisco. "Esse não é nosso ponto de partida. Já verificamos que os débitos com a União não são generalizados. Podemos contornar isso de forma pontual", diz Heloísa. A ideia do governo é tornar as montadoras garantidoras de seus fornecedores - os fabricantes de autopeças - na tomada de empréstimos bancários. Renault e Volkswagen já fazem isso e os planos são de universalizar a prática.

O governo garantirá recursos da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) para projetos de inovação em autopeças, que terão acesso a instituições de pesquisa federais, ao Sebrae e Senai.

Para a indústria química será criado um regime especial de tributação. "Nosso desejo é estimular os investimentos, que estão represados, atrair centros de pesquisa e desenvolvimento para o Brasil e incentivar a inovação", diz Heloísa. Para ela, o principal desafio é qualificar diferentes elos da cadeia produtiva, que têm sido "esvaziados" pelas importações. Haverá redução de alíquotas de impostos desde que as empresas utilizem insumos nacionais em seus processos produtivos. Nos 12 meses encerrados em abril, o déficit do setor foi de US$ 26,9 bilhões. Para auxiliar a indústria, o governo vai intensificar as compras que faz de fármacos e biofármacos, que contam com insumos da cadeia produtiva do ramo químico.


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Esta é a manchete da edição de hoje do Valor, assinada pelo blogueiro.

Para mais detalhes, clique aqui.

terça-feira, 12 de junho de 2012

Entrevista com Gabriel Chalita, hoje

Fui convidado para participar do programa "Tribuna Independente", na Rede Vida, para entrevistar Gabriel Chalita, pré-candidato do PMDB à Prefeitura de São Paulo. Aceitei, é claro. É sempre um grande prazer ir ao programa, comandado por Leandro Mazzini e a querida Denise Rothenburg, repórter especial do Correio Braziliense.

O programa será ao vivo, e começa logo mais, às 22h15min.

Estertores da Rio + 20

Começa amanhã a conferência Rio +20. Trata-se do mais importante evento de discussão sobre o desenvolvimento econômico do futuro desde a reunião em Copenhagen, no fim de 2009.

Barack Obama, o presidente americano, não vem. Angela Merkel, presidente alemã, também não.

De resto, mais de 100 líderes globais estarão no Rio de Janeiro. Entre eles, o novo presidente francês, François Hollande, o líder russo Vladimir Putin, e o primeiro-ministro chinês, Wen Jiabao.

Se a Rio +20 vai adiantar alguma coisa? Claro que vai. Todos já estamos pensando mais neste assunto -- de economia verde (seja lá o que isso signifique efetivamente) -- do que nos últimos anos, apenas por conta da conferência, apoiada pela Organização das Nações Unidas (ONU).

Mas azar maior não há. A Rio + 20 será sombreada pelas eleições na Grécia, que ocorrem neste domingo (e cujo resultado todo o mundo espera ansiosamente), e, em seguida, ocorre a reunião do G-20, o grupo das 20 maiores economias do mundo, no México. Em tempos de crise econômica mundial, as atenções de todos os líderes, empresários e sindicalistas está no agora -- como fazer para não elevar o desemprego, não reduzir salários e continuar inovando.

Vinte anos atrás, durante a Eco 1992 no Rio de Janeiro, o mundo foi obrigado a discutir meio ambiente. Mesmo cpm o presidente anfitrião, Fernando Collor, imerso em denúncias que o levariam a sofrer impeachment meses depois, o evento foi um sucesso inacreditável, ao inaugurar o assunto nas agendas internacionais.

Estamos mais maduros, e o tema é hoje consensual.

Mas o melhor que a Rio + 20 poderia fazer é criar uma série de platitudes, numa espécie de Convenção da Economia Verde, que estabelecesse um caminho de política econômica nacional e governança mundial mais amiga do meio ambiente.

Esse pessoal precisa pensar em termos de marketing: o Consenso de Washington, de 1989, pautou toda a política mundial até a crise de 2008. E não era nada além de um conjunto de platitudes bem vendida.

No dia que os ambientalistas deixarem de ser um grupo de nicho e entenderem que é preciso saber vender -- tocar corações, minha gente, it's all about touching hearts and minds... -- a ideia de economia verde será hegemônica.

Isso vai acontecer. Quem sabe, e eu não sou otimista quanto a isso, a Rio +20 não levanta essa bola?

Dia dos...


...dos namorados, com um beijo em você, fofura.

segunda-feira, 11 de junho de 2012

O contágio da crise espanhola no Brasil

O principal contágio, no curto prazo, que a economia brasileira pode ter dos problemas envolvendo o sistema bancário espanhol será por meio do fluxo de capitais, avaliam técnicos da área econômica do governo Dilma Rousseff. O temor dos mercados quanto ao verdadeiro estado dos bancos espanhóis pode atingir o Brasil através de uma nova rodada de desvalorização do real, em decorrência de um ingresso menor de divisas internacionais, processo que é acelerado pela contínua redução das taxas de juros no país. O governo vai agir, se for preciso, para evitar grande volatilidade no câmbio.

O principal instrumento será a atuação do Banco Central no mercado à vista (comprando mais ou menos dólares) e no mercado futuro (por meio da venda de contratos de swap cambial, que equivalem ao compromisso de compra futura de dólar). A ideia é manter o câmbio numa “zona de conforto” para a economia, dizem técnicos do governo, que permite estimular as exportações, sem encarecer importados. Mais que a valorização do câmbio, os técnicos do Ministério da Fazenda entendem que a volatilidade da moeda pode causar mais transtornos à atividade econômico.

Na ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, divulgada na sexta-feira, há uma menção explícita aos problemas enfrentados pela Espanha. Uma fonte no governo destacou que o parágrafo 69 da ata apresenta claramente a visão que os diretores do BC têm da situação espanhola. “com os sinais de fragilidade do sistema bancário na Espanha, o que elevou os prêmios de risco desse país, dificultando o acesso ao mercado de dívida soberana. Nesse cenário, o dólar avançou em relação ao euro e às moedas de países emergentes”, diz o Banco Central na ata.

Além do contágio no curto prazo, por meio da taxa de câmbio, o governo teme que, caso o empréstimo de até 100 bilhões dos integrantes da União Europeia à Espanha para solucionar os problemas de seus bancos não funcione, a crise espanhola se agrave. Neste cenário, de médio prazo, o Brasil pode ser afetado de forma mais estrutural.

Segundo o Ministério das Relações Exteriores, a Espanha é o segundo maior investidor estrangeiro no Brasil, com um estoque de capital de aproximadamente US$ 85 bilhões. Em 2011, o comércio bilateral somou US$ 7,97 bilhões, alta de 20% em relação ao ano anterior.

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, pode conceder uma entrevista em Brasília, entre hoje e amanhã, para acalmar o mercado. A ideia, segundo interlocutores do ministro, é destacar que as reservas internacionais (de quase US$ 380 bilhões, mantidas pelo Banco Central) e a solidez fiscal, representada pelo forte superávit primário obtido nos primeiros meses deste ano, configuram um colchão de liquidez capaz de contrabalançar a crise externa.

No limite, os dólares das reservas podem ser disponibilizados pelo BC ao mercado para garantir a baixa volatilidade da taxa de câmbio, enquanto que a economia de recursos fiscais realizada no primeiro semestre pode ser reduzida, para reforçar as despesas e os investimentos públicos. Este, no entanto, não é o quadro esperado pelas autoridades econômicas do governo Dilma Rousseff, mas um cenário pessimista, que pode não se realizar.

Os desdobramentos da crise na Espanha foram um dos principais temas debatidos por Dilma e integrantes da equipe econômica na semana passada. No fim de semana, entretanto, Dilma não manteve encontros oficiais para discutir o assunto. A presidente recebeu no dia 4 comitiva de empresários e autoridades espanhóis, a qual foi liderada pelo rei espanhol, Juan Carlos I. Durante as conversas, os interlocutores espanhóis de Dilma pediram ajuda do Brasil para superar a crise. Em contrapartida, a presidente defendeu que as empresas do país ibérico mantivessem os investimentos no Brasil.

Técnicos do governo entendem que as dificuldades serão maiores a partir da semana que vem, a depender do resultado das eleições na Grécia, que serão realizadas no próximo domingo.

Mais três aeroportos serão concedidos à iniciativa privada

O governo deve anunciar nesta semana a concessão de mais três aeroportos à iniciativa privada. Os aeroportos de Galeão (RJ) e Confins (MG) estão entre os três que a presidente Dilma Rousseff aceitou transferir da Infraero para os consórcios. Dilma deve aproveitar a cerimônia no Palácio do Planalto em que serão assinados os contratos dos três aeroportos já concedidos — Viracopos (SP), Guarulhos (SP) e Brasília (DF) — para anunciar as novas concessões. O Valor apurou que ao lado de Galeão e Confins, o terceiro aeroporto a ser concedido deve ser o de Salvador (BA), embora também haja especulações sobre o terminal de Recife.


A decisão de anunciar três novas concessões de aeroportos ocorre num momento em que a presidente Dilma Rousseff se mostra preocupada com o ritmo dos investimentos, tanto os públicos quanto os privados. Com as novas concessões, o governo espera “desatar” os investimentos de empresas na área, segundo uma fonte do alto escalão da área econômica. Isso ocorrerá ao mesmo tempo em que os contratos dos três aeroportos concedidos em fevereiro à iniciativa privada serão fechados.

Nos primeiros quatro meses deste ano, o aeroporto de Galeão recebeu 5,717 milhões de passageiros. Já Confins recebeu 3,429 milhões de passageiros no mesmo período. Em Salvador, a movimentação entre janeiro e abril chegou a 2,788 milhões de pessoas. Em Recife, atingiu 2,207 milhões de usuários.

Até ontem, técnicos do governo não confirmavam a inclusão do aeroporto de Salvador no pacote de novas concessões. Um técnico afirmou ao Valor que o aeroporto de Recife (PE) não estava descartado, mas que as chances de Salvador eram maiores.

A assinatura dos contratos de concessão dos aeroportos de Brasília, Guarulhos e Viracopos deveria ter ocorrido no fim de maio, mas foi adiada por 15 dias, prazo para que as empresas concessionárias apresentassem a certidão de registro das juntas comerciais relativa às atas das assembleias de acionistas e ao estatuto social.

Havia a expectativa de que os consórcios vencedores chegassem à assinatura dos contratos com os quadros de acionistas alterados, mas há pouca probabilidade de que essas mudanças se confirmem, por conta de entraves regulatórios previstos na lei de licitações. Paralelamente, os consórcios têm sido categóricos em afirmar que não estão negociando a composição acionária com nenhuma outra empresa. A movimentação dos acionistas, no entanto, deve se intensificar após a homologação das concessões.

domingo, 10 de junho de 2012

Domingo

Eu não gosto do terço
Eu não gosto do berço
De Jesus de Belém
Eu não gosto do papa
Eu não creio na graça
Do milagre de Deus
Eu não gosto da igreja
Eu não entro na igreja
Não tenho religião


Titãs, "Igreja", 1986.

sexta-feira, 8 de junho de 2012

Fim de expediente

Com os jovens que fizeram Brasília entrar no radar cultural do mundo, a partir de 1984.

Legião Urbana com "Será", em 1985, colocando Brasília ao lado do Rio de Janeiro, com a Blitz, Lobão e Barão Vermelho, e São Paulo, com Titãs, na cabeça jovem dos anos 1980.

A salada regional brasileira se completaria nos anos 1990, quando surgem o Sepultura, de Belo Horizonte (Minas Gerais), e Chico Science e Nação Zumbi, de Recife (Pernambuco).

O esforço pelos investimentos públicos

A presidente Dilma Rousseff cobrou dos ministros um “pente-fino” sobre todos os contratos envolvendo investimentos das diferentes pastas e que envolvem Estados e municípios. O esforço será concentrado em diferentes áreas. As obras que não começaram porque a previsão original de início em 2013 devem ser antecipadas, e o governo vai garantir recursos orçamentários para essas iniciativas. Já os programas com atrasos, como o de construção de creches e os projetos de mobilidade urbana, devem ser acelerados pelos ministérios. Além disso, o programa Brasil Maior pode ser mais uma vez ampliado, com a incorporação de novos segmentos da economia no dispositivo que garante uma margem de preço para produtos nacionais participarem de licitações envolvendo compras governamentais.
Dilma tem pressa. Segundo três ministros afirmaram ao Valor, o objetivo da presidente é "tirar o atraso" dos projetos que envolvem investimentos produtivos do setor público federal, e esse esforço deve ser feito logo, de forma a impactar já o ritmo da economia neste ano. O “pacote” de aceleração dos investimentos públicos está em estudos avançados na Esplanada dos Ministérios. Na semana que vem, a presidente deve voltar a reunir diversos ministros no Palácio do Planalto para cobrar respostas do que pode ser antecipado, acelerado ou tirado do papel.

O Ministério da Educação (MEC) é visto como um importante motor de propulsão dos gastos públicos seja por meio de construção de creches do programa Pró Infância, que está num ritmo aquém do desejado, como incremento das compras governamentais como ônibus escolares para o programa Caminho da Escola, ventiladores a aparelhos de ar-condicionado. Neste caso, o braço do ministério para compras é o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE).

Além de um esforço adicional nas compras realizadas pelo MEC e da aceleração das obras envolvendo creches, estuda-se no governo a criação da segunda etapa do programa Reuni, de construção e reforma de universidades e institutos federais. O primeiro Reuni, iniciado em 2007, termina neste ano — ao longo desses seis anos, o programa consumiu R$ 3 bilhões. Nas discussões no governo, o Reuni 2 envolveria cifras semelhantes e seria iniciado em 2013.

O Ministério das Cidades termina nesta semana um amplo levantamento de todas as obras tocadas pela pasta de forma a mapear as que estão atrasadas e podem ser aceleradas. A nova forma de licitar do ministério, antecipada pelo ministro Aguinaldo Ribeiro ao Valor há duas semanas, leva em conta apenas o projeto executivo de engenharia, que é mais elaborado que o projeto básico. Sem as distorções de engenharia e os aditivos de preços nas obras, a aposta que a pasta levará a Dilma é que os projetos vão "deslanchar".

O Brasil Maior, lançado em agosto do ano passado e ampliado em abril deste ano, pode ser mais uma vez ampliado ainda neste mês. Um dispositivo no programa permite aos ministérios adquirir produtos da indústria brasileira com margem de preço de até 25% sobre concorrentes importados. Já estão regulamentados os setores têxtil, calçadista, da indústria de defesa e complexo industrial da saúde. Outros segmentos podem ser incluídos no pacote.

A clara disposição da presidente Dilma Rousseff em utilizar recursos públicos para dinamizar os investimentos ainda neste ano não inviabiliza o cumprimento da ambiciosa meta de superávit primário para o ano (de R$ 96,9 bilhões para Tesouro Nacional, Previdência Social e Banco Central).

"A presidente entende que é compatível um superávit primário forte com os investimentos também fortes. Isso é muito importante: o Brasil só vai crescer de forma sustentável e os investimentos forem fortes”, disse um ministro ao Valor.
 
 
***
 
Essa é minha reportagem no Valor de hoje, feita a quatro mãos, com a amiga Edna Simão.
 
Em tempos de medidas de estímulo à economia, num governo tão fechado quanto esse, o fato de termos falado com três ministros é um feito e tanto.

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Interlúdio

Aqueles dias foram fantásticos.


Grande Prêmio de Mônaco, Fórmula 1, em 1991. Um compacto de nove minutos com uma corrida fantástica. Ayrton Senna na Mclaren, Nigel Mansell na Williams, Alain Prost na Ferrari e Nelson Piquet na Benetton.

Aqueles dias...

terça-feira, 5 de junho de 2012

A velocidade da economia

A presidente Dilma Rousseff não consegue se conformar com o ritmo da economia.

Ontem chamou, de última hora, quase todos os seus ministros da área econômica e de infraestrutura para passar um recado: está na hora do investimento público disparar, e, com isso, puxar o investimento privado, que também deve ter travas retiradas.

Dilma chamou os ministros Guido Mantega (Fazenda), Fernando Pimentel (Desenvolvimento), Miriam Belchior (Planejamento), Edison Lobão (Minas e Energia), Aguinaldo Ribeiro (Cidades), Paulo Sérgio Passos (Transportes), Gleisi Hoffmann (Casa Civil) e o presidente do BNDES, Luciano Coutinho.

Três deles mudaram suas agendas para cumprir a determinação de última hora de Dilma. Mantega estava em SP e precisou antecipar sua volta a Brasília. Pimentel estava embarcando para o Catár, onde encontraria diretores de fundos de investimentos do Oriente Médio, e mudou a rota para Brasília. Luciano Coutinho iria fazer uma palestra no Rio de Janeiro, e cancelou para ir à reunião.

A economia anda fraca, e dificilmente crescerá acima de 3% neste ano. Já foi fraca também em 2011, quando o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu apenas 2,7%.

Dilma ficou irritada com o fraquíssimo ritmo de liberação de recursos no Ministério dos Transportes, e também em alguns programas do Ministério das Cidades. Estes são justamente os mais importantes braços do setor público para investimentos, especialmente para os projetos inseridos no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

Ao mesmo tempo, cobrou celeridade do Ministério da Fazenda na definição dos cortes de impostos que incidem sobre a conta de luz, de forma a baratear o custo da energia elétrica. Ouviu dos economistas da área econômica que a queda nas taxas de juros e a taxa de câmbio mais desvalorizada (com o dólar em torno de R$ 2,00) ainda vão fazer efeito sobre a economia.

Dilma quer mais medidas, mais pacotes, quer crescimento.

Preparem-se.

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Banco Central intervém hoje no banco Cruzeiro do Sul, dono de rombo de R$ 1,3 bi

Sim, meus amigos e amigas, quando vocês pensaram que os problemas envolvendo o banco Panamericano, entre 2009 e 2010, tinham servido de lição para os bancos médios brasileiros, vocês estavam enganados. O blog também estava nessa: eu tinha certeza que ninguém seria capaz de fazer uma besteira como a do Panamericano.

O banco Cruzeiro do Sul fez.

Hoje, o banco que pertence a família Índio da Costa sofre intervenção do Banco Central (BC) para tentar entender como o banco conseguiu alcançar um rombo de R$ 1,3 bilhão em seu patrimônio. Ontem à noite, após muita negociação, o presidente-executivo do Cruzeiro do Sul, Luís Octávio Índio da Costa, negociou um empréstimo em igual quantia do Fundo Garantidor de Crédito (FGC).

A pergunta é: como que um banco especializado em crédito consignado (a modalidade mais fácil de acabar com a inadimplência, já que o banco retira direto da conta do tomados os recursos para pagar o empréstimo) e num momento de franco crescimento do mercado no Brasil consegue registrar um rombo de 1 bilhão e trezentos milhões de reais?

Isso é o que a família do ex-candidato à vice-presidente do Brasil, Índio da Costa (ex-DEM, atual PSD), terá de explicar a partir de hoje.

E vocês aí achando que a semana seria tranquila.

domingo, 3 de junho de 2012

Domingo

Liberdade é, apenas e exclusivamente, a liberdade dos que pensam de modo diferente. Rosa Luxemburgo, pensadora socialista.

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Fim de expediente

Com Ozzy Osbourne, "I don't want to change the world", em versão matadora, com Zakk Wylde na guitarra.

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