Se alguém, em algum lugar do mundo, tinha alguma dúvida quanto ao fim da era liderada pelos Estados Unidos (1908-2008), não tem mais desde sexta-feira.
A União Europeia (leia-se, Angela Merkel, chanceler alemã, e Nicolas Sarkozy, premiê francês) fechou, na madrugada da quarta-feira, o plano de resgate da Grécia e amenização de sua gravíssima crise econômica interna. Resolveu-se que os bancos aceitariam um calote grego de 50% de sua dívida, e que o fundo europeu seria ampliado, de US$ 440 bilhões para quase US$ 1 trilhão.
Mas só isso não será capaz de evitar que a crise não atinja Itália ou Espanha -- fato que, se acontecer, será catastrófico para a economia mundial.
Os europeus precisam de mais dinheiro do que têm. Sarkozy, então, precisa sair a campo, pedindo dinheiro para quem pode emprestar.
O telefone de Barack Obama não tocou.
Mas o de Hu Jintao sim.
Na quinta-feira à noite, Sarkozy ligou para o primeiro-ministro chinês, Hu Jintao, para explicar o plano fechado pelos europeus no dia anterior, e falar que ele é aberto a empréstimos externos. Mas Sarkozy não ligou para explicar em primeira mão ao líder chinês o que os europeus estão fazendo para resolver a crise que abalou o mundo inteiro em 2011.
Sarkozy ligou para pedir dinheiro à China.
Hoje, segunda-feira, começa a reunião do G-20 na mítica cidade de Cannes (França), palco do mais brilhante festival de cinema.
Os ministros das finanças dos 20 países se encontram, hoje, para debater o plano europeu e outras medidas para evitar que a crise piore -- medidas salutares como regulação sobre especulação de preços de commodities e controle sobre fluxos de capitais. Amanhã será a vez dos "carregadores de pianos" se reunirem. São os secretários e assessores dos ministros, que tentarão encontrar formas de viabilizar aquilo que os ministros fecharão hoje. Na quarta-feira reúnem-se todos, ministros e assessores, para definir o que vai e o que não vai ser feito. Na quinta e sexta-feira será a vez do encontro entre os 20 presidentes e premiês. Lá estarão Sarkozy, Merkel, Obama, Jintao, Dilma Rousseff, Silvio Berlusconi, Luís Zapatero, David Cameron etc.
Todos interessados no plano europeu. Será que ele é suficiente para estancar essa crise infernal? Vai precisar de mais recursos?
Estive com uma fonte do alto escalão da equipe econômica brasileira na sexta-feira, por duas horas, em sua sala. Hoje ele está em Cannes. “Queremos entender como funcionará esse fundo de investimento que será criado, e somente a partir daí iniciar um debate quanto a nossa participação, via empréstimo de recursos”, afirmou. Mas o governo será enfático: a participação brasileira, caso ocorra, será por meio de negociação bilateral com o Fundo Monetário Internacional (FMI).
A negociação bilateral é a forma mais dinâmica para destinação de recursos. O FMI estuda a criação de um “trust fund”, que seria aberto aos seus cotistas para aplicação no fundo a ser criado pelos europeus. O governo Dilma vai defender junto ao G-20 que os eventuais aportes com destinação específica à União Europeia sejam depois considerados na reforma do FMI – onde o Brasil pleiteia maior participação.
“Ainda não fomos procurados pelos europeus para explicar o funcionamento deste fundo e toda a amarração deste acordo para salvar a Grécia”, afirmou um interlocutor no governo. “Sabemos que [Nicolas] Sarkozy procurou os líderes chineses para falar do fundo, e que autoridades europeias devem ir à China, mas, por enquanto, o governo brasileiro não foi procurado”, disse. “Então não há como tomarmos uma decisão sobre algo que não conhecemos”, afirmou.
O Brasil, com um PIB de US$ 1,2 trilhão, não foi procurado. Nem os Estados Unidos, com um PIB de US$ 14 trilhões. Mas a China, com um PIB de US$ 4,2 trilhões, foi.
Por que?
Porque a China cresce a 10% ao ano, conta com US$ 1,4 trilhão em reservas para aplicar e é o grande exportador mundial. Os Estados Unidos, mesmo tendo um PIB dez vezes maior, está com uma dívida de 100% do PIB (ou seja, dos mesmos US$ 14 trilhões) e cresce, no máximo, a 2% ao ano.
Obama embarca para Cannes. E seu telefone continua sem tocar.
Os tempos estão mudando.
Vivemos em um país em que os jovens já nascem conservadores, e se tornam ainda mais conservadores conforme envelhecem. São incentivados pelo anacronismo e pelas facilidades a evitar o pensamento crítico. O escapismo é a ordem e o progresso é a intolerância.
segunda-feira, 31 de outubro de 2011
Sinal dos tempos
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domingo, 30 de outubro de 2011
sexta-feira, 28 de outubro de 2011
Fim de expediente
Depois de muito samba, jazz e música cool, é hora deste fim de expediente vir com algo inesperado: Marilyn Manson, com "Coma White".
Ouçam com atenção, porque afora qualquer mal estar que a figura de Manson ainda possa causar, a composição é linda.
Manson em seu auge.
Ouçam com atenção, porque afora qualquer mal estar que a figura de Manson ainda possa causar, a composição é linda.
Manson em seu auge.
quinta-feira, 27 de outubro de 2011
Aldo Rebelo no Ministério do Esporte
Na segunda-feira, o deputado Aldo Rebelo (PC do B) será empossado como novo ministro do Esporte, em substituição de Orlando Silva (PC do B). Rebelo comandará um ministério fraco e pouco transparente, mas que ficará cada vez mais forte -- e, consequentemente, receberá cada vez mais atenção da mídia, nacional e internacional -- uma vez que o Brasil sediará a Copa do Mundo de 2014.
A imagem de Rebelo, no entanto, sempre será associada a do deputado comunista que defende os interesses dos grandes senhores de terra. Como relator do novo Código Florestal, cujo texto que tramita na Câmara dos Deputados é uma defesa explícita do anti-ambientalismo, Rebelo conquistou corações e mentes de um grupo que nem mesmo uma direita menos séria teria coragem de se aliar.
Sinônimo de que o PC do B não tem ideologia, tal qual os outros 28 partidos que existem hoje no Brasil, Rebelo assume agora o Ministério do Esporte.
O Brasil só melhora.
A imagem de Rebelo, no entanto, sempre será associada a do deputado comunista que defende os interesses dos grandes senhores de terra. Como relator do novo Código Florestal, cujo texto que tramita na Câmara dos Deputados é uma defesa explícita do anti-ambientalismo, Rebelo conquistou corações e mentes de um grupo que nem mesmo uma direita menos séria teria coragem de se aliar.
Sinônimo de que o PC do B não tem ideologia, tal qual os outros 28 partidos que existem hoje no Brasil, Rebelo assume agora o Ministério do Esporte.
O Brasil só melhora.
quarta-feira, 26 de outubro de 2011
Mais um ministro cai
O ministro do Esporte, Orlando Silva, acaba de ter seu destino selado: será demitido, hoje à noite, do ministério. As negociações começaram ontem, depois que a ministra Carmen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF) acatou o pedido do procurador-geral da República, Roberto Gurgel, de abrir uma investigação quanto a participação de Silva num esquema no Ministério do Esporte envolvendo o beneficiamento de ONGs ligadas ao PC do B, partido de Silva.
O Ministério do Esporte continuará com o PC do B, da mesma forma que o Ministério dos Transportes continuou com o PR, mesmo depois da demissão de Alfredo Nascimento (PR), e o PMDB continuou com o Ministério da Agricultura, mesmo depois da demissão de Wagner Rossi (PMDB), e o Ministério do Turismo, depois da saída de Pedro Novais (PMDB).
Com Orlando Silva, o governo Dilma Rousseff atingiu a impressionante marca de seis demissões ministeriais em apenas cinco meses.
Da demissão de Antônio Palocci, da Casa Civil, em junho, à de Silva, do Esporte, hoje, outros quatro já foram demitidos: Novais (Turismo), Rossi (Agricultura), Nascimento (Transportes) e Nelson Jobim (Defesa).
***
Em tempo: em dezembro, outros dois devem sair, por questões eleitorais.
Aguardem.
O Ministério do Esporte continuará com o PC do B, da mesma forma que o Ministério dos Transportes continuou com o PR, mesmo depois da demissão de Alfredo Nascimento (PR), e o PMDB continuou com o Ministério da Agricultura, mesmo depois da demissão de Wagner Rossi (PMDB), e o Ministério do Turismo, depois da saída de Pedro Novais (PMDB).
Com Orlando Silva, o governo Dilma Rousseff atingiu a impressionante marca de seis demissões ministeriais em apenas cinco meses.
Da demissão de Antônio Palocci, da Casa Civil, em junho, à de Silva, do Esporte, hoje, outros quatro já foram demitidos: Novais (Turismo), Rossi (Agricultura), Nascimento (Transportes) e Nelson Jobim (Defesa).
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Em tempo: em dezembro, outros dois devem sair, por questões eleitorais.
Aguardem.
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terça-feira, 25 de outubro de 2011
Governo Dilma estuda alterar caderneta de poupança
O governo retomou a discussão sobre a mudança no rendimento da caderneta de poupança e pretende encaminhar um projeto de lei ao Congresso nacional, com as novas regras, no primeiro trimestre de 2012, quando espera que a taxa básica de juros (Selic) já esteja na casa dos 10% ao ano. A proposta mais factível é a substituição dos juros fixos de 0,5% ao mês (6,16% ao ano) por um redutor de 20% da Selic mais a Taxa Referencial (TR), que não será extinta. A isenção do Imposto de Renda (IR) sobre as aplicações permanece.
***
Este é o início da manchete da edição de hoje do Valor, e pode ser lida aqui.
***
Este é o início da manchete da edição de hoje do Valor, e pode ser lida aqui.
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segunda-feira, 24 de outubro de 2011
Cristina Kirchner é reeleita
Eleita pela primeira vez em outubro de 2007, em sucessão ao marido, Nestor (2003-2007), Cristina acaba de se reeleger presidente da Argentina -- a segunda maior economia da América do Sul, e segundo maior parceiro comercial do Brasil.
Cristina, agora, vai até o fim de 2015. Tem uma missão muito complexa para lidar: como fazer o peso continuar desvalorizado (atualmente em 4,2 pesos por dólar) sem precisar vender dólares acumulados pelo Banco Central argentino (que nos últimos 30 dias vendeu pouco mais de US$ 1 bilhão para segurar a cotação, o que é alto para os padrões dos hermanos), e, mais do que isso, sem pressionar a inflação, que bate em 30% ao ano.
Cristina, no entanto, conseguiu um feito ontem: recebeu a maior votação, ao ganhar no primeiro turno, da história da Argentina, ao superar a marca de 51,9%, até então recorde no país.
Cristina, agora, vai até o fim de 2015. Tem uma missão muito complexa para lidar: como fazer o peso continuar desvalorizado (atualmente em 4,2 pesos por dólar) sem precisar vender dólares acumulados pelo Banco Central argentino (que nos últimos 30 dias vendeu pouco mais de US$ 1 bilhão para segurar a cotação, o que é alto para os padrões dos hermanos), e, mais do que isso, sem pressionar a inflação, que bate em 30% ao ano.
Cristina, no entanto, conseguiu um feito ontem: recebeu a maior votação, ao ganhar no primeiro turno, da história da Argentina, ao superar a marca de 51,9%, até então recorde no país.
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América Latina
domingo, 23 de outubro de 2011
Domingo
O Distrito Federal é uma área de 5.771 quilômetros quadrados demarcada aproximadamente no centro do Planalto Central. Em seu redor há cerca de 2 milhões de quilômetros quadrados de cerrado, estendendo-se sem variação significante entre mil e 1.300 metros acima do nível do mar. Esse vasto platô representa 23% da área do país. Na época em que Brasília foi construída, a densidade populacional média da região era inferior a uma pessoa por quilômetro quadrado. Quando se viaja por essa planura desolada, qualquer interrupção da paisagem -- uma palmeira retorcida ou uma cadeia de nuvens volumosas -- torna-se uma bem-vinda presença de vida. É a essa tradição de esculturas no deserto que pertence o oásis de aço e vidro de Brasília, erguido a quase mil quilômetros de distância da costa brasileira, a qual, na metáfora do frei Vicente do Salvador, a civilização brasileira ficou, por mais de quatro séculos, "arranhando como caranguejos".
James Holston, antropólogo e arquiteto americano, em estudo sobre Brasília realizado em 1981.
James Holston, antropólogo e arquiteto americano, em estudo sobre Brasília realizado em 1981.
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Domingo
sexta-feira, 21 de outubro de 2011
Fim de expediente
Com Faith No More, das melhores bandas que surgiram entre o fim dos anos 1980 e início dos 90, numa interpretação matadora de "Easy", de Lionel Ritchie.
quinta-feira, 20 de outubro de 2011
Muammar Kadaffi está morto
O ditador que ficou no poder da Líbia entre 1969 e 2011 foi morto hoje pelos rebeldes.
A Revolução na Líbia está concluída.
A Revolução na Líbia está concluída.
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Revoluções Árabes
O caos da Infraero
O Brasil moderno não pode viver com monopólios, sejam eles públicos ou privados. A Infraero é um bisonho monopólio público, e a greve definida pelo sindicato que representa seus trabalhadores deixa isso claro.
Desde a meia-noite de hoje, os funcionários estão em greve. Adere quem quiser, é claro. Mas o movimento deve atingir cerca de 70% dos funcionários dos três principais aeroportos do país: Brasília, Viracopos (Campinas) e Guarulhos (São Paulo). Isso ocorre mesmo depois de todo o acerto costurado pela Secretaria de Aviação Civil, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e a Secretaria-Geral da Presidência da República com o sindicato.
Vejam o que diz o repórter Daniel Rittner, no Valor de hoje, sobre os termos acordados:
"Os futuros concessionários dos aeroportos de Guarulhos, Viracopos e Brasília precisarão dar estabilidade de pelo menos 12 meses aos empregados herdados da Infraero. Além disso, as condições do contrato de trabalho deverão ser “equivalentes” às praticadas pela estatal e os concessionários ainda terão a responsabilidade de arcar com o aporte patronal ao Infraprev, o fundo de pensão mantido pela Infraero."
Longe de mim defender lado nessa história. Mas, convenhamos que diante de todo esse arcabouço criado para dar tranquilidade aos atuais funcionários da Infraero, ainda assim declarar greve de 48 horas nos três principais aeroportos do país é um tiro no pé.
Uma única empresa regula e controla todos os aeroportos do país. Se ela decide parar, todos os aeroportos param.
Trata-se de um contrassenso inacreditável para um país moderno.
Tivéssemos mais empresas fazendo o trabalho, sejam elas privadas ou não, aqueles que utilizam os aeroportos (cada vez mais brasileiros) não ficariam lesados.
Para sermos modernos, meus caros, precisamos antes deixar o que é arcaico para trás.
Desde a meia-noite de hoje, os funcionários estão em greve. Adere quem quiser, é claro. Mas o movimento deve atingir cerca de 70% dos funcionários dos três principais aeroportos do país: Brasília, Viracopos (Campinas) e Guarulhos (São Paulo). Isso ocorre mesmo depois de todo o acerto costurado pela Secretaria de Aviação Civil, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e a Secretaria-Geral da Presidência da República com o sindicato.
Vejam o que diz o repórter Daniel Rittner, no Valor de hoje, sobre os termos acordados:
"Os futuros concessionários dos aeroportos de Guarulhos, Viracopos e Brasília precisarão dar estabilidade de pelo menos 12 meses aos empregados herdados da Infraero. Além disso, as condições do contrato de trabalho deverão ser “equivalentes” às praticadas pela estatal e os concessionários ainda terão a responsabilidade de arcar com o aporte patronal ao Infraprev, o fundo de pensão mantido pela Infraero."
Longe de mim defender lado nessa história. Mas, convenhamos que diante de todo esse arcabouço criado para dar tranquilidade aos atuais funcionários da Infraero, ainda assim declarar greve de 48 horas nos três principais aeroportos do país é um tiro no pé.
Uma única empresa regula e controla todos os aeroportos do país. Se ela decide parar, todos os aeroportos param.
Trata-se de um contrassenso inacreditável para um país moderno.
Tivéssemos mais empresas fazendo o trabalho, sejam elas privadas ou não, aqueles que utilizam os aeroportos (cada vez mais brasileiros) não ficariam lesados.
Para sermos modernos, meus caros, precisamos antes deixar o que é arcaico para trás.
quarta-feira, 19 de outubro de 2011
Os novos partidos políticos
Por Ferreira Gullar:
"Os dois partidos nascidos de uma discordância ideológica radical com o regime militar -- PT e PSDB -- já esgotaram sua vida útil. A nova geração de políticos, que vem substituir a de Fernando Henrique, Lula e José Serra, não teve que enfrentar a ditadura, não conheceu o exílio e, por essa e outras razões, tem uma visão menos ideológica, mais pragmática das questões políticas e sociais. Em razão disso, Serra não chegará a Presidência da República e o PT, se continua no poder, é porque já deixou de ser um partido (pretensamente) revolucionário: hoje é um partido sem compromissos ideológicos, que, para se manter no poder, aliou-se a cobras e lagartos, do PC do B, que já nada tem de comunista, aos evangélicos do bispo Macedo".
O restante da análise de Gullar está em sua coluna "Políticas sem sonhos", da Folha.
***
O senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP) dá ótima resposta sobre o PSD na bela entrevista realizada pelo Leandro Loyola, na Época:
"O presidente Fernando Henrique, uma vez, escreveu um artigo sobre a natureza do PMDB, do qual ele era membro. Era o partido em que cabiam todos que eram contra a ditadura. Ele qualificou o PMDB de partido ônibus, no sentido de omnibus, de todos. O PSD é um partido van: cabe muita gente, só que é menor e tem a vantagem de entrar em qualquer lugar. Em uma passagem do romance Esaú e Jacó, de Machado de Assis, aparece um personagem, o confeiteiro Custódio. O confeiteiro Custódio resolveu reformar a placa da confeitaria dele no momento em que caiu a monarquia (1889). A confeitaria se chamava Confeitaria do Império. Ele, então, pediu ao artesão que substituísse o nome para Confeitaria da República. Depois, preocupado com a instabilidade do novo regime, resolveu pôr o nome de Confeitaria do Governo. Mas, sabendo que todo governo implica em oposição, ele, para não ficar mal com a oposição, resolveu chamar de Confeitaria do Custódio. O partido do Kassab se infiltrou por essa zona de sombra entre governo e oposição. O Kassab é um profissional da política muito qualificado e um aliado leal. Agora, ele ainda precisa gerar um projeto nacional."
***
Sobre as duas análises: na mosca.
"Os dois partidos nascidos de uma discordância ideológica radical com o regime militar -- PT e PSDB -- já esgotaram sua vida útil. A nova geração de políticos, que vem substituir a de Fernando Henrique, Lula e José Serra, não teve que enfrentar a ditadura, não conheceu o exílio e, por essa e outras razões, tem uma visão menos ideológica, mais pragmática das questões políticas e sociais. Em razão disso, Serra não chegará a Presidência da República e o PT, se continua no poder, é porque já deixou de ser um partido (pretensamente) revolucionário: hoje é um partido sem compromissos ideológicos, que, para se manter no poder, aliou-se a cobras e lagartos, do PC do B, que já nada tem de comunista, aos evangélicos do bispo Macedo".
O restante da análise de Gullar está em sua coluna "Políticas sem sonhos", da Folha.
***
O senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP) dá ótima resposta sobre o PSD na bela entrevista realizada pelo Leandro Loyola, na Época:
"O presidente Fernando Henrique, uma vez, escreveu um artigo sobre a natureza do PMDB, do qual ele era membro. Era o partido em que cabiam todos que eram contra a ditadura. Ele qualificou o PMDB de partido ônibus, no sentido de omnibus, de todos. O PSD é um partido van: cabe muita gente, só que é menor e tem a vantagem de entrar em qualquer lugar. Em uma passagem do romance Esaú e Jacó, de Machado de Assis, aparece um personagem, o confeiteiro Custódio. O confeiteiro Custódio resolveu reformar a placa da confeitaria dele no momento em que caiu a monarquia (1889). A confeitaria se chamava Confeitaria do Império. Ele, então, pediu ao artesão que substituísse o nome para Confeitaria da República. Depois, preocupado com a instabilidade do novo regime, resolveu pôr o nome de Confeitaria do Governo. Mas, sabendo que todo governo implica em oposição, ele, para não ficar mal com a oposição, resolveu chamar de Confeitaria do Custódio. O partido do Kassab se infiltrou por essa zona de sombra entre governo e oposição. O Kassab é um profissional da política muito qualificado e um aliado leal. Agora, ele ainda precisa gerar um projeto nacional."
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Sobre as duas análises: na mosca.
terça-feira, 18 de outubro de 2011
Ode a Brasília
Há cidades que são obras da natureza, como o Rio. Há outras que são obras do homem, como São Paulo. Mas raras são obras de arte, como Brasília.
José Roberto Bassul, arquiteto e urbanista da Unb, hoje consultor legislativo do Senado.
***
Recado aos leitores: na madrugada, depois de voltar do jantar num ótimo restaurante aqui de Brasília (Dom Francisco, na 403 Sul), tratei de responder todos os comentários colocados pelos leitores nos últimos posts.
Sempre leio tudo o que é comentado aqui, no Twitter e por e-mail. Demoro a responder, mas respondo :-)
José Roberto Bassul, arquiteto e urbanista da Unb, hoje consultor legislativo do Senado.
***
Recado aos leitores: na madrugada, depois de voltar do jantar num ótimo restaurante aqui de Brasília (Dom Francisco, na 403 Sul), tratei de responder todos os comentários colocados pelos leitores nos últimos posts.
Sempre leio tudo o que é comentado aqui, no Twitter e por e-mail. Demoro a responder, mas respondo :-)
segunda-feira, 17 de outubro de 2011
Queria entender...
...porque o senador Wellington Dias (PT-PI), autor da proposta de redistribuição dos recursos do petróleo (royalties e participações especiais), utiliza como novo critério de repartição as regras do Fundo de Participação dos Estados (FPE).
O FPE é inconstitucional!
No ano passado, o órgão máximo do Judiciário brasileiro, o Supremo Tribunal Federal (STF), julgou que os critérios bisonhos de transferência constitucional de recursos federais aos Estados -- o FPE -- eram inconstitucionais. Mais que isso: o STF disse que o FPE tem data de validade. Se não mudarem os critérios do FPE até dezembro de 2012, o fundo, que foi criado em 1966, estará extinto.
Se é inconstitucional e vai acabar, porque Dias, seus pares e o governo usam justamente o FPE como critério de redistribuição dos recursos do petróleo do pré-sal?
Os parlamentares do Rio de Janeiro e o próprio governador Sérgio Cabral (PMDB) já disseram que tão logo seja aprovado o projeto de Dias eles ingressarão no Supremo.
E o que vai acontecer?
O STF vai dizer que os critérios de repartição dos recursos do pré-sal são inconstucionais. Justamente porque se baseam no que os 11 ministros do STF já consideraram inconstitucional...
Eu realmente queria entender porque, mesmo diante da obviedade dessa questão, continua insistindo com algo que resultará num tiro no pé. É como alguém que está com dor de cabeça e ao invés de tomar um comprimido de paracetamol ou dipirona resolve ir a um show do Sepultura e ficar na frente do amplificador.
Essa história do Rio de Janeiro dizer que é um "Estado produtor" de petróleo é um tanto incoerente, convenhamos. O petróleo do pré-sal está no mar, há quilometros de distância da costa fluminense e é extraído por empresas privadas ou estatais, que nada tem a ver com o Rio. Por que, então, o Rio deve receber R$ 9,5 bilhões em royalties por ano e o Amapá ou qualquer outro Estado sequer recebe R$ 500 milhões?
O petróleo está no mar. Pertence ao Brasil e deve ser distribuído igualmente entre os Estados e municípios. Isso me parece ponto pacífico.
O Rio tem todo o direito do mundo em protestar, até judicialmente, quando o governo diz em mudar a forma de distribuição de recursos de contratos de extração existentes. Isso está errado. O debate sobre uma nova repartição dos recursos do petróleo deve se concentrar naquilo que ainda não gera recursos ao país -- como o pré-sal -- e não atuar nos contratos que foram fechados em um regime diferente.
Agora utilizar um modelo de repartição claramente furado -- como o FPE -- é pedir para ser ridicularizado pelo Supremo.
O FPE é inconstitucional!
No ano passado, o órgão máximo do Judiciário brasileiro, o Supremo Tribunal Federal (STF), julgou que os critérios bisonhos de transferência constitucional de recursos federais aos Estados -- o FPE -- eram inconstitucionais. Mais que isso: o STF disse que o FPE tem data de validade. Se não mudarem os critérios do FPE até dezembro de 2012, o fundo, que foi criado em 1966, estará extinto.
Se é inconstitucional e vai acabar, porque Dias, seus pares e o governo usam justamente o FPE como critério de redistribuição dos recursos do petróleo do pré-sal?
Os parlamentares do Rio de Janeiro e o próprio governador Sérgio Cabral (PMDB) já disseram que tão logo seja aprovado o projeto de Dias eles ingressarão no Supremo.
E o que vai acontecer?
O STF vai dizer que os critérios de repartição dos recursos do pré-sal são inconstucionais. Justamente porque se baseam no que os 11 ministros do STF já consideraram inconstitucional...
Eu realmente queria entender porque, mesmo diante da obviedade dessa questão, continua insistindo com algo que resultará num tiro no pé. É como alguém que está com dor de cabeça e ao invés de tomar um comprimido de paracetamol ou dipirona resolve ir a um show do Sepultura e ficar na frente do amplificador.
Essa história do Rio de Janeiro dizer que é um "Estado produtor" de petróleo é um tanto incoerente, convenhamos. O petróleo do pré-sal está no mar, há quilometros de distância da costa fluminense e é extraído por empresas privadas ou estatais, que nada tem a ver com o Rio. Por que, então, o Rio deve receber R$ 9,5 bilhões em royalties por ano e o Amapá ou qualquer outro Estado sequer recebe R$ 500 milhões?
O petróleo está no mar. Pertence ao Brasil e deve ser distribuído igualmente entre os Estados e municípios. Isso me parece ponto pacífico.
O Rio tem todo o direito do mundo em protestar, até judicialmente, quando o governo diz em mudar a forma de distribuição de recursos de contratos de extração existentes. Isso está errado. O debate sobre uma nova repartição dos recursos do petróleo deve se concentrar naquilo que ainda não gera recursos ao país -- como o pré-sal -- e não atuar nos contratos que foram fechados em um regime diferente.
Agora utilizar um modelo de repartição claramente furado -- como o FPE -- é pedir para ser ridicularizado pelo Supremo.
domingo, 16 de outubro de 2011
Domingo
Canto para dizer que no meu coração
Já não mais se agitam as ondas de uma paixão
Ele não é mais abrigo de amores perdidos
É um lago mais tranquilo
Onde a dor não tem razão
Nele a semente de um novo amor nasceu
Livre de todo o rancor em flor se abriu
Venho reabrir as janelas da vida
E cantar como jamais cantei
Essa felicidade ainda
Quem esperou como eu por um novo carinho
E viveu tão sozinho tem que agradecer
Quando consegue do peito tirar um espinho
É que a velha esperança
Já não pode morrer.
Elton Medeiros, compositor brasileiro.
Já não mais se agitam as ondas de uma paixão
Ele não é mais abrigo de amores perdidos
É um lago mais tranquilo
Onde a dor não tem razão
Nele a semente de um novo amor nasceu
Livre de todo o rancor em flor se abriu
Venho reabrir as janelas da vida
E cantar como jamais cantei
Essa felicidade ainda
Quem esperou como eu por um novo carinho
E viveu tão sozinho tem que agradecer
Quando consegue do peito tirar um espinho
É que a velha esperança
Já não pode morrer.
Elton Medeiros, compositor brasileiro.
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Domingo
sexta-feira, 14 de outubro de 2011
Fim de expediente
Com Horace Silver, um dos jazzman que mais ouvi na vida, interpretando "Song for my father", em 1964.
Silver foi uma das trilhas sonoras por detrás do meu livro "Versão Brasileira" (2009), escrito entre novembro de 2008 e outubro de 2009. Não esqueço da resposta do amigo Sergio Lamucci quando sugeri a ele que ouvisse Silver.
"Cara, eu sempre achei que gostava de Jazz", me disse Lamucci, que completou: "Mas agora percebo que eu amo esse negócio".
Silver foi uma das trilhas sonoras por detrás do meu livro "Versão Brasileira" (2009), escrito entre novembro de 2008 e outubro de 2009. Não esqueço da resposta do amigo Sergio Lamucci quando sugeri a ele que ouvisse Silver.
"Cara, eu sempre achei que gostava de Jazz", me disse Lamucci, que completou: "Mas agora percebo que eu amo esse negócio".
quinta-feira, 13 de outubro de 2011
BMW quer produzir carros no Brasil
A BMW apresenta hoje ao ministro Fernando Pimentel, de Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC), o investimento em uma fábrica de automóveis no Brasil. O presidente do braço nacional da montadora alemã, Henning Dornbusch, da BMW Group Brasil, vai mostrar uma estimativa de gastos totais na infraestrutura necessária para levantar a planta, quantos veículos devem ser produzidos anualmente e quantos empregos diretos serão gerados. Será a primeira planta da BMW no Brasil.
A ideia da montadora alemã é iniciar, a partir de amanhã, um “road show” entre os Estados em busca das melhores condições tributárias para receber sua fábrica.
Além de apresentar seu plano de investimentos a Pimentel, os empresários da BMW buscam um canal direto com o ministro, que no início da semana anunciou a disposição do governo em negociar com as montadoras estrangeiras que pretendem investir no Brasil exceções às recentes medidas de elevação de impostos a importados.
Desde que o governo anunciou a elevação do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) em 30 pontos percentuais aos veículos com mais de 35% de conteúdo importado, cinco fabricantes estrangeiros anunciaram planos de produzir carros no Brasil. A Renault/Nissan anunciou a construção de uma planta em Resende (RJ), decisão que foi seguida do anúncio das chinesas JAC Motors, com planta em Camaçari (BA), Chery, com fábrica em Jacareí (SP), e Great Wall (ainda sem local definido), além da coreana Hyundai, com planta em construção em Piracicaba (SP).
Com os investimentos que serão antecipados hoje ao ministro Pimentel, a BMW passa a ser a sexta a anunciar a produção de veículos no Brasil desde 16 de setembro.
A ideia da montadora alemã é iniciar, a partir de amanhã, um “road show” entre os Estados em busca das melhores condições tributárias para receber sua fábrica.
Além de apresentar seu plano de investimentos a Pimentel, os empresários da BMW buscam um canal direto com o ministro, que no início da semana anunciou a disposição do governo em negociar com as montadoras estrangeiras que pretendem investir no Brasil exceções às recentes medidas de elevação de impostos a importados.
Desde que o governo anunciou a elevação do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) em 30 pontos percentuais aos veículos com mais de 35% de conteúdo importado, cinco fabricantes estrangeiros anunciaram planos de produzir carros no Brasil. A Renault/Nissan anunciou a construção de uma planta em Resende (RJ), decisão que foi seguida do anúncio das chinesas JAC Motors, com planta em Camaçari (BA), Chery, com fábrica em Jacareí (SP), e Great Wall (ainda sem local definido), além da coreana Hyundai, com planta em construção em Piracicaba (SP).
Com os investimentos que serão antecipados hoje ao ministro Pimentel, a BMW passa a ser a sexta a anunciar a produção de veículos no Brasil desde 16 de setembro.
terça-feira, 11 de outubro de 2011
A transição turca
Visitei a Turquia, a trabalho, em maio do ano passado. Era um período de crescimento acelerado da economia e muito acirramento político. Fui a cinco cidades, incluindo Istambul e a capital Ancara, onde me reuni com o presidente e todos os diretores do Banco Central da Turquia. Estive com empresários industriais e visitei pontos de comércio popular.
Hoje, um ano e meio depois, o crescimento econômico é ainda mais acelerado do que era então -- a Turquia cresceu a uma taxa de 10,3% no segundo trimestre de 2011, contra 3,1% do Brasil no mesmo período.
E o acirramento político, hoje, é quase inexistente.
Daí que a colega Adriana Mattos, em viagem ao país pelo Valor, na semana passada, trouxe um testemunho interessantíssimo de como estão as coisas no país.
"Nós estamos fazendo a transição de um povo com o olhar no Estado para um Estado orientado a ter uma visão pública e empresarial", disse RizaNur Meral, presidente da Sanko Holding, companhia de 14 mil funcionários, que atua em áreas como energia e construção. Meral também é o líder da Tuskon, a principal confederação de empresários da Turquia.
O testemunho de Meral define muito bem a situação da Turquia hoje.
Falamos de um país que seguramente pertence ao grupo de emergentes sensação do momento, ao lado de Brasil, China, Índia, Rússia e África do Sul.
Mais que isso: que conseguiu, talvez pela primeira vez desde sua fundação, em 1922, criar uma convivência harmônica entre os três grandes grupos que formam a Turquia: os militares ocidentalizados, os islâmicos, e os que nada querem saber de qualquer coisa.
Isso com democracia e crescimento econômico.
Hoje, um ano e meio depois, o crescimento econômico é ainda mais acelerado do que era então -- a Turquia cresceu a uma taxa de 10,3% no segundo trimestre de 2011, contra 3,1% do Brasil no mesmo período.
E o acirramento político, hoje, é quase inexistente.
Daí que a colega Adriana Mattos, em viagem ao país pelo Valor, na semana passada, trouxe um testemunho interessantíssimo de como estão as coisas no país.
"Nós estamos fazendo a transição de um povo com o olhar no Estado para um Estado orientado a ter uma visão pública e empresarial", disse RizaNur Meral, presidente da Sanko Holding, companhia de 14 mil funcionários, que atua em áreas como energia e construção. Meral também é o líder da Tuskon, a principal confederação de empresários da Turquia.
O testemunho de Meral define muito bem a situação da Turquia hoje.
Falamos de um país que seguramente pertence ao grupo de emergentes sensação do momento, ao lado de Brasil, China, Índia, Rússia e África do Sul.
Mais que isso: que conseguiu, talvez pela primeira vez desde sua fundação, em 1922, criar uma convivência harmônica entre os três grandes grupos que formam a Turquia: os militares ocidentalizados, os islâmicos, e os que nada querem saber de qualquer coisa.
Isso com democracia e crescimento econômico.
segunda-feira, 10 de outubro de 2011
Sobre o carro elétrico e mídia
Na terça-feira da semana passada, 04/10, a manchete do Valor apresentava os estudos avançados dentro do governo envolvendo um novo regime automotivo: que vai privilegiar o veículo elétrico (sua importação e, principalmente, sua produção no Brasil).
No fim daquele dia, o economista Paulo Yokota, um dos principais assessores econômicos de Antônio Delfim Netto quando este fora ministro da Fazenda dos governos militares (entre 1967 e 1973), escreveu em seu blog uma análise sobre a notícia -- citando a fonte e o nome do jornalista, autor do furo.
Dois dias depois, um dos principais colunistas econômicos dos jornalões, Celso Ming, no Estadão, discutiu as ideias do governo -- todas antecipadas pelo Valor -- sem citar a reportagem.
Ontem, na edição de domingo, a Folha trouxe matéria com montadoras e especialistas da indústria automobilística debatendo a implantação dos veículos elétricos no Brasil. No mesmo dia, a Agência Brasil trazia entrevista com Roberto Marx, engenheiro de produção da USP, defendendo a produção nacional do carro elétrico.
Aqui no Blog publiquei o texto da manchete, e o post trouxe um belíssimo debate com os leitores -- uns favoráveis às medidas que serão implementadas pelo governo e outros contrários. Todos trazendo informações e dados interessantíssimos. Recebi um e-mail de uma fonte do alto escalão do Ministério da Fazenda, leitor deste Blog, elogiando o alto nível dos comentários.
Resumo da ópera: de repente, a partir de uma matéria com bola repercussão, o país iniciou uma discussão central para o futuro de sua indústria.
***
Fui começar a estudar o carro elétrico depois de um artigo dos economistas Gustavo A. G. dos Santos e Rodrigo Medeiros, de agosto de 2009, que demonstrava não só a importância de se dominar a tecnologia da mobilidade elétrica, como o fato de que esse é o caminho para o futuro da indústria.
***
Sou amplamente favorável ao transporte coletivo. A forma mais eficaz de reduzir os enormes congestionamentos urbanos e também reduzir fortemente a emissão de poluentes seria reduzir o tráfego de carros e aumentar o de transportes coletivos, como metrôs, trens e ônibus (elétricos).
Mas é preciso reconhecer a centralidade do carro na nossa sociedade.
O principal sonho de consumo de indivíduos que ascendem socialmente é um carro. Em seguida, um carro melhor, com ar condicionado, direção hidráulica ou câmbio automático. Nosso modelo de sociedade, baseado no americano (uma vez que nos formamos no século XX, o século americano), é totalmente car oriented, ou seja, direcionado para o automóvel.
A capital do país, Brasília, onde vivo, foi totalmente construída para o uso do automóvel.
Sim, o futuro é o transporte coletivo, mas a transição será com o automóvel.
Melhor, então, que o automóvel seja elétrico.
No fim daquele dia, o economista Paulo Yokota, um dos principais assessores econômicos de Antônio Delfim Netto quando este fora ministro da Fazenda dos governos militares (entre 1967 e 1973), escreveu em seu blog uma análise sobre a notícia -- citando a fonte e o nome do jornalista, autor do furo.
Dois dias depois, um dos principais colunistas econômicos dos jornalões, Celso Ming, no Estadão, discutiu as ideias do governo -- todas antecipadas pelo Valor -- sem citar a reportagem.
Ontem, na edição de domingo, a Folha trouxe matéria com montadoras e especialistas da indústria automobilística debatendo a implantação dos veículos elétricos no Brasil. No mesmo dia, a Agência Brasil trazia entrevista com Roberto Marx, engenheiro de produção da USP, defendendo a produção nacional do carro elétrico.
Aqui no Blog publiquei o texto da manchete, e o post trouxe um belíssimo debate com os leitores -- uns favoráveis às medidas que serão implementadas pelo governo e outros contrários. Todos trazendo informações e dados interessantíssimos. Recebi um e-mail de uma fonte do alto escalão do Ministério da Fazenda, leitor deste Blog, elogiando o alto nível dos comentários.
Resumo da ópera: de repente, a partir de uma matéria com bola repercussão, o país iniciou uma discussão central para o futuro de sua indústria.
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Fui começar a estudar o carro elétrico depois de um artigo dos economistas Gustavo A. G. dos Santos e Rodrigo Medeiros, de agosto de 2009, que demonstrava não só a importância de se dominar a tecnologia da mobilidade elétrica, como o fato de que esse é o caminho para o futuro da indústria.
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Sou amplamente favorável ao transporte coletivo. A forma mais eficaz de reduzir os enormes congestionamentos urbanos e também reduzir fortemente a emissão de poluentes seria reduzir o tráfego de carros e aumentar o de transportes coletivos, como metrôs, trens e ônibus (elétricos).
Mas é preciso reconhecer a centralidade do carro na nossa sociedade.
O principal sonho de consumo de indivíduos que ascendem socialmente é um carro. Em seguida, um carro melhor, com ar condicionado, direção hidráulica ou câmbio automático. Nosso modelo de sociedade, baseado no americano (uma vez que nos formamos no século XX, o século americano), é totalmente car oriented, ou seja, direcionado para o automóvel.
A capital do país, Brasília, onde vivo, foi totalmente construída para o uso do automóvel.
Sim, o futuro é o transporte coletivo, mas a transição será com o automóvel.
Melhor, então, que o automóvel seja elétrico.
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domingo, 9 de outubro de 2011
sexta-feira, 7 de outubro de 2011
Fim de expediente
Com Joe Cocker, "You can leave your hat on".
Trilha ideal para o fim de semana que tenho pela frente... ;-)
Trilha ideal para o fim de semana que tenho pela frente... ;-)
quinta-feira, 6 de outubro de 2011
Morre Guilherme Arinos
Falem o que for de Steve Jobs -- um gênio, sem dúvida -- mas a grande perda, ontem, foi a de mestre Guilherme Arinos, morto aos 96 anos.
Arinos foi um dos maiores brasileiros de todos os tempos.
Filho de índios tapajós, nascido no Amazonas, Arinos foi, com apenas 26 anos, chefe de gabinete do então presidente Getúlio Vargas, durante a ditadura do Estado Novo. Fascinado pela cultura popular brasileira, Arinos foi o primeiro a idealizar um banco de fomento às empresas brasileiras -- que em 1952 viria a ser o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
Seu filho, Gustavo Franco, é um dos mais brilhantes economistas brasileiros, e um dos "grupo dos quatro", que entre 1993 e 1994 criou o Plano Real. Entre junho de 1997 e janeiro de 1999 foi presidente do Banco Central do Brasil.
Arinos lutava há anos com o mal de Parkinson.
Como apaixonado pela cultura popular era viciado em futebol, e fanático pelo Botafogo. Chegou a ser dirigente das categorias de base do Botafogo nos anos 1960, fase em que o Botafogo só não ganhava campeonatos quando não disputava.
Um dos grandes construtores do Brasil, a quem muito devemos.
Arinos foi um dos maiores brasileiros de todos os tempos.
Filho de índios tapajós, nascido no Amazonas, Arinos foi, com apenas 26 anos, chefe de gabinete do então presidente Getúlio Vargas, durante a ditadura do Estado Novo. Fascinado pela cultura popular brasileira, Arinos foi o primeiro a idealizar um banco de fomento às empresas brasileiras -- que em 1952 viria a ser o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
Seu filho, Gustavo Franco, é um dos mais brilhantes economistas brasileiros, e um dos "grupo dos quatro", que entre 1993 e 1994 criou o Plano Real. Entre junho de 1997 e janeiro de 1999 foi presidente do Banco Central do Brasil.
Arinos lutava há anos com o mal de Parkinson.
Como apaixonado pela cultura popular era viciado em futebol, e fanático pelo Botafogo. Chegou a ser dirigente das categorias de base do Botafogo nos anos 1960, fase em que o Botafogo só não ganhava campeonatos quando não disputava.
Um dos grandes construtores do Brasil, a quem muito devemos.
O incentivo ao carro elétrico
O governo está avançado na modelagem de um novo regime automotivo. O objetivo principal das medidas que estão sendo analisadas no Ministério da Fazenda é incentivar os investimentos em inovação tecnológica na indústria automobilística de forma a ampliar a participação de veículos elétricos e híbridos no mercado brasileiro.
Brasília quer que a indústria instalada no país produza veículos elétricos. Para isso, o governo estuda zerar a alíquota de 25% do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) que incide sobre os veículos elétricos e híbridos. Também planeja tornar compulsório o selo de certificação do Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro), ainda de adesão voluntária e pouco conhecido pelos consumidores de automóveis, como condicionante para a participação de montadoras em licitações públicas.
Uma fonte do alto escalão do governo explicou ao Valor a motivação das medidas que constarão do novo regime: "Se o governo não criar um elemento que mude a conta das empresas, não vai acontecer. É preciso incentivar". A iniciativa de popularizar o "carro verde" segue uma tendência principalmente europeia.
O governo mantém, desde maio, conversas com representantes da indústria, filiados à Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), e também com dirigentes da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE). "Já conversamos com a indústria", diz uma fonte graduada, "algumas empresas estão mais à frente que outras, mas todas sabem que cedo ou tarde o futuro da indústria automobilística é o carro elétrico".
Há no governo divisões quanto ao forte incentivo a veículos híbridos e elétricos. Há aqueles que veem no etanol a principal "saída para o futuro" da indústria automobilística do país. Outro grupo entende que os veículos elétricos aumentarão muito a demanda por esse tipo de energia, exigindo esforços das usinas termelétricas, que são mais poluentes. Além disso, criticam a "lenta" evolução da bateria elétrica.
***
Esta é manchete do Valor de terça-feira, assinada por este blogueiro. Fiquei embrenhado na apuração deste furo há algum tempo.
Divido com os leitores do Blog com uma razão específica, que é perguntar a vocês o que acham do carro elétrico.
Tenho comigo que é o futuro da indústria.
***
A matéria foi a manchete do Valor na terça. No dia seguinte, quarta-feira (ontem), o colunista de Economia do Estadão, mestre Celso Ming, discutiu minha matéria... mas, infelizmente, não citou a fonte.
Seja como for, Ming defende que diante do potencial que a enorme camada de pré-sal, o governo deveria se preocupar mais com o petróleo que com o carro movido a eletricidade. "É necessário saber se, em vez de um pacote de incentivos ao carro elétrico, não seria melhor estimular a fabricação de novos motores a gasolina e diesel, mais eficientes e menos nocivos".
Trata-se de uma visão que olha para trás, não para frente. Os motores a gasolina e diesel são, sem sombra de dúvida, mais eficientes que aqueles movidos a eletricidade.
Por que?
Ué, porque os motores movidos a gasolina são desenvolvidos por indústrias do mundo todo desde 1870. É óbvio que com 140 anos de progressos o motor a gasolina e diesel sejam mais eficientes. Bom lembrar que a nata do desenvolvimento automobilístico -- a Fórmula 1 -- utiliza motores a combustão de gasolina.
Se a indústria passar a focar o carro elétrico, apenas os ganhos de escala iniciais já derrubarão os preços (hoje elevados) da bateria e aumentarão a eficiência.
O petróleo do pré-sal é, para o Brasil, a dádiva que pode virar tragédia. Se abrirmos mão do desenvolvimento de uma cadeia de veículos elétricos por causa do petróleo, ou de outros setores industriais, porque a exportação do pré-sal já banca nossa balança comercial, estaremos assinando nosso atestado de óbito.
Porque o petróleo acaba.
Brasília quer que a indústria instalada no país produza veículos elétricos. Para isso, o governo estuda zerar a alíquota de 25% do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) que incide sobre os veículos elétricos e híbridos. Também planeja tornar compulsório o selo de certificação do Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro), ainda de adesão voluntária e pouco conhecido pelos consumidores de automóveis, como condicionante para a participação de montadoras em licitações públicas.
Uma fonte do alto escalão do governo explicou ao Valor a motivação das medidas que constarão do novo regime: "Se o governo não criar um elemento que mude a conta das empresas, não vai acontecer. É preciso incentivar". A iniciativa de popularizar o "carro verde" segue uma tendência principalmente europeia.
O governo mantém, desde maio, conversas com representantes da indústria, filiados à Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), e também com dirigentes da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE). "Já conversamos com a indústria", diz uma fonte graduada, "algumas empresas estão mais à frente que outras, mas todas sabem que cedo ou tarde o futuro da indústria automobilística é o carro elétrico".
Há no governo divisões quanto ao forte incentivo a veículos híbridos e elétricos. Há aqueles que veem no etanol a principal "saída para o futuro" da indústria automobilística do país. Outro grupo entende que os veículos elétricos aumentarão muito a demanda por esse tipo de energia, exigindo esforços das usinas termelétricas, que são mais poluentes. Além disso, criticam a "lenta" evolução da bateria elétrica.
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Esta é manchete do Valor de terça-feira, assinada por este blogueiro. Fiquei embrenhado na apuração deste furo há algum tempo.
Divido com os leitores do Blog com uma razão específica, que é perguntar a vocês o que acham do carro elétrico.
Tenho comigo que é o futuro da indústria.
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A matéria foi a manchete do Valor na terça. No dia seguinte, quarta-feira (ontem), o colunista de Economia do Estadão, mestre Celso Ming, discutiu minha matéria... mas, infelizmente, não citou a fonte.
Seja como for, Ming defende que diante do potencial que a enorme camada de pré-sal, o governo deveria se preocupar mais com o petróleo que com o carro movido a eletricidade. "É necessário saber se, em vez de um pacote de incentivos ao carro elétrico, não seria melhor estimular a fabricação de novos motores a gasolina e diesel, mais eficientes e menos nocivos".
Trata-se de uma visão que olha para trás, não para frente. Os motores a gasolina e diesel são, sem sombra de dúvida, mais eficientes que aqueles movidos a eletricidade.
Por que?
Ué, porque os motores movidos a gasolina são desenvolvidos por indústrias do mundo todo desde 1870. É óbvio que com 140 anos de progressos o motor a gasolina e diesel sejam mais eficientes. Bom lembrar que a nata do desenvolvimento automobilístico -- a Fórmula 1 -- utiliza motores a combustão de gasolina.
Se a indústria passar a focar o carro elétrico, apenas os ganhos de escala iniciais já derrubarão os preços (hoje elevados) da bateria e aumentarão a eficiência.
O petróleo do pré-sal é, para o Brasil, a dádiva que pode virar tragédia. Se abrirmos mão do desenvolvimento de uma cadeia de veículos elétricos por causa do petróleo, ou de outros setores industriais, porque a exportação do pré-sal já banca nossa balança comercial, estaremos assinando nosso atestado de óbito.
Porque o petróleo acaba.
quarta-feira, 5 de outubro de 2011
Uma visão sobre o futuro da União Europeia
"João, estou em Brasília, e quero conversar contigo. Você tem trinta minutos?"
Um dos melhores economistas do mercado me liga, no celular, segunda-feira. Veio a Brasília apenas para um café e um almoço, com gente da equipe econômica, que o procuram para saber o que está acontecendo na União Europeia e o que os investidores estrangeiros estão pensando. Depois das conversas com o governo, o economista tinha 40 minutos até o momento em que seu voo de volta a São Paulo sairia do Aeroporto Internacional JK.
Fomos, então, a meu café preferido aqui em Brasília.
Eu estava no meio da apuração final de uma matéria muito importante, que acabou virando a manchete da edição de terça-feira (ontem) do Valor. Mas, para este grande economista, era agora ou nunca.
Ele me trouxe uma visão muito importante do que está acontecendo na Europa. Foi exatamente a mesma visão que passou para os integrantes da equipe econômica do governo Dilma Rousseff.
A União Europeia caminha, nos bastidores, para um calote coordenado da Grécia.
Isto é, os credores (primordialmente os bancos privados de Alemanha e França) aceitarão o calote de uma parte da dívida, e o restante será renegociado. O Fundo Europeu para Estabilização Econômica, com capital de 400 bilhões de euros, será alavancado, ou seja, tomará dinheiro emprestado de forma a elevar seus cofres a algo como 1 trilhão de euros. Esse dinheiro será usado no fortalecimento dos bancos credores da Grécia, que não podem sofrer abalos com o calote.
O calote coordenado está sendo amarrado junto a governos e banqueiros. A saída servirá, segundo este economista, para dar inclusive um estímulo aos líderes políticos europeus, que estão com suas reputações manchadas pelo imobilismo diante de uma crise que poderia ter sido facilmente resolvida em 2010, quando os tremores da Grécia começaram.
Toda essa engenharia será deflagrada entre o fim de outubro e o começo de novembro.
Um dos melhores economistas do mercado me liga, no celular, segunda-feira. Veio a Brasília apenas para um café e um almoço, com gente da equipe econômica, que o procuram para saber o que está acontecendo na União Europeia e o que os investidores estrangeiros estão pensando. Depois das conversas com o governo, o economista tinha 40 minutos até o momento em que seu voo de volta a São Paulo sairia do Aeroporto Internacional JK.
Fomos, então, a meu café preferido aqui em Brasília.
Eu estava no meio da apuração final de uma matéria muito importante, que acabou virando a manchete da edição de terça-feira (ontem) do Valor. Mas, para este grande economista, era agora ou nunca.
Ele me trouxe uma visão muito importante do que está acontecendo na Europa. Foi exatamente a mesma visão que passou para os integrantes da equipe econômica do governo Dilma Rousseff.
A União Europeia caminha, nos bastidores, para um calote coordenado da Grécia.
Isto é, os credores (primordialmente os bancos privados de Alemanha e França) aceitarão o calote de uma parte da dívida, e o restante será renegociado. O Fundo Europeu para Estabilização Econômica, com capital de 400 bilhões de euros, será alavancado, ou seja, tomará dinheiro emprestado de forma a elevar seus cofres a algo como 1 trilhão de euros. Esse dinheiro será usado no fortalecimento dos bancos credores da Grécia, que não podem sofrer abalos com o calote.
O calote coordenado está sendo amarrado junto a governos e banqueiros. A saída servirá, segundo este economista, para dar inclusive um estímulo aos líderes políticos europeus, que estão com suas reputações manchadas pelo imobilismo diante de uma crise que poderia ter sido facilmente resolvida em 2010, quando os tremores da Grécia começaram.
Toda essa engenharia será deflagrada entre o fim de outubro e o começo de novembro.
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segunda-feira, 3 de outubro de 2011
Algo para ser mudado
De janeiro a agosto deste ano, o governo federal aumentou seus gastos com pessoal em 10,3%, na comparação com o mesmo período de 2010. Os gastos com custeio foram 11,8% maiores.
E os investimentos?
Aumentaram apenas 0,2% na comparação entre os oito primeiros meses de 2011 e igual período do ano passado.
E os investimentos?
Aumentaram apenas 0,2% na comparação entre os oito primeiros meses de 2011 e igual período do ano passado.
domingo, 2 de outubro de 2011
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