terça-feira, 31 de maio de 2011

A pré-campanha americana para 2012

Ok, tenho que admitir: detesto televisão, mas a única coisa que me faz, mesmo, ligar a TV são três canais/programas americanos. Pronto, já disse. São eles: os canais são CNN e Fox News e o programa é o do David Letterman.

Como já fiz meu mea culpa -- um livro de 196 páginas sobre a americanização da cultura brasileira nos anos 1990 e 2000 -- não posso ser condenado, vá.

Dito isso, tenho acompanhado muito de perto a pré-campanha dos candidatos republicanos à Presidência dos Estados Unidos nas eleições de 2012. Do lado democrata não há dúvida: o atual presidente Barack Obama já é pré-candidato e, não é só este Blog que diz, sairá vencedor novamente.

Mas Obama poderia ao menos ter competição, né?

Não é o que parece.

Primeiro foi Donald Trump (!) que se lançou candidato. Sua principal plataforma? Provar que Obama era um presidente ilegal, por não ter nascido em solo americano (!!). O carnaval feito pela Fox News -- que, como o leitor deve saber, faz campanha escancarada pelos republicanos -- fez Obama levar, por meio de uma coletiva de imprensa, sua certidão de nascimento, do Hawai (que é território americano, diga-se). Trump, é claro, foi ridicularizado. Desistiu da candidatura e ainda se saiu com essa: "sinto-me realizado, por ter feito um bem para o país, ao fazer o presidente provar sua certidão" (!!!).

A melhor resposta que vi para esse conto ridículo tipicamente americano foi dado por Anderson Cooper, na CNN, quinze dias atrás, em sua The Ridiculist.

Depois foi a vez de Sarah Palin "admitir" (porque os colegas jornalistas usam este verbo de maneira tão insolente?) que é uma pré-candidata do Partido Republicano. Palin, que tem como mérito administrativo ter governado o Alaska (onde, diz-se por aí, a principal preocupação dos gestores públicos é evitar que o gelo atrapalhe o fluxo de veículos), é a candidata do Tea Party.

O Tea Party, como muitos sabem, é um movimento de gente séria, que acredita, piamente, que Stálin=Hitler=Mao=Obama, e avalia que os EUA estariam melhor, hoje, se tivessem deixado todos os bancos falirem, se o Federal Reserve (o Fed, banco central americano) fosse extinto e se o governo deixasse de existir.

Vivo fosse, meu querido avô Victor Villaverde, entusiasta do anarquismo espanhol dos anos 1940, teria enfiado a cabeça em um balde. Não é que o Tea Party seja anarquista. Suas bandeiras são essas por outra razão: avaliam que os indíviduos, especialmente as empresas e os empreendedores, gerariam mais riqueza sem um governo que os taxassem para redistribuir aos menos afortunados.

Só gente boa, né?

Pois então, Sarah Palin é a candidata dessa turma. E, ó, já está fazendo campanha pesada.

Um terceiro pré-candidato é Tim Pawlenty, que foi governador do Minnesota. Assisti Paul Gigot, um dos poucos caras realmente competentes e razoavelmente neutros da Fox News (até porque ele é o editor de Opinião do The Wall Street Journal), entrevistá-lo, no fim de semana. Sobre o corte no orçamente, o que diz Pawlenty? "Meu programa de governo trará uma resposta para isso". Sobre a elevação da idade mínima para se aposentar? "Meu programa de governo trará uma resposta para isso". Sobre por quê alguém se lança candidato sem ter resposta para nada? "Meu programa de gov..."

Vocês pegaram a ideia.

Do jeito que está, Pawlenty parece ser o candidato com mais chances. Claramente ele será massacrado por Obama, mas sua plataforma (??) é, no entanto, muito mais consistente que de Trump e de Palin.

Os dois grandes nomes dos republicanos, no entanto, já disseram estar fora: Mitt Romney, ex-governador de Massachusetts, e Mike Huckabee, ex-governador do Arkansas. São espertos: a economia americana deve começar a realmente melhorar justamente em 2012, o que vai impulsionar o governo em exercício, de Obama, ao mesmo tempo que a morte de Osama Bin Laden, algo totalmente republicano, foi bem recebido pela parcela conservadora da sociedade. Para fechar, Obama é um orador quase imbatível.

Ou seja, Romney, que fala fundo aos empresários, e Huckabee, o tradicional e bonzinho populista de direita, sacaram que, em 2012, não tem para ninguém.

Em outras palavras: teremos um ano e meio de diversão acompanhando a luta entre os republicanos para decidir quem é o candidato mais boçal.

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Duas correções, feitas por um fera no assunto: Pawlenty é governador de Minnesota (já corrigido no post) e Romney é sim pré-candidato republicano.

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Princípios

Quando Henry Kissinger, o principal secretário-diplomata dos Estados Unidos no século XX, visitou, já velhinho e fora do poder, a China, em 1991, ele esperava tudo, menos o que ouviu de mais importante.

Conversando com o líder chinês Jiang Zemin, Kissinger queria entender porque nunca os chineses haviam se dobrado frente às demandas internacionais. Ele, Kissinger, fora o principal armador do famoso encontro de 1972, em Pequim, entre Richard Nixon, então presidente dos EUA, e Mao Tsé Tung, líder do governo chinês. Os chineses haviam feito sua revolução, em 1949, contra a vontade da Europa. Enfrentaram os EUA na Coreia, entre 1951 e 1952. Romperam com a União Soviética antes de todo mundo, ainda na década de 1950, por entender que os soviéticos estavam desvirtuando o comunismo. Resistiram à morte de Mao, em 1976, e à transição para um novo modelo, comandado por Deng Xiaoping, a partir de 1978. Resistiram às pressões mundiais por democracia, e não tiveram vergonha em massacrar os manifestantes chineses na Praça Tiananmen, com tanques e tudo, em 1989, ano em que o muro de Berlim cairia e a URSS faliria.

Por que, perguntou Kissinger, os chineses nunca se dobravam?

"Nós nunca nos submetemos à pressão... trata-se de um princípio filosófico", respondeu Zemin.

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O blogueiro está passando, nos últimos dias e, especialmente a partir de hoje, por uma de suas missões mais exigentes.
Para quem trabalha como um condenado, escreve livro e Blog ao mesmo tempo e, ainda por cima, consegue ser vidrado em cinema (em cartaz, mas, principalmente, os filmes do passado) e música brasileira, além de ser viciado em restaurantes (tem algo melhor que comer bem?), a missão de agora vai acabar sendo superada.

Está sendo duro. Oportunamente explicarei cá no Blog.

Arrumei mais trabalho para a cabeça.
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Quem acompanhar as edições do Valor Econômico desta semana vai entender um pouco.

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A little tease of where the blogger might be... this was taken from my iPhone camera yesterday...


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Nada é mais emocionante que mudar e encarar desafios que, de longe, parecem insuperáveis.

domingo, 29 de maio de 2011

Domingo

O detalhe é a alma de toda fantasia. Qualquer detalhe por mais inusitado ou pervertido que seja. Daí os fetiches. A particularidade do desejo. E um detalhe pode torna-se muitas vezes mais excitante que a própria fantasia.


Marçal Aquino, escritor brasileiro.

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Fim de expediente


"Heartbreak Station", Cinderella, 1990.

Parabéns, São Paulo

- O Estado de São Paulo ainda não têm estádio para a Copa do Mundo de 2014.

- O Estádio do Morumbi tem uma infraestrutura terrível e, devido ao péssimo relacionamento político que o dono, o São Paulo Futebol Clube, tem com a Confederação Brasileira de Futebol (CBF), cujo lobby na Fifa é grande, perdeu a chance de ter seu estádio incluído na Copa.

- O Estádio do Corinthians, que será construído pela Odebrecht, sequer saiu do papel. Sim, estamos entrando em junho de 2011, e não há nem um tijolo levantado.

- Hoje, São Paulo recebeu a notícia de que perdeu também o centro de mídia para a Copa das Confederações, que ocorre em 2013, um ano antes da Copa do Mundo. O centro de transmissão de mídia funcionará no Riocentro, na zona oeste do Rio de Janeiro. Ele será o centro de geração de imagens da Copa do Mundo para todos os países. Na Copa do Mundo de 2010, na África do Sul, o centro de transmissão abrigou 13 mil profissionais de mídia.

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Os paulistas devem se orgulhar!

quarta-feira, 25 de maio de 2011

A hegemonia americana

Barack Obama, presidente dos Estados Unidos, em pronunciamento feito hoje, na Inglaterra:

"Países como a China, o Brasil e a Índia estão crescendo, criando mercados e oportunidades para nossos povos. Tais nações crescem porque estão baseados nos valores que os EUA e o Reino Unido defendem. Há quem acredite que tal crescimento virá junto com a decadência inevitável da influência de nossos países no mundo. Há quem diga que essas nações são o futuro e nós o passado, mas isso está errado. O tempo para nossa liderança é agora."

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Estou escrevendo livro justamente sobre este assunto, que é, também, o que norteou minha entrevista com Joseph Nye.

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Aliás, fiquei feliz com a discussão promovida pelo Patrick, no blog dele, sobre a entrevista de Nye.

Moreira Franco e a estratégia nacional

Lembram-se quando, outro dia, falava dos Cieps, no Rio de Janeiro, destruídos durante a gestão de Moreira Franco (entre 1987 e 1990)?

Pois bem.

Na segunda-feira, a Folha publicou artigo de Marco Antônio Villa sobre o papel de Moreira Franco à frente da Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE). Costumo achar ruim 90% do que diz Marco Antônio Villa, mas, desta vez, subscrevo cada linha do artigo.

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O estrategista tupiniquim

Por Marco Antônio Villa

Quando foi avisado por um correligionário que seria o responsável pela Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE), Moreira Franco respondeu: "Quer tirar sarro da minha cara?". Foi sincero.


Ele nunca se interessou por planejamento estratégico, despreza o trabalho de reflexão sobre o futuro do Brasil e desconhece como outros países emergentes tratam a questão. Para o ministro, o que importa é que a SAE tem um orçamento pífio e não pode servir para abrigar seus aliados com cargos rentáveis.

Dentro da lógica do PMDB, do é dando que se recebe, a secretaria é uma espécie de "engana trouxa".

Tomou posse a 4 de janeiro, porém seu primeiro compromisso na SAE ocorreu somente 24 dias depois. No dia 26, seu primeiro dia de trabalho, foi ao Ipea às 10h e oito horas depois recebeu um deputado do seu partido. E só.

No dia posterior, uma quinta-feira, rumou para o Rio de Janeiro e só regressou na segunda-feira seguinte: é o que se chama de fim de semana prolongado em pleno mês de janeiro. Mas como absenteísmo é uma marca do ministro, no dia 31 só teve um registro na agenda: às 17h, "despachos internos".

Resumindo: em janeiro, ele esteve na SAE apenas dois dias. Em fevereiro, permaneceu em Brasília cerca de metade do mês.

Contudo, sua agenda -estafante para seu padrão de trabalho- ficou restrita a oito dias com somente "despachos internos", mas só pela manhã e começando às 10h.

Nos outros dias, recebeu parlamentares do PMDB e teve tempo, inclusive, para se encontrar com o ex-deputado Genebaldo Correa, um dos tristemente célebres anões do Orçamento. Há um registro até de uma audiência para um vereador de Engenho Paulo de Frontim, município do interior fluminense de apenas 13 mil habitantes.

Mas em dois meses de "trabalho" não realizou nenhuma reunião, mesmo que inicial, para analisar as questões estratégicas do Brasil, tarefa central da sua pasta.

Como um bom folião, resolveu antecipar o Carnaval. Despachou até as 15h do dia 1º de março. Depois rumou para o Rio de Janeiro.

Reapareceu no emprego no dia 10, certamente exausto, mas com apenas dois compromissos na agenda.

Horas depois, voou novamente para a antiga capital federal.

A ausência de atividades afeitas à pasta é evidente. Basta citar o dia 17 de março. Só há um registro: às 17h, compareceu à posse do presidente da Federação Brasileira de Bancos. O padrão de preencher a agenda com atividades absolutamente distantes da finalidade da SAE é uma constante.

No dia 10 de março anotou que, às 10h, fez os tais "despachos internos" e, às 21h, compareceu ao jantar comemorativo dos 45 anos do PMDB. Seria crível imaginar que, após três meses na SAE, Moreira Franco fosse finalmente assumir o seu posto. Doce ilusão.

No mês de abril, na maioria dos dias -isso quando esteve em Brasília-, registrou somente uma atividade na agenda. Em quatro meses, não foi recebido sequer uma vez pela presidente. Mas não perdeu a oportunidade de viajar para Roma e assistir à cerimônia de beatificação de João Paulo 2º (é uma atividade afeita à SAE?).

Caso o ministro não esteja satisfeito com suas atribuições, deveria ter a dignidade de pedir demissão.

Afinal, é muito importante para o país pensar e desenhar o planejamento estratégico para as próximas décadas, como faz a China (será que o ministro chinês, de uma pasta correspondente à SAE, tem a mesma agenda de Moreira Franco?). Mas, como estamos no Brasil, a ociosidade de Moreira Franco foi premiada: vai presidir o Conselhão (Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social). Mas para que serve o Conselhão?

terça-feira, 24 de maio de 2011

O choque em cena


Uma das cenas finais de "Deus e Diabo na Terra do Sol" (1964), clássico máximo do cinema brasileiro, dirigido por Glauber Rocha. Provavelmente o filme mais poderoso já realizado no país, e um dos que mais mudou este blogueiro -- lembro, revendo a cena, o efeito que aquilo causou em mim.

Na cena em questão, Othon Bastos (que interpreta Corisco, o braço direito de Lampião) encara a jovem -- e lindíssima -- Yoná Magalhães (que, em seu primeiro papel para o cinema, interpreta Maria, simulacro da mulher pobre brasileira). Em seguida, ao som de "Bachianas Brasileiras #5", de Heitor Villa-Lobos, os dois se beijam, como que para romper a tensão instaurada após o violento encontro, registrado um pouco antes.

A dupla gira para um lado, e Glauber faz a câmera girar para o outro. A composição da cena acaba provocando uma sensação de êxtase, especialmente para aqueles que assistem o filme inteiro.

Obra prima.

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Por que isso em plena terça-feira, se o Blog costuma tratar de hard news durante a semana?

Porque boa Arte nunca é demais.

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Uma honra

Receber, por e-mail, o elogio de renomado economista brasileiro, que vive no exterior, parabenizando pela entrevista que fiz com Joseph Nye, publicada na sexta-feira no Valor, é uma honra e tanto.

Pediu discrição, então fico por aqui. Mas não podia não extravasar.

Obrigado.

Que Kassab que nada...

...bom é Marconi Perillo (PSDB), governador de Goiás.



Cá em Sampa, onde Gilberto Kassab (DEM até outro dia, agora fundador do PSD) é prefeito, muito se falou, na semana passada, do convite feito ao pernambucano Marco Maciel (DEM) e ao carioca Raul Jungmann (PPS) para ocuparem cargos nos conselhos de companhias como CET (Companhia de Engenharia de Tráfico). Maciel, por pressão da mídia, depois recusou. Jungmann aceitou a boquinha.

Quer dizer, a cidade de São Paulo tem seu tráfego de veículos -- que todos sabem que é terrivelmente intenso -- muito bem visto: o prefeito sai convidando políticos de outros Estados, que perderam eleições em 2010 (ou seja, estão sem cargo), para participarem do conselho de estatais.

Mas eu gosto mesmo é do Marconi Perillo.

Na moita, convidou José Carlos Aleluia (DEM) e Heráclito Fortes (DEM) para ocuparem cargos nos conselhos de estatais goianas de saneamento e distribuição de água.

Bom, né?

Aleluia, que é baiano, e Fortes, que é piauiense, foram convidados -- e aceitaram! -- para ocuparem cargos estratégicos.... em Goiás.

Repito: bom, né?

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Na foto, de Fábio Lima, do jornal O Hoje, o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, à esqueda, escuta o governador de Goiás, Marconi Perillo, durante visita à Goiânia, em 26 de março deste ano.

domingo, 22 de maio de 2011

Domingo

É simplesmente irritante pensar que se poderia estar em outro lugar qualquer. Aqui estamos agora.


John Cage, compositor norte-americano.

sexta-feira, 20 de maio de 2011

O futuro do poder

Olha, posso colocar no currículo: entrevistei Joseph Nye.

Depois de Paul Krugman e Martin Wolf, agora praticamente fechei o grupo de grandes intelectuais do nosso tempo. Nye foi o cara que criou o termo "neoliberalismo", em 1977, e que em 2004 criou os termos "soft power" ("poder suave") e "hard power", que definiam a forma de atuação dos países no xadrez mundial.

As nações têm "soft power", que é o poder que emana da cultura e dos costumes, e o "hard power", que é aquele que vêm do poderio econômico e da força militar. Os EUA, com Hollywood e soldados, McDonald's e Apple, dominaram o "soft power" do século XX.

Quer saber o futuro do poder?

Minha conversa com Joseph Nye tenta desvendar isso, em quatro páginas do caderno cultural "Eu&FimdeSemana", do Valor, publicado hoje.

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Aliás, ladies and gentlemen, hoje no site do jornal os últimos dois vídeos que gravei nesta semana. O primeiro, com José Francisco de Lima Gonçalves, economista-chefe do Fator, elogiando a política fiscal, e o segundo, com Gustavo Loyola, sócio-diretor da Tendências Consultoria, criticando a inflação fora de controle.

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Blogueiro em vídeo

Imaginem este repórter-blogueiro em vídeo, conversando com dois dos melhores economistas brasileiros sobre o tamanho do Estado no Brasil, a política fiscal e o controle da inflação.

Hoje, no site do Valor, o primeiro dos três vídeos que gravei com Gustavo Loyola, sócio-diretor da Tendências Consultoria e ex-presidente do Banco Central (1995-97), e José Francisco de Lima Gonçalves, economista-chefe do Banco Fator, ex-integrante da Secretaria do Tesouro Nacional (entre 1986 e 87) e ex-assessor econômico do Ministério da Fazenda (entre 1990 e 1991).

No vídeo de hoje fazemos um debate entre os dois. Amanhã publicaremos os últimos dois vídeos: um com Loyola e outro com Gonçalves.

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E claro, as entrevistas completas com os dois foram publicadas na edição de hoje do Valor.

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Como trabalhar nunca é demais, hoje também assino matéria com uma das melhores jornalistas do país: Marli Olmos. Fomos atrás do caso da Honda, que começa a demitir trabalhadores em sua planta em Campinas (SP). Segundo a empresa, a dificuldade para receber partes e peças da matriz no Japão é a razão por trás dessas demissões. Já de acordo com o Sindicato dos Metalúrgicos de Campinas, a empresa está aproveitando essa história para fazer uma ampla reestruturação na fábrica, para competir com a Hyundai, que disputa o mesmo segmento de modelos que a Honda, mas vem ganhando mercado muito rapidamente.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Sobre artes e jovens

O blogueiro não pode reclamar: os leitores que passam por aqui (média de 650 por dia) e aqueles que deixam comentários superam, em muito, o conteúdo aqui exposto.

O post de ontem, que partiu de Camille Paglia para uma reflexão sobre a falta de criatividade e anseio jovem nas artes, recebeu dois comentários de altíssimo nível. No primeiro, Victória Mantoan chama a atenção para algo certeiro: o analista, quando critica, também deixa de fazer a parte dele, que é o de participar e criar. Em seguida, Paulo da Luz Moreira trouxe uma série de exemplos que mostram que, diferente de uma visão pessimista -- a deste Blog -- há razões para sorrir.

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Por Victória Mantoan:

As artes, os jovens, o movimento estudantil, a esquerda, a política...


A situação tá generalizada, e eu nem sei dizer se a culpa é do jovem. Falta mobilização, mas também falta incentivo para a mobilização. Nossa geração é tomada pela apatia, mas ela não nasceu apática e muitas vezes os poucos suspiros de mudanças são sufocados pela lógica do "isso não dá certo", "Isso não dá dinheiro", "O mundo não é mais assim", "Não é assim que se vive" e quanto mais aprofundado o debate apenas se aprofundam as formas (ou se enfeitam) de se bloquear muitas mobilizações, ou deixá-las estagnadas em discussões mínimas, de onde elas não saem e não acontecem. É como uma criança que não acredita em sonhos. Ela nasceu sonhando até que alguém a convenceu de que aquilo jamais se tornaria realidade. Quem é o responsável por essa criança se tornar um adulto sem esperanças? Há o comodismo de quem não se movimenta, mas também há o comodismo de quem já acordou para a realidade, mas se contenta em só criticar quem ainda está dormindo. Eu ainda não tenho certeza de qual dos dois é pior.

Adorei o texto, acho muito verdade tudo isso, mas também há uma outra perspectiva.

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Por Paulodaluzmoreira:

Discordo completamente. Passo uma lista rápida de gente fazendo arte de altíssima qualidade e relevância em 2011:


Literatura prosa: Daniel Sada, David Toscana, Lydia Davis.

Literatura poesia: Ricardo Aleixo, Mariana Botelho, Susan Stewart.

Artes plásticas: Gabriel Orozco, Damian Ortega, Rivane Neueschwander, Beatriz Milhazes.

Música: Lucinda Williams, Radiohead, Beirut, Sérgio Santos, Marina Machado.

Cinema: Adrián Caetano, Pablo Trapero, Lucrecia Martel, Karin Ainouz.

Quem anda dormindo no ponto são os meios de comunicação tradicionais, meu caro. Infelizmente as vozes mais interessantes não estão sendo ouvidas. De qualquer maneira, sabe quantas cópias de Macunaíma ou do primeiro livro de Drummond foram vendidas na sua primeira edição? 500. A imprensa no Brasil elegia Coelho Netto como seu príncipe das letras enquanto isso...

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O exemplo do Coelho Netto foi certeiro...

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Dois rápidos comentários:

1) a Victória é o grande talento da nova geração de jornalistas da PUC, alguém que os leitores cá do Blog ainda ouvirão muito.

2) o Paulo, sem saber, foi o gatilho para que eu me organizasse e resolvesse tocar o projeto de escrever um livro sobre o fim do século americano. Escrevi um post cá no Blog em outubro ou novembro do ano passado, quando a tese já estava clara na minha cabeça, e, na caixa de comentários, Paulo disse algo como "então trate de escrever esse livro logo, antes que alguém o faça". Segui o conselho do professor a risca.

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Aliás, preciso escrever um post sobre o andamento do meu livro. E outras novidades.

terça-feira, 17 de maio de 2011

A juventude e as artes em 2011

Por Camille Paglia:

Não estou contente com o que está acontecendo no mundo das artes. Jovens estão mergulhados na tecnologia e na internet, se comunicando por celular, no Facebook, no Twitter, o que tira muita energia criativa das artes, que estão numa séria crise. As artes não têm mais o tipo de cachê, prestígio, energia. Só a área de animação está indo muito bem. Eu me preocupo com essa geração que cresceu com os videogames. Eles veem o mundo em termos de ciberespaço. Não com o material concreto, pintura, escultura. Estou escrevendo há quatro anos esse livro sobre a história das artes visuais, para o público em geral, e me pergunto: onde estão os principais artistas?

Hoje não há mais nenhum artista importante no mundo. Em literatura também. Os jovens que cresceram nesse mundo da web, o tipo de imagem que vee na tela tem as mesma qualidade das imagens da história da arte, imagens a óleo. Hoje é a técnica do Photoshop, da arte digital. Nos impressionistas, como Monet ou Renoir, um bosque pode ter 30 tons diferentes de verde. Os jovens nunca viram isso. As sutilezas, as sombras das pinturas.

Os jovens estão numa tela de computador e não têm noção de como fazer uma boa composição. É tudo ligeiro e depois se usa o Photoshop. É perigoso politicamente. As fotos de Osama todo mundo pode dizer que foram modificadas pelo governo. Onde está a verdade, se tudo pode ser modificado digitalmente?

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Camille é ensaísta americana, que mesmo aos 64 anos mantém a mesma disposição para polêmicas que caracterizaram seu trabalho intelectual desde sempre. O trecho acima foi tirado da boa entrevista conduzida por Eleonora de Lucena, na Folha do último sábado. Camille está no Brasil e hoje participa do congresso de jornalismo cultural que a revista Cult promove anualmente.

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Ao todo, 56 mil pessoas (jovens, em sua maioria) confirmaram presença, pelo Facebook, no "churrascão" que seria promovido no sábado, em São Paulo, em frente ao Shopping Higienópolis, como protesto contra a Associação de Moradores do bairro, que, por elitismo, enviou pedido ao governo de São Paulo para que este não construísse uma estação do Metrô no bairro.

Ao todo, a polícia paulista contou cerca de 600 manifestantes. Repito: mais de 56 mil confirmaram pelo Facebook.

Onde estão estes jovens?

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Nas últimas semanas, assisti Paulinho da Viola, Jazz Sinfônica e Fabiana Cozza interpretando Edith Piaf, Projeto Villa-Lobos em Jazz, e hoje assistirei os americanos do Mötley Crüe. Todos artistas do passado, que falavam fundo aos jovens de seu tempo, e hoje, vinte, trinta, quarenta ou cinquenta anos depois continuam se apresentando (caso do Paulinho e do Mötley) ou tendo suas composições interpretadas por saudosistas (Edith Piaf e Heitor Villa-Lobos).

Onde os estão os artistas do presente?

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Sou fascinado por cinema. À exceção do meu irmão, Luis Villaverde, acho que poucos aguentariam conversar comigo sobre o assunto -- não porque sou chato, nem porque sei tudo, mas porque sou apaixonado pela coisa. Podemos falar do primeiro cinema, de Griffith e Mayer, do cinema soviético, de Renoir, Welles e Vigo, do impressionismo alemão ou surrealismo espanhol, do neo-realismo italiano (meu preferido!), do Cinema Novo brasileiro, da Nouvelle Vague, do cinema marginal brasileiro, do experimentalismo e video-arte, mas, seja como for, há um momento em que tudo acaba.

Há quanto tempo você não ouve falar de um diretor que rompe os paradigmas do estabelecido? Ou de um grupo de cineastas que defende um projeto e luta por algo? Por que os grandes cineastas da atualidade são, via de regra, aqueles que, como Godard e Alain Resnais, ainda estão vivos?

Onde estão os cineastas do presente?

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O problema, meus caros, não é a falta de ideias, entusiasmo ou a boçalidade que emana da juventude de nosso tempo, que é incapaz de entender o que motiva a política e a economia, no Brasil e no mundo.

Já havia levantado essa bola na última frase do Versão Brasileira, terminado em outubro de 2009.

O problema é a apatia.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

EUA e União Europeia: Sempre dá para piorar

Se você está com dor de cabeça, há algumas saídas para melhorar. A mais rápida delas é tomar um comprimido de dipirona. A mais natureba delas seria engolir alguns comprimidos de homeopatia e ir dormir, se puder. A mais imbecil é fechar a mão e dar um soco numa faca -- a mão dilacerada vai doer tanto que você vai esquecer a dor na cabeça.

É a mesma coisa na economia.

Com uma economia endividada, como a americana e europeia, há uma série de saídas. A mais rápida delas é o pagamento das dívidas por meio do crescimento econômico, impulsionado pelos gastos dos agentes (público e privado) em máquinas, equipamentos, contratações, salários maiores etc. A mais natureba delas seria aproveitar a crise para direcionar esforços (de capital e de trabalhadores) para a transformação da economia em algo mais sustentável, o que seria algo mais caro e demorado, mas com um final mais saudável. A mais imbecil delas é o corte de despesas públicas, o fim de programas sociais, e o aumento de impostos, que destruirão a economia, e aí as dívidas deixarão de ser o maior problema.

É justamente esta última opção a que está sendo escolhida por todo mundo.

Vários Estados americanos estão adotando essa política suicida, demitindo funcionários públicos, cortando benefícios, aumentando impostos e reduzindo gastos com investimentos e salários. O mais recente deles é o Estado de Connecticut, que na sexta-feira aprovou o projeto do governador Dannel Malloy, que reduzirá as despesas em US$ 1,6 bilhões pelos próximos dois anos, começando em junho. Não, eu não escrevi errado: Malloy vai gastar 1 bilhão e 600 milhões de dólares a menos justamente quando seu Estado mais precisa do dinheiro para sair da crise.

Para melhorar, o plano de Malloy -- que, repito, foi aprovado (inclusive pelos sindicatos de funcionários públicos) -- inclui um aumento recorde nos impostos.

Ou seja, as pessoas serão demitidas e terão que pagar mais impostos. Haverá menos emprego e os salários serão menores, mas, mesmo assim, a carga de impostos vai ser maior. Com mais impostos para pagar e menos dinheiro no bolso, a renda disponível para gastos com consumo -- que, surpresa, impulsionaria a economia -- será menor. Como o consumo será menor, as empresas terão menos disposição para investir -- já que, surpresa de novo, o consumo de seus produtos e serviços será menor -- além de mais impostos para pagar.

Vai resolver a sangria do orçamento, já que haverá mais dinheiro entrando no caixa do governo (via impostos mais altos) e menos despesas para pagar. Mas, até aí, a mão já estará toda aberta depois de socar com força uma faca afiada.

Gosto de ver que o mundo rico anda governado por gente de bom senso.

Parabéns, meus caros.

domingo, 15 de maio de 2011

Domingo

A criança que fui chora na estrada.
Deixei-a ali quando vim ser quem sou;
Mas hoje, vendo que o que sou é nada,
Quero ir buscar quem fui onde ficou.
Ah, como hei de encontrá-lo?
Quem errou
A vinda tem a regressão errada.
Já não sei de onde vim nem onde estou.
De o não saber, minha alma está parada.


Fernando Pessoa, poeta português.

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Fim de expediente



Elis Regina, "Atrás da Porta", belíssima composição de Chico Buarque.

quinta-feira, 12 de maio de 2011

União Europeia na berlinda

O economista Barry Eichengreen, da Universidade da California (EUA), trouxe uma ideia interessante para o debate sobre o futuro da Europa: um novo Plano Brady. Os argumentos de Eichengreen vão aqui, mas o blogueiro tem dois centavos para adicionar.

De fato, um Plano Brady seria uma saída inteligente e indolor para a crise europeia, mas acho que as condições ainda não estão propícias para ele. Um plano que passe por reestruturação das dívidas é um plano que, em outras palavras, deixa países credores, como Alemanha, com menos dinheiro do que poderiam ter, e países devedores, como Grécia, Portugal ou Espanha, com dívidas menos caras do que teriam.

A questão, por mais bobo que isso possa parecer, precisa amadurecer para ir à frente.

Quer dizer, hoje, a turma credora ainda acredita que os países que se deram mal tem mais é que arcar com o prejuízo mesmo, fazer reformas maldosas, pagar juros altos sobre empréstimos concedidos pelo FMI e pelo fundo europeu de ajuda monetária, enfim. Será preciso que as condições piorem mais para que os credores entendam que é melhor ter algo do que não ter nada.

Outra coisa. Um pouco de história.

O que é o Plano Brady? Foi um grande plano autorizado pelo governo americano entre 1993 e 1994 aos credores latino-americanos, que passaram toda a década de 1980 sangrando com dívidas externas.

Foi o Plano Brady que permitiu ao governo brasileiro implementar o Plano Real. Sem encargos altos para a dívida externa, toda reestruturada, além da boa vontade conquistada junto ao FMI e ao grupo de bancos privados norte-americanos, a equipe de economistas liderada por Fernando Henrique Cardoso, então ministro da Fazenda do presidente Itamar Franco, conseguiu colocar o plano heterodoxo de combate a inflação, por meio da remonetização da economia.

Além da habilidade da comitiva brasileira nos EUA -- que era chefiada por Pedro Malan -- ajudou o fato de que as condições econômicas estavam "maduras" para um Plano Brady.

Ainda no governo Sarney, em 1987, o então ministro da Fazenda, Luiz Carlos Bresser-Pereira, que substituíra Dilson Funaro, tentou emplacar a ideia de um plano ambicioso e coordenado pelo governo americano, de reestruturação das dívidas soberanas dos principais países latinos endividados: Brasil, México e Argentina.

Só que em 1987, a turma da bufunfa ainda estava com raiva, queria porque queria todo o dinheiro a que tinham direito, com juros altos e tudo. Foi preciso calotes atrás de calotes, e loucuras gerenciais -- lembrem-se, amigos, tivemos o Plano Collor.... -- para que amadurecesse a ideia de que era melhor ter um pouco do que não ter nada.

Aprovado entre 1993 e 1994, o Plano Brady foi bom para quem devia e ótimo para quem recebeu. E permitiu a ascenção econômica dos países latino-americanos a partir de então.

Se a União Europeia vai passar por um Plano Brady eu não sei. Mas sei que Eichengreen é um cara a ser ouvido. E sei que, para nós, o plano foi ótimo.

Como gostam de dizer alguns colegas da imprensa: "À conferir".

quarta-feira, 11 de maio de 2011

O problema da falta de mão de obra qualifica...

... não é só brasileiro: os americanos passam pela mesma situação.

Bela matéria do The Wall Street Journal, que o blogueiro aqui conseguiu achar em português.

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Há duas semanas, fiz grande levantamento sobre os recursos públicos em programas de qualificação da mão de obra no Brasil.

terça-feira, 10 de maio de 2011

Esporte nas escolas públicas

"A moça que há muitos anos trabalha lá em casa chama-se Tina, que é justamente o nome da minha ex-mulher. Quando nos divorciamos, amigos ligavam lá em casa e, quando Tina atendia e prontamente respondia com seu nome, os amigos ficavam exaltados: 'Nossa, que bom que vocês voltaram!'"

Quem conta essa é o craque Raí Oliveira, ex-jogador do São Paulo, do Paris Saint Germain e da seleção brasileira de futebol.

Almoçamos ontem, acompanhados de Denise Hills, superintendente de sustentabilidade do Itaú Unibanco, e Daniela Castro, coordenadora executiva do Atletas pela Cidadania, entidade presidida por Raí. Além do grande Claudio Belli, um dos craques da fotografia do Valor.

Eles anteciparam um projeto bem ambicioso, como conto em minha matéria de hoje no Valor: levar aulas de educação física à 80% das escolas públicas nas 12 cidades que sediarão jogos da Copa do Mundo (em 2014), e depois universalizar o ensino do esporte em todas as escolas públicas até 2022.

O projeto será apresentado hoje, às 19h, num coquetel no Museu do Futebol, no Estádio do Pacaembu, em São Paulo.

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Durante o almoço, comentei da iniciativa de Darcy Ribeiro, quando vice-governador do Rio de Janeiro (1983-1986) com os Ciep (Centros Integrados de Educação Pública), que davam às crianças ensino público de qualidade, uma vez que os professores tiveram seus salários aumentados, em construções lindas (um projeto de blocos pré-moldados, que custavam 30% menos que as edificações normais), e em tempo integral: as crianças entravam pela manhã e saiam no fim da tarde, tendo na escola café da manhã, almoço e lanche da tarde. Além disso, tinham aulas de educação física todos os dias.

O governo Moreira Franco, que sucedeu o de Leonel Brizola, a partir de 1987, fez o favor de destruir os Cieps.

O fim do Ciep não foi apenas o início da decadência do Rio de Janeiro, mas um símbolo do tratamento bisonho dado pelo setor público à educação.

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Moreira Franco, hoje, é o chefe da Secretaria de Assuntos Estratégicos, ligada à presidência da República, e ao qual o Ipea, órgão de excelência do pensamento estratégico nacional, é subordinado.

Foi escolhido pela presidente Dilma Rousseff, e pertence à cota do PMDB.

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Se o projeto do Atletas pela Cidadania vai ser capaz de mobilizar o setor público, eu não sei. Só sei que o projeto foi bem elaborado, e a Daniela Castro sabe o que está fazendo.

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Os conflitos em Jirau

O trecho a seguir é de Fábio Fujita, que viajou à Jirau, onde está sendo construída uma das duas usinas hidrelétricas do Rio Madeira, em Rondônia.

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A Usina de Jirau é a maior obra do Programa de Aceleração do Crescimento, o PAC do governo federal. Orçada em 12 bilhões de reais, até a explosão do conflito ela empregava 22 mil operários, dos quais metade morava no canteiro. Junto com a Usina de Santo Antônio, também em construção, ela forma o Complexo Hidrelétrico do Rio Madeira. Quando operarem em conjunto -- a de Jirau tem previsão de começar em março de 2012 --, as duas barragens deverão faturar 8,5 milhões de reais por dia.

Logo que a revolta chegou ao noticiário, a Camargo Corrêa -- construtora responsável pela obra e sócia do projeto --, que capitaneia o consórcio Energia Sustentável do Brasil, se apressou em dizer que não recebera nenhuma pauta de reivindicações. Altair Donizete Oliveira, vice-presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil de Rondônia, admitiu que, realmente, não enviara um documento formal. "Mas uma semana antes, pedimos pelo telefone que a empresa nos liberasse para formarmos uma comissão de trabalhadores e fazermos uma assembleia", disse ele. "Os trabalhadores estavam tensos." Segundo Oliveira, a Camargo Corrêa não autorizou nem a comissão nem a assembleia.

Vários trabalhadores me disseram que é comum os administradores não cumprirem o previamente acordado. A sensação generalizada é de que a empresa apostava que os operários não reclamariam os seus direitos -- fosse pela burocracia que deveriam enfrentar, pelo temor de perder o emprego ou pela dificuldade em apresentar provas que sustentassem o seu pleito.

Marcio Pedroza, ex-ajudante de manutenção, contou ter passado pela situação assim que foi contratado. Ele morava em Vilhena, no interior de Rondônia, trabalhava como auxiliar num shopping e recebia 555 reais de salário. Viu um cartaz que falava sobre vagas na usina, com salários de 800 reais. Foi a Jirau e se empregou. "Comecei a trabalhar e, quando fui ver no papel, estava 700 reais", contou. "Não corri atrás para reclamar porque eu precisava do emprego".

***

O trecho pertence a uma das mais brilhantes narrativas do jornalismo recente, a matéria: "Fogo na usina do desenvolvimento acelerado", publicada na edição número 56 da revista Piauí, lançada na semana passada.

Muito se escreveu sobre os abusos cometidos contra os 22 mil operários de Jirau. Mas ninguém escreveu nada tão brilhante como Fujita. Tem tudo do melhor jornalismo: o olho do repórter (ele visitou a obra), uma série de envolvidos falando, um texto que costura muito bem o apurado com relatos, e uma visão crítica do presente.

Fica, aqui, um grande abraço no Fujita, que não conheço, mas fez um belo trabalho.

domingo, 8 de maio de 2011

Domingo

Eu chorei, chorei demais
O que eu sofri por causa do amor,
ninguém sofreu.
Eu chorei, perdi a paz
Mas o que eu sei é que
Ninguém nunca teve mais
Mais do que eu.


Vinícius de Moraes e Baden Powell, respectivamente, nosso maior poeta popular e o maior violonista brasileiro. Composição de 1964.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Fim de expediente - Especial Mötley Crüe

Você dificilmente conhece o Mötley Crüe.

E, sinceramente, pode terminar o post pensando que era melhor não ter conhecido -- isso, é claro, se não largar o post no meio.

Falamos de um grupo formado em 1981 por quatro jovens -- entre 17 e 22 anos de idade -- de Los Angeles, California (EUA), que em dois meses conseguiu não só produzir o primeiro disco, como vender 20 mil cópias apenas no boca-a-boca -- sim, existia vida sem Facebook, MySpace e todos esses penduricalhos. Era um tempo em que as paradas de sucesso eram ocupadas por artistas britânicos -- Queen, Rod Stewart, Elton John -- e a economia americana atravessava seu período mais difícil desde os anos 30: era a falência do modelo keynesiano que vigorou de 1933 a 1981.

Ronald Reagan assumia um país em crise, com juros altos, e com um discurso que casava com Margareth Thatcher, que desde 1979 ocupava o poder no Reino Unido. Os jovens pertenciam à última geração do baby boom (os nascidos entre 1946 e 1964) e, pela primeira vez, tinham uma vida mais difícil que seus pais.

Tudo o que era interessante, naqueles primeiros anos da década de 1980, estava no cinema, em Hollywood, distrito de Los Angeles. Eram tempos de Star Wars, Escape From New York e Exterminador do Futuro. O mercado financeiro -- em Nova York e Chicago -- sofria os tempos de vagas magras do dinheiro que circulava, a indústria -- em Detroit -- sofria o baixo crescimento econômico, e o campo passava por seca.

Quem tinha seus 17 a 22 anos, queria ser músico, e via seu país bonito apenas nas salas de cinema, não tinha muito o que fazer senão juntar uns poucos trocados, comprar uma guitarra e tentar fazer algo de sua vida -- vivendo de bicos e torcendo para que as bandas e artistas do passado de sucesso, voltassem.

Naquele ano de 1981, dois grupos de quatro jovens cada nasceram -- e marcaram toda uma geração. Falamos de música e visual -- algo que os americanos sempre dominaram com maestria e, é claro, exportaram para o mundo inteiro.

É nos anos 1980 que os jovens rockeiros do mundo inteiro passam a se vestir e falar como seus ídolos de duas bandas: Metallica e Mötley Crüe.

Como disse, você certamente já ouviu falar no Metallica. Mas nunca ouviu falar no Mötley Crüe.

Se o leitor é daqueles que prefere números para depois entrar na onda, vai gostar de saber que o grupo norte-americano vendeu 85 milhões de discos (LPs e CDs) entre 1982 e 2010, no mundo inteiro, sendo quase 45 milhões só nos Estados Unidos. Pode gostar de saber que eles levaram o prêmio máximo da MTV americana em 1990, de melhor disco do ano, e que tiveram cinco discos entre os 10 mais vendidos dos EUA -- um número 1, em 1989, um número 2, em 1987, um número 4, em 1997 e um número 7, em 1994, e um número 9, em 1985.

O quarteto formado em Los Angeles em janeiro de 1981 é a representação máxima do estilo hard rock dos anos 80, que no Brasil teve no Guns 'n Roses o maior expoente. Guns 'n Roses que começou, em 1987, abrindo os shows do Mötley Crüe.

Três dos quatro integrantes já foram presos, um deles -- o vocalista Vince Neil -- em duas oportunidades, em 1984 e no ano passado, por dirigir alcoolizado. Na primeira vez, quando o grupo estava começando a estourar nos EUA, Neil foi o responsável pela morte de Nicholas "Razzle" Douglas, baixista do grupo Hanoi Rocks, que à época era mais famoso que o Mötley no circuito californiano. Saíram de uma festa e, em alta velocidade, Neil, que estava no volante, atingiu um Fusca -- sim, um Fusca -- na porta de um bar. Razzle morreu na hora, e os dois passageiros do Fusca tiveram de ser hospitalizados com traumatismo craniano.

O baterista Tommy Lee foi preso em março de 1998, depois de tentar agredir sua esposa, a playmate Pamela Anderson. As idas e vindas do casal, que incluíram inclusive o primeiro vídeo pornográfico envolvendo celebridades a ser vazado na internet (em 1997), terminaram por afastar Lee do grupo que ele criara com o baixista Nikki Sixx no começo de 1981.

O fim do grupo, em 2000, deu espaço para outras atividades. A autobiografia da banda, o livro The Dirt (2001), ficou 73 semanas na lista de mais vendidos do jornal The New York Times, e tem os direitos vendidos a Hollywood, que deve transformar a história em filme. Anos mais tarde, Sixx repetiu o feito, desta vez de maneira solo, ao lançar o livro The Heroin Diaries, que foi traduzido para o português, e, tal qual a autobiografia de seu grupo, esteve na lista de mais vendidos do NYT. Agora, Sixx acabou de lançar seu segundo livro, This is Gonna Hurt, de fotografia, que na semana de lançamento ficou em 4º na lista dos mais vendidos do NYT.

O guitarrista Mick Mars sofre de uma rara doença degenerativa nas vértebras da coluna. Em 2004, pouco antes do grupo retomar as atividades, Mars teve de passar por uma cirurgia que substituiu a junta de seu quadril por um quadril artificial.

Conheci o grupo em 1999, quando o catálogo foi relançado remasterizado. O segundo disco deles, Shout at the Devil, de 1984, foi um dos que mais ouvi em toda a minha vida, ao lado de Saudade do Brasil, de Elis, O Melhor de Luiz Gonzaga, e Chaos A.D., do Sepultura. Aliás, deu para ver que o Blog, que trata de tudo ao mesmo tempo, é uma extensão sem cortes da cabeça alucinada do blogueiro, que ouve de tudo um pouco.

O que mais me cativa no Mötley Crüe é o fato de nunca repetir fórmulas -- e isso não é clichê. Separei alguns vídeos que não só mostram a versatilidade, mas também todos aqueles símbolos dos anos 80.

***

Com Kickstart My Heart, de 1989, o visual que define o hard rock dos anos 80.



Com Home Sweet Home, composição de 1985, o grupo praticamente criou o estilo de composição que no Brasil passaria a ser chamada de "balada", que depois marcaria grupos como Poison, Bon Jovi e Guns 'n Roses, de composições melódicas e inserções de piano. A versão abaixo é a original, de 1985, sem clipe, apenas a música:



Os grandes clipes, como Don't Go Away Mad, Just Go Away, de 1990.




E, antes disso tudo, não dá para não rir com o visual e a temática "Glam", que o grupo também inaugurou, com Smokin' in the Boys Room, de 1985, que abriu as portas da MTV para os grupos de Glam.



No breve período sem o cantor Vince Neil, entre 1992 e 1996, o grupo gravou um belo disco, infelizmente ignorado, autodenominado, de 1994. Com John Corabi no vocal, um clipe é arrebatador: The Misunderstood.



Finalmente, o grupo em ativa hoje, com composição nova The Saints of Los Angeles, de 2008. Peguei a versão tocada ao vivo no programa "Late Show with David Letterman", em maio de 2008, com convidados ajudando Neil no refrão final.



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O Mötley Crüe vem ao Brasil pela primeira vez, neste mês, em 17 de maio.

Show único, em São Paulo.

Estarei lá.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Franca, a cidade em que o polo calçadista atrapalha o crescimento

O tradicional polo calçadista de Franca, no interior de São Paulo, viu sua produção cair 26% desde o auge, em 1986, até ano passado, mas a decadência dessa indústria não parou a cidade. Grandes empresas encolheram ou foram para o Nordeste, enquanto proliferaram pequenas fábricas, muitas abertas por trabalhadores do setor. Hoje, há duas vezes mais fabricantes de calçados e a população quase dobrou, mas há menos sapateiros e mais comerciantes.

Entre o centro da cidade — onde fica a primeira loja do Magazine Luiza — até o distrito industrial, que abriga o polo calçadista, quem visita Franca passa por três grandes supermercados: Carrefour, Makro e Walmart, todos inaugurados há menos de cinco anos. Além disso, o município conta com mais de cem pequenos fabricantes de lingeries. “O empresário pode reclamar do câmbio, dos tributos, dos chineses, mas o maior problema é falta de qualificação do próprio empresário”, diz José Carlos Brigagão, presidente do Sindifranca, que representa os fabricantes de calçados.

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Lembram-se de uma viagem que comentei tempos atrás cá no Blog?

Pois bem: eu estava em Franca (SP) checando a indústria calçadista de lá. Visitei quatro fábricas, conversei com o prefeito e o Sindifranca, entidade que representa o setor calçadista.

Foi um périplo e tanto. Viajei com o fotógrafo Luis Ushirobira. Fomos pela TAM, primeiro voo, até Ribeirão Preto. De lá, estrada até Franca, com carro alugado em Ribeirão. Depois, na volta a Ribeirão, o voo seria da Azul. O avião sequer tinha deixado São Paulo, porque, segundo a companhia, estava em manutenção. Fretaram um ônibus aos passageiros, e fizemos a viagem até o aeroporto de Viracopos (Campinas), onde pousaria o avião, de ônibus. De lá, o Marcão, um dos motoristas do Valor, nos levou até SP.

Com a carga de trabalho deste blogueiro-repórter, só consegui parar para escrever a matéria especial recentemente.

O Valor publica hoje minha radiografia do pólo calçadista de Franca. As fotos do Ushirobira, de linhas de corte e montagem dos calçados, valem mais a pena que meu texto.

Para ler, clique aqui. Fui avisado por um leitor que a matéria também pode ser lida aqui.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

A volta de Delúbio

A oposição ao governo federal está tão fraca que o PT reintegrou a seus quadros, no fim de semana, Delúbio Soares, ex-tesoureiro do partido, e ninguém disse nada. Pior: até disse, mas alguém ouviu ou deu a mínima?



Você entende que o país vive hoje tempos de hegemonia de uma ideia quando grupos da antiga oposição criam um partido -- o PSD -- apenas para poder aderir e não perder a boquinha, e aqueles que ficam, estão com um discurso tão caduco que ninguém mais dá a mínima. Ou alguém perde mais um de trinta segundos prestando atenção no que dizem os Maia do DEM ou mesmo Roberto Freire do PPS?

É claro que não.

A bola da oposição está toda com o PSDB -- que, diga-se, está rachado: o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, ex-candidato à Presidência (em 2006) compõe com Aécio Neves, senador por Minas Gerais e grande nome do futuro do partido, contra uma ala, igualmente poderosa, do senador mais votado de São Paulo, Aloysio Nunes Ferreira e José Serra, ex-ministro e ex-candidato à Presidência (em 2002 e 2010).

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Não há nada mais importante em uma democracia política do que partidos fortes. Um partido de situação e outro de oposição, com eventualmente um terceiro ou quarto para compor de lado a lado, seria o melhor dos mundos. Mas o que temos no Brasil? Quase 40 partidos, sendo que a maior parte das pessoas conhecem dois ou três (PT, PSDB e PMDB) e mesmo estes parecem pertencer à uma salada de ideias.

E no meio de tudo isso ainda me surge um PSD: partido que une de tudo um pouco, que adere, ao mesmo tempo, ao governo federal e à todos os governos regionais, sem ser de direita, de esquerda ou de centro.
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E sim, Delúbio Soares, o homem que administrava o dinheiro que entrava sem ser declarado no PT -- o caixa 2 -- e, com ele, segundo a própria procuradoria-geral da União, disparava para políticos no Congresso, está reintegrado ao PT. Não que isso, também, seja grande coisa. Roberto Jefferson, que desbaratou todo o jogo que depois ganharia o nome de "mensalão", não só era um dos que recebia, como era o presidente do principal partido desse modelo, o PTB. E Bob Jeff está aonda, hoje? Na presidência do PTB.

Que as cadeiras rodam, mas não mudam, todos sabemos. Mas a letargia com que as coisas acontecem sem sair do lugar, no Brasil, ainda me surpreende.

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Que seja feito o registro: as correntes "Mensagem ao Partido", de Tarso Genro, e "Articulação de Esquerda", de Valter Pomar, dentro do PT, se opuseram à reintegração de Delúbio.

Tarso Genro, aliás, que está fazendo uma bela arrumação de casa no Rio Grande do Sul, depois da desastrosa (para dizer o mínimo) administração de Yeda Crusius, um dos quadros mais fracos do PSDB.

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A IstoÉ fez um ótimo perfil de Delúbio na edição do último fim de semana. Se ainda estiver nas bancas, vale a pena.

terça-feira, 3 de maio de 2011

Os EUA pós-Bin Laden

A operação que assassinou Bin Laden é a primeira grande notícia positiva à imagem dos Estados Unidos na década. Sim, desde que a Flórida fraudou a contagem de votos nas eleições de 2000, que acabaram fazendo do republicano George W. Bush presidente do país, passando pelo 11 de setembro de 2001, as guerras no Afeganistão (2002) e no Iraque (2003), a fraca reação ao furacão Katrina (2005), a admissão de que a guerra no Iraque fora um erro (2006), o início da crise (2007), a explosão da crise mundial (2008), a Grande Recessão (2009), as descobertas via WikiLeaks (2010) e chegando nas revoluções árabes (2011), a morte de Bin Laden é a primeira notícia que mexe com corações e mentes do mundo.

Ou vai dizer que você não sorriu quando soube que Bin Laden, o homem responsável pelo assassinato de 2.985 pessoas em um atentado terrorista, e líder de um grupo completamente alucinado (Al Qaeda), foi assassinado?

Pois bem.

O feito americano, ainda que a custa de muitas vidas -- as milhares de mortes de soldados e civis no Afeganistão, desde o início de 2002, à procura de Bin Laden -- e muito dinheiro torrado na indústria bélica e adjacências -- leiam o livraço Blackwater -- acaba por invocar uma lição que, antes de mais nada, é humana: não há cadeia ou reforma social para todos.

Para alguns de nós, como terroristas alucinados, apenas a violência vale. Diferente da guerra no Iraque, que foi e é uma inconsequência, a guerra no Afeganistão e a procura de Osama Bin Laden tem um por quê bem razoável -- ele foi o responsável pelo atentado terrorista ao World Trade Center. Podem falar o que for, mas é a máxima humana mais poderosa: aqui se faz, aqui se paga.

Além disso, o assassinato serve para demonstrar, a todos, que há um "vigilante" global.

Não, eu não gosto de pensar nos EUA como vigilante do meu quintal ou de qualquer outro, mas, pensando de uma perspectiva americana e usando termos gramscianos, a hegemonia dirigente americana, aquela que vai no campo das ideias e atinge corações e mentes, sai fortalecida desta operação.

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Aos leitores:

Vi pelos comentários críticas a visão endossando o assassinato de Bin Laden. É bom esclarecer: não endossei a morte de ninguém ou nada do tipo. Fiz uma análise sobre a perspectiva americana da coisa. Isto é, após os ataques ao World Trade Center, o governo ganhou legitimidade popular para atacar o Afeganistão a procura do líder da Al Qaeda -- Osama Bin Laden. Da mesma forma, de uma perspectiva americana, o assassinato de Bin Laden dá força aos americanos -- que, repito, sempre apoiaram a perseguição à Bin Laden.

À exceção daquele americano conservador arraigado, ligado a grupos extremistas como o Tea Party, o americano médio não apoia a guerra no Iraque e vê a invasão do Afeganistão com ceticismo, mas apoia entusiasticamente a morte de Bin Laden, como forma de vingança aos atentados em solo americano. Muitos intelectuais de peso na área de relações externas, como Michael Mandelbaum, são contrários a intervenções americanas em outros países, mas entendem que, no caso específico da Al Qaeda, a resposta seguiu os preceitos básicos de qualquer guerra humana: os terroristas liderados por Bin Laden entraram em solo americano e fizeram um atentado. Assim, seguindo a lógica das "guerras justas" (conceito que os franceses e britânicos adoravam, no século XVII), os americanos foram ao Afeganistão e, depois ao Paquistão, atrás do cara que lidera o grupo que fez -- e pode voltar a fazer -- ataques terroristas.

Posso, se quiserem, dar minha opinião nessa história toda. Mas em todo o post -- como na maior parte dos posts que fazem análises desse tipo -- o que fiz foi discutir o poder americano de uma perspectiva americana.

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Não percam o post do Leonardo Bernardes lá no Reinventando Santa Maria.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

O 1º de Maio das centrais, e o fim do imposto sindical

Autoridades públicas aproveitaram as comemorações do 1 de Maio, realizadas pelas centrais sindicais ontem em São Paulo, para criticar o imposto sindical. Com isso, o debate migrou do campo sindical para o terreno político. Na maior das comemorações de ontem, que uniu Força Sindical e outras quatro entidades em um show gratuito e sorteio de 20 automóveis para 1,7 milhão de pessoas, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), disse preferir um “imposto facultativo”, enquanto Gilberto Carvalho, secretário-geral da Presidência da República, afirmou ser contrário ao imposto. Mais tarde, na festa organizada pela Central Única dos Trabalhadores (CUT), que reuniu menos de 500 pessoas durante o ato político, o presidente da Câmara dos Deputados, Marco Maia (PT-RS), disse que vai trabalhar dentro da Casa para acelerar as discussões sobre o fim da contribuição.

No ano passado, o imposto sindical gerou mais de R$ 1 bilhão ao governo federal, sendo R$ 102 milhões repartidos entre as seis maiores centrais sindicais. A CUT, que sozinha abocanhou a maior fatia, R$ 31,9 milhões, é a única contrária ao repasse. O imposto sindical é cobrado compulsoriamente de todos os mais de 43 milhões de trabalhadores com carteira assinada e refere-se a um dia de trabalho por ano.
 
***
 
Este é o começo da reportagem assinada por este blogueiro e o amigo Luciano Máximo, na edição de hoje do Valor. Passamos o tenro domingão cobrindo as duas festas do feriado de 1º de maio, dia do trabalho, ontem, das centrais sindicais e contamos, com fotos do grande Daniel Wainstein, fotógrafo do jornal, o que vimos.


 
Para ler, clique aqui.

A morte de Osama Bin Laden


O anúncio do presidente Barack Obama.

Do Terra:

Bin Laden morreu com tiro na cabeça após resistir, dizem EUA

Autoridades dos Estados Unidos disseram que o fundador e líder da rede Al-Qaeda, Osama Bin Laden, foi morto com um tiro na cabeça após resistir à prisão, em uma operação conduzida por uma unidade de elite do Exército americano na cidade de Abbottabad, a 100 km de Islamabad, no Paquistão. A morte de Bin Laden acontece quase dez anos depois dos atentados de 11 de setembro, em que quase 3 mil pessoas morreram.



Segundo relatos do governo americano, Bin Laden foi morto em uma mansão cercada por muros de até 6 m de altura, que era oito vezes maior que outras casas na região e foi avaliada em "vários milhões de dólares", apesar de não ter telefone ou conexão de internet. A operação teria durado cerca de 40 minutos.

A mídia nos Estados Unidos noticiou que o corpo foi "enterrado no mar" para evitar que o túmulo de Osama Bin Laden fosse tratado como um local sagrado. Isso teria sido feito em menos de 24 horas depois da morte em respeito à prática islâmica.

O feito foi descrito pelo presidente Obama como "a conquista mais significativa até hoje nos esforços de nossa nação para derrotar a Al-Qaeda".

A notícia foi recebida com festa por uma multidão reunida do lado de fora da Casa Branca, em Washington, mas os Estados Unidos já colocaram suas embaixadas ao redor do mundo em estado de alerta, temendo represálias.


Pronunciamento


A morte de Osama Bin Laden foi confirmada pelo presidente americano, Barack Obama, em um pronunciamento exibido ao vivo pela televisão às 23h35 de domingo em Washington (0h35 de segunda-feira no Brasil). "Nesta noite, posso relatar ao povo americano e ao mundo que os Estados Unidos conduziram uma operação que matou Osama Bin Laden, o líder da Al-Qaeda, e um terrorista que é responsável pelo assassinato de milhares de homens, mulheres e crianças inocentes", disse o presidente americano. "Justiça foi feita", acrescentou Obama, ao anunciar a morte de Bin Laden no discurso transmitido da Casa Branca.

O líder da Al-Qaeda era acusado de comandar dezenas de atentados, incluindo as explosões em duas embaixadas americanas no Leste da África em 1998 e os ataques de 11 de setembro de 2001, que mataram cerca de 3 mil pessoas no World Trade Center, em Nova York, e no Pentágono, em Washington.


Bin Laden ocupava o primeiro lugar na lista de criminosos mais procurados pelos Estados Unidos, e as forças americanas tentavam capturá-lo desde antes de 2001.

Detalhes


Segundo Obama, a operação que matou Bin Laden não deixou nenhum americano ferido. Autoridades americanas dizem que três outros homens teriam sido mortos no ataque - um dos filhos de Bin Laden e dois de seus mensageiros. Uma mulher também teria sido morta após ser usada como "escudo" e outras duas mulheres teriam ficado feridas.


Um helicóptero usado na operação sofreu "problemas técnicos" e foi, depois, destruído e abandonado. A equipe deixou o local em um segundo helicóptero. Um morador da região, Nasir Khan, disse à agência Reuters que os helicópteros foram alvo de "fogo pesado" vindo de atiradores que estavam em terra.

O tamanho e a sofisticação do complexo residencial "chocou" as autoridades americanas. A mansão fica a menos de 1 km da Academia Militar do Paquistão, a principal base militar do país.


Inteligência


Segundo Obama, a operação que levou à morte de Bin Laden foi autorizada por ele na semana passada, após vários meses de coleta de informações de inteligência.


Autoridades americanas afirmaram que há quatro anos os serviços de inteligência identificaram um mensageiro de confiança de Bin Laden. Dois anos atrás, sua área de operação foi descoberta e, em agosto passado, a mansão de Abbottabad foi localizada, dando início à missão. "Na semana passada, eu decidi que tínhamos informações de inteligência suficientes para agir e autorizei uma operação para capturar Osama Bin Laden e trazê-lo à Justiça", afirmou o presidente Obama.

EUA "vigilantes"


"A morte de Bin Laden marca a realização mais significativa até hoje nos esforços de nossa nação para derrotar a Al-Qaeda", disse Obama. "No entanto, sua morte não marca o fim dos nossos esforços". Segundo o presidente americano, a Al-Qaeda deve continuar a tentar realizar novos ataques contra os Estados Unidos. "Precisamos continuar vigilantes, em casa e no exterior", acrescentou. Obama afirmou ainda que os Estados Unidos "não estão e nunca estarão em guerra contra o Islã", lembrando que Bin Laden não era um líder muçulmano, e sim um "assassino" de muçulmanos. "Na verdade, a Al-Qaeda massacrou inúmeros muçulmanos em muitos países, incluindo o nosso. Por isso, sua morte deve ser bem recebida por todos os que acreditam na paz e na dignidade humana", completou.

Morte de Osama bin Laden


Na noite de 1º de maio (madrugada do dia 2 no Brasil), o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, anunciou a morte do terrorista Osama bin Laden. Antes das forças americanas agirem, o líder dos EUA informou ao presidente do Paquistão, Asif Ali Zardari, que o terrorista havia sido localizado em mansão na cidade de Abbottabad, perto de Islamabad, capital do Paquistão. "Ligamos para o presidente paquistanês para deixar claro que não estávamos declarando guerra ao governo", informou Obama. "Os EUA não estão nem nunca estarão contra o Islã, mas contra a Al-Qaeda e seus líderes", afirmou. Segundo Obama, matar Osama bin Laden era prioridade do governo americano. "A justiça foi feita", disse. Mentor dos ataques de 11/9, Osama bin Laden era o terrorista mais procurado do mundo.


Com informações das agências internacionais.

Partidos no Brasil

Para o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), o Brasil tem partidos políticos demais. Alckmin disse isso, na sexta-feira, por oportunismo, é claro -- seu partido, o PSDB, está sendo esvaziado pelo recém-criado PSD, este, então, o rei do oportunismo.

Com ou sem oportunismo, Alckmin está coberto de razão.

O Brasil tem partidos demais, e ideologia de menos. O PSD é apenas a ponta do iceberg -- debaixo dele há uma infinidade de PR, PRB, PCO, PT do B (?!), enfim.

Se partidos como PT, PSDB e PMDB, os maiores, e outros como PDT e DEM, com muita história, parecem isolados da sociedade, o que falar dessa colcha enorme de retalhos?

Este Blog defende que a principal missão da reforma política (que, arrisco dizer, não sairá do papel) é encontrar uma forma de reduzir drasticamente o número de partidos. Só assim a política partidária voltará a fazer algum sentido para os brasileiros -- na realidade, de fazer sentido algum.

domingo, 1 de maio de 2011

Domingo

Prometo que, se você parar, meu amor, eu paro também.
Largue essa faca, vai.


J.V.
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