terça-feira, 8 de maio de 2012

A nova caderneta de poupança

O governo Dilma Rousseff alterou as regras da mais antiga modalidade de investimento do Brasil, a caderneta de poupança, criada por Dom Pedro II, em 1861. Dilma fez o que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva não teve coragem de fazer, sem a urgência que o governo Lula tinha. A taxa básica de juros, a Selic, está em 9% ao ano, hoje. Se chegasse a 8,5%, a poupança seria mais atraente que qualquer outra aplicação financeira. Isso seria péssimo para o país. Em 2009, sob Lula, a Selic chegou ao limite, em 8,75% ao ano.

Então ministra-chefe da Casa Civil, Dilma percebeu o que deu errado em 2009, quando o governo Lula recuou de sua iniciativa de reformar a poupança para permitir novos cortes da Selic.

O projeto do governo, divulgado na semana passada, foi correto. Muda sensivelmente a poupança, mantêm as regras claras e não atinge quem tinha aplicações até a quinta-feira, 03 de maio. Respeitou contratos e iniciou uma nova fase.

A nova regra só entra em vigor quando a Selic, hoje em 9%, atingir 8,5% ao ano. Neste momento, a poupança passará a render uma taxa de juros equivalente a 70% da Selic (5,9% ao ano, com Selic a 8,5%), mais a Taxa Referencial (TR). Os rendimentos continuarão isentos do Imposto de Renda (IR).

Agora, o governo precisa ser habilidoso no Congresso, que vai votar a Medida Provisória (MP) com o projeto da nova caderneta de poupança. Em tempos de CPI do Cachoeira e Código Florestal, os técnicos e operadores do governo não podem vacilar.

***

Em tempo: minha manchete no Valor, em 25 de outubro do ano passado, já tinha todo o projeto da nova poupança.

O Blog fica orgulhoso por ter sido o primeiro jornalista a antecipar a medida.

7 comentários:

Ândi disse...

Foi a primeira coisa de que me lembrei quando vi as novas regras: é exatamente o que o João tinha antecipado. Só o percentual ficou levemente abaixo, infelizmente.

Dionísio disse...

João, sei que não é exatamente sua área, mas como está em Brasília talvez pudesse nos informar sobre a tramitação (ou não) da PEC do trabalho escravo.

Abraço

João Villaverde disse...

A PEC do trabalho escravo será votada hoje pela Câmara, Dionísio. O presidente da Casa, Marco Maia (PT-RS), acabou de definir.

Vai ser uma votação pesadíssima. A bancada ruralista está se preparando para derrubar a PEC.

Abração

João Villaverde disse...

Obrigado, Ândi! De fato, só o percentual ficou um pouco abaixo. Em outubro do ano passado, disse que a taxa de juros da poupança seria de 80% da Selic, e, de última hora ficou definido em 70% da Selic.

Abração

He will be Bach disse...

Sinto falta mesmo é de gente explicando por que é tão ruim a poupança ser mais atrativa do que os outros investimentos. Todo mundo martela isso desesperadamente como se fosse óbvio, mas para os leigos, não é. Imagine o "povão"...

Anônimo disse...

Parabéns pela manchete. :)

ruy garcia disse...

Caro João,
Desculpe, mas se há uma coisa que me irrita é o auto-elogio. É meio caminho andado para a soberba e a arrogância. Você não precisa disso.

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