Começa amanhã a conferência Rio +20. Trata-se do mais importante evento de discussão sobre o desenvolvimento econômico do futuro desde a reunião em Copenhagen, no fim de 2009.
Barack Obama, o presidente americano, não vem. Angela Merkel, presidente alemã, também não.
De resto, mais de 100 líderes globais estarão no Rio de Janeiro. Entre eles, o novo presidente francês, François Hollande, o líder russo Vladimir Putin, e o primeiro-ministro chinês, Wen Jiabao.
Se a Rio +20 vai adiantar alguma coisa? Claro que vai. Todos já estamos pensando mais neste assunto -- de economia verde (seja lá o que isso signifique efetivamente) -- do que nos últimos anos, apenas por conta da conferência, apoiada pela Organização das Nações Unidas (ONU).
Mas azar maior não há. A Rio + 20 será sombreada pelas eleições na Grécia, que ocorrem neste domingo (e cujo resultado todo o mundo espera ansiosamente), e, em seguida, ocorre a reunião do G-20, o grupo das 20 maiores economias do mundo, no México. Em tempos de crise econômica mundial, as atenções de todos os líderes, empresários e sindicalistas está no agora -- como fazer para não elevar o desemprego, não reduzir salários e continuar inovando.
Vinte anos atrás, durante a Eco 1992 no Rio de Janeiro, o mundo foi obrigado a discutir meio ambiente. Mesmo cpm o presidente anfitrião, Fernando Collor, imerso em denúncias que o levariam a sofrer impeachment meses depois, o evento foi um sucesso inacreditável, ao inaugurar o assunto nas agendas internacionais.
Estamos mais maduros, e o tema é hoje consensual.
Mas o melhor que a Rio + 20 poderia fazer é criar uma série de platitudes, numa espécie de Convenção da Economia Verde, que estabelecesse um caminho de política econômica nacional e governança mundial mais amiga do meio ambiente.
Esse pessoal precisa pensar em termos de marketing: o Consenso de Washington, de 1989, pautou toda a política mundial até a crise de 2008. E não era nada além de um conjunto de platitudes bem vendida.
No dia que os ambientalistas deixarem de ser um grupo de nicho e entenderem que é preciso saber vender -- tocar corações, minha gente, it's all about touching hearts and minds... -- a ideia de economia verde será hegemônica.
Isso vai acontecer. Quem sabe, e eu não sou otimista quanto a isso, a Rio +20 não levanta essa bola?

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