domingo, 6 de maio de 2012

Domingo

Juca Mulado freme. Imerge os olhos entre as estrelas curiosas. Não sabe que anda o amor nos espaços profundos a fecundar o ventre das próprias nebulosas na eterna gestação de novos mundos... Ele é a matriz da vida: multiplica seres e coisas, numa força eterna; cria o verme, animais que andam de rastros. Mata e ressurge, estiola e frutifica, e, pelo espaço rútilo, governa a prodigiosa rotação dos astros! E a vertigem do amor, fascinadora, tudo arrasta, fantástica, nos braços e a terra que palpita, canta e chora, ora imersa na treva, ora imersa na aurora, leva através do Tempo e dos Espaços... Acendendo no olhar um lampejo divino, Juca Mulato cede à vertigem que o enlaça, [e brada num transporte: "Arrasta-me também, no turbilhão que passa! [Leva-me ao teu destino, Amor que vens da Vida e que vais para a Morte!" Menotti Del Picchia, poeta brasileiro. Nascido em São Paulo em 20 de março de 1892, Menotti encarnou o modernismo brasileiro com afinco: era filho da primeira leva de imigrantes europeus (seus pais eram italianos recém-chegados ao Brasil), e foi um dos líderes da Semana de Arte Moderna de 1922. Morreu em 23 de agosto de 1988.

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