Ontem, o time mais charmoso do Brasil, o Botafogo, foi campeão da Taça Rio, depois de uma final em que o Vasco, mais uma vez, perdeu uma final para o Botafogo. Em toda a história, Botafogo e Vasco se enfrentaram em 9 decisões de campeonato, contando a de ontem. O Botafogo foi campeão em oito... o Vasco apenas em uma.
Agora, a final do Campeonato Carioca de 2012 não poderia ser mais clássica: Botafogo x Fluminense.
Vivemos em um país em que os jovens já nascem conservadores, e se tornam ainda mais conservadores conforme envelhecem. São incentivados pelo anacronismo e pelas facilidades a evitar o pensamento crítico. O escapismo é a ordem e o progresso é a intolerância.
segunda-feira, 30 de abril de 2012
A mudança na caderneta de poupança
Estão prontas, no Ministério da Fazenda, duas propostas de mudanças na rentabilidade da caderneta de poupança, à partir da queda da taxa básica de juros. Qualquer alteração, porém, ainda depende de uma “decisão política” da presidente Dilma Rousseff para ser implementada. O corte da Selic para 9% ao ano não deve provocar uma migração dos recursos hoje aplicados em fundos de investimentos para a poupança, mas especulações a respeito de uma possível decisão da presidente começaram a surgir há duas semanas
Fixada em lei, a rentabilidade da poupança (6,17% ao ano mais isenção do Imposto de Renda) é tida como um entrave para uma baixa mais da Selic. O Palácio do Planalto sempre descartou a possibilidade da presidente enviar uma proposta nessa direção ao Congresso em ano eleitoral e de CPI do Cachoeira, mesmo com o elevado índice de popularidade de Dilma.
Para propor alterações na poupança, é fundamental que se visualize a fuga de investidores, movimento que ainda não foi identificado. O governo entende que a caderneta só será mais vantajosa que a aplicação em títulos públicos quando a Selic atingir um patamar inferior a 8,5% ao ano. Hoje em 9% ao ano, a Selic teria que cair mais 0,75 pontos percentuais, ou seja, atingir 8,25% ao ano, para desencadear as mudanças.
Há duas minutas de Medida Provisória (MP) prontas, que alteram as regras de remuneração da poupança, aguardando a decisão da presidente. Em ambas, a isenção do Imposto de Renda (IR) sobre as aplicações continuaria. Este é considerado um ponto fundamental para o governo Dilma. A presidente entende que a popularização da caderneta decorre principalmente pelo fato de o rendimento não ser tributado de IR.
Por uma das propostas, seria extinto o juro fixo de 0,5% ao mês e este seria substituídos pela Selic, aplicado um redutor de 20%. Isto é, o investidor da poupança embolsaria 80% da Selic., além da Taxa Referencial (TR). A tendência da TR é zerar a partir de uma queda mais acentuada dos juros básicos. Os defensores dessa alternativa avaliam que a “indexação” à Selic potencializaria os efeitos da política monetária.
Na outra sugestão de medida provisória, o juro fixo e a TR são extintos, até porque esta cai para zero. O retorno da poupança passaria a ser variado, tendo a taxa de 0,6% ao mês como teto, que seria atingido quando a Selic estivesse em 8,5% ao ano ou mais. Conforme a Selic for caindo abaixo de 8,5% ao ano, o rendimento da poupança também recuaria, até o mínimo de 0,23% ao mês. Ao todo, o projeto prevê nove faixas de remuneração. Neste projeto, apenas os novos depósitos seriam atingidos.
Há, ainda, a alternativa do projeto de 2009. As aplicações iguais ou superiores a R$ 50 mil na caderneta de poupança seriam taxadas de Imposto de Renda.
Tudo vai depender do BC. Se a Selic realmente continuar caindo, o governo vai ter de mudar a poupança. Hoje, com Selic a 9% ao ano, ainda é mais atrativo aplicar em um fundo de renda fixa com taxa de administração de 1% ou por meio do Tesouro Direto do que na caderneta de poupança. Com Selic de 8,5% ao ano, apenas o Tesouro Direto será mais vantajoso. Com a Selic a 8,25% ao ano, a poupança ganha de todas as formas de investimentos.
Dilma não gostaria de ter diante de si, num ano eleitoral, este cenário.
Fixada em lei, a rentabilidade da poupança (6,17% ao ano mais isenção do Imposto de Renda) é tida como um entrave para uma baixa mais da Selic. O Palácio do Planalto sempre descartou a possibilidade da presidente enviar uma proposta nessa direção ao Congresso em ano eleitoral e de CPI do Cachoeira, mesmo com o elevado índice de popularidade de Dilma.
Para propor alterações na poupança, é fundamental que se visualize a fuga de investidores, movimento que ainda não foi identificado. O governo entende que a caderneta só será mais vantajosa que a aplicação em títulos públicos quando a Selic atingir um patamar inferior a 8,5% ao ano. Hoje em 9% ao ano, a Selic teria que cair mais 0,75 pontos percentuais, ou seja, atingir 8,25% ao ano, para desencadear as mudanças.
Há duas minutas de Medida Provisória (MP) prontas, que alteram as regras de remuneração da poupança, aguardando a decisão da presidente. Em ambas, a isenção do Imposto de Renda (IR) sobre as aplicações continuaria. Este é considerado um ponto fundamental para o governo Dilma. A presidente entende que a popularização da caderneta decorre principalmente pelo fato de o rendimento não ser tributado de IR.
Por uma das propostas, seria extinto o juro fixo de 0,5% ao mês e este seria substituídos pela Selic, aplicado um redutor de 20%. Isto é, o investidor da poupança embolsaria 80% da Selic., além da Taxa Referencial (TR). A tendência da TR é zerar a partir de uma queda mais acentuada dos juros básicos. Os defensores dessa alternativa avaliam que a “indexação” à Selic potencializaria os efeitos da política monetária.
Na outra sugestão de medida provisória, o juro fixo e a TR são extintos, até porque esta cai para zero. O retorno da poupança passaria a ser variado, tendo a taxa de 0,6% ao mês como teto, que seria atingido quando a Selic estivesse em 8,5% ao ano ou mais. Conforme a Selic for caindo abaixo de 8,5% ao ano, o rendimento da poupança também recuaria, até o mínimo de 0,23% ao mês. Ao todo, o projeto prevê nove faixas de remuneração. Neste projeto, apenas os novos depósitos seriam atingidos.
Há, ainda, a alternativa do projeto de 2009. As aplicações iguais ou superiores a R$ 50 mil na caderneta de poupança seriam taxadas de Imposto de Renda.
Tudo vai depender do BC. Se a Selic realmente continuar caindo, o governo vai ter de mudar a poupança. Hoje, com Selic a 9% ao ano, ainda é mais atrativo aplicar em um fundo de renda fixa com taxa de administração de 1% ou por meio do Tesouro Direto do que na caderneta de poupança. Com Selic de 8,5% ao ano, apenas o Tesouro Direto será mais vantajoso. Com a Selic a 8,25% ao ano, a poupança ganha de todas as formas de investimentos.
Dilma não gostaria de ter diante de si, num ano eleitoral, este cenário.
domingo, 29 de abril de 2012
Domingo
O sistema de crédito torna absurda a frase segundo a qual o capital nasce da poupança, pois o que o especulador espera é que outros poupem para ele... a outra frase, a da abstinência, recebe um bofetão na cara, pois o luxo é convertido também em instrumento de crédito... ideias que tinham alguma justificativa, em fases menos desenvolvidas da produção capitalista, perdem toda a razão de ser.
Karl Marx, pensador alemão.
Karl Marx, pensador alemão.
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sexta-feira, 27 de abril de 2012
quinta-feira, 26 de abril de 2012
O destino da Argentina
"Quem investirá na Argentina?"
De Felipe Calderón, presidente do México, na terça-feira passada.
***
Se Nestor Kirchner, entre 2003 e 2006, fez um trabalho maravilhoso, sua esposa, Cristina, está destruindo.
Nestor pode ser culpado pela loucura em vigor na Argentina, porque desde o fim de 2006, e ao longo de seu último na presidência (em 2007), passou a desarticular todos os tentáculos da exitosa política econômica praticada na recuperação do país falido pela quebra de 2001.
Mas Cristina, que assumiu em 2008, está, a cada dia, levando seu país para o buraco.
A Argentina não terá um 2013 bom. Vai começar a explodir no fim deste ano.
Podem escrever.
***
Curiosidade macabra
Em setembro de 2010, entrevistei Martin Wolf, o mais influente economista dos países ricos, colunista do Financial Times, e autor best-seller de livros de cabeceira dos economistas do FMI, do Banco Mundial e dos governos dos países ricos.
Na entrevista, publicada no Valor, Wolf disse algo enigmático: "em dois anos, um país emergente vai quebrar". Perguntei se seria o Brasil, e ele disse que "não, muito provavelmente não".
À época, todos os colegas no Valor ficaram quebrando a cabeça para tentar vislumbrar quem, dois anos depois (ou seja, fim de 2012) poderia "quebrar" na América Latina. Vários economistas do mercado em conversas comigo, à época, ficavam especulando. Wolf sabe das coisas, e tem a sensibilidade aguçada de inglês. Ele sabia do que estava falando, mas ninguém sabia o que ele poderia estar dizendo.
Hoje, quase dois anos depois, parece que a profecia de Wolf está se realizando.
De Felipe Calderón, presidente do México, na terça-feira passada.
***
Se Nestor Kirchner, entre 2003 e 2006, fez um trabalho maravilhoso, sua esposa, Cristina, está destruindo.
Nestor pode ser culpado pela loucura em vigor na Argentina, porque desde o fim de 2006, e ao longo de seu último na presidência (em 2007), passou a desarticular todos os tentáculos da exitosa política econômica praticada na recuperação do país falido pela quebra de 2001.
Mas Cristina, que assumiu em 2008, está, a cada dia, levando seu país para o buraco.
A Argentina não terá um 2013 bom. Vai começar a explodir no fim deste ano.
Podem escrever.
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Curiosidade macabra
Em setembro de 2010, entrevistei Martin Wolf, o mais influente economista dos países ricos, colunista do Financial Times, e autor best-seller de livros de cabeceira dos economistas do FMI, do Banco Mundial e dos governos dos países ricos.
Na entrevista, publicada no Valor, Wolf disse algo enigmático: "em dois anos, um país emergente vai quebrar". Perguntei se seria o Brasil, e ele disse que "não, muito provavelmente não".
À época, todos os colegas no Valor ficaram quebrando a cabeça para tentar vislumbrar quem, dois anos depois (ou seja, fim de 2012) poderia "quebrar" na América Latina. Vários economistas do mercado em conversas comigo, à época, ficavam especulando. Wolf sabe das coisas, e tem a sensibilidade aguçada de inglês. Ele sabia do que estava falando, mas ninguém sabia o que ele poderia estar dizendo.
Hoje, quase dois anos depois, parece que a profecia de Wolf está se realizando.
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O mundo Xingu
"Antes do descobrimento do Brasil, o índio era mais feliz, mais pleno e mais autêntico. Hoje, está sujeito ao processo de nossa evolução. Antes do contato com os civilizados, os índios viviam dentro da simplicidade de seu sistema de valores e movidos unicamente pela estimulações próprias de sua cultura tradicional. Eram povos não só auto-suficientes, mas absolutamente conscientes daquilo que eram como homens, como sociedade. Se achamos que nosso objetivo aqui, na nossa rápida passagem pela terra, é acumular riqueza, então não temos nada a aprender com os índios."
Cláudio Villas-Bôas.
Abro o post com uma citação clássica de um grande brasileiro para falar de cinema.
O cinema brasileiro está vivíssimo.
No último fim de semana vi um filme extraordinário: "Xingu", dirigido por Cao Hamburger, com atuações soberbas de Caio Blat, Felipe Camargo, e João Miguel. Aliás, estou para assistir um filme em que João Miguel não é soberbo.
Xingu, evidentemente, conta a história do Parque Nacional do Xingu, sobre a perspectiva dos irmãos Orlando, Cláudio e Leonardo Villas-Bôas. A aventura iniciada em 1943, com os irmãos se remetendo nas expedições iniciadas pela ditadura de Getúlio Vargas, sob o Estado Novo.
O filme mostra tudo: da interação das diversas tribos do Xingu, às negociações, conduzidas por Orlando no Rio de Janeiro (então capital) com a classe política, pela criação do Parque Indígena do Xingu. Conquistam a crucial ajuda de Darcy Ribeiro, e, depois, o compromisso de Jânio Quadros, de que, se eleito presidente em 1960, faria a demarcação de terra e criaria o parque. Isso, de fato, aconteceu em abril de 1961.
Um filme brilhante sobre uma história apaixonante.
O Blog, viciado em cinema e muito crítico, indica com muito entusiasmo ao leitor. Não há como não gostar de "Xingu".
Cláudio Villas-Bôas.
Abro o post com uma citação clássica de um grande brasileiro para falar de cinema.
O cinema brasileiro está vivíssimo.
No último fim de semana vi um filme extraordinário: "Xingu", dirigido por Cao Hamburger, com atuações soberbas de Caio Blat, Felipe Camargo, e João Miguel. Aliás, estou para assistir um filme em que João Miguel não é soberbo.
Xingu, evidentemente, conta a história do Parque Nacional do Xingu, sobre a perspectiva dos irmãos Orlando, Cláudio e Leonardo Villas-Bôas. A aventura iniciada em 1943, com os irmãos se remetendo nas expedições iniciadas pela ditadura de Getúlio Vargas, sob o Estado Novo.
O filme mostra tudo: da interação das diversas tribos do Xingu, às negociações, conduzidas por Orlando no Rio de Janeiro (então capital) com a classe política, pela criação do Parque Indígena do Xingu. Conquistam a crucial ajuda de Darcy Ribeiro, e, depois, o compromisso de Jânio Quadros, de que, se eleito presidente em 1960, faria a demarcação de terra e criaria o parque. Isso, de fato, aconteceu em abril de 1961.
Um filme brilhante sobre uma história apaixonante.
O Blog, viciado em cinema e muito crítico, indica com muito entusiasmo ao leitor. Não há como não gostar de "Xingu".
quarta-feira, 25 de abril de 2012
O esquema Cachoeira
Ótimo info-gráfico da Folha:
A CPI do Cachoeira será oficialmente instalada hoje e não terá outro assunto no Congresso.
***
A história está pegando fogo. O dono da empresa Delta, Fernando Cavendish, e o diretor da companhia no Distrito Federal (DF), Carlos Pacheco, envolvidos nos grampos da Polícia Federal (PF), vão deixar hoje a Delta.
Uma das maiores empreiteras do país já anunciou que deixará as obras da Petrobras no Rio, e também está passando por um pente fino do Tribunal de Contas da União (TCU), que analisa todos os contratos da Delta com o governo federal. A Delta é a maior empreitera do PAC.
A CPI do Cachoeira, se efetivamente funcionar, será um marco no país.
A CPI do Cachoeira será oficialmente instalada hoje e não terá outro assunto no Congresso.
***
A história está pegando fogo. O dono da empresa Delta, Fernando Cavendish, e o diretor da companhia no Distrito Federal (DF), Carlos Pacheco, envolvidos nos grampos da Polícia Federal (PF), vão deixar hoje a Delta.
Uma das maiores empreiteras do país já anunciou que deixará as obras da Petrobras no Rio, e também está passando por um pente fino do Tribunal de Contas da União (TCU), que analisa todos os contratos da Delta com o governo federal. A Delta é a maior empreitera do PAC.
A CPI do Cachoeira, se efetivamente funcionar, será um marco no país.
terça-feira, 24 de abril de 2012
Anotações
O senador Renan Calheiros (PMDB-AL) estava pronto para anunciar para algum jornal que é candidato à presidência do Senado em 2013, quando termina o mandato de José Sarney (PMDB-AP). Renan já tinha preparado até uma estratégia: daria uma entrevista em formato pingue e pongue para um dos jornalões (Estadão, Folha, O Globo ou Valor) onde faria uma análise da situação política do Senado, da relação entre Dilma e o Congresso, e, no meio, diria que é candidato.
Mas a instalação da CPI do Cachoeria atrapalhou seus planos.
Vai deixar para o segundo semestre.
***
A crise no Supremo é séria. Acompanhei a posse de Carlos Ayres Britto como presidente, na última quinta-feira no STF, e estava claro que os ministros não estavam mantendo entre si um clima amistoso.
Também pudera.
Cezar Peluso deu entrevistas ridículas no último dia antes de deixar a presidência do STF, na quarta-feira, em que atirava nos colegas, em Dilma e no Congresso.
Passada a posse, na sexta, foi a vez de Joaquim Barbosa reagir em uma entrevista pesadíssima n'O Globo. Criticou Peluso, a quem chamou de "ridículo", "caipira" e o acusou de manipular votações no Supremo.
A crise é séria e ainda vai durar algum tempo, ainda que permaneça nos bastidores.
***
O Ministério do Trabalho está há quase 160 dias sem ministro e sem secretário-executivo.
E ninguém percebeu.
Uma pessoa influente no Palácio do Planalto contou ao Blog que a presidente não tem urgência para anunciar um nome.
***
A ata da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que será divulgada na quinta-feira, deve indicar um novo passo do Banco Central (BC) -- a Selic, hoje em 9% ao ano, pode cair mais um pouquinho. O BC vai deixar o caminho aberto para um novo, e último, corte na reunião de maio do Copom.
O mercado está totalmente dividido. Há quem acha que o BC terminou o ciclo de ajuste monetário, e vai deixar a Selic em 9% ao ano até o fim de 2012. Aliás, foi exatamente isso o que o próprio BC explicitou na última ata do Copom, em março. Os diretores do BC disseram naquela oportunidade que a Selic atingira um patamar ligeiramente acima da mínima histórica e assim ficaria até o fim do ano.
Como a mínima histórica foi 8,75% ao ano (entre o fim de 2009 e abril de 2010), o mercado logo entendeu que "ligeiramente acima" disso seria 9% ao ano.
Mas há gente de peso no mercado dizendo que o BC tem espaço para fazer mais um último corte, de 0,25 pontos percentuais, em maio, que levaria a Selic a 8,75% ao ano.
Finalmente, uma minoria do mercado ainda acredita que o BC será mais ousado: levará a Selic a 8,5% ao ano, estabelecendo assim uma nova mínima histórica.
Se ficar até 8,5% o governo não vai precisar alterar as regras de remuneração da caderneta de poupança em 2012, mas em 2013.
***
Vocês já viram "Xingu"?
Belíssimo filme. O Blog indica com muito entusiasmo.
***
Um passarinho contou ao Blog que o pré-candidato tucano à Prefeitura de São Paulo, José Serra (PSDB), já tomou sua decisão quanto ao vice na chapa: será Guilherme Afif Domingues (PSD).
Os outros dois nomes indicados pelo PSD, o partido do atual prefeito Gilberto Kassab, não estavam confortáveis com a ideia de ser vice -- nem Henrique Meirelles nem Ricardo Patah gostam da ideia...
***
Uma das seis centrais sindicais que abocanham uma parcela do imposto sindical desde 2008, quando Lula autorizou a partilha, não vai receber mais a partir de 2012.
A CGTB, que até o ano passado colocou nos bolsos R$ 15 milhões com o imposto sindical, rachou e metade foi para a Central Sindical de Profissionais (CSP). Resultado: nenhuma das duas, CGTB ou CSP, tem o tamanho mínimo (de sindicatos e trabalhadores representados) previsto na lei para receber uma parcela do imposto sindical.
Mas como o Brasil é o Brasil, os dois lados -- CGTB e CSP -- não saem do gabinete do ministro interino do Trabalho, Paulo Roberto dos Santos Pinto, em busca de um acordo para que as duas recebam ao menos um tantinho.
Será que elas vão conseguir?
***
O blogueiro está que está. Dentro de um mês completa um ano em Brasília.
Mas a instalação da CPI do Cachoeria atrapalhou seus planos.
Vai deixar para o segundo semestre.
***
A crise no Supremo é séria. Acompanhei a posse de Carlos Ayres Britto como presidente, na última quinta-feira no STF, e estava claro que os ministros não estavam mantendo entre si um clima amistoso.
Também pudera.
Cezar Peluso deu entrevistas ridículas no último dia antes de deixar a presidência do STF, na quarta-feira, em que atirava nos colegas, em Dilma e no Congresso.
Passada a posse, na sexta, foi a vez de Joaquim Barbosa reagir em uma entrevista pesadíssima n'O Globo. Criticou Peluso, a quem chamou de "ridículo", "caipira" e o acusou de manipular votações no Supremo.
A crise é séria e ainda vai durar algum tempo, ainda que permaneça nos bastidores.
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O Ministério do Trabalho está há quase 160 dias sem ministro e sem secretário-executivo.
E ninguém percebeu.
Uma pessoa influente no Palácio do Planalto contou ao Blog que a presidente não tem urgência para anunciar um nome.
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A ata da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que será divulgada na quinta-feira, deve indicar um novo passo do Banco Central (BC) -- a Selic, hoje em 9% ao ano, pode cair mais um pouquinho. O BC vai deixar o caminho aberto para um novo, e último, corte na reunião de maio do Copom.
O mercado está totalmente dividido. Há quem acha que o BC terminou o ciclo de ajuste monetário, e vai deixar a Selic em 9% ao ano até o fim de 2012. Aliás, foi exatamente isso o que o próprio BC explicitou na última ata do Copom, em março. Os diretores do BC disseram naquela oportunidade que a Selic atingira um patamar ligeiramente acima da mínima histórica e assim ficaria até o fim do ano.
Como a mínima histórica foi 8,75% ao ano (entre o fim de 2009 e abril de 2010), o mercado logo entendeu que "ligeiramente acima" disso seria 9% ao ano.
Mas há gente de peso no mercado dizendo que o BC tem espaço para fazer mais um último corte, de 0,25 pontos percentuais, em maio, que levaria a Selic a 8,75% ao ano.
Finalmente, uma minoria do mercado ainda acredita que o BC será mais ousado: levará a Selic a 8,5% ao ano, estabelecendo assim uma nova mínima histórica.
Se ficar até 8,5% o governo não vai precisar alterar as regras de remuneração da caderneta de poupança em 2012, mas em 2013.
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Vocês já viram "Xingu"?
Belíssimo filme. O Blog indica com muito entusiasmo.
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Um passarinho contou ao Blog que o pré-candidato tucano à Prefeitura de São Paulo, José Serra (PSDB), já tomou sua decisão quanto ao vice na chapa: será Guilherme Afif Domingues (PSD).
Os outros dois nomes indicados pelo PSD, o partido do atual prefeito Gilberto Kassab, não estavam confortáveis com a ideia de ser vice -- nem Henrique Meirelles nem Ricardo Patah gostam da ideia...
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Uma das seis centrais sindicais que abocanham uma parcela do imposto sindical desde 2008, quando Lula autorizou a partilha, não vai receber mais a partir de 2012.
A CGTB, que até o ano passado colocou nos bolsos R$ 15 milhões com o imposto sindical, rachou e metade foi para a Central Sindical de Profissionais (CSP). Resultado: nenhuma das duas, CGTB ou CSP, tem o tamanho mínimo (de sindicatos e trabalhadores representados) previsto na lei para receber uma parcela do imposto sindical.
Mas como o Brasil é o Brasil, os dois lados -- CGTB e CSP -- não saem do gabinete do ministro interino do Trabalho, Paulo Roberto dos Santos Pinto, em busca de um acordo para que as duas recebam ao menos um tantinho.
Será que elas vão conseguir?
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O blogueiro está que está. Dentro de um mês completa um ano em Brasília.
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segunda-feira, 23 de abril de 2012
150 dias sem Ministério do Trabalho
E alguém percebeu?
O Ministério do Trabalho está há 150 dias sem um ministro titular. Desde 4 de dezembro do ano passado, as duas principais posições da Pasta — a chefia e a secretaria-executiva — são ocupadas por interinos, que não foram recebidos pela presidente Dilma Rousseff e nem são prestigiados pelo PDT, partido ao qual são filiados, que luta diariamente no Palácio do Planalto para trocá-los e indicar outros nomes. Para líderes sindicais e especialistas em emprego e mercado de trabalho, consultados pelo Blog, o esvaziamento do Ministério do Trabalho, há quase cinco meses sem comando, demonstra a irrelevância da Pasta.
Tocado interinamente pelo advogado Paulo Roberto Pinto desde 4 de dezembro de 2011, o Ministério do Trabalho permanece nas mãos do PDT. Mas o partido, cujo presidente nacional é Carlos Lupi, que esteve à frente do ministério entre abril de 2007 e dezembro do ano passado, trabalha para fazer ministro um dos três nomes já sugeridos à presidente Dilma: os deputados Brizola Neto (RJ) e Vieira da Cunha (RS) ou o sindicalista Manoel Dias (SP).
Nem mesmo os cardeais do PDT se entendem. Enquanto Lupi se opõe a Brizola, o presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), veta a escolha de Vieira da Cunha. A pedido de Dilma, o secretário da Presidência, Gilberto Carvalho, chegou a sondar o deputado Hugo Leal (PSC-RJ) para o cargo. Outros nomes também estão na disputa, como o do assessor especial de Carvalho, José Lopez Feijóo, ex-vice-presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), rival da pedetista Força. A presidente não tem pressa para indicar um novo ministro. “Ela vai fazer isso naturalmente”, diz uma fonte no Planalto.
O esvaziamento do Ministério do Trabalho já era um fato sob Lupi, mas apenas ficou mais evidente nos últimos cinco meses — mesmo sem ministro, nada mudou. Nos últimos tempos, a última resistência à sobrevivência da Pasta — as centrais sindicais — passaram a se incomodar com o descaso do governo com o ministério. Beneficiadas desde abril de 2008 com o repasse milionário do imposto sindical, as centrais estão incomodadas com a crescente lentidão dos técnicos do ministério em autorizar o registro de sindicatos — quanto mais sindicatos, mais as centrais aumentam sua fatia do imposto sindical. O Ministério do Trabalho, nos últimos anos, acabou reduzido a essa questão.
“Como o mercado de trabalho continua bem, com mais de 380 mil vagas formais criadas em apenas três meses, mesmo com alguma desaceleração no ritmo por conta da economia mais fraca, a presidente pode se dar ao luxo de ficar um tempo sem ministro”, avalia João Saboia, professor e pesquisador em emprego e mercado de trabalho da UFRJ. “Nada do que ocorre ou ocorreu no mercado de trabalho tem a ver com o ministério”, diz o pesquisador, para quem os avanços do emprego ocorrem “apesar do ministério”.
Especialistas e sindicalistas procurados pelo Blog criticaram o desprezo com que são tratadas as iniciativas consideradas importantes. Entre as principais críticas estão o “abandono” do Conselho Nacional de Relações do Trabalho, criado em agosto de 2010, e que nunca foi efetivamente implementado. O conselho reuniria empresários, sindicalistas e integrantes do governo para a formação de consensos envolvendo negociações trabalhistas. Outra iniciativa abandonada é a Fundacentro, entidade de pesquisa científica e tecnológica relacionada à saúde e segurança dos trabalhadores. “A Fundacentro está jogada às traças, isso é péssimo”, diz João Guilherme Vargas Neto, consultor sindical.
“Parece que o ministério só recolhe informações para produzir a Rais e o Caged”, diz Saboia, em referência a Relação Anual de Informações Sociais (Rais) e o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). Para Vargas Neto, a Pasta deveria participar do debate da desindustrialização, ao lado dos ministérios da Fazenda, do Desenvolvimento e de Ciência e Tecnologia.
“Quando João Goulart era ministro do Trabalho, o ministério era responsável também por indústria e comércio, tinha uma importância central para o Brasil do passado, e hoje, que há muito mais formalização da mão de obra e o mercado de trabalho foi a senha do sucesso do governo Lula, que ajudou a eleger a presidente Dilma, o ministério é fraco”, avalia Ricardo Patah, presidente da União Geral dos Trabalhadores (UGT), responsável por 1,1 mil sindicatos e 699,1 mil trabalhadores no país. “É muito grave que o ministério fique cinco meses sem ministro e isso nem seja percebido”, diz Patah.
Desde que Dilma assumiu, o governo tem aprofundado o esvaziamento do Ministério do Trabalho. Um dos primeiros programas do governo, o Pronatec, para qualificação da mão de obra, transferiu do Trabalho para o Ministério da Educação a responsabilidade pela especialização de trabalhadores no país. Além disso, o governo trabalha para modernizar a legislação para trabalhadores estrangeiros, e uma das metas é redesenhar o Conselho Nacional de Imigração (Cnig), vinculado ao Ministério do Trabalho. O Cnig é visto como burocrático e atrasado por integrantes do governo.
No início da semana passada, o Ministério do Trabalho emergiu de um ostracismo de cinco meses com o anúncio da medida que condiciona o repasse dos benefícios do seguro-desemprego à inscrição do desempregado em um curso de qualificação profissional. A medida estava sendo trabalhada no ministério desde o fim de 2008. Mas os gastos com o seguro-desemprego são carimbados, isto é, não dependem do ministério, enquanto a outra ponta da medida, de qualificar os trabalhadores, cabe ao Ministério da Educação.
Com a nova atribuição, foi Aloizio Mercadante, ministro de Educação, quem recebeu, na semana passada, líderes do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC para discutir a formação de uma escola em parceria com o Senai para qualificar metalúrgicos da região. Segundo uma fonte no Ministério do Trabalho, a Pasta “agoniza” com a falta de quadros — há dez anos o ministério não faz concursos públicos.
***
Matéria especial que fiz para o Valor publicada hoje.
Na sexta-feira à noite conversei sobre a matéria com a Cristina Coghi, apresentadora do programa "Noite Total", na rádio CBN.
O Ministério do Trabalho está há 150 dias sem um ministro titular. Desde 4 de dezembro do ano passado, as duas principais posições da Pasta — a chefia e a secretaria-executiva — são ocupadas por interinos, que não foram recebidos pela presidente Dilma Rousseff e nem são prestigiados pelo PDT, partido ao qual são filiados, que luta diariamente no Palácio do Planalto para trocá-los e indicar outros nomes. Para líderes sindicais e especialistas em emprego e mercado de trabalho, consultados pelo Blog, o esvaziamento do Ministério do Trabalho, há quase cinco meses sem comando, demonstra a irrelevância da Pasta.
Tocado interinamente pelo advogado Paulo Roberto Pinto desde 4 de dezembro de 2011, o Ministério do Trabalho permanece nas mãos do PDT. Mas o partido, cujo presidente nacional é Carlos Lupi, que esteve à frente do ministério entre abril de 2007 e dezembro do ano passado, trabalha para fazer ministro um dos três nomes já sugeridos à presidente Dilma: os deputados Brizola Neto (RJ) e Vieira da Cunha (RS) ou o sindicalista Manoel Dias (SP).
Nem mesmo os cardeais do PDT se entendem. Enquanto Lupi se opõe a Brizola, o presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), veta a escolha de Vieira da Cunha. A pedido de Dilma, o secretário da Presidência, Gilberto Carvalho, chegou a sondar o deputado Hugo Leal (PSC-RJ) para o cargo. Outros nomes também estão na disputa, como o do assessor especial de Carvalho, José Lopez Feijóo, ex-vice-presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), rival da pedetista Força. A presidente não tem pressa para indicar um novo ministro. “Ela vai fazer isso naturalmente”, diz uma fonte no Planalto.
O esvaziamento do Ministério do Trabalho já era um fato sob Lupi, mas apenas ficou mais evidente nos últimos cinco meses — mesmo sem ministro, nada mudou. Nos últimos tempos, a última resistência à sobrevivência da Pasta — as centrais sindicais — passaram a se incomodar com o descaso do governo com o ministério. Beneficiadas desde abril de 2008 com o repasse milionário do imposto sindical, as centrais estão incomodadas com a crescente lentidão dos técnicos do ministério em autorizar o registro de sindicatos — quanto mais sindicatos, mais as centrais aumentam sua fatia do imposto sindical. O Ministério do Trabalho, nos últimos anos, acabou reduzido a essa questão.
“Como o mercado de trabalho continua bem, com mais de 380 mil vagas formais criadas em apenas três meses, mesmo com alguma desaceleração no ritmo por conta da economia mais fraca, a presidente pode se dar ao luxo de ficar um tempo sem ministro”, avalia João Saboia, professor e pesquisador em emprego e mercado de trabalho da UFRJ. “Nada do que ocorre ou ocorreu no mercado de trabalho tem a ver com o ministério”, diz o pesquisador, para quem os avanços do emprego ocorrem “apesar do ministério”.
Especialistas e sindicalistas procurados pelo Blog criticaram o desprezo com que são tratadas as iniciativas consideradas importantes. Entre as principais críticas estão o “abandono” do Conselho Nacional de Relações do Trabalho, criado em agosto de 2010, e que nunca foi efetivamente implementado. O conselho reuniria empresários, sindicalistas e integrantes do governo para a formação de consensos envolvendo negociações trabalhistas. Outra iniciativa abandonada é a Fundacentro, entidade de pesquisa científica e tecnológica relacionada à saúde e segurança dos trabalhadores. “A Fundacentro está jogada às traças, isso é péssimo”, diz João Guilherme Vargas Neto, consultor sindical.
“Parece que o ministério só recolhe informações para produzir a Rais e o Caged”, diz Saboia, em referência a Relação Anual de Informações Sociais (Rais) e o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). Para Vargas Neto, a Pasta deveria participar do debate da desindustrialização, ao lado dos ministérios da Fazenda, do Desenvolvimento e de Ciência e Tecnologia.
“Quando João Goulart era ministro do Trabalho, o ministério era responsável também por indústria e comércio, tinha uma importância central para o Brasil do passado, e hoje, que há muito mais formalização da mão de obra e o mercado de trabalho foi a senha do sucesso do governo Lula, que ajudou a eleger a presidente Dilma, o ministério é fraco”, avalia Ricardo Patah, presidente da União Geral dos Trabalhadores (UGT), responsável por 1,1 mil sindicatos e 699,1 mil trabalhadores no país. “É muito grave que o ministério fique cinco meses sem ministro e isso nem seja percebido”, diz Patah.
Desde que Dilma assumiu, o governo tem aprofundado o esvaziamento do Ministério do Trabalho. Um dos primeiros programas do governo, o Pronatec, para qualificação da mão de obra, transferiu do Trabalho para o Ministério da Educação a responsabilidade pela especialização de trabalhadores no país. Além disso, o governo trabalha para modernizar a legislação para trabalhadores estrangeiros, e uma das metas é redesenhar o Conselho Nacional de Imigração (Cnig), vinculado ao Ministério do Trabalho. O Cnig é visto como burocrático e atrasado por integrantes do governo.
No início da semana passada, o Ministério do Trabalho emergiu de um ostracismo de cinco meses com o anúncio da medida que condiciona o repasse dos benefícios do seguro-desemprego à inscrição do desempregado em um curso de qualificação profissional. A medida estava sendo trabalhada no ministério desde o fim de 2008. Mas os gastos com o seguro-desemprego são carimbados, isto é, não dependem do ministério, enquanto a outra ponta da medida, de qualificar os trabalhadores, cabe ao Ministério da Educação.
Com a nova atribuição, foi Aloizio Mercadante, ministro de Educação, quem recebeu, na semana passada, líderes do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC para discutir a formação de uma escola em parceria com o Senai para qualificar metalúrgicos da região. Segundo uma fonte no Ministério do Trabalho, a Pasta “agoniza” com a falta de quadros — há dez anos o ministério não faz concursos públicos.
***
Matéria especial que fiz para o Valor publicada hoje.
Na sexta-feira à noite conversei sobre a matéria com a Cristina Coghi, apresentadora do programa "Noite Total", na rádio CBN.
domingo, 22 de abril de 2012
Domingo
"O amor pela pátria é a primeira qualidade do homem civilizado."
Napoleão Bonaparte, líder francês de 1799 a 1815.
***
Hoje, os franceses votam no primeiro turno de suas eleições para presidente.
Candidatos: o atual presidente Nicolas Sarkozy, o socialista François Hollande e a extremista de direita Marine Le Pen.
Hollande tem o voto deste Blog.
Napoleão Bonaparte, líder francês de 1799 a 1815.
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Hoje, os franceses votam no primeiro turno de suas eleições para presidente.
Candidatos: o atual presidente Nicolas Sarkozy, o socialista François Hollande e a extremista de direita Marine Le Pen.
Hollande tem o voto deste Blog.
sexta-feira, 20 de abril de 2012
Fim de expediente
Com Barão Vermelho, "Bete Balanço", na apresentação matadora do Rock In Rio, 15 de janeiro de 1985. Cazuza no auge de sua forma, bem como Frejat na guitarra. A banda estava afiadíssima, e foi a última brasileira a se apresentar antes dos grupos internacionais.
Rock brasileiro como há muito não se vê.
Uma curiosidade que ninguém lembra: este dia inesquecível do Barão no Rock in Rio começou com as eleições indiretas para a Presidência da República, que escolheu Tancredo Neves (PMDB) como novo presidente.
Os brasileiros, há 21 anos sob ditadura, estavam comemorando a abertura de um novo mundo.
Rock brasileiro como há muito não se vê.
Uma curiosidade que ninguém lembra: este dia inesquecível do Barão no Rock in Rio começou com as eleições indiretas para a Presidência da República, que escolheu Tancredo Neves (PMDB) como novo presidente.
Os brasileiros, há 21 anos sob ditadura, estavam comemorando a abertura de um novo mundo.
Troca de banco: do privado para o público
A colega Vanessa Adachi, editora de Finanças do Valor, fez uma boa análise hoje sobre a batalha entre o governo Dilma Rousseff e os bancos privados. O parágrafo final traz uma informação importante:
"Polêmicas, frases de efeito e marketing à parte, ao que parece, a presidente Dilma e seu governo conseguiram que um primeiro passo fosse dado na direção que indicaram. O grande elefante dos altos spreads praticados no país se moveu alguns centímetros. Um relato real colhido ontem fornece um fragmento dessa história inacabada: Felipe recebe seu salário todos os meses em determinado banco privado. Nessa instituição, tem usado o cheque especial a um custo mensal de 10,29%. Insatisfeito e bombardeado pela publicidade dos bancos públicos, ontem ele entrou numa agência da Caixa e, depois de aguardar 20 minutos para falar com o demandado gerente, escutou uma proposta que lhe agradou. Se abrir uma conta lá, a taxa do seu cheque especial será 4,27% ao mês e, se fizer a portabilidade de sua conta salário, ampliando a segurança para o banco, a taxa irá a 3,51%."
Os bancos perceberam que havia uma pesada migração de correntistas do Santander, Itaú Unibanco e Bradesco para Caixa e Banco do Brasil.
Isso ainda está acontecendo.
"Polêmicas, frases de efeito e marketing à parte, ao que parece, a presidente Dilma e seu governo conseguiram que um primeiro passo fosse dado na direção que indicaram. O grande elefante dos altos spreads praticados no país se moveu alguns centímetros. Um relato real colhido ontem fornece um fragmento dessa história inacabada: Felipe recebe seu salário todos os meses em determinado banco privado. Nessa instituição, tem usado o cheque especial a um custo mensal de 10,29%. Insatisfeito e bombardeado pela publicidade dos bancos públicos, ontem ele entrou numa agência da Caixa e, depois de aguardar 20 minutos para falar com o demandado gerente, escutou uma proposta que lhe agradou. Se abrir uma conta lá, a taxa do seu cheque especial será 4,27% ao mês e, se fizer a portabilidade de sua conta salário, ampliando a segurança para o banco, a taxa irá a 3,51%."
Os bancos perceberam que havia uma pesada migração de correntistas do Santander, Itaú Unibanco e Bradesco para Caixa e Banco do Brasil.
Isso ainda está acontecendo.
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quinta-feira, 19 de abril de 2012
A radicalização da CUT ante o enfraquecimento
A Central Única dos Trabalhadores (CUT), a maior central sindical do país, começa a ver, pela primeira vez, seu poder de influência ameaçado. O Ministério do Trabalho divulga nos próximos dias o levantamento do movimento sindical brasileiro — quantos sindicatos existem, quantos são filiados a uma central sindical, e quantos trabalhadores são filiados a cada sindicato. Referente a 2011, o levantamento baliza a repartição dos recursos do imposto sindical neste ano, que deve atingir quase R$ 1,4 bilhão. O Blog teve acesso aos dados preliminares, atualizados até ontem, que apontam que a liderança da CUT, ainda incontestável, começa a ser ameaçada pelas demais centrais.
Ao todo, o Brasil conta com 9,8 mil sindicatos (372 mais que em 2010) e 6,8 milhões de trabalhadores sindicalizados, 588 mil a mais que o registrado há dois anos. O universo das centrais é um pouco menor, uma vez que 2,6 mil sindicatos não são filiados à uma central, e por extensão os 947 mil trabalhadores filiados a eles também não.
No ano passado, a CUT registrou 141 sindicatos a mais no Ministério do Trabalho, e essas entidades contam com 101,3 mil trabalhadores sindicalizados. Ao todo, a CUT conta com 2,1 mil sindicatos registrados, e 2,4 milhões de sócios — segundo o índice de representatividade criado pelo governo (que cruza o número de sindicatos filiados e dos trabalhadores a eles associados), a CUT representa 36,5% do movimento sindical. A parcela, ainda majoritária, caiu muito. Apenas um ano antes, a CUT representava 38,3%, quase dois pontos percentuais mais.
O primeiro ano do governo Dilma Rousseff foi de crescimento para as demais centrais. A Força Sindical, segunda maior central do país, chegou a 1,7 mil sindicatos no ano passado, e 982 mil sócios — 14,4% de representatividade. O aumento, de apenas 0,3%, foi um pouco inferior ao registrado pela Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), braço sindical do PC do B, que fechou 2011 com 553 sindicatos e 574,9 mil sócios.
Os maiores saltos foram da União Geral dos Trabalhadores (UGT) e da Nova Central Sindical de Trabalhadores (NCST), de 2,4 pontos percentuais e 1,3 pontos percentais respectivamente. Em 2011, a UGT, a terceira maior central do país, entrou no radar político partidário, depois que seu presidente, Ricardo Patah, se filiou ao PSD, criado pelo prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab. Patah, que ontem fundou a ala sindical do partido, o "PSD Movimentos", que ocupa o 20ª andar do tradicional edifício Joelma, no centro da capital paulista, responde por 10,3% do movimento sindical, com quase 1,1 mil sindicatos e 700 mil sócios.
Para repartir os recursos do imposto sindical (referente a um dia de salário de todos os 44 milhões de trabalhadores com carteira assinada do país), o governo leva em conta o número de sindicatos filiados a cada central e o tamanho desses sindicatos, isto é, quantos sócios eles têm.
É preciso obter um mínimo de 7% de representatividade, de acordo com os critérios do governo, para receber uma parte do imposto sindical. Entre 2008, quando o então governo Luiz Inácio Lula da Silva permitiu que as centrais abocanhassem 10% do que é arrecadado com a contribuição, e o ano passado, foram seis as centrais que receberam os recursos: CUT, Força Sindical, UGT, CTB, NCST e Central Geral dos Trabalhadores do Brasil (CGTB). Com o racha na CGTB em meados do ano passado, a entidade não mais atinge o mínimo de 7% (está com 3,4%), e, por isso, deixará de receber recursos a partir deste ano.
O valor total do repasse de imposto sindical em 2011 ainda não é conhecido, mas o Blog apurou que a arrecadação total atingiu quase R$ 1,4 bilhão — destes, 60% ficaram com sindicatos, 15% com federações, 5% com confederações, 10% com as centrais e 10% retornaram aos cofres públicos. As centrais repartiram entre si cerca de R$ 135 milhões no ano passado. Assim, entre 2008 e 2011, as seis centrais receberam do governo federal pouco mais de R$ 355 milhões. Elas não precisam prestar contas da utilização dos recursos, uma vez que na Lei 11.648, de 2008, o então presidente Lula desobrigou as centrais de responderem ao Tribunal de Contas da União (TCU).
Em campanha nacional pela abolição do imposto sindical, a CUT já enviou carta ao STF pedindo celeridade à votação. Segundo o presidente da central, Artur Henrique, o imposto sustenta dirigentes sindicais, não sindicatos. "Ao invés de depender de uma legislação de 1943, e de recursos do Estado, que chegam com garantia plena e sem esforço ou prestação de contas, defendemos que o sindicato seja sustentado pela própria classe", diz Henrique. "Daí sobrevive apenas quem luta e conquista algo para os trabalhadores", afirma Henrique, para quem a taxa negocial, proposta pela CUT em substituição ao imposto sindical, poderia render "até mais recursos ao sindicato".
Para Patah, presidente da UGT, a campanha da CUT vai acabar "intensificando" a migração de sindicatos filiados à CUT para outras centrais. Segundo Wagner Gomes, presidente da CTB e ex-dirigente da CUT, a campanha pela extinção do imposto sindical "parte do pressuposto de que os sindicatos poderão sobreviver sem o imposto, como se todos os sindicatos fossem como são os metalúrgicos do ABC", em referência ao mais forte sindicato da CUT.
De acordo com João Carlos Gonçalves, o Juruna, secretário-geral da Força Sindical, a CUT faz a "aposta errada [de criticar o imposto sindical] num momento em que perde representatividade". Para Juruna, o "mercado sindical" atual tem perfil mais conciliador, e menos ideológico. "Ao intensificar este discurso radical, a CUT vai acabar empurrando os sindicatos para as outras centrais", avalia.
Ao todo, o Brasil conta com 9,8 mil sindicatos (372 mais que em 2010) e 6,8 milhões de trabalhadores sindicalizados, 588 mil a mais que o registrado há dois anos. O universo das centrais é um pouco menor, uma vez que 2,6 mil sindicatos não são filiados à uma central, e por extensão os 947 mil trabalhadores filiados a eles também não.
No ano passado, a CUT registrou 141 sindicatos a mais no Ministério do Trabalho, e essas entidades contam com 101,3 mil trabalhadores sindicalizados. Ao todo, a CUT conta com 2,1 mil sindicatos registrados, e 2,4 milhões de sócios — segundo o índice de representatividade criado pelo governo (que cruza o número de sindicatos filiados e dos trabalhadores a eles associados), a CUT representa 36,5% do movimento sindical. A parcela, ainda majoritária, caiu muito. Apenas um ano antes, a CUT representava 38,3%, quase dois pontos percentuais mais.
O primeiro ano do governo Dilma Rousseff foi de crescimento para as demais centrais. A Força Sindical, segunda maior central do país, chegou a 1,7 mil sindicatos no ano passado, e 982 mil sócios — 14,4% de representatividade. O aumento, de apenas 0,3%, foi um pouco inferior ao registrado pela Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), braço sindical do PC do B, que fechou 2011 com 553 sindicatos e 574,9 mil sócios.
Os maiores saltos foram da União Geral dos Trabalhadores (UGT) e da Nova Central Sindical de Trabalhadores (NCST), de 2,4 pontos percentuais e 1,3 pontos percentais respectivamente. Em 2011, a UGT, a terceira maior central do país, entrou no radar político partidário, depois que seu presidente, Ricardo Patah, se filiou ao PSD, criado pelo prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab. Patah, que ontem fundou a ala sindical do partido, o "PSD Movimentos", que ocupa o 20ª andar do tradicional edifício Joelma, no centro da capital paulista, responde por 10,3% do movimento sindical, com quase 1,1 mil sindicatos e 700 mil sócios.
Para repartir os recursos do imposto sindical (referente a um dia de salário de todos os 44 milhões de trabalhadores com carteira assinada do país), o governo leva em conta o número de sindicatos filiados a cada central e o tamanho desses sindicatos, isto é, quantos sócios eles têm.
É preciso obter um mínimo de 7% de representatividade, de acordo com os critérios do governo, para receber uma parte do imposto sindical. Entre 2008, quando o então governo Luiz Inácio Lula da Silva permitiu que as centrais abocanhassem 10% do que é arrecadado com a contribuição, e o ano passado, foram seis as centrais que receberam os recursos: CUT, Força Sindical, UGT, CTB, NCST e Central Geral dos Trabalhadores do Brasil (CGTB). Com o racha na CGTB em meados do ano passado, a entidade não mais atinge o mínimo de 7% (está com 3,4%), e, por isso, deixará de receber recursos a partir deste ano.
O valor total do repasse de imposto sindical em 2011 ainda não é conhecido, mas o Blog apurou que a arrecadação total atingiu quase R$ 1,4 bilhão — destes, 60% ficaram com sindicatos, 15% com federações, 5% com confederações, 10% com as centrais e 10% retornaram aos cofres públicos. As centrais repartiram entre si cerca de R$ 135 milhões no ano passado. Assim, entre 2008 e 2011, as seis centrais receberam do governo federal pouco mais de R$ 355 milhões. Elas não precisam prestar contas da utilização dos recursos, uma vez que na Lei 11.648, de 2008, o então presidente Lula desobrigou as centrais de responderem ao Tribunal de Contas da União (TCU).
Em campanha nacional pela abolição do imposto sindical, a CUT já enviou carta ao STF pedindo celeridade à votação. Segundo o presidente da central, Artur Henrique, o imposto sustenta dirigentes sindicais, não sindicatos. "Ao invés de depender de uma legislação de 1943, e de recursos do Estado, que chegam com garantia plena e sem esforço ou prestação de contas, defendemos que o sindicato seja sustentado pela própria classe", diz Henrique. "Daí sobrevive apenas quem luta e conquista algo para os trabalhadores", afirma Henrique, para quem a taxa negocial, proposta pela CUT em substituição ao imposto sindical, poderia render "até mais recursos ao sindicato".
Para Patah, presidente da UGT, a campanha da CUT vai acabar "intensificando" a migração de sindicatos filiados à CUT para outras centrais. Segundo Wagner Gomes, presidente da CTB e ex-dirigente da CUT, a campanha pela extinção do imposto sindical "parte do pressuposto de que os sindicatos poderão sobreviver sem o imposto, como se todos os sindicatos fossem como são os metalúrgicos do ABC", em referência ao mais forte sindicato da CUT.
De acordo com João Carlos Gonçalves, o Juruna, secretário-geral da Força Sindical, a CUT faz a "aposta errada [de criticar o imposto sindical] num momento em que perde representatividade". Para Juruna, o "mercado sindical" atual tem perfil mais conciliador, e menos ideológico. "Ao intensificar este discurso radical, a CUT vai acabar empurrando os sindicatos para as outras centrais", avalia.
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quarta-feira, 18 de abril de 2012
Governo vence batalha contra bancos
Há dez dias, Banco do Brasil (BB) e Caixa Econômica Federal (CEF) anunciaram drástica redução em suas taxas de juros. A Federação Brasileira dos Bancos (Febraban) foi reclamar ao Ministério da Fazenda. A presidente Dilma Rousseff não gostou, e disse ao ministro da Fazenda, Guido Mantega, que respondesse. Mantega foi duro na resposta, e disse que a Febraban precisava correr atrás, que os bancos privados deveriam cortar suas taxas de juros -- poderiam reduzir seus lucros, em troca.
Os bancos engoliram.
Na semana passada, ainda, o HSBC resolveu ceder e cortar suas taxas de juros.
Ontem foi a vez do Santander anunciar cortes nos juros.
Hoje pela manhã, os dois maiores -- Itaú Unibanco e Bradesco -- fizeram cortes profundos também.
A disputa entre governo Dilma e bancos terminou, por hora.
Dilma ganhou.
***
O Blog pode colocar em sua conta de furos jornalísticos a informação antecipada de que os três maiores bancos privados do país iam anunciar cortes nos juros. Ontem pela manhã, publiquei no site do Valor a informação de que Itaú Unibanco, Bradesco e Santander estavam para anunciar cortes nos juros.
Não deu outra!
***
Falando em juros, o Banco Central (BC) anuncia hoje, mais tarde, nova redução na Selic, a taxa básica de juros. O mercado aposta em novo corte de 0,75 pontos percentuais, embora tenha economista apostando em um corte de 0,5 ponto.
A Selic está em 9,75% ao ano.
***
O Banco do Brasil (BB) viu os efeitos imediatos dos cortes nos juros.
O BB aumentou em 45% a média diária de desembolsos das linhas de crédito pessoal desde que reduziu suas principais taxas de juros, no último dia 12. A comparação foi feita com o resultado de março. Em relação ao crédito para compra de veículos, o BB informa que houve crescimento de 93%, com média diária de desembolso de R$ 21,3 milhões. A linha BB Crediário (crédito ao consumo) apresentou evolução no desembolso de 112%, em comparação com março, com média diária de R$ 1,2 milhão. Os beneficiários e pensionistas do INSS ampliaram em 65% a contratação de crédito. O desembolso diário após o anúncio das novas taxas atingiu R$ 12,5 milhões, contra a média de R$ 7,8 milhões verificada em março.
As linhas de crédito direcionadas aos clientes pessoas jurídicas também tiveram aumento no desembolso. Segundo o BB, foram R$ 2 bilhões liberados desde o início do programa, o que representa 18% de incremento em relação à março. Nesse mesmo período houve elevação de 45% no número de operações contratadas.
***
A Caixa também.
A Caixa Econômica Federal informou ontem que também registrou um crescimento no volume de concessões de crédito. Os financiamentos voltados para pessoa física alcançaram R$ 518 milhões nos cinco primeiros dias de vigência do programa, que foi chamado de Melhor Crédito. A cifra representa um avanço de 17% na comparação com a semana anterior ao lançamento.
A base de clientes pessoa física cresceu 11%, de acordo com o banco. Houve aumento também nas concessões para empresas, com um volume 9% superior ao registrado na semana anterior ao início do programa.
Os bancos engoliram.
Na semana passada, ainda, o HSBC resolveu ceder e cortar suas taxas de juros.
Ontem foi a vez do Santander anunciar cortes nos juros.
Hoje pela manhã, os dois maiores -- Itaú Unibanco e Bradesco -- fizeram cortes profundos também.
A disputa entre governo Dilma e bancos terminou, por hora.
Dilma ganhou.
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O Blog pode colocar em sua conta de furos jornalísticos a informação antecipada de que os três maiores bancos privados do país iam anunciar cortes nos juros. Ontem pela manhã, publiquei no site do Valor a informação de que Itaú Unibanco, Bradesco e Santander estavam para anunciar cortes nos juros.
Não deu outra!
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Falando em juros, o Banco Central (BC) anuncia hoje, mais tarde, nova redução na Selic, a taxa básica de juros. O mercado aposta em novo corte de 0,75 pontos percentuais, embora tenha economista apostando em um corte de 0,5 ponto.
A Selic está em 9,75% ao ano.
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O Banco do Brasil (BB) viu os efeitos imediatos dos cortes nos juros.
O BB aumentou em 45% a média diária de desembolsos das linhas de crédito pessoal desde que reduziu suas principais taxas de juros, no último dia 12. A comparação foi feita com o resultado de março. Em relação ao crédito para compra de veículos, o BB informa que houve crescimento de 93%, com média diária de desembolso de R$ 21,3 milhões. A linha BB Crediário (crédito ao consumo) apresentou evolução no desembolso de 112%, em comparação com março, com média diária de R$ 1,2 milhão. Os beneficiários e pensionistas do INSS ampliaram em 65% a contratação de crédito. O desembolso diário após o anúncio das novas taxas atingiu R$ 12,5 milhões, contra a média de R$ 7,8 milhões verificada em março.
As linhas de crédito direcionadas aos clientes pessoas jurídicas também tiveram aumento no desembolso. Segundo o BB, foram R$ 2 bilhões liberados desde o início do programa, o que representa 18% de incremento em relação à março. Nesse mesmo período houve elevação de 45% no número de operações contratadas.
***
A Caixa também.
A Caixa Econômica Federal informou ontem que também registrou um crescimento no volume de concessões de crédito. Os financiamentos voltados para pessoa física alcançaram R$ 518 milhões nos cinco primeiros dias de vigência do programa, que foi chamado de Melhor Crédito. A cifra representa um avanço de 17% na comparação com a semana anterior ao lançamento.
A base de clientes pessoa física cresceu 11%, de acordo com o banco. Houve aumento também nas concessões para empresas, com um volume 9% superior ao registrado na semana anterior ao início do programa.
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A CPI do Cachoeira e a revista Veja
O Blog tinha um rascunho de post sobre as relações entre o bicheiro Carlinhos Cachoeira e a revista Veja. Como minha vida é muito corrida, deixo vários rascunhos mentais e anotações esparsas, restando amarrar em post. Escrevo rápido, mas muitas vezes não tenho tempo para deixar o post como gostaria.
Mas depois do texto que Mauro Malin escreveu no Observatório de Imprensa sinto que qualquer coisa que o Blog venha a dizer será repetição -- ou mesmo inferior.
Assim, nada mais justo que colocar no Blog o que Malin escreveu.
É com que ele que chegamos a Cachoeira e Veja. Para ver o que já escrevi sobre a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) de Cachoeira, clique aqui.
***
Mal estar: Dilma, Falcão e Veja
Por Mauro Malin
A revista Veja enfrenta um desafio inédito em sua longa trajetória: pode ter sido usada por Carlinhos Cachoeira como recurso extremo para resolver pendências com interlocutores de negócios. A hipótese se configuraria assim: primeiro ato, oferta de propina; segundo ato: ameaça de alijamento do esquema; terceiro ato: diante de rejeição às ofensivas dos dois tipos anteriores, sedução e chantagem, queimação. Por intermédio de veículos de imprensa, entre eles, destacadamente, a Veja.
“Os grandes furos do Policarpo [Júnior, da Veja] fomos nós que demos, rapaz. (...) Limpando esse Brasil, rapaz, fazendo um bem do c. para o Brasil, essa corrupção aí. Quantos já foram, rapaz”. Diálogo de Cachoeira com o ex-agente da Abin, Jairo Martins. Em tópico anterior classifiquei a frase como expressão do que seria um “orgulho cívico” delirante. Eu estava errado. Era só uma maneira de embelezar a prática de represálias.
Na história do Brasil pós-Constituição de 1988, o grande usuário do denuncismo como arma política foi o PT, calcado no “petismo das redações”, propensão ideológica que se desvaneceu na mesma proporção em que as práticas do partido no poder – desde os esquemas de lixo e de cobrança de atrasados em prefeituras até os nove anos no Planalto – se tornaram patentes em reportagens incontrovertidas.
Na história da República há muitos episódios e outras tantas fraudes, como a das Cartas Falsas de Artur Bernardes, estopim da mobilização de jovens oficiais do Exército que ganharia o nome de tenentismo e que faria Bernardes impor o estado de sítio durante toda a duração de seu governo (1922-1926).
A Veja teve destacada participação na derrubada do presidente Fernando Collor, mas a fonte, no caso da principal matéria, foi explícita: na capa da revista, em maio de 1992, lia-se: “Pedro Collor conta tudo. O vídeo e a entrevista com os ataques do irmão do presidente”.
No último sábado (14/4), Veja foi às bancas com uma matéria pífia, na defensiva, em que acusa o PT de stalinismo, hitlerismo, mussolinismo. Demonização não tem nada a ver com bom jornalismo. Ao contrário.
O PT também enfrenta um desafio inédito. Em vídeo colocado na internet, o presidente do partido, Rui Falcão, diz que “a bancada do PT na Câmara e no Senado defende uma CPI para apurar esse escândalo dos autores da farsa do mensalão”. Estaria em curso uma “operação abafa” montada por “partidos políticos e veículos de comunicação para impedir que se esclareça plenamente toda a organização criminosa” de Carlinhos Cachoeira.
Quem prestou atenção nas relações da presidente Dilma Rousseff com as bancadas do PT no Congresso constatou que na Câmara, onde o PT tem maioria relativa, saiu Cândido Vaccarezza, da corrente majoritária do PT, à qual pertencem, além de Falcão, Lula, José Dirceu, Berzoini, José Eduardo Dutra e João Paulo Cunha, e entrou Arlindo Chinaglia, do grupo "Movimento PT". Segundo observadores da política petista, Dilma enfrentava uma inversão de funções: em lugar de defender os interesses políticos do Planalto na bancada aliada, o líder deposto defendia os interesses da bancada junto ao Planalto.
A investida de Rui Falcão não foi contra a imprensa, indiscriminadamente. Foi principalmente contra a Veja, embora ele não tenha pronunciado o nome da revista. Que problema isso traz para o PT? O quadro mais importante do partido na instância máxima do poder é hoje a presidente Dilma Rousseff. Dilma tem sido protegida pela Veja (e, de modo geral, tratada com extremo carinho pelos principais veículos de mídia brasileiros) desde a sua posse, e principalmente após a demissão do então chefe da Casa Civil Antônio Palocci.
Atesta-o o esquecimento do nome da presidente em todo o noticiário que vincula Carlinhos Cachoeira e a Delta Construções a obras do PAC, do qual, quando chefe da Casa Civil de Lula, Dilma assumiu a maternidade, por obra e graça da peculiar retórica do então presidente. José Roberto Toledo fala em “Dilma Teflon”.
A Veja já chegou a publicar um editorial dizendo que apoiar Dilma tinha importância equivalente a apoiar o Duque de Caxias na batalha de Itororó, durante a Guerra do Paraguai, quando bradou “Sigam-me os que forem brasileiros” (o texto pode ser lido no site do Exército brasileiro). O texto termina com a inacreditável frase “Sigam-na os que forem brasileiros”.
Mas o ponto máximo do apoio a Dilma, e da validação desse apoio pela presidente, foi estampado na capa da Veja de 28/3, que traz uma entrevista onde ela não diz nada de relevante, mas que serve para ela “aparecer bem na foto” (literalmente) e para dar visibilidade à convergência de interesses entre a revista e a presidente. A entrevista pode ser lida no Acervo Digital da Veja. Essa proximidade não comoveu Rui Falcão.
Dilma, por sinal, foi a primeira a reagir ao vídeo de Falcão: como tem feito infalível e meritoriamente, defendeu a plena liberdade de imprensa no país.
Em coluna no Estado de S. Paulo de domingo, o chefe da sucursal brasiliense do jornal, João Bosco Rabello, dá pistas a respeito da virulência dos conflitos no PT. Calma aí, leitor, vale a pena ler:
"Uma semana antes da decisão de criar a CPI do Cachoeira, a ministra Ideli Salvatti era uma das mais entusiasmadas defensoras da investigação. Numa reunião na casa de Jilmar Tatto, ela pediu a CPI alegando que nada respingaria no governo. O encontrou reuniu petistas insatisfeitos com o afastamento de Cândido Vaccarezza da liderança do governo. Dias depois, o assessor da Presidência Olavo Noleto seria flagrado nos muitos grampos da Polícia Federal."
A confusão intrapetista é ancorada pela iminência do julgamento do processo do mensalão no STF. O futuro presidente do Supremo, Carlos Ayres Britto, deu duas boas entrevistas publicadas no domingo (15/4). Em ambas, reafirma seu propósito de ver julgado o caso do mensalão até meados de julho, para que ele não corra paralelo ao processo eleitoral, quando seis juízes do STF estarão sobrecarregados com processos que correrão no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
A Fernando Rodrigues, da Folha de S. Paulo, disse que, quando assumir a presidência da Corte, na quinta-feira (19/4), levará ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) a proposta de que os assaltantes de cofres públicos sejam condenados a ressarci-los. “O parágrafo 5º do artigo 37 é a cereja do bolo: para quem assalta o erário, a resposta mais severa do Estado é o ressarcimento”, especificou.
É algo que está faltando. Carlinhos Cachoeira não contratou Márcio Thomaz Bastos por R$ 15 milhões? E as atividades da quadrilha de Fernando Beira-Mar, encarcerado há anos em presídio de segurança máxima, não prosseguem sem maiores embaraços?
A Felipe Recondo, do Estadão, Ayres Britto declarou:
"A liberdade de imprensa, quando em plenitude, insufla, estimula na população uma curiosidade pelas coisas do poder. E é o que está havendo. Todo mundo quer saber de tudo. E tudo está vindo a lume. É uma fase que entendo como riquíssima da história do Brasil. A cultura do biombo foi excomungada. Os jornalistas estão a mil para levantar tapetes, ver se há poeira debaixo deles e saber quem foi que a colocou lá. Isso é sinal dos tempos. As coisas estão mudando."
Mais clareza, impossível.
Por falar em clareza, quem está vazando trechos de gravações para os mais diversos meios de comunicação? O ministro José Eduardo Martins Cardozo diz que a Pasta da Justiça não tem nada a ver com isso. Se não é o Ministério da Justiça, ao qual se subordina a Polícia Federal, autora das gravações, com autorização judicial, quem é?
***
Malin foi irretocável. O Blog assina embaixo.
Mas depois do texto que Mauro Malin escreveu no Observatório de Imprensa sinto que qualquer coisa que o Blog venha a dizer será repetição -- ou mesmo inferior.
Assim, nada mais justo que colocar no Blog o que Malin escreveu.
É com que ele que chegamos a Cachoeira e Veja. Para ver o que já escrevi sobre a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) de Cachoeira, clique aqui.
***
Mal estar: Dilma, Falcão e Veja
Por Mauro Malin
A revista Veja enfrenta um desafio inédito em sua longa trajetória: pode ter sido usada por Carlinhos Cachoeira como recurso extremo para resolver pendências com interlocutores de negócios. A hipótese se configuraria assim: primeiro ato, oferta de propina; segundo ato: ameaça de alijamento do esquema; terceiro ato: diante de rejeição às ofensivas dos dois tipos anteriores, sedução e chantagem, queimação. Por intermédio de veículos de imprensa, entre eles, destacadamente, a Veja.
“Os grandes furos do Policarpo [Júnior, da Veja] fomos nós que demos, rapaz. (...) Limpando esse Brasil, rapaz, fazendo um bem do c. para o Brasil, essa corrupção aí. Quantos já foram, rapaz”. Diálogo de Cachoeira com o ex-agente da Abin, Jairo Martins. Em tópico anterior classifiquei a frase como expressão do que seria um “orgulho cívico” delirante. Eu estava errado. Era só uma maneira de embelezar a prática de represálias.
Na história do Brasil pós-Constituição de 1988, o grande usuário do denuncismo como arma política foi o PT, calcado no “petismo das redações”, propensão ideológica que se desvaneceu na mesma proporção em que as práticas do partido no poder – desde os esquemas de lixo e de cobrança de atrasados em prefeituras até os nove anos no Planalto – se tornaram patentes em reportagens incontrovertidas.
Na história da República há muitos episódios e outras tantas fraudes, como a das Cartas Falsas de Artur Bernardes, estopim da mobilização de jovens oficiais do Exército que ganharia o nome de tenentismo e que faria Bernardes impor o estado de sítio durante toda a duração de seu governo (1922-1926).
A Veja teve destacada participação na derrubada do presidente Fernando Collor, mas a fonte, no caso da principal matéria, foi explícita: na capa da revista, em maio de 1992, lia-se: “Pedro Collor conta tudo. O vídeo e a entrevista com os ataques do irmão do presidente”.
No último sábado (14/4), Veja foi às bancas com uma matéria pífia, na defensiva, em que acusa o PT de stalinismo, hitlerismo, mussolinismo. Demonização não tem nada a ver com bom jornalismo. Ao contrário.
O PT também enfrenta um desafio inédito. Em vídeo colocado na internet, o presidente do partido, Rui Falcão, diz que “a bancada do PT na Câmara e no Senado defende uma CPI para apurar esse escândalo dos autores da farsa do mensalão”. Estaria em curso uma “operação abafa” montada por “partidos políticos e veículos de comunicação para impedir que se esclareça plenamente toda a organização criminosa” de Carlinhos Cachoeira.
Quem prestou atenção nas relações da presidente Dilma Rousseff com as bancadas do PT no Congresso constatou que na Câmara, onde o PT tem maioria relativa, saiu Cândido Vaccarezza, da corrente majoritária do PT, à qual pertencem, além de Falcão, Lula, José Dirceu, Berzoini, José Eduardo Dutra e João Paulo Cunha, e entrou Arlindo Chinaglia, do grupo "Movimento PT". Segundo observadores da política petista, Dilma enfrentava uma inversão de funções: em lugar de defender os interesses políticos do Planalto na bancada aliada, o líder deposto defendia os interesses da bancada junto ao Planalto.
A investida de Rui Falcão não foi contra a imprensa, indiscriminadamente. Foi principalmente contra a Veja, embora ele não tenha pronunciado o nome da revista. Que problema isso traz para o PT? O quadro mais importante do partido na instância máxima do poder é hoje a presidente Dilma Rousseff. Dilma tem sido protegida pela Veja (e, de modo geral, tratada com extremo carinho pelos principais veículos de mídia brasileiros) desde a sua posse, e principalmente após a demissão do então chefe da Casa Civil Antônio Palocci.
Atesta-o o esquecimento do nome da presidente em todo o noticiário que vincula Carlinhos Cachoeira e a Delta Construções a obras do PAC, do qual, quando chefe da Casa Civil de Lula, Dilma assumiu a maternidade, por obra e graça da peculiar retórica do então presidente. José Roberto Toledo fala em “Dilma Teflon”.
A Veja já chegou a publicar um editorial dizendo que apoiar Dilma tinha importância equivalente a apoiar o Duque de Caxias na batalha de Itororó, durante a Guerra do Paraguai, quando bradou “Sigam-me os que forem brasileiros” (o texto pode ser lido no site do Exército brasileiro). O texto termina com a inacreditável frase “Sigam-na os que forem brasileiros”.
Mas o ponto máximo do apoio a Dilma, e da validação desse apoio pela presidente, foi estampado na capa da Veja de 28/3, que traz uma entrevista onde ela não diz nada de relevante, mas que serve para ela “aparecer bem na foto” (literalmente) e para dar visibilidade à convergência de interesses entre a revista e a presidente. A entrevista pode ser lida no Acervo Digital da Veja. Essa proximidade não comoveu Rui Falcão.
Dilma, por sinal, foi a primeira a reagir ao vídeo de Falcão: como tem feito infalível e meritoriamente, defendeu a plena liberdade de imprensa no país.
Em coluna no Estado de S. Paulo de domingo, o chefe da sucursal brasiliense do jornal, João Bosco Rabello, dá pistas a respeito da virulência dos conflitos no PT. Calma aí, leitor, vale a pena ler:
"Uma semana antes da decisão de criar a CPI do Cachoeira, a ministra Ideli Salvatti era uma das mais entusiasmadas defensoras da investigação. Numa reunião na casa de Jilmar Tatto, ela pediu a CPI alegando que nada respingaria no governo. O encontrou reuniu petistas insatisfeitos com o afastamento de Cândido Vaccarezza da liderança do governo. Dias depois, o assessor da Presidência Olavo Noleto seria flagrado nos muitos grampos da Polícia Federal."
A confusão intrapetista é ancorada pela iminência do julgamento do processo do mensalão no STF. O futuro presidente do Supremo, Carlos Ayres Britto, deu duas boas entrevistas publicadas no domingo (15/4). Em ambas, reafirma seu propósito de ver julgado o caso do mensalão até meados de julho, para que ele não corra paralelo ao processo eleitoral, quando seis juízes do STF estarão sobrecarregados com processos que correrão no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
A Fernando Rodrigues, da Folha de S. Paulo, disse que, quando assumir a presidência da Corte, na quinta-feira (19/4), levará ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) a proposta de que os assaltantes de cofres públicos sejam condenados a ressarci-los. “O parágrafo 5º do artigo 37 é a cereja do bolo: para quem assalta o erário, a resposta mais severa do Estado é o ressarcimento”, especificou.
É algo que está faltando. Carlinhos Cachoeira não contratou Márcio Thomaz Bastos por R$ 15 milhões? E as atividades da quadrilha de Fernando Beira-Mar, encarcerado há anos em presídio de segurança máxima, não prosseguem sem maiores embaraços?
A Felipe Recondo, do Estadão, Ayres Britto declarou:
"A liberdade de imprensa, quando em plenitude, insufla, estimula na população uma curiosidade pelas coisas do poder. E é o que está havendo. Todo mundo quer saber de tudo. E tudo está vindo a lume. É uma fase que entendo como riquíssima da história do Brasil. A cultura do biombo foi excomungada. Os jornalistas estão a mil para levantar tapetes, ver se há poeira debaixo deles e saber quem foi que a colocou lá. Isso é sinal dos tempos. As coisas estão mudando."
Mais clareza, impossível.
Por falar em clareza, quem está vazando trechos de gravações para os mais diversos meios de comunicação? O ministro José Eduardo Martins Cardozo diz que a Pasta da Justiça não tem nada a ver com isso. Se não é o Ministério da Justiça, ao qual se subordina a Polícia Federal, autora das gravações, com autorização judicial, quem é?
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Malin foi irretocável. O Blog assina embaixo.
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terça-feira, 17 de abril de 2012
Um novo STF
O órgão máximo do Judiciário brasileiro terá, a partir desta quinta-feira, um novo presidente. Depois de amanhã, o ministro Carlos Ayres Britto assume a presidência do Supremo Tribunal Federal (STF).
Depois de um presidente polêmico, Gilmar Mendes (2008-2010), e um presidente arcaico, Cezar Peluso (2010-2012), o STF terá, agora, um presidente progressista e positivista.
Uma nova era, portanto.
Ayres Britto já está na história do STF pelos magníficos votos que proferiu em defesa da demarcação da reserva indígena de Raposa/Serra do Sol, em Roraima, e pela defesa do aborto de fetos anencéfalos.
Depois de um presidente polêmico, Gilmar Mendes (2008-2010), e um presidente arcaico, Cezar Peluso (2010-2012), o STF terá, agora, um presidente progressista e positivista.
Uma nova era, portanto.
Ayres Britto já está na história do STF pelos magníficos votos que proferiu em defesa da demarcação da reserva indígena de Raposa/Serra do Sol, em Roraima, e pela defesa do aborto de fetos anencéfalos.
segunda-feira, 16 de abril de 2012
A CPI do Cachoeira
Todo mundo com poder no Centro Oeste brasileiro conhece Carlinhos Cachoeira.
O blogueiro, como jornalista em Brasília, a capital da República cravada no Centro Oeste, sabe, porque já viu e ouviu, o quanto Cachoeira é capaz de "sensibilizar" senadores, deputados, vereadores, empresários, governadores e prefeitos. De qualquer partido.
Esta semana será o início de um processo de lavagem de esgoto do mundo político. Será instalada, no Comgresso, a Comissão Mista Parlamentar de Inquérito (CPMI) para investigar os tentáculos que o bicheiro Calros Cachoeira esticou sobre o mundo político.
Conversei, na sexta-feira, com uma pessoa influente por aqui. Um "articulador de Brasília", como são chamados esses atravessadores, conhecedores dos caminhos e descaminhos da capital da República. Ele esteve nos bastidores da CPI dos Bingos, a primeira do governo Lula, em 2004, que acabou trazendo do esgoto para superfície uma história mais séria: a coorupção dos Correios. Como chantagem leva a chantagem, a CPI dos Correios acabou trazendo a tona o esquema do mensalão". Irritado por ver seu partido, o PTB, exposto, o presidente do partido, Roberto Jefferson, que se beneficiara do mensalão, resolveu dedurar.
A CPI do Cachoeira vai gerar isso tudo de novo. Pessoas serão descobertas, na esteira da Operação Monte Carlo, movida pela Polícia Federal desde 2009, e que acabou gerando o início desta investigação sobre Cachoeira - que está preso.
O operador de Brasília com quem conversei na sexta me disse que o esquema é conhecido. Oprincipal caminho de lavagem de dinheiro e corrupção no Brasil ocorre com serviços de limpeza pública e obras de construção civil. Isto ocorre porque na limpeza urbana a fiscalização é frágil: basta a empresa encher de pedrinhas as latas de refrigerante, por exemplo, coletadas, que o peso do lixo é inflado, e o pagamento da prefeitura à companhia que venceu a licitação e faz a coleta aumenta. Ou, simplesmente, subornar o fiscal que faz o laudo do lixo.
Com obras de construção civil, como os gastos são muito elevados, a elevação de valores em pequenos trechos ou segmentos é razoavelmente simples.
O esquema que a CPI do Cachoeira vai se debruçar envolve a Delta, uma das maiores empreiteiras do Brasil. A Delta faz o quê? Justamente serviços de limpeza urbana e obras públicas. A empreiteira é a maior operadora individual das obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). É, também, a Delta quem faz a limpeza urbana de vários municípios, entre eles, o de Brasília e o de Palmas (TO).
Cachoeira mantinha laços estreitos com a Delta. Intercedia junto a senadores, como Demóstened Torres (DEM-GO, agora sem partido) e governadora, como Agnelo Queroz (PT-DF), para que dinheiro público fosse liberado para a Delta, e, por extensão, para ele.
Não há quem não conheça, no Centro Oeste, Carlinhos Cachoeira.
Se a CPI for séria, mesmo, o Brasil que vai emergir não será bonito. Mas faz parte da construção nacional sentir o cheiro do esgoto que produzimos para, assim, nos mexermos para aprimorar na higiene.
O blogueiro, como jornalista em Brasília, a capital da República cravada no Centro Oeste, sabe, porque já viu e ouviu, o quanto Cachoeira é capaz de "sensibilizar" senadores, deputados, vereadores, empresários, governadores e prefeitos. De qualquer partido.
Esta semana será o início de um processo de lavagem de esgoto do mundo político. Será instalada, no Comgresso, a Comissão Mista Parlamentar de Inquérito (CPMI) para investigar os tentáculos que o bicheiro Calros Cachoeira esticou sobre o mundo político.
Conversei, na sexta-feira, com uma pessoa influente por aqui. Um "articulador de Brasília", como são chamados esses atravessadores, conhecedores dos caminhos e descaminhos da capital da República. Ele esteve nos bastidores da CPI dos Bingos, a primeira do governo Lula, em 2004, que acabou trazendo do esgoto para superfície uma história mais séria: a coorupção dos Correios. Como chantagem leva a chantagem, a CPI dos Correios acabou trazendo a tona o esquema do mensalão". Irritado por ver seu partido, o PTB, exposto, o presidente do partido, Roberto Jefferson, que se beneficiara do mensalão, resolveu dedurar.
A CPI do Cachoeira vai gerar isso tudo de novo. Pessoas serão descobertas, na esteira da Operação Monte Carlo, movida pela Polícia Federal desde 2009, e que acabou gerando o início desta investigação sobre Cachoeira - que está preso.
O operador de Brasília com quem conversei na sexta me disse que o esquema é conhecido. Oprincipal caminho de lavagem de dinheiro e corrupção no Brasil ocorre com serviços de limpeza pública e obras de construção civil. Isto ocorre porque na limpeza urbana a fiscalização é frágil: basta a empresa encher de pedrinhas as latas de refrigerante, por exemplo, coletadas, que o peso do lixo é inflado, e o pagamento da prefeitura à companhia que venceu a licitação e faz a coleta aumenta. Ou, simplesmente, subornar o fiscal que faz o laudo do lixo.
Com obras de construção civil, como os gastos são muito elevados, a elevação de valores em pequenos trechos ou segmentos é razoavelmente simples.
O esquema que a CPI do Cachoeira vai se debruçar envolve a Delta, uma das maiores empreiteiras do Brasil. A Delta faz o quê? Justamente serviços de limpeza urbana e obras públicas. A empreiteira é a maior operadora individual das obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). É, também, a Delta quem faz a limpeza urbana de vários municípios, entre eles, o de Brasília e o de Palmas (TO).
Cachoeira mantinha laços estreitos com a Delta. Intercedia junto a senadores, como Demóstened Torres (DEM-GO, agora sem partido) e governadora, como Agnelo Queroz (PT-DF), para que dinheiro público fosse liberado para a Delta, e, por extensão, para ele.
Não há quem não conheça, no Centro Oeste, Carlinhos Cachoeira.
Se a CPI for séria, mesmo, o Brasil que vai emergir não será bonito. Mas faz parte da construção nacional sentir o cheiro do esgoto que produzimos para, assim, nos mexermos para aprimorar na higiene.
domingo, 15 de abril de 2012
Domingo
O problema cinematográfico é um aspecto de um problema muito maior, que vamos chamar a não-politização da classe média. Qualquer encaminhamento para uma posição política é barrado pela classe média (essa classe média que joga papel picado na rua quando cai Goulart e ascende Castelo, o mesmo papel picado quando o Brasil faz um gol num campeonato internacional, o mesmo papel picado quando falece Castelo). O cinema não vai acabar com a não-politização desta classe, mas a atitude cinematográfica desta classe mudará quando mudar seu comportamento geral como classe. O que não leva de modo algum a uma renúncia nossa diante do cinema.
Jean Claude Bernadet, crítico francês radicado no Brasil, em carta a Glauber Rocha, de 21 de julho de 1967.
Jean Claude Bernadet, crítico francês radicado no Brasil, em carta a Glauber Rocha, de 21 de julho de 1967.
sexta-feira, 13 de abril de 2012
Fim de expediente
Com mestre Raul Seixas, "Gita".
Vocês já viram o ótimo documentário de Walter Carvalho sobre Raul?
É maravilhoso. Não percam.
***
Nada mais conveniente para uma sexta-feira 13 que Raul, não?
Vocês já viram o ótimo documentário de Walter Carvalho sobre Raul?
É maravilhoso. Não percam.
***
Nada mais conveniente para uma sexta-feira 13 que Raul, não?
Clube da luta
O governo Dilma Rousseff comprou uma briga histórica com o setor financeiro. Segundo uma fonte do Palácio do Planalto me contou, a "era dos lucros hiperbólicos obtidos sem esforço acabou".
Sim, leitor, a frase é forte assim mesmo. Dita numa conversa ontem à noite, esta crítica aos "lucros hiperbólicos" dos bancos vem em forma de ataque. Na realidade, de contra-ataque.
Depois de reunir-se por duas horas com os principais técnicos do Ministério da Fazenda na terça-feira, o principal representante dos bancos privados - Murilo Portugal, presidente da poderosa Federação Brasileira dos Bancos (Febraban) - deu uma entrevista ao "Jornal das 22h", da Globo News, que irritou Dilma. Na entrevista, o presidente da Febraban disse que se reuniu com a Fazenda para discutir as taxas de juros cobradas pelos bancos, na esteira da decisão do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal de cortarem drasticamente suas taxas. Murilo Portugal disse à Globo News que se o governo deseja, com este movimento dos bancos públicos, forçar os bancos privados a cortar juros, era preciso, antes, que o próprio governo reduzisse a carga de impostos sobre os bancos.
Dilma não gostou do tom da entrevista.
Chamou o ministro da Fazenda, Guido Mantega, ao Planalto, na quarta, para repercutir a entrevista. O consenso do encontro entre os dois, segundo me contou uma das pessoas que participou da conversam foi de que os bancos podem, sim, cortar seus juros: basta reduzirem seus lucros.
...os tais "lucros hiperbólicos".
Segundo dados do Banco Central (BC), as enormes taxas de juros cobradas pelos bancos é formada, principalmente, pelo lucro (33% do spread), pela inadimplência (28%) e pelos impostos (22%).
O governo não deve reduzir impostos, especialmente tendo de cumprir uma meta ambiciosa de corte dos gastos públicos. A inadimplência, segundo entendem os técnicos do governo, deve cair conforme caiam as taxas de juros.
Resta, portanto, o lucro.
Ontem, o ministro Mantega deu uma entrevista forte. Seu recado foi explícito, inclusive citando nominalmente Murilo Portugal. "O Murilo Portugal veio aqui [Fazenda] outro dia e ao invés de dizer o que os bancos estavam fazendo para reduzir suas taxas de juros, ele veio aqui cobrar o governo. Os bancos estão retendo crédito, e seus lucros são muito altos", disse o ministro.
Primeiro resultado prático desta querela: o HSBC anunciou ontem à noite (segundo notou o comentarista Dionísio) uma forte redução dos juros, para não perder correntistas para BB e Caixa.
Mais anúncios virão. Neste momento, os estratégicas dos maiores bancos privados (Itaú Unibanco, Bradesco e Santander) estão arregaçando as mangas para reduzir suas taxas ainda em tempo hábil, para não perderem mais clientes para os bancos públicos. O governo já tem dados que mostram que nos últimos dias já começou um movimento firme de migração de contas correntes. Para aproveitar juros menores, as pessoas e empresas estão deixando suas contas nos bancos privados para irem aos públicos.
O governo acerta em comprar uma briga com um dos setores mais fortes da economia brasileira, fortemente oligopolizado. Mas erra no tom. Os bancos privados são, vejam só, privados. Ou seja, eles não podem ser obrigados a cortar juro, tarifas ou o que for. Como empresas privadas, eles tem total liberdade para fazer o que quiserem. Não há nada de errado nisso, e os técnicos do governo precisam entender isso.
Aguardem. Os próximos dias serão ainda mais quentes.
Sim, leitor, a frase é forte assim mesmo. Dita numa conversa ontem à noite, esta crítica aos "lucros hiperbólicos" dos bancos vem em forma de ataque. Na realidade, de contra-ataque.
Depois de reunir-se por duas horas com os principais técnicos do Ministério da Fazenda na terça-feira, o principal representante dos bancos privados - Murilo Portugal, presidente da poderosa Federação Brasileira dos Bancos (Febraban) - deu uma entrevista ao "Jornal das 22h", da Globo News, que irritou Dilma. Na entrevista, o presidente da Febraban disse que se reuniu com a Fazenda para discutir as taxas de juros cobradas pelos bancos, na esteira da decisão do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal de cortarem drasticamente suas taxas. Murilo Portugal disse à Globo News que se o governo deseja, com este movimento dos bancos públicos, forçar os bancos privados a cortar juros, era preciso, antes, que o próprio governo reduzisse a carga de impostos sobre os bancos.
Dilma não gostou do tom da entrevista.
Chamou o ministro da Fazenda, Guido Mantega, ao Planalto, na quarta, para repercutir a entrevista. O consenso do encontro entre os dois, segundo me contou uma das pessoas que participou da conversam foi de que os bancos podem, sim, cortar seus juros: basta reduzirem seus lucros.
...os tais "lucros hiperbólicos".
Segundo dados do Banco Central (BC), as enormes taxas de juros cobradas pelos bancos é formada, principalmente, pelo lucro (33% do spread), pela inadimplência (28%) e pelos impostos (22%).
O governo não deve reduzir impostos, especialmente tendo de cumprir uma meta ambiciosa de corte dos gastos públicos. A inadimplência, segundo entendem os técnicos do governo, deve cair conforme caiam as taxas de juros.
Resta, portanto, o lucro.
Ontem, o ministro Mantega deu uma entrevista forte. Seu recado foi explícito, inclusive citando nominalmente Murilo Portugal. "O Murilo Portugal veio aqui [Fazenda] outro dia e ao invés de dizer o que os bancos estavam fazendo para reduzir suas taxas de juros, ele veio aqui cobrar o governo. Os bancos estão retendo crédito, e seus lucros são muito altos", disse o ministro.
Primeiro resultado prático desta querela: o HSBC anunciou ontem à noite (segundo notou o comentarista Dionísio) uma forte redução dos juros, para não perder correntistas para BB e Caixa.
Mais anúncios virão. Neste momento, os estratégicas dos maiores bancos privados (Itaú Unibanco, Bradesco e Santander) estão arregaçando as mangas para reduzir suas taxas ainda em tempo hábil, para não perderem mais clientes para os bancos públicos. O governo já tem dados que mostram que nos últimos dias já começou um movimento firme de migração de contas correntes. Para aproveitar juros menores, as pessoas e empresas estão deixando suas contas nos bancos privados para irem aos públicos.
O governo acerta em comprar uma briga com um dos setores mais fortes da economia brasileira, fortemente oligopolizado. Mas erra no tom. Os bancos privados são, vejam só, privados. Ou seja, eles não podem ser obrigados a cortar juro, tarifas ou o que for. Como empresas privadas, eles tem total liberdade para fazer o que quiserem. Não há nada de errado nisso, e os técnicos do governo precisam entender isso.
Aguardem. Os próximos dias serão ainda mais quentes.
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quinta-feira, 12 de abril de 2012
Vale a pena abrir conta no BB e na Caixa
Esta é a opinião de um dos maiores especialistas em mercado financeiro brasileiro, o estrategista Marcelo D'Agosto.
Vejam só:
Independentemente da situação financeira ou da faixa de renda, passa a ser interessante abrir uma conta corrente no BB ou na Caixa. Mesmo para clientes bancários que não possuam necessidade imediata de financiamento, é um conforto garantir acesso à possibilidade de tomar recursos emprestados no futuro, com taxas substancialmente mais baixas do que a dos bancos privados. Isso porque, com um relacionamento comercial já estabelecido com o banco, o cliente pode obter, ao longo do tempo, benefícios, como limites de crédito maiores quando for preciso.
O mercado financeiro está cada vez mais padronizado. Existem poucas diferenças entre os produtos bancários e praticamente não há necessidade de manter contato pessoal com o gerente da conta, tendo em vista as facilidades para movimentações financeiras por meio de caixas eletrônicos ou internet. Portanto, nada impede que os clientes mudem as contas para outros bancos, se as condições forem vantajosas.
A decisão estratégica do BB e da Caixa envolve um misto de pressão política do governo - o maior acionista dos dois bancos públicos - e o desejo das duas instituições de ampliar a participação no mercado, o que efetivamente devem conseguir. As novas taxas de juros anunciadas devem motivar a abertura de novas contas. Já o efeito das novidades para o balanço da instituição é outra questão, que os investidores em ações, no caso do BB, devem avaliar com cuidado.
Os custos dos empréstimos pessoais no Brasil são exagerados e começam a afetar o nível de consumo da população, dificultando o progresso do país. Sob esse ponto de vista, a ação do governo para forçar a redução dos juros bancários é justificável.
***
A análise do Marcelo, na íntegra, está aqui.
***
Agora a bola está com os bancos privados, Itaú Unibanco, Bradesco, Santander e HSBC.
Vejam só:
Independentemente da situação financeira ou da faixa de renda, passa a ser interessante abrir uma conta corrente no BB ou na Caixa. Mesmo para clientes bancários que não possuam necessidade imediata de financiamento, é um conforto garantir acesso à possibilidade de tomar recursos emprestados no futuro, com taxas substancialmente mais baixas do que a dos bancos privados. Isso porque, com um relacionamento comercial já estabelecido com o banco, o cliente pode obter, ao longo do tempo, benefícios, como limites de crédito maiores quando for preciso.
O mercado financeiro está cada vez mais padronizado. Existem poucas diferenças entre os produtos bancários e praticamente não há necessidade de manter contato pessoal com o gerente da conta, tendo em vista as facilidades para movimentações financeiras por meio de caixas eletrônicos ou internet. Portanto, nada impede que os clientes mudem as contas para outros bancos, se as condições forem vantajosas.
A decisão estratégica do BB e da Caixa envolve um misto de pressão política do governo - o maior acionista dos dois bancos públicos - e o desejo das duas instituições de ampliar a participação no mercado, o que efetivamente devem conseguir. As novas taxas de juros anunciadas devem motivar a abertura de novas contas. Já o efeito das novidades para o balanço da instituição é outra questão, que os investidores em ações, no caso do BB, devem avaliar com cuidado.
Os custos dos empréstimos pessoais no Brasil são exagerados e começam a afetar o nível de consumo da população, dificultando o progresso do país. Sob esse ponto de vista, a ação do governo para forçar a redução dos juros bancários é justificável.
***
A análise do Marcelo, na íntegra, está aqui.
***
Agora a bola está com os bancos privados, Itaú Unibanco, Bradesco, Santander e HSBC.
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quarta-feira, 11 de abril de 2012
Uma carta
De: João Ubaldo Ribeiro
Para: Glauber Rocha
Salvador, 11 de novembro de 1963
Rocha,
Estive com Siri ontem e Siri me disse, muito vagamente, que você tinha mandado uma carta para mim, explicando como você tinha recebido meu livro etc. etc., não recebi carta nenhuma. Se você mandou para minha casa a carta, certamente nunca a receberei, porque o carteiro daqui é meu inimigo pessoal, desafeto inconciliável, e me fez as piores escrotidões. Se você mandou para o Jornal da Bahia, é provável que não a receba, porque o cara que agora fica lá na portaria é débil mental, oligofrênico, e não sabe nada além de dizer como vai o senhor, de uma maneira extremamente babosa e irritante, por sinal. Tenho perdido uma porção de correspondência dessa forma. Em primeiro lugar, já que não sou frequentador assíduo do jornal (mando minhas colunas pelo servente do Departamento de Turismo), ele não sabia que havia João Ubaldo no jornal e devolvia as cartas, dizendo que não é aqui não. Em segundo lugar, como ele não via nenhum escaninho com o nome Policarpo ou Theóphilo, devolvia as cartas para os ditos, ou jogava-as fora, dizendo que não sabia quem era Policarpo (tinha até vontade de conhecê-lo).
Depois de perturbá-lo com esses detalhes infinitesimais, lembro que também pode ser que você não tenha mandado carta nenhuma, caso em que você é um filho da puta.
***
Esta joia está no belíssimo "Cartas ao Mundo", organizado por Ivana Bentes, com as cartas trocadas pelo cineasta Glauber Rocha. Cada ano um capítulo. Já estou em 1965, mas deixei esta, do fim de 1963, para um registro cá no Blog.
Que belo país este em que dois baianos brilhantes, o escritor João Ubaldo Ribeiro e o cineasta Glauber Rocha, eram amigos sem mesmo dividir qualquer ideia sobre o incrível trabalho que desempenhavam em suas áreas.
Para: Glauber Rocha
Salvador, 11 de novembro de 1963
Rocha,
Estive com Siri ontem e Siri me disse, muito vagamente, que você tinha mandado uma carta para mim, explicando como você tinha recebido meu livro etc. etc., não recebi carta nenhuma. Se você mandou para minha casa a carta, certamente nunca a receberei, porque o carteiro daqui é meu inimigo pessoal, desafeto inconciliável, e me fez as piores escrotidões. Se você mandou para o Jornal da Bahia, é provável que não a receba, porque o cara que agora fica lá na portaria é débil mental, oligofrênico, e não sabe nada além de dizer como vai o senhor, de uma maneira extremamente babosa e irritante, por sinal. Tenho perdido uma porção de correspondência dessa forma. Em primeiro lugar, já que não sou frequentador assíduo do jornal (mando minhas colunas pelo servente do Departamento de Turismo), ele não sabia que havia João Ubaldo no jornal e devolvia as cartas, dizendo que não é aqui não. Em segundo lugar, como ele não via nenhum escaninho com o nome Policarpo ou Theóphilo, devolvia as cartas para os ditos, ou jogava-as fora, dizendo que não sabia quem era Policarpo (tinha até vontade de conhecê-lo).
Depois de perturbá-lo com esses detalhes infinitesimais, lembro que também pode ser que você não tenha mandado carta nenhuma, caso em que você é um filho da puta.
***
Esta joia está no belíssimo "Cartas ao Mundo", organizado por Ivana Bentes, com as cartas trocadas pelo cineasta Glauber Rocha. Cada ano um capítulo. Já estou em 1965, mas deixei esta, do fim de 1963, para um registro cá no Blog.
Que belo país este em que dois baianos brilhantes, o escritor João Ubaldo Ribeiro e o cineasta Glauber Rocha, eram amigos sem mesmo dividir qualquer ideia sobre o incrível trabalho que desempenhavam em suas áreas.
terça-feira, 10 de abril de 2012
A sinuca do Banco Central
A taxa de juros no Brasil é um escárnio. Este é quase um axioma nosso, já que, desde sempre, o juro alto nos acompanha. As taxas cobradas pelos bancos é proibitiva (eu, pó exemplo, tenho mais medo de me endividar no cheque especial do meu banco do que contrair AIDS).
Uma das grandes desculpas do sistema financeiro para manter uma taxa média de juros só consumidor em 39% ao ano (!!) é que a inadimplência é alta. Ora, a inadimplência é alta justamente porque os juros são altos. O sistema financeiro brasileiro é moderno, todos sabem, e tem um dos modelos de garantias e análises de riscos para financiamento mais sofisticados do mundo -- estamos léguas de distância à frente de nossos colegas dos Brics, Rússia, China, Índia e África do Sul, neste quesito.
Isto quer dizer que, feita uma rigorosa análise das condições de empréstimos, os bancos poderiam, sim, cobrar juros razoavelmente menores (coisa de 10 pontos percentuais a menos, em média, estima um especialista em sistema bancário e crédito que falou com o Blog) e, ao mesmo tempo, dirimir a inadimplência. Pois não basta juro baixo, é preciso rigor na concessão. É emblemático o caso americano dos anos 1999-2007, quando se inflou a bolha que estourou em 2008 e levou o mundo junto: os juros eram baixos (coisa de 1,5% ao ano, em média, no período), e os bancos afrouxaram totalmente seus controles já que a "sofisticação" do mercado permitia transmitir o eventual risco de inadimplência por meio dos contratos de seguros, os CDS.
Isso não vai acontecer no Brasil.
Outra causa para os elevados juros no país é a elevada taxa básica de juros, a Selic. Sua meta é definida pelo Banco Central (BC), que a cada 45 dias promove uma reunião para discutir a política monetária do país. Na última, em março, o BC reduziu a Selic em 0,75 pontos percentuais, aos atuais 9,75% ao ano. Alegou, na ata da reunião, que a Selic deve chegar a 9% ao ano, e ali ficar até dezembro.
A próxima reunião do BC será na semana que vem. E o BC está numa sinuca de bico.
O principal foco do BC, com os juros, é trazer a inflação para a meta de 4,5% no ano. Hoje, nos 12 meses acumulados em março, a inflação está em 5,2% - uma queda brusca frente aos 6,5% de dezembro de 2011.
A inflação fraca é a melhor notícia possível ao BC, uma vez que chancela a política adotada desde 31 de agosto do ano passado, quando inverteram o rumo da política monetária surpreendendo o mercado, como também sinaliza que novos cortes da Selic são possíveis.
Mas a política monetária tem efeito defasado de seis a oito meses.
Isso quer dizer que os cortes que o BC faz desde 31 de agosto na Selic só começam agora, justamente agora, a surtir efeito sobre a economia. Como o BC vem cortando o juro desde então, o efeito acumulado disso só se fará sentir no segundo semestre.
Ninguém sabe ao certo o efeito que terá. É por isso que o BC deve parar de cortar juro, para não acelerar demais a atividade, alimentar a inflação e, pouco depois, ter de voltar a elevar os juros.
Elevar os juros nunca é politicamente bacana, ainda mais em um governo em que a presidente é economista e aproveita a viagem mais midiática de seu governo (a Washington, onde Dilma Rousseff se reuniu ontem com o presidente americano Barack Obama) para dizer que o juro no Brasil é muito alto e precisa cair.
Os diretores do BC estão estudando também o efeito que o pacote de R$ 60,4 bilhões em estímulos à economia pode ter sobre a atividade. As medidas são fortemente baseadas em aumento do crédito subsidiado ao BNDESm que levou R$ 45 bilhões do Tesouro Nacionao para fortalecer seu funding e dispor de mais capital para emprestar às empresas. Como se não bastasse, os bancos públicos Banco do Brasil (BB) e Caixa Econômica Federal (CEF) anunciaram agressivos cortes nas taxas de juros.
Juntos, BNDES, BB e Caixa representam um pouco mais de 50% do crédito no Brasil. Se os bancos privados não correrem atrás (algo que deve ocorrer em ritmo mais lento, e com cortes de juros menos profundos), a participação dos bancos públicos no total de crédito na economia pode aumentar.
O BC foi explícito em sua última ata do Comitê de Política Monetária (Copom) ao dizer que seria salutar que o credito subsidiado não aumentasse, de forma a potencializar o efeito da política monetária (a Selic) e assim criar condições para o BC ser mais incisivo no corte dos juros básicos. Isto está claro, no parágrafo 27 da ata, que é pública e pode ser lida no site do BC.
E agora?
A inflação sinaliza que o BC pode cortar juros. Mas o aumento crédito público subsidiado não. A presidente Dilma cobra o BC em Washington, no Jornal Nacional, a uma semana da reunião do Copom. Mas ninguém sabe ao certo o efeito que os juros cortados desde o ano passado terão sobre a atividade. A Selic, hoje em 9,75% ao ano, é muito elevada, e o BC certamente vai cortar mais na semana que vem.
Mas cortará quanto? E cortará até quando?
Há um limite, além de tudo. Quando bater em 8,5% ao ano, a Selic vai deixar todas as aplicações em títulos públicos menos vantajosas que a caderneta de poupança.
E agora?
Uma das grandes desculpas do sistema financeiro para manter uma taxa média de juros só consumidor em 39% ao ano (!!) é que a inadimplência é alta. Ora, a inadimplência é alta justamente porque os juros são altos. O sistema financeiro brasileiro é moderno, todos sabem, e tem um dos modelos de garantias e análises de riscos para financiamento mais sofisticados do mundo -- estamos léguas de distância à frente de nossos colegas dos Brics, Rússia, China, Índia e África do Sul, neste quesito.
Isto quer dizer que, feita uma rigorosa análise das condições de empréstimos, os bancos poderiam, sim, cobrar juros razoavelmente menores (coisa de 10 pontos percentuais a menos, em média, estima um especialista em sistema bancário e crédito que falou com o Blog) e, ao mesmo tempo, dirimir a inadimplência. Pois não basta juro baixo, é preciso rigor na concessão. É emblemático o caso americano dos anos 1999-2007, quando se inflou a bolha que estourou em 2008 e levou o mundo junto: os juros eram baixos (coisa de 1,5% ao ano, em média, no período), e os bancos afrouxaram totalmente seus controles já que a "sofisticação" do mercado permitia transmitir o eventual risco de inadimplência por meio dos contratos de seguros, os CDS.
Isso não vai acontecer no Brasil.
Outra causa para os elevados juros no país é a elevada taxa básica de juros, a Selic. Sua meta é definida pelo Banco Central (BC), que a cada 45 dias promove uma reunião para discutir a política monetária do país. Na última, em março, o BC reduziu a Selic em 0,75 pontos percentuais, aos atuais 9,75% ao ano. Alegou, na ata da reunião, que a Selic deve chegar a 9% ao ano, e ali ficar até dezembro.
A próxima reunião do BC será na semana que vem. E o BC está numa sinuca de bico.
O principal foco do BC, com os juros, é trazer a inflação para a meta de 4,5% no ano. Hoje, nos 12 meses acumulados em março, a inflação está em 5,2% - uma queda brusca frente aos 6,5% de dezembro de 2011.
A inflação fraca é a melhor notícia possível ao BC, uma vez que chancela a política adotada desde 31 de agosto do ano passado, quando inverteram o rumo da política monetária surpreendendo o mercado, como também sinaliza que novos cortes da Selic são possíveis.
Mas a política monetária tem efeito defasado de seis a oito meses.
Isso quer dizer que os cortes que o BC faz desde 31 de agosto na Selic só começam agora, justamente agora, a surtir efeito sobre a economia. Como o BC vem cortando o juro desde então, o efeito acumulado disso só se fará sentir no segundo semestre.
Ninguém sabe ao certo o efeito que terá. É por isso que o BC deve parar de cortar juro, para não acelerar demais a atividade, alimentar a inflação e, pouco depois, ter de voltar a elevar os juros.
Elevar os juros nunca é politicamente bacana, ainda mais em um governo em que a presidente é economista e aproveita a viagem mais midiática de seu governo (a Washington, onde Dilma Rousseff se reuniu ontem com o presidente americano Barack Obama) para dizer que o juro no Brasil é muito alto e precisa cair.
Os diretores do BC estão estudando também o efeito que o pacote de R$ 60,4 bilhões em estímulos à economia pode ter sobre a atividade. As medidas são fortemente baseadas em aumento do crédito subsidiado ao BNDESm que levou R$ 45 bilhões do Tesouro Nacionao para fortalecer seu funding e dispor de mais capital para emprestar às empresas. Como se não bastasse, os bancos públicos Banco do Brasil (BB) e Caixa Econômica Federal (CEF) anunciaram agressivos cortes nas taxas de juros.
Juntos, BNDES, BB e Caixa representam um pouco mais de 50% do crédito no Brasil. Se os bancos privados não correrem atrás (algo que deve ocorrer em ritmo mais lento, e com cortes de juros menos profundos), a participação dos bancos públicos no total de crédito na economia pode aumentar.
O BC foi explícito em sua última ata do Comitê de Política Monetária (Copom) ao dizer que seria salutar que o credito subsidiado não aumentasse, de forma a potencializar o efeito da política monetária (a Selic) e assim criar condições para o BC ser mais incisivo no corte dos juros básicos. Isto está claro, no parágrafo 27 da ata, que é pública e pode ser lida no site do BC.
E agora?
A inflação sinaliza que o BC pode cortar juros. Mas o aumento crédito público subsidiado não. A presidente Dilma cobra o BC em Washington, no Jornal Nacional, a uma semana da reunião do Copom. Mas ninguém sabe ao certo o efeito que os juros cortados desde o ano passado terão sobre a atividade. A Selic, hoje em 9,75% ao ano, é muito elevada, e o BC certamente vai cortar mais na semana que vem.
Mas cortará quanto? E cortará até quando?
Há um limite, além de tudo. Quando bater em 8,5% ao ano, a Selic vai deixar todas as aplicações em títulos públicos menos vantajosas que a caderneta de poupança.
E agora?
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domingo, 8 de abril de 2012
Domingo
O povo erra menos que as elites, que procuram titular um governante para decidir a respeito do povo.
San Tiago Dantas, jornalista e advogado brasileiro, foi um dos maiores ministros de Relações Exteriores da história brasileira (1961-1964). Seu nome estava na primeira lista de perseguidos pela ditadura militar, em abril de 1964.
Aliás, a primeira lista de perseguidos pelo regime instaurado após o golpe de 31 de março de 64 tinham três dos maiores brasileiros do século XX: Celso Furtado, Darcy Ribeiro e San Tiago Dantas.
San Tiago Dantas, jornalista e advogado brasileiro, foi um dos maiores ministros de Relações Exteriores da história brasileira (1961-1964). Seu nome estava na primeira lista de perseguidos pela ditadura militar, em abril de 1964.
Aliás, a primeira lista de perseguidos pelo regime instaurado após o golpe de 31 de março de 64 tinham três dos maiores brasileiros do século XX: Celso Furtado, Darcy Ribeiro e San Tiago Dantas.
quinta-feira, 5 de abril de 2012
Mais BNDES...
O governo fez o Tesouro Nacional repassar R$ 45 bilhões ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O Tesouro já tinha transferido R$ 10 bilhões em janeiro. Ou seja, em 2012, o BNDES terá recebido R$ 55 bilhões do Tesouro.
Em 2011 foram R$ 45 bilhões, em 2010 foram R$ 80 bilhões e em 2009 foram R$ 100 bilhões.
Ao todo, o BNDES recebeu R$ 280 bilhões do Tesouro Nacional em quatro anos.
Isso, sem contar, é claro, o próprio funding do BNDES, que é formado, como qualquer outro banco, pela recuperação, sob a forma de juros, dos empréstimos concedidos às empresas. Além disso, o BNDES também recebe anualmente o equilavente a 40% dos recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT).
Diferente da maior parte dos analistas, apoio a decisão do governo de repassar, em 2009 e 2010, somas gigantescas ao BNDES. Era um momento de crise (2009) e recuperação (2010), e sem financiamento barato na praça -- depois da explosão da crise mundial -- as empresas teriam seus investimentos descobertos.
Em 2011 a ideia foi correta, de reduzir o repasse do Tesouro, acabou desvirtuada neste ano.
No início do ano passado, o governo autorizou o repasse de R$ 55 bilhões ao BNDES.
No entanto, apenas R$ 45 bilhões foram efetivamente usados.
Por que?
Porque a economia desacelerou. OK, pensaram os técnicos do governo, então vamos aumentar o capital do BNDES e a economia vai atrás.
Não é bem assim.
A disponibilidade de capital barato é um dos fatores que condiciona o investimento, mas, se uma empresa, especialmente se for da indústria, tiver perspectivas ruins, por que ela vai se endividar, ainda que os juros sejam mais baixos?
O BNDES dificilmente vai emprestar tudo em 2012. Mas, mesmo que empreste, esta decisão do governo Dilma Rousseff vai contra um dos principais planos do próprio governo Dilma Rousseff: o de ampliar a oferta de crédito privado de longo prazo.
Como, de um lado, o governo luta para estimular que o mercado ofereça o crédito de longo prazo a juros mais baixos se, por outro lado, entrega R$ 55 bilhões ao BNDES, com juros subsidiados?
Em 2011 foram R$ 45 bilhões, em 2010 foram R$ 80 bilhões e em 2009 foram R$ 100 bilhões.
Ao todo, o BNDES recebeu R$ 280 bilhões do Tesouro Nacional em quatro anos.
Isso, sem contar, é claro, o próprio funding do BNDES, que é formado, como qualquer outro banco, pela recuperação, sob a forma de juros, dos empréstimos concedidos às empresas. Além disso, o BNDES também recebe anualmente o equilavente a 40% dos recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT).
Diferente da maior parte dos analistas, apoio a decisão do governo de repassar, em 2009 e 2010, somas gigantescas ao BNDES. Era um momento de crise (2009) e recuperação (2010), e sem financiamento barato na praça -- depois da explosão da crise mundial -- as empresas teriam seus investimentos descobertos.
Em 2011 a ideia foi correta, de reduzir o repasse do Tesouro, acabou desvirtuada neste ano.
No início do ano passado, o governo autorizou o repasse de R$ 55 bilhões ao BNDES.
No entanto, apenas R$ 45 bilhões foram efetivamente usados.
Por que?
Porque a economia desacelerou. OK, pensaram os técnicos do governo, então vamos aumentar o capital do BNDES e a economia vai atrás.
Não é bem assim.
A disponibilidade de capital barato é um dos fatores que condiciona o investimento, mas, se uma empresa, especialmente se for da indústria, tiver perspectivas ruins, por que ela vai se endividar, ainda que os juros sejam mais baixos?
O BNDES dificilmente vai emprestar tudo em 2012. Mas, mesmo que empreste, esta decisão do governo Dilma Rousseff vai contra um dos principais planos do próprio governo Dilma Rousseff: o de ampliar a oferta de crédito privado de longo prazo.
Como, de um lado, o governo luta para estimular que o mercado ofereça o crédito de longo prazo a juros mais baixos se, por outro lado, entrega R$ 55 bilhões ao BNDES, com juros subsidiados?
quarta-feira, 4 de abril de 2012
O pacote de estímulos à economia
Para elevar a taxa de crescimento acima dos 4%, o governo lançou um pacote de estímulos de R$ 60,4 bilhões, em que a maior parte dos recursos virão do aumento do crédito subsidiado pelo Tesouro e só uma pequena parcela, de R$ 3,1 bilhões, de renúncia fiscal. O Tesouro Nacional repassará ao BNDES R$ 45 bilhões. Quinze setores passarão, em 90 dias, a ter a contribuição previdenciária sobre a folha de pagamentos zerada e substituída por uma alíquota sobre o faturamento bruto — de 1% para a indústria e 2% para os serviços. Em 2012 a perda de receitas será de R$ 4,9 bilhões e a arrecadação anual com a nova tributação será de R$ 2,3 bilhões. Mas o governo elevará impostos para compensar parcialmente a desoneração.
O governo elevará as alíquotas do Cofins-Importação dos 15 setores, igualando-as ao novo tributo sobre o faturamento da produção nacional. As empresas exportadoras que mais utilizam importações em seus produtos serão, proporcionalmente menos beneficiadas que as demais. Com a tributação maior da Cofins, a arrecadação crescerá R$ 1,3 bilhão. A renúncia fiscal total líquida será de R$ 3,1 bilhões neste ano. O governo também vai aumentar a tributação, por meio do IPI, sobre bebidas frias, como cervejas e refrigerantes.
O aporte de recursos ao BNDES permite expandir as operações de crédito e veio acompanhado de uma redução generalizada da taxa de juros das linhas de capital de giro, financiamento de exportação e do Programa de Sustentação do Investimento (PSI) . Em vários programas, os juros para médias empresas caíram para 5,5%, isto é, praticamente sem juro real.
O PSI ganhou um reforço de R$ 10 bilhões. Somente para equalização adicional de taxas de juros, serão destinados R$ 6,5 bilhões. Linhas voltadas para produção de ônibus, caminhões e bens de capital tiveram seu custo reduzido. O prazo de vigência do programa, que terminaria no final deste ano, foi prorrogado para R$ 31 de dezembro de 2013. O orçamento do Programa de Financiamento à Exportação foi ampliado em R$ 1,9 bilhão, de R$ 1,24 bilhão para R$ 3,1 bilhões.
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, diz que uma parte do conjunto de medidas lançado ontem é estrutural — as desoneração de impostos para 15 setores da indústria e serviços devem ser definitivas. O nível da tributação não voltará ao patamar de antes
O governo elevará as alíquotas do Cofins-Importação dos 15 setores, igualando-as ao novo tributo sobre o faturamento da produção nacional. As empresas exportadoras que mais utilizam importações em seus produtos serão, proporcionalmente menos beneficiadas que as demais. Com a tributação maior da Cofins, a arrecadação crescerá R$ 1,3 bilhão. A renúncia fiscal total líquida será de R$ 3,1 bilhões neste ano. O governo também vai aumentar a tributação, por meio do IPI, sobre bebidas frias, como cervejas e refrigerantes.
O aporte de recursos ao BNDES permite expandir as operações de crédito e veio acompanhado de uma redução generalizada da taxa de juros das linhas de capital de giro, financiamento de exportação e do Programa de Sustentação do Investimento (PSI) . Em vários programas, os juros para médias empresas caíram para 5,5%, isto é, praticamente sem juro real.
O PSI ganhou um reforço de R$ 10 bilhões. Somente para equalização adicional de taxas de juros, serão destinados R$ 6,5 bilhões. Linhas voltadas para produção de ônibus, caminhões e bens de capital tiveram seu custo reduzido. O prazo de vigência do programa, que terminaria no final deste ano, foi prorrogado para R$ 31 de dezembro de 2013. O orçamento do Programa de Financiamento à Exportação foi ampliado em R$ 1,9 bilhão, de R$ 1,24 bilhão para R$ 3,1 bilhões.
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, diz que uma parte do conjunto de medidas lançado ontem é estrutural — as desoneração de impostos para 15 setores da indústria e serviços devem ser definitivas. O nível da tributação não voltará ao patamar de antes
terça-feira, 3 de abril de 2012
O novo acordo automotivo Brasil-México
O novo acordo automotivo entre Brasil e México entra em vigor hoje — para o lado brasileiro. O governo edita hoje no Diário Oficial da União (DOU) as cotas de exportações, em valor, que as montadoras instaladas no Brasil poderão fazer ao México nos próximos 12 meses. Pelo acordo, cada país determina como cumprirá sua parte, e, segundo fontes do governo brasileiro, os mexicanos devem fazer procedimento semelhante nos próximos dias. Ao todo, as montadoras com plantas no Brasil poderão exportar ao México até US$ 1,45 bilhão entre hoje e março de 2013. Segundo uma fonte do alto escalão da área econômica, as cotas vão “estimular fortemente” as exportações de veículos brasileiros.
As cotas que devem ser publicadas hoje por meio de portaria da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), do Ministério do Desenvolvimento (MDIC), determinam quanto cada montadora poderá exportar neste período aos mexicanos. No topo da fila estão Volkswagen, Ford e Renault, que levarão vantagem graças ao principal critério para elaboração das cotas de exportação.
Segundo apurou o Blog as cotas dão peso de 60% para a média móvel dos últimos três anos de exportações que cada montadora fez ao México. Outros 20% representam um espaço adicional que pode ser acionado por uma montadora caso ela extrapole sua cota — cenário improvável para estes primeiros 12 meses do novo acordo, avaliou uma fonte do alto escalão do governo ontem ao Blog. Os 20% restantes que compõem a cota são “abertos” a novos exportadores. O governo tem em mãos o caso de uma fabricante de caminhões pequenos (cujo comércio com os mexicanos é previsto no novo acordo, diferente de caminhões) que vai começar a exportar neste ano.
A área econômica do governo estima que os mexicanos vão importar pouco menos de US$ 600 milhões em veículos produzidos no Brasil nos 12 meses a partir de hoje.
As cotas que devem ser publicadas hoje por meio de portaria da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), do Ministério do Desenvolvimento (MDIC), determinam quanto cada montadora poderá exportar neste período aos mexicanos. No topo da fila estão Volkswagen, Ford e Renault, que levarão vantagem graças ao principal critério para elaboração das cotas de exportação.
Segundo apurou o Blog as cotas dão peso de 60% para a média móvel dos últimos três anos de exportações que cada montadora fez ao México. Outros 20% representam um espaço adicional que pode ser acionado por uma montadora caso ela extrapole sua cota — cenário improvável para estes primeiros 12 meses do novo acordo, avaliou uma fonte do alto escalão do governo ontem ao Blog. Os 20% restantes que compõem a cota são “abertos” a novos exportadores. O governo tem em mãos o caso de uma fabricante de caminhões pequenos (cujo comércio com os mexicanos é previsto no novo acordo, diferente de caminhões) que vai começar a exportar neste ano.
A área econômica do governo estima que os mexicanos vão importar pouco menos de US$ 600 milhões em veículos produzidos no Brasil nos 12 meses a partir de hoje.
domingo, 1 de abril de 2012
Domingo
Mãe, você acha que eles vão soltar a bomba?
Mãe, devo me candidatar a presidente?
Mãe, devo acreditar no governo?
Mãe, fui bom o suficiente?
Roger Waters, Pink Floyd, "Mother", 1979.
Mãe, devo me candidatar a presidente?
Mãe, devo acreditar no governo?
Mãe, fui bom o suficiente?
Roger Waters, Pink Floyd, "Mother", 1979.
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