"Antes do descobrimento do Brasil, o índio era mais feliz, mais pleno e mais autêntico. Hoje, está sujeito ao processo de nossa evolução. Antes do contato com os civilizados, os índios viviam dentro da simplicidade de seu sistema de valores e movidos unicamente pela estimulações próprias de sua cultura tradicional. Eram povos não só auto-suficientes, mas absolutamente conscientes daquilo que eram como homens, como sociedade. Se achamos que nosso objetivo aqui, na nossa rápida passagem pela terra, é acumular riqueza, então não temos nada a aprender com os índios."
Cláudio Villas-Bôas.
Abro o post com uma citação clássica de um grande brasileiro para falar de cinema.
O cinema brasileiro está vivíssimo.
No último fim de semana vi um filme extraordinário: "Xingu", dirigido por Cao Hamburger, com atuações soberbas de Caio Blat, Felipe Camargo, e João Miguel. Aliás, estou para assistir um filme em que João Miguel não é soberbo.
Xingu, evidentemente, conta a história do Parque Nacional do Xingu, sobre a perspectiva dos irmãos Orlando, Cláudio e Leonardo Villas-Bôas. A aventura iniciada em 1943, com os irmãos se remetendo nas expedições iniciadas pela ditadura de Getúlio Vargas, sob o Estado Novo.
O filme mostra tudo: da interação das diversas tribos do Xingu, às negociações, conduzidas por Orlando no Rio de Janeiro (então capital) com a classe política, pela criação do Parque Indígena do Xingu. Conquistam a crucial ajuda de Darcy Ribeiro, e, depois, o compromisso de Jânio Quadros, de que, se eleito presidente em 1960, faria a demarcação de terra e criaria o parque. Isso, de fato, aconteceu em abril de 1961.
Um filme brilhante sobre uma história apaixonante.
O Blog, viciado em cinema e muito crítico, indica com muito entusiasmo ao leitor. Não há como não gostar de "Xingu".

4 comentários:
"história apaixonante", "blog muito crítico", mas no fim das contas, João, você é a favor de crimes abomináveis como Belo Monte e o Novo Código Florestal.
Você realmente tem ciência do impacto que esses dois projetos trará aos povos do Xingu?
O que você acha que os irmãos Villas-Bôas diriam sobre esses dois projetos?
Gabriel,
O que é que você está falando? Eu nunca escrevi nada sobre Código Florestal ou Belo Monte que desse a entender que sou favorável ou contra. Nunca.
Sugiro que, antes de emitir opiniões, você pesquise. Ou aprenda a ler.
Sobre Cógido Florestal, aliás, eu sou totalmente contra o texto da Câmara, e amplamente favorável ao texto que foi aprovado no Senado -- não este aprovado ontem na Câmara.
Como é que você pode dizer o que disse?
Inacreditável.
Bom, mas ter Blog é pedir para se molhar, né?
UON! UON! UON! ALARME DE TROLL ATIVADO! ALARME DE TROLL ATIVADO!
:-)
Fora de brincadeira: repito o que já comentei no teu post "Anotações": o filme tem a falha crítica de não dar voz de verdade aos índios. A primeira tribo com que eles têm contato perde o cacique por causa do homem branco e... beleza? Quase apareceu um conflito intertribal e... sumiu de repente? O Cláudio forçou uma família a fugir contra a vontade e só ficou uma noite deprimido? Mas o que a família achou disso depois? E o Prepori, que fez cara de reprovação por alguns segundos e ficou por isso mesmo? O que os índios achariam de tudo isso? Como se dava a relação dos resgatados com sua nova "casa"? Nada disso é mostrado, o que, para um filme sobre o Xingu, é uma falha realmente grave.
E, sim, o filme tem pontos fortes, como fotografia; caracterização física; fidedignidade da história contada; diálogos maravilhosamente concisos ("com essa gente não tem conversa"); a seqüência inicial é engraçadíssima; e, claro, a história do Xingu é bela (embora, no fundo, triste).
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