terça-feira, 24 de janeiro de 2012

O novo ministro de Ciência e Tecnologia

É o físico Marco Antônio Raupp.



Trata-se de um golaço do governo Dilma Rousseff, um gol tão importante quanto a decisão de Dilma, ainda na transição, em dezembro de 2010, de elencar o Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) como um dos pilares da equipe econômica.

Pouca gente nos jornais, e, principalmente, na sociedade, entende a importância que o ministério têm e deveria ter num país como o nosso. Estamos perdendo rapidamente a indústria, o que é péssimo, ao mesmo tempo em que ascendemos, também de maneira muito veloz, ao mundo desenvolvido.

Uma área de coordenação para ciência, tecnologia e inovação, no governo federal, é central para os dois casos. Para sobreviver em um cenário de China e real valorizado, a principal perna de sustentação da indústria nacional deve ser a inovação tecnológica. Ao mesmo tempo, se queremos mesmo ascender ao mundo desenvolvido, a pesquisa em áreas de exatas e biológicas é crucial.

Raupp tem o melhor perfil possível para assumir a pasta.

Ele é presidente licenciado da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e já foi o diretor-geral do Parque Tecnológico de São José dos Campos (SP), um dos principais parques de inovação tecnológica na indústria brasileira. Basta dizer que São José dos Campos, no interior de São Paulo, é a cidade onde estão as plantas da Embraer e da Honda.

Além disso, Raupp já tinha impressionado Dilma em 2010, quando se conheceram. A presidente escolheu o físico para assumir a complexa tarefa de reorganizar totalmente o Programa Espacial Brasileiro. No Palácio do Planalto ouvi que a atuação de Raupp à frente do programa foi excelente.

Raupp terá uma missão ainda mais complexa que todas as outras somadas.

A atuação de Aloizio Mercadante à frente do ministério, de janeiro de 2011 até amanhã, foi surpreendentemente boa. A própria Dilma se surpreendeu com o "enorme comprometimento" de Mercadante com a causa. Derrotado nas eleições para o governo de São Paulo em 2010, e chamuscado junto a petistas por sua atuação titubeante como senador, especialmente em 2009, Mercadante elevou a pasta para o primeiro escalão da Esplanada.

Como repórter em Brasília desde maio de 2011 posso dar meu testemunho pessoal: foi exatamente isso.

Mercadante participou ativamente das principais discussões da equipe econômica em 2011, como a formulação do programa Brasil Maior e o debate sobre um novo regime automotivo, que deve incentivar o carro elétrico (temas que acompanhamos de perto cá no Blog no ano passado). Mercadante se aproximou dos centros tecnológicos e de pesquisa, de especialistas na área e bolou algumas ideias, que vão começar a sair neste ano. Além das bolsas do Ciência Sem Fronteiras, a principal ideia (e a que mais anima este blogueiro) é a Embrapii, a "Embrapa da indústria". Fui o primeiro jornalista a tratar do tema, numa matéria enorme que o Valor publicou no início de setembro, anunciando os planos da Embrapii, numa matéria que recebeu grande destaque no jornal.

A atuação de Mercadante foi tão forte que ele, um tanto escanteado por Dilma na definição da Esplanada, em dezembro de 2010, virou o principal nome para a substituição de Fernando Haddad no Ministério da Educação. A troca ocorrerá amanhã: Mercadante assume Educação e passa Ciência e Tecnologia para Raupp.

Raupp terá, agora, de elevar o perfil técnico da Pasta, sem deixar a política de lado -- muito do sucesso de Mercadante veio de seu jogo de cintura político.

***

Justiça seja feita: em O Globo de quarta-feira da semana passada, 18 de janeiro, os repórteres Roberto Maltchik e Gerson Camarotti anteciparam a informação que Raupp seria o substituto de Mercadante.

1 comentários:

vozdotrovao disse...

Surpreendente a informação sobre a qualidade do período Mercadante nesta pasta. Sendo verdade, espero que o novo dono seja capaz de ampliar o nível desta pasta tão importante... e que o Mercadante consiga fazer algum impacto na Educação, que anda, anda e, em termos, não sai do lugar.

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