Imagem da mais belíssima casa do mundo: a Casa da Cascata (Falling water house), projetada pelo gênio americano Frank Lloyd Wright, na Pensilvânia, em 1936.
Vivemos em um país em que os jovens já nascem conservadores, e se tornam ainda mais conservadores conforme envelhecem. São incentivados pelo anacronismo e pelas facilidades a evitar o pensamento crítico. O escapismo é a ordem e o progresso é a intolerância.
quarta-feira, 30 de novembro de 2011
terça-feira, 29 de novembro de 2011
O problema da Previdência
Conversei com o maior especialista em previdência brasileira: Leonardo Rolim, secretário de políticas previdenciárias do Ministério da Previdência Social. Ele me passou as estimativas mais apuradas sobre a situação da previdência em 2011.
As despesas com beneficíos previdenciários dos 28,1 milhões de aposentados e pensionistas do INSS neste ano serão R$ 35 bilhões maiores que as receitas.
Já as despesas com os benefícios previdenciários aos 958 mil servidores federais aposentados serão R$ 57 bilhões maiores que as receitas.
Vejam o absurdo total, vou repetir:
O déficit da Previdência de 28,1 milhões de aposentados no setor privado é de R$ 35 bilhões.
O déficit da Previdência de 958 mil (nem 1 milhão!!) de aposentados pelo setor público federal é de R$ 57 bilhões.
***
O déficit dos servidores públicos federais será ainda mais explosivo, já que os 1,1 milhão de servidores da União na ativa vão, um dia, se aposentar.
***
Como pode um brasileiro receber R$ 545 de aposentadoria e outro receber R$ 16 mil?
É sério isso. Trata-se de um privilégio totalmente desbaratado em um momento em que vemos mobilidade social.
As despesas com beneficíos previdenciários dos 28,1 milhões de aposentados e pensionistas do INSS neste ano serão R$ 35 bilhões maiores que as receitas.
Já as despesas com os benefícios previdenciários aos 958 mil servidores federais aposentados serão R$ 57 bilhões maiores que as receitas.
Vejam o absurdo total, vou repetir:
O déficit da Previdência de 28,1 milhões de aposentados no setor privado é de R$ 35 bilhões.
O déficit da Previdência de 958 mil (nem 1 milhão!!) de aposentados pelo setor público federal é de R$ 57 bilhões.
***
O déficit dos servidores públicos federais será ainda mais explosivo, já que os 1,1 milhão de servidores da União na ativa vão, um dia, se aposentar.
***
Como pode um brasileiro receber R$ 545 de aposentadoria e outro receber R$ 16 mil?
É sério isso. Trata-se de um privilégio totalmente desbaratado em um momento em que vemos mobilidade social.
segunda-feira, 28 de novembro de 2011
O caso PanAmericano
Era 9 de setembro de 2010.
Na sala da presidência da Caixa Econômica Federal (CEF) em São Paulo estavam sentados o empresário Sílvio Santos, o executivo Luiz Sebastião Sandoval, a então presidente da CEF, Maria Fernanda Coelho e o vice-presidente de Finanças da CEF, Márcio Percival.
Fecharam os últimos detalhes da operação que terminara com a compra, pela Caixa, de 49% do capital votante do Banco PanAmericano, um dos melhores bancos de médio porte do mercado financeiro brasileiro, controlado pelo Grupo Sílvio Santos, então comandado por Sandoval.
Terminada a reunião, todos seguem seus rumos.
Percival voltaria a Brasília naquele mesmo dia. Estava tranquilo, a operação que ele comandara desde o primeiro contato de Sandoval, em outubro de 2008, estava concluída -- a CEF já pagara os R$ 739,3 milhões ao PanAmericano -- e faltava apenas a homologação do Banco Central (BC) para que os diretores da CEF entrassem no conselho administrativo do PanAmericano. Dois meses antes, em julho de 2010, o BC tinha já concedido a pré-aprovação ao negócio.
Mas trinta minutos depois de terminada aquela reunião, o telefone de Percival tocou. Era Sandoval. O presidente do Grupo Sílvio Santos estava na sede do PanAmericano com todos os diretores do banco, onde recebeu Percival. Disse que havia uma inconsistência entre o sistema do PanAmericano e o sistema do Banco Central.
Naquele momento, o Banco Central já tinha verificado que havia um esquema.
Por meio de seu sistema de verificação do sistema financeiro nacional, o BC havia verificado que o balanço do PanAmericano era inconsistente com as informações levantadas junto às demais institucionais financeiras.
Em questão de dias, o BC avisou o dono -- o empresário Sílvio Santos -- que de prontidão foi ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC) negociar um aporte bilionário.
Foi verificado um rombo de R$ 2,3 bilhões. Silvio Santos tomou R$ 2,5 bilhões do FGC, em negociação fechada com o presidente do fundo, Antônio Carlos Bueno, um dos maiores especialistas em sistema bancário do mundo. Como garantia, o empresário colocou até o SBT, seu canal de televisão e maior ativo.
Com o problema sanado, o BC autorizou a operação em novembro de 2010.
Em dezembro de 2010, no mês seguinte, a CEF entrou com cinco diretores no conselho de administração do PanAmericano, além de um diretor no comitê de auditoria interna. Naquele momento, a gestão do PanAmericano passou a ser da CEF, com 49%, e o restante pulverizado em ações (o PanAmericano abriu capital na Bovespa em novembro de 2007), com o FGC e o próprio PanAmericano.
A CEF, por meio da Caixa Par, seu braço de participação societária, contratou a PricewaterhouseCoopers, uma das maiores empresas de auditoria do mundo, para auxiliá-la na auditoria das contas do PanAmericano.
Em janeiro de 2011, percebeu que o buraco era mais embaixo.
O rombo era R$ 2 bilhões maior, ou seja, era de R$ 4,3 bilhões.
Os antigos diretores do PanAmericano precisam sair, todos eles. Não havia mais justificativa para ficarem por lá.
Percival, então, foi procurado por cinco bancos -- todos estavam interessados em obter participação no banco (justamente aquele deixada vazia pela saída total dos antigos diretores). Em maio, o BTG, do executivo André Esteves, venceu a competição e ficou com o negócio. Fez o primeiro pagamento, depois da pré-aprovação do Banco Central.
A homologação da participação do BTG no conselho administrativo veio no mês passado, em outubro de 2011.
Agora, novembro de 2011, a situação está, enfim, resolvida.
Do lado criminal, no entanto, ainda há muito o que fazer. Uma investigação sobre o complexo esquema de fraude contábil e operacional no PanAmericano corre solta na Polícia Federal. Como que aquele esquema conseguiu passar por debaixo dos olhos dos bancos que trabalharam na abertura de capital (o IPO) do PanAmericano, em novembro de 2007? Como que os auditores internacionais não conseguiram levantar o esquema quando trabalharam nas duas operações de captações externas feitas pelo PanAmericano, a última delas no primeiro semestre de 2010?
Aos olhos deste blogueiro, o esquema era complexo demais para ser captado por alguma instituição que não fosse o Banco Central (BC), que é o único agente habilitado a cruzar informações de todo o sistema financeiro nacional, e, assim, verificar qualquer inconsistência.
Mas, com toda a questão societária resolvida, o esquema poderá ser levantado de forma mais serena.
Na sala da presidência da Caixa Econômica Federal (CEF) em São Paulo estavam sentados o empresário Sílvio Santos, o executivo Luiz Sebastião Sandoval, a então presidente da CEF, Maria Fernanda Coelho e o vice-presidente de Finanças da CEF, Márcio Percival.
Fecharam os últimos detalhes da operação que terminara com a compra, pela Caixa, de 49% do capital votante do Banco PanAmericano, um dos melhores bancos de médio porte do mercado financeiro brasileiro, controlado pelo Grupo Sílvio Santos, então comandado por Sandoval.
Terminada a reunião, todos seguem seus rumos.
Percival voltaria a Brasília naquele mesmo dia. Estava tranquilo, a operação que ele comandara desde o primeiro contato de Sandoval, em outubro de 2008, estava concluída -- a CEF já pagara os R$ 739,3 milhões ao PanAmericano -- e faltava apenas a homologação do Banco Central (BC) para que os diretores da CEF entrassem no conselho administrativo do PanAmericano. Dois meses antes, em julho de 2010, o BC tinha já concedido a pré-aprovação ao negócio.
Mas trinta minutos depois de terminada aquela reunião, o telefone de Percival tocou. Era Sandoval. O presidente do Grupo Sílvio Santos estava na sede do PanAmericano com todos os diretores do banco, onde recebeu Percival. Disse que havia uma inconsistência entre o sistema do PanAmericano e o sistema do Banco Central.
Naquele momento, o Banco Central já tinha verificado que havia um esquema.
Por meio de seu sistema de verificação do sistema financeiro nacional, o BC havia verificado que o balanço do PanAmericano era inconsistente com as informações levantadas junto às demais institucionais financeiras.
Em questão de dias, o BC avisou o dono -- o empresário Sílvio Santos -- que de prontidão foi ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC) negociar um aporte bilionário.
Foi verificado um rombo de R$ 2,3 bilhões. Silvio Santos tomou R$ 2,5 bilhões do FGC, em negociação fechada com o presidente do fundo, Antônio Carlos Bueno, um dos maiores especialistas em sistema bancário do mundo. Como garantia, o empresário colocou até o SBT, seu canal de televisão e maior ativo.
Com o problema sanado, o BC autorizou a operação em novembro de 2010.
Em dezembro de 2010, no mês seguinte, a CEF entrou com cinco diretores no conselho de administração do PanAmericano, além de um diretor no comitê de auditoria interna. Naquele momento, a gestão do PanAmericano passou a ser da CEF, com 49%, e o restante pulverizado em ações (o PanAmericano abriu capital na Bovespa em novembro de 2007), com o FGC e o próprio PanAmericano.
A CEF, por meio da Caixa Par, seu braço de participação societária, contratou a PricewaterhouseCoopers, uma das maiores empresas de auditoria do mundo, para auxiliá-la na auditoria das contas do PanAmericano.
Em janeiro de 2011, percebeu que o buraco era mais embaixo.
O rombo era R$ 2 bilhões maior, ou seja, era de R$ 4,3 bilhões.
Os antigos diretores do PanAmericano precisam sair, todos eles. Não havia mais justificativa para ficarem por lá.
Percival, então, foi procurado por cinco bancos -- todos estavam interessados em obter participação no banco (justamente aquele deixada vazia pela saída total dos antigos diretores). Em maio, o BTG, do executivo André Esteves, venceu a competição e ficou com o negócio. Fez o primeiro pagamento, depois da pré-aprovação do Banco Central.
A homologação da participação do BTG no conselho administrativo veio no mês passado, em outubro de 2011.
Agora, novembro de 2011, a situação está, enfim, resolvida.
Do lado criminal, no entanto, ainda há muito o que fazer. Uma investigação sobre o complexo esquema de fraude contábil e operacional no PanAmericano corre solta na Polícia Federal. Como que aquele esquema conseguiu passar por debaixo dos olhos dos bancos que trabalharam na abertura de capital (o IPO) do PanAmericano, em novembro de 2007? Como que os auditores internacionais não conseguiram levantar o esquema quando trabalharam nas duas operações de captações externas feitas pelo PanAmericano, a última delas no primeiro semestre de 2010?
Aos olhos deste blogueiro, o esquema era complexo demais para ser captado por alguma instituição que não fosse o Banco Central (BC), que é o único agente habilitado a cruzar informações de todo o sistema financeiro nacional, e, assim, verificar qualquer inconsistência.
Mas, com toda a questão societária resolvida, o esquema poderá ser levantado de forma mais serena.
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domingo, 27 de novembro de 2011
sexta-feira, 25 de novembro de 2011
Fim de expediente
Com uma das composições mais incríveis e enigmáticas da música: a 5ª Sinfonia de Gustav Mahler. A versão abaixo apresenta o início do primeiro movimento, que é um emaranhado de sons organizados de maneira ao mesmo tempo melancólica e violenta. Conduzida pelo genial Leonard Bernstein, o maestro que recuperou Mahler do esquecimento, a Orquesta Sinfônica de Viena faz uma interpretação magistral.
Mahler escreveu a quinta sinfonia entre 1901 e 1902, durante seu período mais criativo: quando fez o casamento entre o que até então era a música clássica, para a elite, e os sons populares.
Em outras palavras, Mahler introduziu a música clássica no mundo moderno.
Mahler escreveu a quinta sinfonia entre 1901 e 1902, durante seu período mais criativo: quando fez o casamento entre o que até então era a música clássica, para a elite, e os sons populares.
Em outras palavras, Mahler introduziu a música clássica no mundo moderno.
quinta-feira, 24 de novembro de 2011
Os 20 anos do "controle" da AIDS
Hoje, há vinte anos, morria o mítico vocalista do Queen, Freddie Mercury. Foi a última grande celebridade a morrer de AIDS.
O país que deu a melhor resposta à AIDS, ainda sem cura, foi -- e continua a ser -- o Brasil. A gestão do Ministério da Saúde, desde os anos 1990, tem sido exemplar. O Sistema Único de Saúde (SUS) tem uma série de problemas, como o leitor deste Blog bem sabe, mas no atendimento aos portadores de AIDS, o sistema público é sensacional.
***
Quando foi detectada, em 1983, a AIDS parecia ser a mais avassaladora das doenças. Destruía fisicamente o doente, que era reduzido ao osso e morria em poucos meses. Não parecia haver nenhuma droga capaz de solucionar seus sintomas, ou mesmo de amenizar seus efeitos.
A primeira grande celebridade a morrer de AIDS foi o ator americano Rocky Hudson, em 1985. No Brasil foi o cantor Cazuza, que contraiu no fim de 1988 e morreu na metade de 1990, raquítico.
Quando Mercury começou a desafinhar, em 1990, os primeiros coqueteis começaram a ganhar o mercado. Já em 1991, o tratamento já tinha avançado muito, graças aos esforços financeiros dos Estados Unidos, cujo governo lançou mão de recursos bilionários para financiar pesquisas.
Em 1993, o mundo da saúde já tinha desenvolvido a primeira droga realmente eficaz no tratamento da AIDS.
O caso de Magic Johnson, estrela do basquete americano, passou a ser sintomático: portador do vírus HIV desde 1992, Johnson sempre foi medicado e o HIV até hoje não evoluiu para a AIDS.
O continente africano, de onde os pesquisadores supõem ter surgido a AIDS, parecia que ia desaparecer, tamanha a proporção de doentes. Hoje, o vírus ainda é implacável na África, mas estamos longe da extinção por lá -- algo que a Time, no início dos anos 90, chegou a vislumbrar.
A cura, no entanto, ainda não existe.
***
Abaixo, o Queen numa apresentação matadora de "We will rock you" e "We are the champions", no festival Live Aid, de outubro de 1985.
De acordo com biógrafos de Mercury, ele teria contraído AIDS em algum momento entre o fim de 1986 e o início de 1987.
O país que deu a melhor resposta à AIDS, ainda sem cura, foi -- e continua a ser -- o Brasil. A gestão do Ministério da Saúde, desde os anos 1990, tem sido exemplar. O Sistema Único de Saúde (SUS) tem uma série de problemas, como o leitor deste Blog bem sabe, mas no atendimento aos portadores de AIDS, o sistema público é sensacional.
***
Quando foi detectada, em 1983, a AIDS parecia ser a mais avassaladora das doenças. Destruía fisicamente o doente, que era reduzido ao osso e morria em poucos meses. Não parecia haver nenhuma droga capaz de solucionar seus sintomas, ou mesmo de amenizar seus efeitos.
A primeira grande celebridade a morrer de AIDS foi o ator americano Rocky Hudson, em 1985. No Brasil foi o cantor Cazuza, que contraiu no fim de 1988 e morreu na metade de 1990, raquítico.
Quando Mercury começou a desafinhar, em 1990, os primeiros coqueteis começaram a ganhar o mercado. Já em 1991, o tratamento já tinha avançado muito, graças aos esforços financeiros dos Estados Unidos, cujo governo lançou mão de recursos bilionários para financiar pesquisas.
Em 1993, o mundo da saúde já tinha desenvolvido a primeira droga realmente eficaz no tratamento da AIDS.
O caso de Magic Johnson, estrela do basquete americano, passou a ser sintomático: portador do vírus HIV desde 1992, Johnson sempre foi medicado e o HIV até hoje não evoluiu para a AIDS.
O continente africano, de onde os pesquisadores supõem ter surgido a AIDS, parecia que ia desaparecer, tamanha a proporção de doentes. Hoje, o vírus ainda é implacável na África, mas estamos longe da extinção por lá -- algo que a Time, no início dos anos 90, chegou a vislumbrar.
A cura, no entanto, ainda não existe.
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Abaixo, o Queen numa apresentação matadora de "We will rock you" e "We are the champions", no festival Live Aid, de outubro de 1985.
De acordo com biógrafos de Mercury, ele teria contraído AIDS em algum momento entre o fim de 1986 e o início de 1987.
quarta-feira, 23 de novembro de 2011
Interlúdio
Chuva que chega a Brasília. Foto tirada pelo blogueiro, há quinze dias.
O Congresso Nacional concentra, nestes últimos 30 dias do ano, os principais temas nacionais: o novo Código Florestal, que tramita no Senado, a criação do Funpresp (o fundo de previdência complementar do servidor federal), que tramita na Câmara, e a renovação da Desvinculação das Receitas da União (DRU), aprovada ontem à noite na Câmara e que hoje chegou ao Senado.
Os três, em ordem invertida, são tidos como prioridade pelo governo Dilma Rousseff. A mais urgente, na lista do governo, é a renovação da DRU. Em seguida, três ministros trabalham incessantemente pela aprovação do Funpresp: Garibaldi Alves, da Previdência Social, Gleisi Hoffmann, da Casa Civil, e Ideli Salvatti, de Relações Institucionais. Por fim, a renovação do Código Florestal, que é mais polêmico e, até por isso, o mais importante para o futuro do Brasil.
Além disso, o Congresso também têm em mãos o Orçamento Federal de 2012, que deve ser aprovado no limite do limite, em 22 ou 23 de dezembro, os últimos dias antes do recesso parlamentar.
Este será um fim de ano como há muito não temos.
O Congresso Nacional concentra, nestes últimos 30 dias do ano, os principais temas nacionais: o novo Código Florestal, que tramita no Senado, a criação do Funpresp (o fundo de previdência complementar do servidor federal), que tramita na Câmara, e a renovação da Desvinculação das Receitas da União (DRU), aprovada ontem à noite na Câmara e que hoje chegou ao Senado.
Os três, em ordem invertida, são tidos como prioridade pelo governo Dilma Rousseff. A mais urgente, na lista do governo, é a renovação da DRU. Em seguida, três ministros trabalham incessantemente pela aprovação do Funpresp: Garibaldi Alves, da Previdência Social, Gleisi Hoffmann, da Casa Civil, e Ideli Salvatti, de Relações Institucionais. Por fim, a renovação do Código Florestal, que é mais polêmico e, até por isso, o mais importante para o futuro do Brasil.
Além disso, o Congresso também têm em mãos o Orçamento Federal de 2012, que deve ser aprovado no limite do limite, em 22 ou 23 de dezembro, os últimos dias antes do recesso parlamentar.
Este será um fim de ano como há muito não temos.
O PAC em 2011
O governo executou nos primeiros nove meses do ano o equivalente a 15% do total esperado até dezembro de 2014 para a segunda parte do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC 2). Segundo dados divulgados ontem pelo Ministério do Planejamento, o governo Dilma Rousseff executou R$ 143,6 bilhões em obras do PAC 2 entre janeiro e setembro deste ano. No terceiro trimestre, o governo, as estatais e as empresas privadas ampliaram a execução do PAC 2 em 66% em relação ao registrado no segundo trimestre.
A liberação de recursos do orçamento fiscal da União foi muito mais ágil em 2011 do que em anos anteriores. Até 11 de novembro, o governo empenhou R$ 22 bilhões em recursos para o PAC 2, e pagou R$ 21,6 bilhões (R$ 5,5 bilhões referentes a restos a pagar de 2010). Em período aproximado no ano passado (entre janeiro e 31 de outubro de 2010), o governo empenhou mais recursos, R$ 23,3 bilhões, mas os gastos efetivos foram muito inferiores – R$ 17,7 bilhões.
“A comparação com o ano passado é boa, uma vez que 2010 foi o melhor ano do PAC”, afirmou a ministra do Planejamento, Miriam Belchior, que comandou a coordenação do PAC desde sua primeira edição, em janeiro de 2007.
***
Acompanhei, ontem, a cerimônia sobre o acompanhamento do PAC no Itamaraty.
Conversei com os ministros que circulavam por lá e, à boca pequena, a ideia consensual é a seguinte: apertem os cintos, sugere Dilma Rousseff, porque o PAC terá que deslanchar em 2012. Não haverá mais espaço para desculpas para justificar atrasos. É deslanchar ou deslanchar.
A conferir.
A liberação de recursos do orçamento fiscal da União foi muito mais ágil em 2011 do que em anos anteriores. Até 11 de novembro, o governo empenhou R$ 22 bilhões em recursos para o PAC 2, e pagou R$ 21,6 bilhões (R$ 5,5 bilhões referentes a restos a pagar de 2010). Em período aproximado no ano passado (entre janeiro e 31 de outubro de 2010), o governo empenhou mais recursos, R$ 23,3 bilhões, mas os gastos efetivos foram muito inferiores – R$ 17,7 bilhões.
“A comparação com o ano passado é boa, uma vez que 2010 foi o melhor ano do PAC”, afirmou a ministra do Planejamento, Miriam Belchior, que comandou a coordenação do PAC desde sua primeira edição, em janeiro de 2007.
***
Acompanhei, ontem, a cerimônia sobre o acompanhamento do PAC no Itamaraty.
Conversei com os ministros que circulavam por lá e, à boca pequena, a ideia consensual é a seguinte: apertem os cintos, sugere Dilma Rousseff, porque o PAC terá que deslanchar em 2012. Não haverá mais espaço para desculpas para justificar atrasos. É deslanchar ou deslanchar.
A conferir.
terça-feira, 22 de novembro de 2011
Sobre design de interiores
Caros e queridas, uma das coisas que mais tenho feito nos últimos meses (além de xingar o técnico do Botafogo, que conseguiu entregar o título do Campeonato Brasileiro deste ano ao Vasco) é passear pelos sites da Desmobilia e da Pé Palito.
São duas ótimas lojas com o melhor do design de interiores -- para quem, como este blogueiro, guarda dinheiro para comprar peças do rico passado brasileiro em design para meu apê, não tem opção melhor.
Vejam essa cadeira do mestre Sérgio Rodrigues, de 1956.
Na mesma época, Juscelino lançava a ideia de transferir a capital do Rio de Janeiro a Brasília, o Botafogo entrava em campo com Garrincha, Nilton Santos, Didi e Manga, o menino Pelé estreava no Santos F.C., a Hungria assistia a primeira rebelião dentro da União Soviética, e o baiano João Gilberto testava sua batida no violão.
Fico imaginando viver tudo aquilo sentado nesta cadeira.
Ou esta magnífica peça da dupla Martin Eisler e Carlo Hauner:
***
A dica do Desmobilia quem deu foi a amiga Ariana Frances. Já o Pé Palito é sugestão do Sérgio Leo.
Agora é minha vez de juntar os dois e sugerir aos leitores.
***
A cadeira que tenho aqui no apê de Brasília é esta poltrona Katita, de Sérgio Rodrigues, comprada da Desmobília.
São duas ótimas lojas com o melhor do design de interiores -- para quem, como este blogueiro, guarda dinheiro para comprar peças do rico passado brasileiro em design para meu apê, não tem opção melhor.
Vejam essa cadeira do mestre Sérgio Rodrigues, de 1956.
Na mesma época, Juscelino lançava a ideia de transferir a capital do Rio de Janeiro a Brasília, o Botafogo entrava em campo com Garrincha, Nilton Santos, Didi e Manga, o menino Pelé estreava no Santos F.C., a Hungria assistia a primeira rebelião dentro da União Soviética, e o baiano João Gilberto testava sua batida no violão.
Fico imaginando viver tudo aquilo sentado nesta cadeira.
Ou esta magnífica peça da dupla Martin Eisler e Carlo Hauner:
***
A dica do Desmobilia quem deu foi a amiga Ariana Frances. Já o Pé Palito é sugestão do Sérgio Leo.
Agora é minha vez de juntar os dois e sugerir aos leitores.
***
A cadeira que tenho aqui no apê de Brasília é esta poltrona Katita, de Sérgio Rodrigues, comprada da Desmobília.
segunda-feira, 21 de novembro de 2011
Os passos da Receita Federal
Conversei, no fim da semana passada, com Carlos Alberto Barreto, o homem que comanda a Receita Federal. Barreto, o secretário da Receita, falou de sua sala por uma hora e meia comigo e mestre Ribamar Oliveira, repórter-especial do Valor e prêmio Esso de Jornalismo de 1997.
Sem papas na língua, admitiu que a Receita teve um ano de arrecadação absolutamente extraordinária -- um salto de 12,2%, descontada a inflação, na arrecadação de impostos entre janeiro e outubro deste ano, na comparação com igual período do ano passado. Disse que no ano que vem terá novo crescimento e que R$ 18 bilhões virão de receitas extraordinárias, como despesas judiciais de empresas que perdem ações na Justiça. Barreto afirmou que o Fisco estuda a reformulação de dois dos principais impostos do país -- o PIS e a Cofins -- porque eles são muito complexos, e que não haverá mais parcelamentos especiais.
Ufa!
Tudo isso e mais um pouco no Valor de hoje, que vem com as informações da Receita na manchete.
Sem papas na língua, admitiu que a Receita teve um ano de arrecadação absolutamente extraordinária -- um salto de 12,2%, descontada a inflação, na arrecadação de impostos entre janeiro e outubro deste ano, na comparação com igual período do ano passado. Disse que no ano que vem terá novo crescimento e que R$ 18 bilhões virão de receitas extraordinárias, como despesas judiciais de empresas que perdem ações na Justiça. Barreto afirmou que o Fisco estuda a reformulação de dois dos principais impostos do país -- o PIS e a Cofins -- porque eles são muito complexos, e que não haverá mais parcelamentos especiais.
Ufa!
Tudo isso e mais um pouco no Valor de hoje, que vem com as informações da Receita na manchete.
domingo, 20 de novembro de 2011
Domingo
O Brasil é um país de tradição senhorial, de passado escravocrata, profundamente dividido, onde o trabalhador é visto como propriedade. Isso aparece na arquitetura, cujo poder de humilhação é enorme. Há banheiros de empregada em que existe espaço, mas o chuveiro é posto acima do assento. Os processos de humilhação são inscritos na cultura, mas isso mudará.
Lília Moritz Schwarcz, antropóloga e historiadora brasileira.
Lília Moritz Schwarcz, antropóloga e historiadora brasileira.
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sexta-feira, 18 de novembro de 2011
quinta-feira, 17 de novembro de 2011
"O PIB de 2011 não pode ser inferior a 3%", disse Dilma
A segunda parte da parceira deste blogueiro com o editor-executivo do Valor, Cristiano Romero, é a manchete da edição de hoje do Valor.
Se ontem falamos com Márcio Holland (do Ministério da Fazenda) e seis renomados economistas do mercado, desta vez fomos procurar o núcleo duro da presidente Dilma Rousseff.
Para ler a matéria, manchete do Valor, clique aqui.
***
Aqui, o início da manchete, para dar um gostinho aos leitores deste Blog:
O governo está empenhado em impedir que a economia cresça menos de 3% neste ano e deve ser auxiliado pela revisão do Produto Interno Bruto de 2010 que o IBGE divulgará em 15 dias. Com a revisão, o avanço de 7,5% deverá subir para 7,7% ou 7,8%, de acordo com avaliações da área econômica, graças ao melhor desempenho da atividade no quarto trimestre de 2010. Com isso, pelo efeito estatístico do carregamento ("carry over"), o PIB de 2011 terá uma expansão maior.
Preocupada com a rápida desaceleração da economia, a presidente Dilma Rousseff preferiu afrouxar as medidas macroprudenciais adotadas pelo Banco Central no fim do ano passado. Dilma se reuniu separadamente na última semana com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, e o presidente do Banco Central (BC), Alexandre Tombini, e ordenou o "reequilíbrio" das medidas.
A presidente está intranquila com um possível mergulho da economia no terceiro trimestre. Entre janeiro e março, o PIB avançou 1,3% e, entre abril e junho, 0,8%. Mas no período seguinte (julho a setembro), a economia pode ter tido crescimento pouco acima de zero em relação ao segundo trimestre.
Mais detalhes, aqui.
Se ontem falamos com Márcio Holland (do Ministério da Fazenda) e seis renomados economistas do mercado, desta vez fomos procurar o núcleo duro da presidente Dilma Rousseff.
Para ler a matéria, manchete do Valor, clique aqui.
***
Aqui, o início da manchete, para dar um gostinho aos leitores deste Blog:
O governo está empenhado em impedir que a economia cresça menos de 3% neste ano e deve ser auxiliado pela revisão do Produto Interno Bruto de 2010 que o IBGE divulgará em 15 dias. Com a revisão, o avanço de 7,5% deverá subir para 7,7% ou 7,8%, de acordo com avaliações da área econômica, graças ao melhor desempenho da atividade no quarto trimestre de 2010. Com isso, pelo efeito estatístico do carregamento ("carry over"), o PIB de 2011 terá uma expansão maior.
Preocupada com a rápida desaceleração da economia, a presidente Dilma Rousseff preferiu afrouxar as medidas macroprudenciais adotadas pelo Banco Central no fim do ano passado. Dilma se reuniu separadamente na última semana com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, e o presidente do Banco Central (BC), Alexandre Tombini, e ordenou o "reequilíbrio" das medidas.
A presidente está intranquila com um possível mergulho da economia no terceiro trimestre. Entre janeiro e março, o PIB avançou 1,3% e, entre abril e junho, 0,8%. Mas no período seguinte (julho a setembro), a economia pode ter tido crescimento pouco acima de zero em relação ao segundo trimestre.
Mais detalhes, aqui.
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quarta-feira, 16 de novembro de 2011
PIB do Brasil vai cair dos 7,5% de 2010 para 3% em 2011?
Vai.
Num esforço de reportagem deste blogueiro e de Cristiano Romero, editor-executivo do Valor, conversamos com o secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Márcio Holland, sobre isso. Procuramos também outros 6 dos melhores economistas do mercado para discutir por quê isso está acontecendo.
Porque pior que a derrocada drástica do PIB é que a inflação fez o caminho inverso: saiu dos 5,9% registrados em 2010 para algo como 6,5% em 2011.
Por que o PIB caiu e a inflação subiu?
Esta resposta está no debate de uma página (sim, uma página!) que o Valor publica na edição de hoje.
Num esforço de reportagem deste blogueiro e de Cristiano Romero, editor-executivo do Valor, conversamos com o secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Márcio Holland, sobre isso. Procuramos também outros 6 dos melhores economistas do mercado para discutir por quê isso está acontecendo.
Porque pior que a derrocada drástica do PIB é que a inflação fez o caminho inverso: saiu dos 5,9% registrados em 2010 para algo como 6,5% em 2011.
Por que o PIB caiu e a inflação subiu?
Esta resposta está no debate de uma página (sim, uma página!) que o Valor publica na edição de hoje.
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terça-feira, 15 de novembro de 2011
Ao mestre, com carinho
João era chato.
Imaginem um comunista convicto, que inventava todo tipo de mentira, era botafoguense fanático em um tempo em que todos eram Flamengo, entendia de futebol mais que todos os técnicos somados, e era totalmente contrário à ditadura militar.
Agora imaginem este mesmo homem como o técnico da Seleção Brasileira de Futebol, em 1969, fazendo um time até então desacreditado jogar o futebol mais maravilhoso que se tem notícia no mundo. Era a seleção de Pelé, Jairzinho, Carlos Alberto, Gérson, Tostão, Rivelino. A seleção que unia o melhor do Santos, do Cruzeiro, do Botafogo, do Palmeiras, do Fluminense, do Corinthians.
O governo brasileiro estava nas mãos de uma junta militar, que prepava o terreno para a elevação do ditator Emílio Garrastazu Médici. Eram tempos de guerrilha no Araguaia. A ditadura assassinava jovens idealistas, destruía a vida de famílias, sumia com pessoas, torturava outras, censurava os jornais e a cultura, e expulsava quem era contrário.
"Brasil: ame-o ou deixe-o" era o slogan oficial, que estampava os carros da classe média ignorante à barbárie do governo. Mesmo amando o país, a maior parte da inteligência nacional teve de deixar o país justamente naquele ano de 1969. Em 13 de dezembro de 1968, no apagar das luzes do ditadot Alberto da Costa e Silva, o governo militar baixou o Ato Institucional número 5 (AI-5), fechou o Congresso Nacional e institucionalizou a selvageria.
Foram embora do Brasil, naquele 1969, Chico Buarque, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Glauber Rocha (que acabara de ganhar o prêmio de melhor filme em Cannes!), Augusto Boal, Geraldo Vandré, Hélio Oiticica, e tantos outros anônimos da cultura, como produtores, assistentes, doutores, historiadores, cientistas sociais e economistas. Foram se espalhar pelo mundo, indo encontrar outros ilustres brasileiros que já tinham deixado o país entre 1964 e 1969, como Darcy Ribeiro e Celso Furtado.
E o técnico da seleção brasileira era ninguém menos que aquele chato comunista, João Saldanha.
João era o mestre do Brasil. Falava a linguagem nacional, era magrelo, como a maior parte dos brasileiros famintos, mas muitíssimo inteligente. Falava rápido, entendia de tudo, e era um dos caras mais aclamados nas esquinas do Rio de Janeiro, onde era reconhecido por carnavalescos e boleiros.
A seleção havia perdido a Copa de 1966 ainda na primeira fase, com um futebol grotescamente ruim. Depois de levar as Copas de 1958 e 1962, o futebol brasileiro passou a tentar emular o que era praticado na Europa: aquele futebol duro, de marcação homem a homem, com resultados de 1 x 0 sendo entendidos como goleadas.
João, então, foi escolhido para assumir a seleção contra a vontade do governo, para tentar, como última alternativa, classificar o Brasil para ao menos disputar a Copa de 1970. Ele assumiu com o seguinte discurso: "olha, a seleção brasileira não precisava ficar imitando aqueles duros dos europeus. O Brasil tem que jogar como joga o brasileiro. Tem que ter ginga, tem que driblar, fazer muitos gols e não ter medo de ninguém. No Brasil só podem jogar feras".
Estavam criados os "feras de Saldanha", como passou a ser conhecida aquele time mágico de 1969 e 1970. O Brasil passou a vencer os jogos por 8 x 2, como fez na Colômbia, e chamar a atenção do mundo inteiro.
No último jogo da classificação, em dezembro de 1969, contra o Paraguai, o Maracanã recebeu seu público máximo histórico: 210 mil pessoas.
João classificou a seleção para a Copa do Mundo do México, a ser disputada em junho de 1970. Passou, então a preparar o time para a disputa. Naquele ano, o Brasil esqueceu os campeonatos regionais: não importava o que ocorreria no Campeonato Carioca, no Paulista, no Mineiro ou no Gaúcho. Em 1970, o brasileiro se preocupava em ver aquela seleção maravilhosa de Saldanha na Copa do Mundo.
Saldanha, no entanto, era chato e comunista.
Passou a rivalizar com Médici nos holofotes, e não via nenhum problema em discutir com Nelson Rodrigues, seu contra-parte tricolor nos saudosos programas futebolísticos da TV Globo, sobre política. Nelson era totalmente favorável à ditadura. João era totalmente contrário.
João passou a ser um problema, e a mídia, totalmente controlada pelos censores dos militares, passou a promover uma campanha violentíssima contra João.
O clima foi ficando péssimo e insustentável. Médici queria Dadá Maravilha, que jogava no Atlético MG, na seleção. João achava Dadá um bom jogador, mas não considerava ele um dos 23 "feras de Saldanha" que iriam a Copa. Aquele imbróglio, envolvendo Dadá, passou a ser o que faltava para o governo ter um bode expiatório.
Antes de ser demitido pela pressão militar, João resolveu deixar a seleção.
Assumiu Zagallo, que aceitou Dadá e ainda chamou Roberto, então atacante do Botafogo, para mascarar a convocação de Dadá. Zagallo aceitara o jogo de Médici, Saldanha não.
A seleção foi ao México e foi aquele show que todos nós conhecemos.
João também foi ao México, porque era viciado em futebol e era comentarista esportivo.
João era chato, e não tinha medo de ninguém. Nem de Médici.
***
A dupla de cineastas André Iki Siqueira e Beto Macedo está com um belíssimo documentário sobre a trajetória de João Saldanha, o mestre do Brasil, produzido pela TV Zero, a ser lançado. Chama-se simplesmente "João".
Tive a honra de assistir em primeira mão, por ser fã de Saldanha e por ser botafoguense.
André Iki Siqueira e Beto Macedo não se prendem à história envolvendo os anos de 1969 e 1970, como fiz aqui no post. No documentário, abordam toda a vida de Saldanha -- uma das mais ricas de que se tem notícia. Aquele contador de histórias, que dizia ter sido o primeiro brasileiro a encontrar Mao Tsé-Tung logo após a Revolução Chinesa de 1949, que entrara armado em General Severiano (sede do Botafogo no Rio) para dar tiro no mítico goleiro Manga, que ele jurava ter se vendido na final de 1967 (que o Botafogo, mesmo assim, ganhou), que tripudiara Médici e que não engolia desaforo de ninguém.
Era o João Sem Medo, como era chamado aquele comunista que todos seus desafetos viam como chato, mas que o povo brasileiro via como o sujeito mais boa praça do país.
O documentário de André e Beto fez o blogueiro ganhar uma sobrevida. Mesmo com todos os nossos problemas, um Brasil que teve espaço para João Saldanha pode, e deve, dar certo.
Imaginem um comunista convicto, que inventava todo tipo de mentira, era botafoguense fanático em um tempo em que todos eram Flamengo, entendia de futebol mais que todos os técnicos somados, e era totalmente contrário à ditadura militar.
Agora imaginem este mesmo homem como o técnico da Seleção Brasileira de Futebol, em 1969, fazendo um time até então desacreditado jogar o futebol mais maravilhoso que se tem notícia no mundo. Era a seleção de Pelé, Jairzinho, Carlos Alberto, Gérson, Tostão, Rivelino. A seleção que unia o melhor do Santos, do Cruzeiro, do Botafogo, do Palmeiras, do Fluminense, do Corinthians.
O governo brasileiro estava nas mãos de uma junta militar, que prepava o terreno para a elevação do ditator Emílio Garrastazu Médici. Eram tempos de guerrilha no Araguaia. A ditadura assassinava jovens idealistas, destruía a vida de famílias, sumia com pessoas, torturava outras, censurava os jornais e a cultura, e expulsava quem era contrário.
"Brasil: ame-o ou deixe-o" era o slogan oficial, que estampava os carros da classe média ignorante à barbárie do governo. Mesmo amando o país, a maior parte da inteligência nacional teve de deixar o país justamente naquele ano de 1969. Em 13 de dezembro de 1968, no apagar das luzes do ditadot Alberto da Costa e Silva, o governo militar baixou o Ato Institucional número 5 (AI-5), fechou o Congresso Nacional e institucionalizou a selvageria.
Foram embora do Brasil, naquele 1969, Chico Buarque, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Glauber Rocha (que acabara de ganhar o prêmio de melhor filme em Cannes!), Augusto Boal, Geraldo Vandré, Hélio Oiticica, e tantos outros anônimos da cultura, como produtores, assistentes, doutores, historiadores, cientistas sociais e economistas. Foram se espalhar pelo mundo, indo encontrar outros ilustres brasileiros que já tinham deixado o país entre 1964 e 1969, como Darcy Ribeiro e Celso Furtado.
E o técnico da seleção brasileira era ninguém menos que aquele chato comunista, João Saldanha.
João era o mestre do Brasil. Falava a linguagem nacional, era magrelo, como a maior parte dos brasileiros famintos, mas muitíssimo inteligente. Falava rápido, entendia de tudo, e era um dos caras mais aclamados nas esquinas do Rio de Janeiro, onde era reconhecido por carnavalescos e boleiros.
A seleção havia perdido a Copa de 1966 ainda na primeira fase, com um futebol grotescamente ruim. Depois de levar as Copas de 1958 e 1962, o futebol brasileiro passou a tentar emular o que era praticado na Europa: aquele futebol duro, de marcação homem a homem, com resultados de 1 x 0 sendo entendidos como goleadas.
João, então, foi escolhido para assumir a seleção contra a vontade do governo, para tentar, como última alternativa, classificar o Brasil para ao menos disputar a Copa de 1970. Ele assumiu com o seguinte discurso: "olha, a seleção brasileira não precisava ficar imitando aqueles duros dos europeus. O Brasil tem que jogar como joga o brasileiro. Tem que ter ginga, tem que driblar, fazer muitos gols e não ter medo de ninguém. No Brasil só podem jogar feras".
Estavam criados os "feras de Saldanha", como passou a ser conhecida aquele time mágico de 1969 e 1970. O Brasil passou a vencer os jogos por 8 x 2, como fez na Colômbia, e chamar a atenção do mundo inteiro.
No último jogo da classificação, em dezembro de 1969, contra o Paraguai, o Maracanã recebeu seu público máximo histórico: 210 mil pessoas.
João classificou a seleção para a Copa do Mundo do México, a ser disputada em junho de 1970. Passou, então a preparar o time para a disputa. Naquele ano, o Brasil esqueceu os campeonatos regionais: não importava o que ocorreria no Campeonato Carioca, no Paulista, no Mineiro ou no Gaúcho. Em 1970, o brasileiro se preocupava em ver aquela seleção maravilhosa de Saldanha na Copa do Mundo.
Saldanha, no entanto, era chato e comunista.
Passou a rivalizar com Médici nos holofotes, e não via nenhum problema em discutir com Nelson Rodrigues, seu contra-parte tricolor nos saudosos programas futebolísticos da TV Globo, sobre política. Nelson era totalmente favorável à ditadura. João era totalmente contrário.
João passou a ser um problema, e a mídia, totalmente controlada pelos censores dos militares, passou a promover uma campanha violentíssima contra João.
O clima foi ficando péssimo e insustentável. Médici queria Dadá Maravilha, que jogava no Atlético MG, na seleção. João achava Dadá um bom jogador, mas não considerava ele um dos 23 "feras de Saldanha" que iriam a Copa. Aquele imbróglio, envolvendo Dadá, passou a ser o que faltava para o governo ter um bode expiatório.
Antes de ser demitido pela pressão militar, João resolveu deixar a seleção.
Assumiu Zagallo, que aceitou Dadá e ainda chamou Roberto, então atacante do Botafogo, para mascarar a convocação de Dadá. Zagallo aceitara o jogo de Médici, Saldanha não.
A seleção foi ao México e foi aquele show que todos nós conhecemos.
João também foi ao México, porque era viciado em futebol e era comentarista esportivo.
João era chato, e não tinha medo de ninguém. Nem de Médici.
***
A dupla de cineastas André Iki Siqueira e Beto Macedo está com um belíssimo documentário sobre a trajetória de João Saldanha, o mestre do Brasil, produzido pela TV Zero, a ser lançado. Chama-se simplesmente "João".
Tive a honra de assistir em primeira mão, por ser fã de Saldanha e por ser botafoguense.
André Iki Siqueira e Beto Macedo não se prendem à história envolvendo os anos de 1969 e 1970, como fiz aqui no post. No documentário, abordam toda a vida de Saldanha -- uma das mais ricas de que se tem notícia. Aquele contador de histórias, que dizia ter sido o primeiro brasileiro a encontrar Mao Tsé-Tung logo após a Revolução Chinesa de 1949, que entrara armado em General Severiano (sede do Botafogo no Rio) para dar tiro no mítico goleiro Manga, que ele jurava ter se vendido na final de 1967 (que o Botafogo, mesmo assim, ganhou), que tripudiara Médici e que não engolia desaforo de ninguém.
Era o João Sem Medo, como era chamado aquele comunista que todos seus desafetos viam como chato, mas que o povo brasileiro via como o sujeito mais boa praça do país.
O documentário de André e Beto fez o blogueiro ganhar uma sobrevida. Mesmo com todos os nossos problemas, um Brasil que teve espaço para João Saldanha pode, e deve, dar certo.
segunda-feira, 14 de novembro de 2011
Itália será nova Grécia, segundo Boyer
Os mercados estão insanos. Os indicadores econômicos e os sinais políticos do governo italiano são praticamente os mesmos daqueles verificados desde o fim de 2008, quando estourou a crise econômica mundial - a dívida pública do país ronda o patamar de 120% do Produto Interno Bruto (PIB) há quase dois anos e Sílvio Berlusconi é o premiê há três anos, além de orbitar o poder no país desde 1994. Mas, devido ao pânico instaurado no mercado financeiro, os italianos dificilmente escaparão de ser a "nova Grécia". Essa é a avaliação do economista francês Robert Boyer, diretor de pesquisa do Centre National de la Recherche Scientifique e da École des Hautes Etudes em Sciences Sociales, na França.
Especialista em regulação financeira, Boyer entende que o pânico nos mercados é desatado pela sensação de que o líder político do país que é agora "a bola da vez da crise" será incapaz de conduzir o aperto fiscal exigido pelo fundo de estabilização europeia. Foi o estresse entre os investidores que desencadeou a mudança nos governos de Portugal, Irlanda e Grécia, além do anúncio, em outubro, de que os socialistas deixariam o poder na Espanha e o realizado anteontem por Berlusconi. "Isso pode chegar na França, caso haja ceticismo das agências de classificação de risco quanto à capacidade do governo implementar as medidas de aperto anunciadas na semana passada", preconiza Boyer. "Se a nota francesa for rebaixada, algo que avalio ter grande possibilidade de ocorrer em 2012, [Nicolas] Sarkozy [o atual presidente] não se reelegerá".
O especialista francês elogiou a regulação praticada pelo Banco Central brasileiro sobre o sistema financeiro, e defendeu a política econômica adotada pelo Ministério da Fazenda desde o segundo governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e mantida sob Dilma Rousseff. "Mas o governo brasileiro deve não só taxar a entrada de capital especulativo, como proibir qualquer inovação no mercado de securitização de dívida e recebíveis", afirmou Boyer, para quem as inovações praticadas pelo sistema financeiro nos Estados Unidos e na União Europeia no período pré-2008 foram a "pedra fundamental" da crise mundial.
Minha entrevista com Boyer, que veio a Brasília na semana passada participar de seminário do Grupo Caixa Seguros. A entrevista foi publicada no Valor:
Valor: O governo brasileiro mantém, desde outubro de 2009, o IOF sobre a entrada de capital externo, à exceção daquele que se refere a investimento, e instituiu a taxação sobre operações de derivativos cambiais. Isso pode, na eventualidade de um cenário externo mais perigoso, afugentar o investidor?
Robert Boyer: Veja o caso da Suíça. Há dois meses, os suíços, que há séculos fazem uma política econômica conservadora, deixaram o câmbio flutuante, de forma a terminar com a especulação que o capital externo estava fazendo com sua moeda. Essa foi uma decisão muito mais ousada que qualquer coisa que o governo brasileiro fez ou mesmo fará. E o que aconteceu? Nada. O país ficou mais seguro, e utilizou muito bem um expediente que deveria ser adotado por todos, que é o definir como você quer receber o capital externo. O dinheiro deve ter liberdade total para sair, mas entra apenas sob as condições determinadas por cada país.
Valor: A crítica à regulação exacerbada é que ela, no limite, pode inibir inovações tecnológicas e financeiras, certo?
Boyer: Mas taxar a entrada de capitais de curto prazo, quando o país, como o Brasil, dispõe de uma ampla agenda de projetos de infraestrutura, não inibe inovação alguma. Aliás, o governo deveria, inclusive, proibir qualquer inovação no mercado de securitização de dívidas e recebíveis. O ato de "inovar" nesse mercado, que significa o repasse à outros investidores do risco de inadimplência entre o credor e o devedor, foi a pedra fundamental da grave crise de 2008.
Valor: Segundo o Banco Central, receberemos recordes US$ 60 bilhões como investimento estrangeiro direto neste ano.
Boyer: É um sinal de que há amplo espaço para os investimentos. Mas é bom lembrar que nada é para sempre. O Brasil precisa criar instrumentos para depender menos do capital externo.
Valor: Como o sr. vê o recente estresse do mercado quanto à economia italiana?
Boyer: O mercado financeiro mundial está insano. O que mudou na Itália? A dívida pública, como proporção do PIB, está no mesmo patamar há dois anos, e Berlusconi é o premiê desde 2008. O baixo crescimento econômico também não é novidade. Há sim um pânico dos investidores quanto aos líderes europeus, tidos como incapazes de implementar as reformas necessárias. O mercado forçou a mudança no poder de Portugal, Grécia, Espanha e agora também a Itália. Os italianos dificilmente escaparão de ser a nova Grécia. Esse pânico pode chegar na França.
Valor: Como?
Boyer: Caso haja ceticismo das agências de classificação de risco quanto a capacidade do governo implementar as medidas de aperto anunciadas na semana passada. Se a nota francesa for rebaixada, algo que avalio ter grande possibilidade de ocorrer em 2012, [Nicolas] Sarkozy [o atual presidente] não se reelegerá.
Valor: Como o sr. acha que vai se desenrolar a crise no local de origem, os Estados Unidos?
Boyer: Não sei e ninguém pode saber. O presidente [Barack] Obama está isolado, e o [movimento de extrema direita] Tea Party pode acabar elegendo o presidente em 2012, o que seria drástico para a economia mundial. Se tivéssemos um modelo de capitalismo mais regulado, seria possível prever, com muita propriedade, os acontecimentos do curto e médio prazo, por meio de um modelo econométrico muito bem construído. Mas, como a desregulação é exagerada, é praticamente impossível prever o desenrolar desta crise mundial.
Especialista em regulação financeira, Boyer entende que o pânico nos mercados é desatado pela sensação de que o líder político do país que é agora "a bola da vez da crise" será incapaz de conduzir o aperto fiscal exigido pelo fundo de estabilização europeia. Foi o estresse entre os investidores que desencadeou a mudança nos governos de Portugal, Irlanda e Grécia, além do anúncio, em outubro, de que os socialistas deixariam o poder na Espanha e o realizado anteontem por Berlusconi. "Isso pode chegar na França, caso haja ceticismo das agências de classificação de risco quanto à capacidade do governo implementar as medidas de aperto anunciadas na semana passada", preconiza Boyer. "Se a nota francesa for rebaixada, algo que avalio ter grande possibilidade de ocorrer em 2012, [Nicolas] Sarkozy [o atual presidente] não se reelegerá".
O especialista francês elogiou a regulação praticada pelo Banco Central brasileiro sobre o sistema financeiro, e defendeu a política econômica adotada pelo Ministério da Fazenda desde o segundo governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e mantida sob Dilma Rousseff. "Mas o governo brasileiro deve não só taxar a entrada de capital especulativo, como proibir qualquer inovação no mercado de securitização de dívida e recebíveis", afirmou Boyer, para quem as inovações praticadas pelo sistema financeiro nos Estados Unidos e na União Europeia no período pré-2008 foram a "pedra fundamental" da crise mundial.
Minha entrevista com Boyer, que veio a Brasília na semana passada participar de seminário do Grupo Caixa Seguros. A entrevista foi publicada no Valor:
Valor: O governo brasileiro mantém, desde outubro de 2009, o IOF sobre a entrada de capital externo, à exceção daquele que se refere a investimento, e instituiu a taxação sobre operações de derivativos cambiais. Isso pode, na eventualidade de um cenário externo mais perigoso, afugentar o investidor?
Robert Boyer: Veja o caso da Suíça. Há dois meses, os suíços, que há séculos fazem uma política econômica conservadora, deixaram o câmbio flutuante, de forma a terminar com a especulação que o capital externo estava fazendo com sua moeda. Essa foi uma decisão muito mais ousada que qualquer coisa que o governo brasileiro fez ou mesmo fará. E o que aconteceu? Nada. O país ficou mais seguro, e utilizou muito bem um expediente que deveria ser adotado por todos, que é o definir como você quer receber o capital externo. O dinheiro deve ter liberdade total para sair, mas entra apenas sob as condições determinadas por cada país.
Valor: A crítica à regulação exacerbada é que ela, no limite, pode inibir inovações tecnológicas e financeiras, certo?
Boyer: Mas taxar a entrada de capitais de curto prazo, quando o país, como o Brasil, dispõe de uma ampla agenda de projetos de infraestrutura, não inibe inovação alguma. Aliás, o governo deveria, inclusive, proibir qualquer inovação no mercado de securitização de dívidas e recebíveis. O ato de "inovar" nesse mercado, que significa o repasse à outros investidores do risco de inadimplência entre o credor e o devedor, foi a pedra fundamental da grave crise de 2008.
Valor: Segundo o Banco Central, receberemos recordes US$ 60 bilhões como investimento estrangeiro direto neste ano.
Boyer: É um sinal de que há amplo espaço para os investimentos. Mas é bom lembrar que nada é para sempre. O Brasil precisa criar instrumentos para depender menos do capital externo.
Valor: Como o sr. vê o recente estresse do mercado quanto à economia italiana?
Boyer: O mercado financeiro mundial está insano. O que mudou na Itália? A dívida pública, como proporção do PIB, está no mesmo patamar há dois anos, e Berlusconi é o premiê desde 2008. O baixo crescimento econômico também não é novidade. Há sim um pânico dos investidores quanto aos líderes europeus, tidos como incapazes de implementar as reformas necessárias. O mercado forçou a mudança no poder de Portugal, Grécia, Espanha e agora também a Itália. Os italianos dificilmente escaparão de ser a nova Grécia. Esse pânico pode chegar na França.
Valor: Como?
Boyer: Caso haja ceticismo das agências de classificação de risco quanto a capacidade do governo implementar as medidas de aperto anunciadas na semana passada. Se a nota francesa for rebaixada, algo que avalio ter grande possibilidade de ocorrer em 2012, [Nicolas] Sarkozy [o atual presidente] não se reelegerá.
Valor: Como o sr. acha que vai se desenrolar a crise no local de origem, os Estados Unidos?
Boyer: Não sei e ninguém pode saber. O presidente [Barack] Obama está isolado, e o [movimento de extrema direita] Tea Party pode acabar elegendo o presidente em 2012, o que seria drástico para a economia mundial. Se tivéssemos um modelo de capitalismo mais regulado, seria possível prever, com muita propriedade, os acontecimentos do curto e médio prazo, por meio de um modelo econométrico muito bem construído. Mas, como a desregulação é exagerada, é praticamente impossível prever o desenrolar desta crise mundial.
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domingo, 13 de novembro de 2011
sexta-feira, 11 de novembro de 2011
11/11/11
Hoje, 11 de novembro de 2011, o mítico grupo inglês Black Sabbath anuncia seu retorno. O Sabbath, que revolucionou a música ao criar o heavy metal, em 1969, anuncia hoje a volta da formação original: com Ozzy Osbourne nos vocais, Tony Iommi na guitarra, Geezer Butler no baixo e Bill Ward na bateria. Eles também anunciam um novo disco de inéditas -- o primeiro, nesta formação, desde "Never Say Die", de 1978.
Dia de festa, e de fim de expediente redobrado.
Acima, a clássica "Paranoid", em vídeo de novembro de 1970. Abaixo, a maravilhosa "War Pigs", um hino do rock pesado, ao vivo na última turnê da formação original, em 1978. A roupa de Ozzy, branca com aquele tecido de cowboy pendurado nas mangas, era moda, bem como o traje todo em negro do guitarrista Tony Iommi.
Abaixo, "NIB", no mesmo show de novembro de 1970 em Paris (França). O riff dobrado, com guitarra e baixo tocando as mesmas notas, é um dos mais poderosos do metal até hoje.
****
E, claro, minha preferida: "Supernaut", de 1973.
Dia de festa, e de fim de expediente redobrado.
Acima, a clássica "Paranoid", em vídeo de novembro de 1970. Abaixo, a maravilhosa "War Pigs", um hino do rock pesado, ao vivo na última turnê da formação original, em 1978. A roupa de Ozzy, branca com aquele tecido de cowboy pendurado nas mangas, era moda, bem como o traje todo em negro do guitarrista Tony Iommi.
Abaixo, "NIB", no mesmo show de novembro de 1970 em Paris (França). O riff dobrado, com guitarra e baixo tocando as mesmas notas, é um dos mais poderosos do metal até hoje.
****
E, claro, minha preferida: "Supernaut", de 1973.
quinta-feira, 10 de novembro de 2011
Roda viva
Quando, depois de séculos, voltei rapidamente a São Paulo -- há duas semanas -- uma das coisas que fiz foi conceder uma entrevista a duas estudantes do Jornalismo da PUC-SP. Elas estavam me entrevistando para a edição de número 75 do Contraponto.
Sim, aquele mesmo Contraponto que foi central na minha formação como jornalista.
Nunca esquecerei minha primeira matéria, na edição 37, sobre as idas e vindas da implantação da TV digital no Brasil. Ou a inesquecível edição 50, especial, só com grandes entrevistas. Ou a cobertura mais marcante daqueles tempos: a Operação Satiagraha, da Polícia Federal, que prendeu, entre outros, o banqueiro Daniel Dantas, desatando um imbróglio político que envolveu o Judiciário e o Executivo.
Muito se passou de lá para cá.
Nem tanto pelo tempo, mas sim pelo tanto que vivi e experimentei de lá para cá. Não perco tempo, sou intenso e faço um milhão de coisas ao mesmo tempo. Daí vou deixando um monte de coisa para trás. Parece que faz séculos que aquele rapaz caminhava pela PUC levando os folhetins do Centro Acadêmico, do qual fazia parte, e as edições do Contraponto, para o qual contribuía.
Faz muito, muito tempo isso.
A roda viva me fez agora entrevistado do jornal que hoje começa a circular na PUC-SP.
Quem estiver em SP e puder salvar uma edição a este blogueiro de Brasília, prometo pegar quando passar pela cidade.
Sim, aquele mesmo Contraponto que foi central na minha formação como jornalista.
Nunca esquecerei minha primeira matéria, na edição 37, sobre as idas e vindas da implantação da TV digital no Brasil. Ou a inesquecível edição 50, especial, só com grandes entrevistas. Ou a cobertura mais marcante daqueles tempos: a Operação Satiagraha, da Polícia Federal, que prendeu, entre outros, o banqueiro Daniel Dantas, desatando um imbróglio político que envolveu o Judiciário e o Executivo.
Muito se passou de lá para cá.
Nem tanto pelo tempo, mas sim pelo tanto que vivi e experimentei de lá para cá. Não perco tempo, sou intenso e faço um milhão de coisas ao mesmo tempo. Daí vou deixando um monte de coisa para trás. Parece que faz séculos que aquele rapaz caminhava pela PUC levando os folhetins do Centro Acadêmico, do qual fazia parte, e as edições do Contraponto, para o qual contribuía.
Faz muito, muito tempo isso.
A roda viva me fez agora entrevistado do jornal que hoje começa a circular na PUC-SP.
Quem estiver em SP e puder salvar uma edição a este blogueiro de Brasília, prometo pegar quando passar pela cidade.
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quarta-feira, 9 de novembro de 2011
Itália vai quebrar
O governo italiano acabou de fazer uma nova oferta de títulos públicos, para rolar sua dívida, e viu os investidores cobrarem as mais altas taxas de juros pelos papeis em décadas: 7%. Uma taxa de juros de 7% ao ano por um título de um país fortemente endividado, como a Itália, é quase impagável.
Em 2011, sempre que um título público europeu ultrapassou a marca de juros de 7% ao ano, o país quebrou e precisou ser resgatado com recursos do Fundo Europeu de Estabilização Financeira.
Foi o que ocorreu com Grécia, Irlanda e Portugal.
Nem a notícia de que o premiê Silvio Berlusconi deixará o governo italiano tão logo tenha aprovado sua proposta de orçamento para 2012 serviu para acalmar o mercado. Quando os investidores entram em pânico, não há racionalidade que resolva. A situação econômica da Itália não é tão dramática quanto é a da Espanha por exemplo, e os italianos também estão muito longe de Grécia, Portugal e Irlanda.
Mas o mercado está em pânico e a Itália vai quebrar.
***
Este gráfico interativo é interessantíssimo para quem gosta de exercícios econômicos> aqui. É possível testar o superávit primário que a Itália terá de fazer em 2012, dado uma previsão de crescimento do PIB, para reduzir sua dívida líquida como proporção do PIB tendo, ao mesmo tempo, que pagar juros de 7% ao ano.
***
Se nada for feito rapidamente, assistiremos em 2012 um cenário trágico: as maiores e mais complexas economias da zona do euro entrarão no radar do mercado -- Espanha e, em seguida, França.
Se a União Europeia não atuar rapidamente na integração fiscal, como argumenta o economista Nouriel Roubini, os europeus provavelmente vão ver sua unidade monetária se desintegrar.
Em 2011, sempre que um título público europeu ultrapassou a marca de juros de 7% ao ano, o país quebrou e precisou ser resgatado com recursos do Fundo Europeu de Estabilização Financeira.
Foi o que ocorreu com Grécia, Irlanda e Portugal.
Nem a notícia de que o premiê Silvio Berlusconi deixará o governo italiano tão logo tenha aprovado sua proposta de orçamento para 2012 serviu para acalmar o mercado. Quando os investidores entram em pânico, não há racionalidade que resolva. A situação econômica da Itália não é tão dramática quanto é a da Espanha por exemplo, e os italianos também estão muito longe de Grécia, Portugal e Irlanda.
Mas o mercado está em pânico e a Itália vai quebrar.
***
Este gráfico interativo é interessantíssimo para quem gosta de exercícios econômicos> aqui. É possível testar o superávit primário que a Itália terá de fazer em 2012, dado uma previsão de crescimento do PIB, para reduzir sua dívida líquida como proporção do PIB tendo, ao mesmo tempo, que pagar juros de 7% ao ano.
***
Se nada for feito rapidamente, assistiremos em 2012 um cenário trágico: as maiores e mais complexas economias da zona do euro entrarão no radar do mercado -- Espanha e, em seguida, França.
Se a União Europeia não atuar rapidamente na integração fiscal, como argumenta o economista Nouriel Roubini, os europeus provavelmente vão ver sua unidade monetária se desintegrar.
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terça-feira, 8 de novembro de 2011
Sobre o PDT e o Ministério do Trabalho
Fui convidado, no início da tarde, para participar ao vivo do programa "Tribuna Independente", na Rede Vida, hoje, às 22 horas. Participarei de entrevista com o líder do PDT na Câmara, o deputado Giovanni Queiroz (PDT-PA), que é o maior aliado do ministro do Trabalho, Carlos Lupi.
Queiroz afirmou, hoje à tarde, que se Lupi for demitido do Ministério do Trabalho, o PDT deixará a base aliada do governo Dilma Rousseff.
Bom lembrar que Dilma é uma das fundadoras do PDT, partido do qual fez parte até a transferência para o PT, em 2001.
Vou descobrir, daqui a pouco, o que Queiroz tem a dizer da zona instaurada no Ministério do Trabalho.
Queiroz afirmou, hoje à tarde, que se Lupi for demitido do Ministério do Trabalho, o PDT deixará a base aliada do governo Dilma Rousseff.
Bom lembrar que Dilma é uma das fundadoras do PDT, partido do qual fez parte até a transferência para o PT, em 2001.
Vou descobrir, daqui a pouco, o que Queiroz tem a dizer da zona instaurada no Ministério do Trabalho.
Um ministério inepto
O governo federal mantem uma estrutura de 38 ministérios. Na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, há 19 edificações de Oscar Niemeyer na via do projeto de Lúcio Costa que termina no Congresso Nacional. Assim, algumas pastas estão apertadas nos mesmos prédios -- como o Ministério do Esporte e da Cultura, que ficam no mesmo edifício, por exemplo. Esse "aperto", no entanto, não impede o bom funcionamento dos ministérios.
Sim, os ministérios funcionam. Menos um.
O Ministério do Trabalho é simplesmente inepto.
O Brasil vive, desde 2005-06, um período fabuloso de geração de emprego com carteira assinada. Hoje, fim de 2011, todos os cientistas políticos e economistas creditam o sucesso econômico vivido pelo país nos últimos anos ao desempenho do mercado de trabalho.
Em 2009, ano em que a crise mundial pegou todos os países em cheio, ainda assim o Brasil criou 1,7 milhão de empregos com carteira assinada. Em 2010 foram 3 milhões. Neste ano devem ser 2,6 milhões ao todo. O salário médio de admissão daqueles que foram contratados neste ano é de R$ 929 por mês.
Nada disso foi resultado de políticas implementadas pelo Ministério do Trabalho.
Todo esse desempenho virtuoso, que faz o mundo inteiro bater palmas para o país, independe do que faz ou deixa de fazer o Ministério do Trabalho. Sob suas atribuições estão os gastos com o seguro-desemprego e com qualificação profissional, por exemplo, e também as relações com os sindicatos dos trabalhadores.
Os gastos com seguro-desemprego explodiram nos últimos anos. Já estão batendo, em 2011, em coisa de R$ 22 bilhões. Sim, o governo brasileiro gasta, todos os anos, vinte e dois bilhões de reais com seguro-desemprego aos trabalhadores demitidos -- e isso está ocorrendo justamente no período narrado acima, em que o mercado de trabalho é a menina dos olhos do crescimento econômico brasileiro.
Por que?
Porque há enorme rotatividade no mercado de trabalho nacional. E uma das razões de termos uma rotatividade tão grande, mesmo em um sistema oneroso para o empresário que quer desligar seus trabalhadores, é porque a mão de obra no Brasil tem uma qualificação péssima.
Pois o Ministério do Trabalho prefere gastar com seguro-desemprego do que com qualificação profissional.
A melhor forma de qualificar a força de trabalho de um país é via ensino fundamental, médio, superior e técnico. Das quatro macro-metas, as três primeiras são atribuições únicas do Ministério da Educação -- que, como sabemos, é uma colcha de problemas. Como nossa educação básica pública é fraquíssima, e é lá que estudaram e estudam 80% dos trabalhadores brasileiros, é evidente que haja um problema grave de qualificação. Mas isso poderia ser suavizado com grandes cursos técnicos e de qualificação profissional.
Isso não ocorre.
Estou há 23 dias esperando uma entrevista com o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, para esclarecer por que a pasta que ele comanda desde o início de 2007 não faz absolutamente nada para surfar a onda do crescimento econômico brasileiro, liderada justamente pelo mercado de trabalho.
A assessoria de imprensa não responde. Os secretários não respondem. O ministro alega problemas de agenda.
Eu gostaria muito de saber o que tanto ocupa a agenda do ministro do Trabalho.
Sim, os ministérios funcionam. Menos um.
O Ministério do Trabalho é simplesmente inepto.
O Brasil vive, desde 2005-06, um período fabuloso de geração de emprego com carteira assinada. Hoje, fim de 2011, todos os cientistas políticos e economistas creditam o sucesso econômico vivido pelo país nos últimos anos ao desempenho do mercado de trabalho.
Em 2009, ano em que a crise mundial pegou todos os países em cheio, ainda assim o Brasil criou 1,7 milhão de empregos com carteira assinada. Em 2010 foram 3 milhões. Neste ano devem ser 2,6 milhões ao todo. O salário médio de admissão daqueles que foram contratados neste ano é de R$ 929 por mês.
Nada disso foi resultado de políticas implementadas pelo Ministério do Trabalho.
Todo esse desempenho virtuoso, que faz o mundo inteiro bater palmas para o país, independe do que faz ou deixa de fazer o Ministério do Trabalho. Sob suas atribuições estão os gastos com o seguro-desemprego e com qualificação profissional, por exemplo, e também as relações com os sindicatos dos trabalhadores.
Os gastos com seguro-desemprego explodiram nos últimos anos. Já estão batendo, em 2011, em coisa de R$ 22 bilhões. Sim, o governo brasileiro gasta, todos os anos, vinte e dois bilhões de reais com seguro-desemprego aos trabalhadores demitidos -- e isso está ocorrendo justamente no período narrado acima, em que o mercado de trabalho é a menina dos olhos do crescimento econômico brasileiro.
Por que?
Porque há enorme rotatividade no mercado de trabalho nacional. E uma das razões de termos uma rotatividade tão grande, mesmo em um sistema oneroso para o empresário que quer desligar seus trabalhadores, é porque a mão de obra no Brasil tem uma qualificação péssima.
Pois o Ministério do Trabalho prefere gastar com seguro-desemprego do que com qualificação profissional.
A melhor forma de qualificar a força de trabalho de um país é via ensino fundamental, médio, superior e técnico. Das quatro macro-metas, as três primeiras são atribuições únicas do Ministério da Educação -- que, como sabemos, é uma colcha de problemas. Como nossa educação básica pública é fraquíssima, e é lá que estudaram e estudam 80% dos trabalhadores brasileiros, é evidente que haja um problema grave de qualificação. Mas isso poderia ser suavizado com grandes cursos técnicos e de qualificação profissional.
Isso não ocorre.
Estou há 23 dias esperando uma entrevista com o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, para esclarecer por que a pasta que ele comanda desde o início de 2007 não faz absolutamente nada para surfar a onda do crescimento econômico brasileiro, liderada justamente pelo mercado de trabalho.
A assessoria de imprensa não responde. Os secretários não respondem. O ministro alega problemas de agenda.
Eu gostaria muito de saber o que tanto ocupa a agenda do ministro do Trabalho.
domingo, 6 de novembro de 2011
Domingo
No inferno, os lugares mais quentes são reservados àqueles que escolheram a neutralidade em tempo de crise.
Dante Alighieri, poeta florentino.
Dante Alighieri, poeta florentino.
sexta-feira, 4 de novembro de 2011
Fim de expediente
Depois de samba e jazz, nos últimos "Fim de expediente" por aqui, o Blog hoje vem com o melhor que o rock gerou nos últimos dois anos: o trio Sixx A.M.
Abaixo, a composição "This is Gonna Hurt", de 2011, que mostra como o rock muda, mas continua empolgante.
Abaixo, a composição "This is Gonna Hurt", de 2011, que mostra como o rock muda, mas continua empolgante.
quinta-feira, 3 de novembro de 2011
O crepúsculo do euro
Por Paul Krugman:
O euro foi uma ideia inerentemente falha que só pode funcionar com uma economia europeia forte e um grau significativo de inflação, mais crédito ilimitado a dívidas soberanas que enfrentam ataques especulativos. Mas as elites europeias abraçaram a noção de economias como peças morais, impondo austeridade a torto e a direito, endurecendo o crédito apesar da inflação subjacente baixa, e estiveram preocupadas demais com a punição dos pecadores para notar que tudo ia explodir sem um emprestador efetivo em último recurso.
***
Hoje ocorre a reunião entre os presidentes das 20 maiores economias do mundo, o G-20, na mítica cidade de Cannes, na França.
Estarão reunidos Barack Obama, Hu Jintao, Nicolas Sarkozy, Angela Merkel, Sílvio Berlusconi, José Luís Zapatero, Dilma Rousseff, David Cameron, Dmitri Medvedev e outros 11 líderes.
Se a reunião terminar num impasse quanto ao futuro da União Europeia assistiremos o início do fim da zona de unidade europeia.
***
Entrevistei ontem (que foi feriado só para você, querido leitor) um dos mais influentes especialistas em política econômica do mundo. Ele é ouvido pelos economistas do governo americano e também pelos líderes do Partido Comunista Chinês. Dois integrantes do primeiro escalão da equipe econômica do governo brasileiro me falaram, na terça-feira, que ele é um dos "grandes mentores" da política econômica mundial.
Querem saber o que ele está achando de tudo isso?
Contarei quem é o economista e suas opiniões na sexta-feira, quando o Valor publicar a entrevista.
Fiquem de olho. O negócio é barra pesada.
O euro foi uma ideia inerentemente falha que só pode funcionar com uma economia europeia forte e um grau significativo de inflação, mais crédito ilimitado a dívidas soberanas que enfrentam ataques especulativos. Mas as elites europeias abraçaram a noção de economias como peças morais, impondo austeridade a torto e a direito, endurecendo o crédito apesar da inflação subjacente baixa, e estiveram preocupadas demais com a punição dos pecadores para notar que tudo ia explodir sem um emprestador efetivo em último recurso.
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Hoje ocorre a reunião entre os presidentes das 20 maiores economias do mundo, o G-20, na mítica cidade de Cannes, na França.
Estarão reunidos Barack Obama, Hu Jintao, Nicolas Sarkozy, Angela Merkel, Sílvio Berlusconi, José Luís Zapatero, Dilma Rousseff, David Cameron, Dmitri Medvedev e outros 11 líderes.
Se a reunião terminar num impasse quanto ao futuro da União Europeia assistiremos o início do fim da zona de unidade europeia.
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Entrevistei ontem (que foi feriado só para você, querido leitor) um dos mais influentes especialistas em política econômica do mundo. Ele é ouvido pelos economistas do governo americano e também pelos líderes do Partido Comunista Chinês. Dois integrantes do primeiro escalão da equipe econômica do governo brasileiro me falaram, na terça-feira, que ele é um dos "grandes mentores" da política econômica mundial.
Querem saber o que ele está achando de tudo isso?
Contarei quem é o economista e suas opiniões na sexta-feira, quando o Valor publicar a entrevista.
Fiquem de olho. O negócio é barra pesada.
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terça-feira, 1 de novembro de 2011
Sobre a morte de ditadores
O colunista Simon Sebag Montefiore, do The New York Times, escreveu tudo o que eu queria escrever sobre a morte de Kaddaffi e não consegui.
Aqui: Ditadores têm a morte que eles merecem
Este trecho é maravilhoso, tirou letras de meus dedos: "If a tyrant dies peacefully in bed in the full resplendence of his rule, his death is a theater of that power; if a tyrant is executed while crying for mercy in the dust, then that, too, is a reflection of the nature of a fallen regime and the reaction of an oppressed people".
Numa tradução livres: "Se um tirano morre pacíficamente em sua cama, com todo o esplendor de seu poder, sua morte será a encenação deste poder; se um tirano é executado enquanto chora clamando por piedade, então, aí também, isto será o reflexo da natureza de um regime em falência e a reação de um povo oprimido".
Sensacional!
***
Basicamente, é o seguinte: não fiquei, como muitos ficaram, enojado ou incomodado com o assassinato do ditador Muammar Kaddaffi, que por 41 anos governou a Líbia. A Líbia passou não só por uma ditadura, mas, desde que a revolução se iniciou, em março, as tropas fiéis a Kaddaffi exterminaram rebeldes e pessoas que nada tinham a ver com o conflito.
É claro que os ingênuos ficarão surpresos, mas não sejamos crianças: as revoluções, em qualquer país ou conjuntura, terminam com a morte daquele que detinha o poder antes.
É humano. Foi assim com a Revolução Francesa, de 1789, a Revolução Russa, de 1917, e a Revolução na Líbia, em 2011.
Não foi o que ocorreu com a morte de Saddam Hussein, julgado e assassinato por um povo estrangeiro (os Estados Unidos). Fosse feito pelos próprios iraquianos, o peso seria outro.
Ah, diriam os incautos, mas a revolução na Líbia teve a participação das tropas da Otan...
...convenhamos, meus caros, a Otan só entrou porque os líbios, eles mesmos, começaram a se insurgir e pegar em armas contra seu ditador.
A única forma de uma revolução se completar é assim.
Aqui: Ditadores têm a morte que eles merecem
Este trecho é maravilhoso, tirou letras de meus dedos: "If a tyrant dies peacefully in bed in the full resplendence of his rule, his death is a theater of that power; if a tyrant is executed while crying for mercy in the dust, then that, too, is a reflection of the nature of a fallen regime and the reaction of an oppressed people".
Numa tradução livres: "Se um tirano morre pacíficamente em sua cama, com todo o esplendor de seu poder, sua morte será a encenação deste poder; se um tirano é executado enquanto chora clamando por piedade, então, aí também, isto será o reflexo da natureza de um regime em falência e a reação de um povo oprimido".
Sensacional!
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Basicamente, é o seguinte: não fiquei, como muitos ficaram, enojado ou incomodado com o assassinato do ditador Muammar Kaddaffi, que por 41 anos governou a Líbia. A Líbia passou não só por uma ditadura, mas, desde que a revolução se iniciou, em março, as tropas fiéis a Kaddaffi exterminaram rebeldes e pessoas que nada tinham a ver com o conflito.
É claro que os ingênuos ficarão surpresos, mas não sejamos crianças: as revoluções, em qualquer país ou conjuntura, terminam com a morte daquele que detinha o poder antes.
É humano. Foi assim com a Revolução Francesa, de 1789, a Revolução Russa, de 1917, e a Revolução na Líbia, em 2011.
Não foi o que ocorreu com a morte de Saddam Hussein, julgado e assassinato por um povo estrangeiro (os Estados Unidos). Fosse feito pelos próprios iraquianos, o peso seria outro.
Ah, diriam os incautos, mas a revolução na Líbia teve a participação das tropas da Otan...
...convenhamos, meus caros, a Otan só entrou porque os líbios, eles mesmos, começaram a se insurgir e pegar em armas contra seu ditador.
A única forma de uma revolução se completar é assim.
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