segunda-feira, 14 de maio de 2012

Os prejuízos das companhias aéreas

O Brasil tem um dos maiores mercados de aviação civil do mundo. Apenas duas companhias aéreas -- TAM e Gol -- respondem por 90% do mercado.

Mesmo assim, as duas dão prejuízo atrás de prejuízo.

Para tentar reduzir os rombos e, eventualmente, registrar algum lucro, a Gol iniciou um novo caminho. Vejam o que diz o repórter Alberto Komatsu, do Valor, especializado no setor:

Voos na ponte aérea com 1 minuto a menos e economia de 1% de combustível. Turbinas desenvolvidas em parceria com a fabricante para queimar menos 2% de querosene de aviação. Criação de novas bases de tripulantes para gastar menos com estadias. Estudo de todos os componentes de um avião, como assentos mais leves e até o peso ideal do saco de gelo. Esses são alguns dos esforços da Gol Linhas Aéreas para aumentar a rentabilidade de sua operação.



A estratégia de redução de custos, presente no dia a dia das empresas aéreas, ganhou ainda mais relevância na Gol. Isso aconteceu após ela ter registrado o segundo maior prejuízo de sua história, de R$ 751 milhões em 2011. No primeiro trimestre deste ano, nova perda, de R$ 41, 4 milhões.


Em frente a esse cenário, a Gol está se adequando a um novo tamanho. A empresa já teve de dispensar 300 tripulantes de janeiro a março, após reduzir em cerca de 10% sua malha de voos domésticos. A companhia também divulgou que vai reduzir sua frota em relação ao patamar de 2011, quando encerrou o ano com 150 aviões. Até 2013, serão menos 14 aeronaves, incluindo a Webjet, adquirida em julho do ano passado. Em 2012, a Gol deve permanecer com o mesmo patamar de participação de mercado, de 34%. A empresa vai reduzir em até 2% sua oferta.

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A TAM também divulgou resultado fraco em seu balanço do primeiro trimestre deste ano, com uma queda de 22% em seu lucro. A TAM encerrou o primeiro trimestre com Ebit (lucro antes de juros e impostos) negativo em R$ 23,5 milhões, contra um resultado positivo em R$ 110,2 milhões um ano antes.

Detalhe: o resultado só não foi pior devido às operações financeiras. As operações financeiras e com derivativos de combustíveis trouxeram receitas de R$ 243,5 milhões, 68% acima do contabilizado no primeiro trimestre de 2011. Não é de hoje, aliás, que o departamento financeiro da TAM ajuda a tornar azul (ou menos vermelho) o resultado da companhia. O mercado sabe disso.

Mas não deixa de ser curioso que uma das duas companhias que opera em um mercado altamente rentável, oligopolizado (duopolizado talvez fosse mais condinzente com a situação) e de demanda crescente e alta, tenha que relegar às operações no mercado financeiro para salvar a casa.

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Aonde nós vamos chegar?

2 comentários:

Cesar Cardoso disse...

Fazer aviação regional com Boeing 737-700/800 e Airbus A319/320 não deu certo em lugar nenhum do mundo, porque no Brasil seria diferente?

Drunkeynesian disse...

Talvez o mercado não seja tão rentável assim. Companhias aéreas do mundo todo têm problemas e dependem de subsídio; se não fosse o problema político de passar algo que parece tão pouco essencial como bem público, a maioria deveria ser estatizada. Como disse o seu Richard Branson:

"I've always said the easiest way to become a millionaire is to start out a billionaire then go into the airline business."

O resultado com derivativos de combustível é perfeitamente legítimo (se corretamente executado, claro), toda companhia aérea opera nesses mercados para travar o preço de parte do consumo futuro.

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