quinta-feira, 31 de março de 2011

Da ditadura

O golpe, em 31 de março de 1964, recebeu diversos elogios dos jornais e das rádios, a partir das edições do dia seguinte. No dia 02 de abril, com o então presidente legal João Goulart já longe do país, a edição de O Globo veio com o seguinte editorial:

Salvos da comunização que celeremente se preparava, os brasileiros devem agradecer aos bravos militares que os protegeram de seus inimigos.

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No mesmo dia, o extinto Tribuna da Imprensa, jornal tocado por Carlos Lacerda, veio com o seguinte editorial:

Escorraçado, amordaçado e acovardado, deixou o poder como imperativo de legítima vontade popular o Sr João Belchior Marques Goulart, infame líder dos comuno-carreiristas-negocistas-sindicalistas. Um dos maiores gatunos que a história brasileira já registrou, o Sr João Goulart passa outra vez à história, agora também como um dos grandes covardes que ela já conheceu.

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Hoje, há 47 anos, o Brasil levava um golpe.

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A ditadura instalada pelo golpe duraria 21 anos. No meio do caminho, ampliou o endividamento público do Estado, torturou e assassinou pessoas, calou dissidentes por meio da censura e do expurgo de intelectuais e fez da classe média brasileira, nos anos 70, uma das mais ignorantes do mundo: com uma escola pública antes de primeira e depois em frangalhos, a classe média chegou a apoiar o regime, uma vez que o país crescia para quem tinha estudo (coisa que 75% da população não tinha) e mantinha a ordem.

"Eram tempos mais seguros", diz o incauto, hoje, 26 anos depois do fim da ditadura? Eram. A mídia não podia apontar desvios de dinheiro e corrupção de políticos, bem como a criminalidade nas grandes cidades (então muito menores que hoje) não tinham a cobertura que hoje internet, rádio, televisão e revistas disseminadas dão. E quem discordava? Bom, estes eram perseguidos, torturados e assassinados.

Bom tempos aqueles, não?

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Mas esqueçamos a ditadura. A turminha que hoje, com 20 aninhos, povoa twitter e facebook não está interessada em discutir nosso passado recente. Sobre ele, melhor ouvir o que mamãe diz. O presente, o tão delicioso presente, tem de ser desfrutado nas baladas.

A ditadura militar nos legou uma elite desinteressada, pouco antenada, despolitizada e com preconceitos arraizados. Isso quem diz não é o blogueiro, mas Darcy Ribeiro, um dos primeiros brasileiros cassados pelo regime, logo em 02 de abril de 1964, mesmo dia em que os jornais de grande circulação publicavam editoriais como os que vimos acima.

Bons tempos aqueles.

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Nos tempos em que curiosidade era insubordinação.

quarta-feira, 30 de março de 2011

Interlúdio


Pin-up, retirado do blog da Pâmela Veríssimo.

O falecimento de José Alencar

A história do menino pobre de Garanhuns (PE), que virou líder sindical em São Bernardo do Campo (SP) e depois presidente da República você conhece. E a história de um dos 15 filhos de um casal rural, que nasceu na pequena Muriaé (MG) em 1931, virou um dos maiores líderes industriais do país e depois vice-presidente da República? O primeiro caso, de Luiz Inácio Lula da Silva, ainda está em aberto. O segundo, de José Alencar Gomes da Silva, acabou hoje.

Confira aqui o texto que escrevi para o Amálgama sobre o falecimento de José Alencar.

terça-feira, 29 de março de 2011

A arte da política

O governador do Estado americano de Michigan, Rick Snyder, precisava reduzir o número de parcelas do seguro-desemprego pago pelo governo de seu Estado aos moradores que perdem seus empregos. Snyder é republicano, foi eleito em 2010, e além de responder às suas bases, avalia que o jeito "correto" de reduzir o déficit orçamentário é cortando despesas sociais -- gastos com escolas, hospitais e, claro, com o seguro-desemprego.

Não vou comentar sobre o que esse tipo de política proporciona, porque não tenho tempo para isso, mas o leitor cá do Blog sabe que, em tempos de crise, o setor público deve, justamente, ampliar e não reduzir despesas sociais. Mas deixem os republicanos pensar o que quiserem.

O que achei curioso é que Snyder, para passar uma medida delicada e impopular, utilizou de toda a arte que só a política proporciona. Como ele fez?

Baixou uma medida extensa em que se compromete a manter o seguro-desemprego intacto para 2011, dizendo que entende a importância desse tipo de despesa, que o Estado está fazendo de tudo para manter o equilíbrio fiscal ao mesmo tempo que luta pelos interesses dos cidadãos. Daí, no último parágrafo, onde quase ninguém lê, coloca uma medida que reduz o seguro-desemprego das atuais 26 semanas para 20 semanas a partir de janeiro de 2012.

Voilá. Passou na assembleia estadual e já foi aprovado. E só agora que as pessoas viram o que Snyder fez. Ele fez tudo: escreveu, levou aos deputados, eles aprovaram, e pronto. Snyder pode ser acusado de espertalhão, irresponsável com os desempregados e insensível à políticas sociais, mas não de ter promovido uma lei ilegal.

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Como diria o mestre Bertold Brecht, "o problema daqueles que não gostam de política é que eles são governados por aqueles que gostam muito".

segunda-feira, 28 de março de 2011

A biografia de Sarney

Nos últimos dias, a imprensa tem falado muito da biografia que a jornalista Regina Echeverria escreveu de José Sarney, ex-presidente da República e atual presidente do Senado. Começou com uma matéria na Veja, há duas semanas, passou por resenhas na Folha e no Estadão, e culminou com uma extensa matéria n'O Globo ontem, assinada pelas repórteres Maria Lima e Diana Fernandes.



Se o leitor do Blog quiser ler apenas uma delas, fique com a de O Globo, que ficou ótima.

Sobre Sarney, personagem recorrente cá do Blog, lembro do último texto que escrevi, no início de fevereiro, que acabou gerando um debate enorme na caixa de comentários --> Por que José Sarney é o presidente do Senado e porque eu não apoio o "Fora, Sarney".

E há, é claro, o inesquecível curta que Glauber Rocha fez da posse de Sarney no governo do Maranhão, em janeiro de 1966.

Sem comentários

Isso aqui: Clube Militar celebra golpe com críticas à Comissão da Verdade.

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Não, eu vou fazer um comentário sim.

Era de se esperar que alguma coisa fedorenta fosse sair de um evento em que os convidados são os fulanos e sicranos descritos pela matéria da Folha.

Triste Brasil que precisa conviver com gente como essa. Tenho saudades de Darcy, Glauber, Elizeth, Vinícius, Rondon, Pedrosa, Clarice, Lúcio Costa, Cartola, Garrincha, Elis, Lima Barreto, Tom, Machado, Clara Nunes.

Hoje temos Constantino.

Triste, Brasil.

domingo, 27 de março de 2011

Domingo

Você não sabia? Deu no jornal:
pra resolver o problema social,
estão jogando os mendingos num canal.
E não são só pedintes os lançados
no rio da Guarda: idiotas, aleijados,
vagabundos, alcoólatras, drogados.
Se fazem isso com gente, os estúpidos,
com pernetas ou bípedes, sem escrúpulos,
o que não fariam com um quadrúpede?


Elizabeth Bishop, poeta americana.

sexta-feira, 25 de março de 2011

Fim de expediente


Metallica, "To live is to die" ("Viver é morrer"), 1988.

A composição é uma homenagem à Cliff Burton, baixista original do grupo que morreu em um acidente de ônibus, em 26 de setembro de 1986, quando o Metallica estava em turnê. As letras são as únicas que Burton deixou, anotadas em um caderno perdido -- e são lidas ao final da canção, que é instrumental.

Mesmo os leitores que não gostam muito de rock pesado, asseguro que ficarão tocados pela composição, que alterna violões, guitarras pesadas e solos melódicos.

Ela fala bem ao blogueiro. Embora seja uma composição de pesar, não se trata de um choro contido, mas de um choro violento.

É como se uma perda não pudesse passar impune.

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Depois de ouvir a versão original, vejam que maravilha o Youtube nos proporciona: uma pianista japonesa, aparentemente chamada Mika, passou a composição para seu instrumento.

O dominó continua

Lembram-se que em janeiro contei a crise financeira nos países europeus em forma de um efeito dominó, em que as peças (os países) iam tocando uma a uma?

Ontem, a peça de Portugal finalmente se moveu, e começa a cair hoje. Trata-se da maior peça em movimento até agora: as outras que caíram -- Grécia, que tocou na Irlanda, que tocou em Portugal -- eram sensivelmente menores. Agora, uma peça do tamanho de Portugal está em movimento, e a próxima no caminho é a Espanha.

A Espanha é uma peça gigante.

A crise em Portugal já um fato consumado. O primeiro-ministro largou o cargo, o Congresso votou contra as medidas de austeridade, o FMI e a Comissão de Finanças da União Europeia virão para socorro e os portugueses vão às ruas contra a intervenção estrangeira, que virá de qualquer jeito. A dúvida, agora, é se a União Europeia terá recursos para engolir mais um país quebrado. E se essa peça tocará a Espanha.

O efeito dominó continua.

quinta-feira, 24 de março de 2011

Sobre Rubens Paiva

Os leitores mais jovens devem conhecer o escritor Marcelo Rubens Paiva. Ele é filho de Rubens Paiva, um dos grandes homens da história do Brasil, que fora deputado federal no início dos anos 1960, cujos direitos políticos foram cassados após o golpe militar de 1964. O golpe e a cassação dos direitos nunca fizeram Rubens deixar suas convicções de lado. Ele não deixou o país e, ainda que de maneira mais contida, permaneceu do lado que considerava correto.

Rubens Paiva desapareceu em fevereiro de 1971 e nunca mais foi visto.

O jornalista Jason Tércio escreveu um livro sobre o caso: Segredo de Estado: o desaparecimento de Rubens Paiva.

Fiz uma resenha do livro lá no Amálgama, no meu primeiro texto de 2011 para o belíssimo coletivo comandado pelo Daniel Lopes.

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Pensando bem, ninguém deveria ir ao Amálgama para ler este blogueiro. Lá tem coisa muito melhores, como o texto da Camila Pavanelli sobre a burocracia em um cartório brasileiro.

quarta-feira, 23 de março de 2011

O trânsito em São Paulo

Vivo de um lado para o outro.

Como jornalista que curte um livro, mas ama mesmo é a rua, não passo dois dias seguidos sem ter um café, um almoço, uma entrevista ou um encontro com uma fonte. Como repórter em São Paulo, portanto, sou uma das pessoas que mais coleciona quilômetros rodados. Posso, então, dizer sem medo: esta cidade é um inferno na Terra.

O trânsito é simplesmente caótico e não há caminho que os motoristas do Valor ou a turma do táxi faça que não passe por uns 40 minutinhos de movimento lento. Lembro que quando fui, com Ivo Ribeiro, entrevistar Benjamin Steinbruch, presidente da CSN, no ano passado, a corrida foi de quatro horas. Foram duas horas para sair do jornal, na Barra Funda, e chegar na Vila Olímpia. E outras duas horas para voltar.

Tempos atrás, a Folha publicou uma das mais divertidas crônicas sobre o trânsito paulistano, do escritor Chico Mattoso. Reproduzo abaixo.

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Paulistano pode se orgulhar de viver numa época de ouro

Por Chico Mattoso

Existem momentos em que a História parece se coagular, como se os esforços e talentos de diversas gerações se concentrassem num só tempo e lugar. Exemplo: não deve ter havido melhor ocasião para se entrar num clube de jazz que nos anos 50 em Nova York. O que dizer da Rússia do fim do século 19, quando gênios da literatura brotavam feito capim? Pois bem: no que diz respeito à centenária arte do congestionamento, o paulistano pode se orgulhar de estar finalmente testemunhando uma época de ouro. Nós chegamos lá.

Vivemos um momento histórico, pelo qual seremos lembrados ao longo dos próximos milênios. Não à toa, nossas conquistas já nos dão certa empáfia. é comum que o paulistano, ao ver-se preso no engarrafamento de outra cidade, exiba um esgar petulante, como se dissesse: "Isso não é nada. Queria ver esses caras lá na Anhaia Melo, numa quinta-feira de noitinha". O fato de termos chegado tão alto na cadeia engarrafatória parece nos emprestar certa superioridade moral.

Vivemos a efervescência do novo, a arrogância de quem se sabe protagonista de uma revolução. A disseminação de aparelhos de DVD e videogames dentro dos veículos é só o primeiro indício de um processo inexorável de transformação social. Pessoas dormem dentro dos carros para não perder a vaga no estacionamento; rádios de trânsito prosperam mais que as musicais; na hora do recreio, crianças discorrem sobre as fragilidades do sistema de medição de quilometragem da CET; a fila tripla virou uma realidade. Se tudo isso não configurar uma revolução, o que mais configurará? Mas ainda há quem resista à marcha do futuro.

Outro dia um amigo propôs ao analista que passasse a acompanhá-lo de carro ao trabalho. O percurso dura mais ou menos uma hora, e ele pagaria o preço da sessão e o táxi da volta -sairia mais barato do que se locomover para o consultório na hora do rush, duas vezes por semana. O analista não topou. Insensibilidade histórica é isso aí.

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Agora levanto a bola aos urbanistas: tem saída?

terça-feira, 22 de março de 2011

De ditados populares e investidores

Um ditado muito popular na Inglaterra, no século XIX, era "não coloque todos os ovos dentro de uma mesma cesta". A ideia era avisar que nunca podemos depender de apenas uma alternativa, porque se algo ruim ocorrer, ficamos sem nada.

Daí Mark Twain vem e diz que a questão não estava em diversificar as cestas. Para Twain, o ditado deveria ser: "Pode colocar todos os ovos dentro de uma mesma cesta. MAS PRESTE ATENÇÃO NA CESTA".

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Lembrei desta brincadeira em torno de ditados populares depois de conversar com um economista-chefe de um grande banco americano. Segundo ele, os investidores ficam mais preocupados em diversificar suas apostas, quando deveriam se preocupar mais com as apostas que fazem. Assim, raciocina ele, muitos riscos seriam verdadeiramente dirimidos.

segunda-feira, 21 de março de 2011

Craque botafoguense na TV

O canal Bandsports, de tevê paga, transmite todas as segundas-feiras, às 21h, um programa chamado Propaganda Futebol Clube. Lá, o âncora Mauro Betting recebe publicitários que são torcedores fanáticos para uma conversa. Confesso não ter assistido o programa, porque o horário de jornalista (principalmente de jornalista workaholic) não me dá chance para isso.

Mas hoje não vou perder.

O pai do blogueiro, botafoguense e, nas horas vagas publicitário, estará lá para falar de sua paixão pelo Botafogo, o time mais charmoso do Brasil.

O dilema dos jornais

Este gráfico diz muito:




Trata-se da curva de financiamento do The Washington Post, um dos maiores jornais dos Estados Unidos -- foi de lá que Carl Bernstein e Bob Woodward derrubaram o presidente Richard Nixon, em 1974.

A linha de cima mostra as receitas oriundas de publicidade na versão impressa. A de baixo, mostra quantos dólares vêm da publicidade em seu site. De 2004 a 2010, enquanto as receitas do impresso despencam de US$ 170 milhões para US$ 82 milhões, a grana que entrou no online subiu bem menos: de US$ 17 milhões para US$ 36 milhões.

Ou seja, enquanto cada vez mais fica caro manter uma grande equipe de jornalistas para a versão impressa -- que perde leitores e anunciantes, num processo que se retro-alimenta --, a versão online, onde os leitores não param de chegar, não consegue se bancar com os anúncios que recebe.

Como ficará a mídia nesta década em que mais e mais pessoas farão a transição do jornal impresso para os sites de internet?

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A partir de segunda-feira, 28 de março, o The New York Times, que tem uma das melhores plataformas na internet, vai fechar seu conteúdo, num modelo misto. Hoje, qualquer matéria do jornal pode ser acessada e lida na íntegra. A partir da semana que vem, cada computador terá acesso à dez matérias livres por mês -- além disso, o site bloqueará o acesso. A ideia central é incentivar as assinaturas.

Conteúdo livre é algo ótimo, todos concordam. Mas como pagar o jornalista que gera o conteúdo se tudo é livre?

domingo, 20 de março de 2011

Domingo

O amor acaba. Numa esquina, por exemplo, num domingo de lua nova, depois de teatro e silêncio; acaba em cafés engordurados, diferentes dos parques de ouro onde começou a pulsar; de repente, ao meio do cigarro que ele atira de raiva contra um automóvel ou que ela esmaga no cinzeiro repleto, polvilhando de cinzas o escarlate das unhas; na acidez da aurora tropical, depois duma noite votada à alegria póstuma, que não veio; e acaba o amor no desenlace das mãos no cinema, como tentáculos saciados, e elas se movimentam no escuro como dois polvos de solidão; como se as mãos soubessem antes que o amor tinha acabado; na insônia dos braços luminosos do relógio; e acaba o amor nas sorveterias diante do colorido iceberg, entre frisos de alumínio e espelhos monótonos...


Paulo Mendes Campos, escritor brasileiro.

quinta-feira, 17 de março de 2011

A entrevista de Dilma

Todos deveriam ler a entrevista que a Claudia Safatle fez com a presidente Dilma Rousseff, publicada hoje no Valor. Trata-se da primeira entrevista de fôlego concedida pela presidente à um(a) jornalista desde que Dilma assumiu o posto mais importante do Brasil.

Para quem quiser apoiar, quem quiser criticar, quem quiser entender, para quem quiser ter qualquer opinião sobre Dilma e o Estado, neste começo de governo, é missão primordial ir direto a fonte, isto é, ver as ideias da presidente ditas pela própria presidente.

Está tudo lá.

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Lembre-se de uma lição crucial: para ter opinião, sobre qualquer coisa, é preciso entender. Para entender, é preciso estudar. Chegar na eleição e repetir a opinião do papai é fácil. Difícil é estudar e pesquisar por conta própria.

Este é o começo das eleições de 2014.

Por que o Japão deixou a década de 80 acabar

"De onde são essas peças, do Japão?"
"Sim, Doc"
"Nossa, Made in Japan... não é à toa que deu problema, tudo o que vem de lá é porcaria!"
"Imagina, Doc! Eles fazem os produtos mais avançados!"

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O diálogo acima faz parte do filme "De Volta para o Futuro", de 1985, e é travado entre os personagens Marty McFly (Michael J. Fox) e Doc Brown (Christopher Lloyd). McFly voltou, por engano, ao ano de 1955, onde encontrou Brown ainda rapaz. A máquina de viajar no tempo -- um automóvel Delorean -- se danifica durante a viagem de 1985, de onde McFly saíra, para 1955. Ele procura Brown, conta para ele que trinta anos à frente os dois se encontrariam e que a máquina do tempo funciona. Brown, entusiasmado com a perspectiva de que seus planos vão se concretizar no futuro, tenta resolver o problema de McFly, e, quando abre o carro para consertar, vê que a maior parte das peças são "Made in Japan".

O filme brinca com a mudança de perspectiva social. Em 1955, Doc Brown renega as peças japonesas, porque elas são "uma porcaria". Mas McFly, que veio de 1985, já vê os japoneses como o "lar da tecnologia", de onde saem os videogames, os computadores mais avançados, o Walk-man, partes e peças sofisticadas.

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Hoje, quando pensamos nessas peças e na tecnologia, pensamos na China. A China é hoje o Japão de 1955, isto é, invade o mundo com seus produtos manufaturados baratíssimos, mas com qualidade para lá de duvidosa. No entanto, tal qual os japoneses, os chineses vão ganhando mercado, ganhando escala, recebendo investimentos das multinacionais etc.

O Japão passou por isso. Invadiu o mundo com seus produtos baratíssimos e sem qualidade. Foi muito criticado por manter sua moeda desvalorizada e, por isso, incentivar as exportações. Mas, cresceu trinta anos assim. Passou a ser a segunda maior economia do mundo depois de ter seu território arrasado por duas bombas nucleares lançadas pela aeronáutica americana em agosto de 1945.

Era o país mais dinâmico do mundo na década de 1980. Todo mês saia um novo livro "explicando" o sucesso japonês e prevendo que em poucos anos o mundo deixaria de olhar para os Estados Unidos, e passaria a ser totalmente nipônico.

A União Soviética acabou, a União Europeia nasceu, e o mundo continuou olhando estritamente para os Estados Unidos, que nos anos 90, sob Bill Clinton, voltaram a ser o país mais dinâmico do mundo.

O que aconteceu com o Japão?

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Era justamente o ano de 1985 quando o então presidente dos EUA, Ronald Reagan, convocou os líderes do Japão e da Alemanha Ocidental para uma longa reunião no Hotel Plaza, em Nova York. O interesse de Reagan era claro e evidente: pressionar japoneses e alemães a valorizarem suas moedas, o iene e o marco, respectivamente, de forma a reduzir a invasão dos produtos manufaturados desses países nos EUA.

A indústria americana estava sofrendo, há décadas, com a competição com Alemanha e Japão. Os dois países foram os grandes derrotados da Segunda Guerra Mundial, tendo não apenas sua economia, mas todo o território arrasado pelas tropas soviéticas (Alemanha) e bombas nucleares americanas (Japão). Tiveram de recriar, literalmente, sua economia, e viraram seus esforços para a indústria.

Com uma moeda desvalorizada frente ao dólar, a partir dos anos 1970, quando o padrão-dólar se instaurou no sistema cambial global, as exportações de Japão e Alemanha eram super-incentivadas, invadindo economias bancadas pelo consumo das famílias -- caso, é claro, dos EUA, onde, além de tudo, a renda familiar sempre foi alta.

Pressionados pela indústria, que passou a demitir trabalhadores porque não conseguia competir com o Japão, os governantes americanos passaram a trabalhar pela valorização do iene. Richard Nixon não conseguiu. Gerald Ford não conseguiu. Jimmy Carter não conseguiu. Ronald Reagan, em seu primeiro mandato, não conseguiu.

Em 1985, Reagan iniciava seu segundo mandato e todos os holofotes estavam na sua luta pela valorização do iene. Depois de muito negociar, conseguiu levar japoneses e alemães à Nova York. Reagan foi ainda mais hábil: ao fim da reunião, todos acataram as demandas americanas.

O Acordo de Plaza, como ficou conhecido, foi a pedra fundamental para a decadência japonesa.

A partir de 1986, com a valorização contínua e crescente de sua moeda, a indústria japonesa passou a ter dificuldades para vender para fora, uma vez que seus produtos ficaram mais caros em dólar. Ao mesmo tempo, os consumidores japoneses passaram a ter importados mais baratos, uma vez que o efeito câmbio permitia que produtos americanos -- e especialmente multinacionais de todo tipo, do McDonald's à General Motors -- chegassem mais baratos.

Com o consumo interno estimulado, os preços começaram a subir. As ações das empresas, o mercado imobiliário, os títulos do governo, os preços de modo geral. Os consumidores japoneses, a tanto tempo sem gastar porque estavam ocupados trabalhando, de repente passaram a ter salários mais altos (o câmbio valorizado permite um ganho extra no poder de compra, que é o que vivemos hoje no Brasil) e também uma oferta maior.

O Japão continuou crescendo forte em 86, 87, 88, 89, mas cada vez mais puxado por seu mercado interno. Estava claro, já, uma forte formação de bolhas, especialmente no mercado acionário e nos preços das casas.

A bolha explodiu entre o fim de 1990 e o início de 1991.

Uma explosão de bolha, num primeiro momento, não assusta. Toda economia capitalista passa por isso, e uma economia focada em instrumentos financeiros, passa por muitas bolhas. Este foi o caso do Japão e, na mesma época, dos EUA, que viveram a crise dos "savings and loans". Os EUA, no entanto, se recuperaram. O Japão nunca.

Por que?

O que ocorreu com o Japão, a partir de 1991, já foi largamente estudado pelos economistas. Ninguém conseguiu chegar em um consenso, mas, se puder colocar minhas fichas em alguém, colocaria em Richard Koo, um brilhante economista do Nomura, o maior banco japonês. Para Koo, o que houve no Japão entre 1991 e 2006 foi uma longa recessão de balanço. Balanços das empresas, balanços do governo e balanços das famílias.

Todos estavam hiperendividados naquele fim dos anos 1980, e viram sua riqueza escorrer pelo ralo rapidamente, no início dos anos 1990. Para uma sociedade austera, tranquila e muito preocupada com coesão familiar e anti-excessos, como a japonesa, aquela experiência foi marcante. Tal qual os excessos cometidos pelos militares alucinados que comandaram o país nas décadas de 1920 e 1930 até 1945, que provocaram atrocidades na China e levaram o país à Segunda Guerra Mundial, de onde saíram com duas bombas atômicas lançadas sobre seu território, os excessos dos anos 1980 nunca mais seriam repetidos.

Os japoneses aprenderam, diz Koo, que dívida é ruim e que tudo que cresce muito rápido explode.

Assim, as empresas passaram a guardar dinheiro para pagar suas dívidas. As famílias passaram a gastar menos para poderem guardar seus rendimentos para a aposentadoria. E o governo passou a usar suas receitas para manter seu orçamento equilibrado. Ao mesmo tempo, a sociedade envelheceu rapidamente. Hoje, o Japão é o país que envelhece mais rapidamente no mundo. Assim, são menos jovens que ingressam no mercado de trabalho, gerando uma economia menos dinâmica. Da mesma forma, as obrigações do governo com os aposentados só aumentam.

Finalmente, quando a economia parecia despontar para um retorno ao crescimento, a partir de 2006 e 2007, estourou a crise econômica nos EUA, que atingiu os japoneses em cheio: o PIB japonês caiu 10% entre 2008 e 2009, a maior queda do mundo.

Seus bancos, pouco entusiasmados com a economia interna, entraram de cabeça nas jogatinas e instrumentos financeiros desenvolvidos pelos financistas americanos. Quando os EUA quebraram, levaram o Japão junto.

A economia estava se recuperando, vagarosamente, quando um terremoto de 8,9 graus na escala Richter, o mais forte já marcado na história do Japão, atingiu a região nordeste do país, na última sexta-feira. Os estragos -- mais de 3 mil mortos e uma destruição equivalente a 3% do PIB, segundo o Credit Suisse -- não serão facilmente revertidos, embora, é claro, uma hora serão.

A sina dos japoneses é a maior nuvem negra que paira a economia mundial.

quarta-feira, 16 de março de 2011

Interlúdio



John Singer Sargent, "Japonesa no toilet", 1889.

terça-feira, 15 de março de 2011

Sobre o Japão e o mercado financeiro

A Bolsa de Tóquio caiu hoje 10,3%. Já tinha caído outros tantos ontem. Como reflexo disso, as bolsas de valores no mundo inteiro estão em queda -- na Bovespa, enquanto escrevo, a queda é de 2,3%.

O que está ocorrendo?

Como o Japão é um país muito endividado, como já vimos aqui no sábado, os investidores estão fugindo das ações de empresas japonesas, acreditando que os estragos causados pelo terremoto e pela tsunami demorarão para serem revertidos. Consequentemente, o efeito manada ocorre no mundo inteiro: todo mundo sai correndo dos mercados de risco, como ações e especialmente ações de países emergentes, e vão para ativos considerados "seguros", como ouro e, claro, dólar. Assim, os títulos públicos do governo americano, que não pagam nada (por política do Fed para reanimar a economia dos EUA), estão sendo muito procurados.

Agora, eu pergunto:

Os modelos econométricos da turma do mercado não apontavam uma tsunami, apontavam?

Dá, então, para levar a sério um economista que, depois de cálculos matemáticos e uma série de planilhas de Excel à frente dele, diz que o mercado está crescendo e a economia global vai se recuperar, em 2011?

Pensata

Quando o óleo de baleia começou a perder força, 150 anos atrás, por falta de baleias, ninguém ficou subsidiando a criação delas para manter o fornecimento de energia

De Richard Hoey, economista-chefe do BNY Mellon, o maior banco de custódia do mundo -- tem mais de US$ 25 trilhões em ativos, isso equivale a cinco vezes o Produto Interno Bruto (PIB) da China, o segundo maior do mundo.

Falei com Hoey tempos atrás, e a matéria foi publicada hoje, no Valor. Vale pensar em alternativas ao petróleo diante da disparada nos preços do barril do petróleo devido às turbulências na turma árabe, como Bahrein, Líbia e, agora, também a Arábia Saudita -- o barril fechou ontem a US$ 113,7.

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Se o mundo, de fato, migrar para um ou mais de um combustível alternativo, nos próximos dez a quinze anos, o que será do pré-sal?

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Hoje falo, por 1h15min, a turma de 20 trainees que o Valor está formando. Falarei sobre como descobrir e cultivar fontes.

segunda-feira, 14 de março de 2011

Os 20 anos do "sindicalismo de resultados"

Quando Lúcio Bellantani, então presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores Metalúrgicos (CNTM), convocou as eleições internas para Fortaleza (Ceará), a 3,1 mil km da sede da entidade, em São Paulo, Luiz Antônio de Medeiros não perdeu tempo: contraiu um empréstimo de R$ 100 mil junto ao Sindicato dos Comerciários de São Paulo, alugou um avião da TAM e colocou todos os seus eleitores nele. Resultado: Medeiros, que fundara a CNTM dez anos antes daquelas eleições, realizadas em julho de 1997, venceu com apenas dois votos de diferença para Bellantani, que fora colocado no cargo em 93 por Medeiros.

"Bellantani traiu todo mundo que acreditou nele, e convocou as eleições para Fortaleza, estava certo que iria ganhar e ninguém poderia fazer nada contra ele. Ele estava enganado", diz Medeiros à este blogueiro, durante um café na manhã da última sexta-feira, no quinto andar da Galeria Olido, centro de São Paulo, onde fica a Secretaria Municipal de Desenvolvimento e Trabalho, que Medeiros acaba de assumir, como secretário-adjunto, nomeado pelo prefeito Gilberto Kassab (DEM).

Medeiros foi militante do Partidão (o Partido Comunista Brasileiro, PCB), exilou-se no Chile de Allende durante a repressão de Médici e depois do golpe de Pinochet, em setembro de 1973, foi estudar em Moscou na Escola de Formação de Quadros Internacionais, mantido pela União Soviética para preparar entusiastas do comunismo para se tornarem militantes em partidos, sindicatos, escolas e igrejas mundo afora.

Voltou ao Brasil com a Anistia e começou a trabalhar, por curto período, em uma fábrica metalúrgica em São Paulo, capital. Ele, que é amazonense e mudou com a família para o Rio aos 17 anos, em 1964, nunca tinha vivido em SP. Pouco tempo depois, já estava sindicalizando e dando ordens no Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, comandado por Joaquinzão, quadro detestado por Lula e os sindicalistas dos Metalúrgicos do ABC e da CUT, recém-formada.

Medeiros venceu as eleições dos metalúrgicos paulistanos em 1987, com a bandeira do "sindicalismo de resultados", que se opunha ao "sindicalismo ideológico" praticado pela CUT e o PT. Logo virou xodó da mídia, aparecendo dia sim dia não na primeira página do Estadão, que então começava a cerrar fileiras para as eleições de 1989.

Em 1989, Medeiros apoiou Collor que retribuiu o apoio em agosto de 1990, já presidente da República, com uma visita ao hospital onde Medeiros estava internado tratando câncer. Medeiros recuperou-se e, seis meses depois de receber a visita do presidente, fundou a Força Sindical, em março de 1991.

A Força, que completa 20 anos neste mês, recebeu minhas atenções nos últimos dias. O resultado está publicado hoje, no Valor, na página Especial.

Medeiros foi de Collor à Kassab, tendo, no meio do caminho, trabalhado por quatro anos como Secretário de Relações do Trabalho no Ministério do Trabalho no segundo governo Lula. Sua central, a Força, nasceu defendendo Collor e apoiando as privatizações das estatais durante o governo Fernando Henrique Cardoso. Paulo Pereira da Silva, o Paulinho, que substituiu Medeiros na presidência da central a partir de 1999, apoiou Geraldo Alckmin (PSDB) nas eleições de 2006, mas desde 2007 é um ferrenho defensor de Lula, Dilma e do PT, partido que ele, diga-se, ajudou a fundar, em 1980, quando foi o primeiro presidente do PT em Franco da Rocha (SP).

Essas e outras histórias, no Valor de hoje.

domingo, 13 de março de 2011

Domingo

Há um tempo para partir, mesmo quando não há um lugar certo para ir.


Tennessee Williams, dramaturgo americano.

sábado, 12 de março de 2011

O tsunami no Japão

Um terremoto fortíssimo -- de 8,9 graus, em uma escala de 0 a 10 -- atingiu o Japão ontem. Por ser uma ilha, o terremoto "transbordou" para o mar, provocando uma gigantesca tsunami sobre o nordeste japonês. Foi o maior tremor já registrado no Japão, um país acostumado a tremores. Foi também um dos mais fortes registrados em mais de 100 anos.

A contagem mais recente fala em 300 mortos. Esse número deve crescer.



E a calamidade não terminou ontem: o terremoto e a tsunami ocorreram em dos países mais endividados do mundo, onde também o crescimento econômico é lento. Com uma dívida bruta de 217% do Produto Interno Bruto (PIB), e o país que envelhece mais rapidamente no mundo, a economia japonesa (pasmem) vai precisar de ajuda internacional para reconstruir as áreas devastadas ontem.

Este já foi o país mais dinâmico do mundo. Os anos 1980 acabaram há muito mais que 20 anos para os japoneses.

sexta-feira, 11 de março de 2011

Melhor filme do ano, já

Está em São Paulo e pretende ver um filme no fim de semana? Não deixe de ver Poesia, do diretor sul-coreano Lee Chang-Dong. Trata-se do melhor filme de 2011 (sim, ok, ele foi lançado em 2010, mas só chegou às salas brasileiras agora). Estamos no início de março e dificilmente algum filme baterá o belo trabalho de Lee.



A atuação de Jeong-hee Yoon, no papel da protagonista Mija, é soberba. Sofrendo de alzheimer, a pequena e velhinha Mija precisa continuar trabalhando como empregada de um rico senhor com dificuldades motoras para sustentar a pequena espelunca onde vive com o neto. O menino, totalmente desajustado na escola, é alvo de um grande problema em Seul: o suícidio de uma estudante de 14 anos.

Ganhador do prêmio de Melhor Roteiro no Festival de Cannes do ano passado, Poesia inova mesmo pela forma com que conta sua história, intercalando tomadas lentas das personagens em silêncio com imagens agitadas e barulhentas. Tal como os grandes italianos dos anos 50 e 60, Poesia também tem o grande mérito de "apresentar" Seul, a capital da Coreia do Sul. Havia uma percepção, décadas atrás, de que era impossível assistir Scola, Fellini ou De Sica e não querer ir à Roma. O mesmo consegue Lee.

quinta-feira, 10 de março de 2011

Produtividade, o caso da Volkswagen no ABC


Escrevendo, ontem cedo, sobre (a falta de) ganhos de produtividade nos Estados Unidos me fez lembrar das indústrias automobilísticas do ABC. A ideia ficou na cabeça, e fui conversar com gente do ramo. Os números são impressionantes mesmo.

Nos anos 1970 e início dos 80, as montadoras somavam mais de 450 mil metalúrgicos -- só a Volkswagen tinha 45 mil operários na sua planta em São Bernardo do Campo. A partir dos anos 1990, quando há a abertura da economia, as montadoras sofrem horrores com os importados, especialmente a partir de 1994, quando o câmbio valorizado e fixo do Plano Real fez explodir a importação de partes, peças e mesmo carros inteiros.

Novos concorrentes chegam no mercado, que passa, também, a ser mais sofisticado. Tudo exige das companhias não só pesados investimentos em maquinário de primeiro mundo, como também o corte de custos -- e aí a folha de pagamentos é central.

Hoje, a Volks emprega um pouco menos de 14 mil operários em São Bernardo, e produz quase o dobro de carros.´

A indústria automobilística brasileira, antes concentrada na região do ABC paulista e no norte fluminense, agora se ramificou: foi para outras cidades em São Paulo, como Campinas e São José dos Campos, e também para outras regiões do país, como Camaçari (BA), Catalão (GO), Jaraguá do Sul (SC) e Gravataí (RS). Mesmo o caso de Betim (MG), onde a Fiat colocou sua planta, no fim dos anos 1970, não é mais um ponto fora da curva.

As plantas são mais enxutas, e os trabalhadores não só são mais especializados, como ganham mais.

***
Mas quem anda sofrendo muito, nos últimos anos, é a indústria de auto-peças. Esse setor, que vive em torno das montadoras nas diversas regiões, tem sido atingido de frente pelos importados (porque é muito mais fácil e barato importar partes e peças do que automóveis). Até os anos 1990, não só os fabricantes de auto-peças inundavam o país, como exportavam também. Hoje, a exportação é praticamente zero, e muitos estão fechando as portas diante dos importados.

Trata-se de uma grande bandeira nos diferentes sindicatos -- de trabalhadores e patronais -- do setor. Mas a história só será vencida com uma política cambial mais ativa.

E não, isso não vai acontecer.

quarta-feira, 9 de março de 2011

O desemprego e a crise americana

A taxa de desemprego nos Estados Unidos caiu em fevereiro. Foi a primeira queda em muitos longos meses. Agora, o equivalente a 8,9% dos americanos com chance de trabalhar -- a população economicamente ativa -- está desempregada.

Boa notícia?

Sim, claro. Sempre que a atividade nos EUA melhora, um mercado importante para os produtos brasileiros se abre. Logo, de uma perspectiva nacional, a notícia é boa sim. De uma perspectiva americana, essa queda mostra que a recuperação está, de fato, acontecendo. Barack Obama pode, agora, apostar que suas chances de reeleição nas eleições de 2012 são maiores.

Mas a crise ainda é pesadíssima.

Sabem quanto foi a taxa média de desemprego nos EUA ao longo dos anos 1990 e da década de 2000, até a crise de 2008?

Algo como 4%. Sim, quatro. Ou seja, os 8,9% tão festejados, ainda são mais que o dobro do que o país estava acostumado. Mais que isso: ainda há muitos americanos que simplesmente desistiram de procurar emprego desde que explodiu a crise. Ou seja, estão fora da contagem. Ao menor sinal de melhora no mercado de trabalho -- algo que este 8,9% ainda não sinaliza com firmeza, frize-se -- essa turma vai voltar a procurar emprego. E a taxa, claro, voltará a subir -- ou cairá mais lentamente.

No Brasil, em janeiro, a taxa de desemprego foi de 6,1%. Estava em 5,3% em dezembro. Nossa taxa de desemprego ficará, ao longo de 2011, em torno de 5,5% e 6%. Isso quase caracteriza pleno emprego, e, para nossos padrões -- era 12,5% em 2002! -- estamos realmente vivendo uma fase de ouro no mercado de trabalho.

O que podemos tirar disso?

Que os americanos podem, e coloquem um grande "podem" aí, ter aproveitado a crise para melhorar a produtividade de suas empresas. Isto é, como o cobertor ficou curto, com a falência de bancos e as pessoas parando de consumir, as empresas tiveram de cortar pessoal e investir menos. Em outras palavras, tiveram de aprender a fazer o mesmo -- ou ainda mais -- com menos.

Se isso de fato aconteceu, a economia americana tende a melhorar a partir de 2013, quando a situação financeira dos bancos e do setor público estiver melhor.

Mas, como disse, esses ganhos de produtividade podem não ter acontecido. E aí, meus amigos, a situação é péssima.

Minha aposta?

Veremos uma economia mais dinâmica, em termos, a partir de 2013. Obama se reelegerá, no ano que vem, ainda que de forma apertada. Empresas ligadas à internet serão um caminho, mas não espere ver a indústria tradicional (carros, aço e energia) liderando a economia. O setor de energia, no entanto, pode ser uma grande vedete americana, a partir da próxima década, de 2020 em diante, quando os frutos dos grandes investimentos que estão sendo feitos poderão nascer -- carros movidos à hidrogênio, energia solar etc.

Mas a produtividade não cresceu tanto assim. Os bancos -- e o sistema financeiro como um todo -- continuam os mesmos. Isso quer dizer que uma nova crise financeira está no radar, em algum momento, no médio prazo. Não nos termos globais de 2008, porque ninguém mais vai ser besta de se meter nas ideias mirabolantes dos financistas americanos. Mas algo vai surgir.

Fiquem de olho na Bolsas. Especialmente a Bolsa de Valores de Chicago, onde são transacionados papeis e títulos de commodities, em contratos futuros.

***
Atualização, às 18h50min

Bela imagem capturada pelo The New York Times do prédio da Câmara do Comércio em Washington.

segunda-feira, 7 de março de 2011

Porque hoje é carnaval


Juan Miró, El Carnaval de Arlequín, 1925.

domingo, 6 de março de 2011

Quem me dera viver para ver

Você deveria pensar duas vezes.

Assim, numa frase curta, dita de supetão, enquanto já se ia embora, Carolina Zanatta, amiga dos tempos de adolescência, dava o assunto por encerrado.

Mas é claro que não estava.

Quando, logo na madrugada, nos falamos pela primeira vez daquilo, o assunto já estava colocado como tópico primordial -- seria o assunto do dia. Como é que aquele adolescente todo falastrão, que flertava com todas, o tempo inteiro, poderia se assentar em uma só? Não sabia. Só sabia que algo lhe dizia que era o que devia ser feito.

A festa, das primeiras em que a turma precisava se engravatar para acompanhar, anunciava os pares logo durante a semana. Havia os casais já definidos e estabelecidos, como Daniel e Luiza, que naqueles tempos mantinham o que parecia ser o relacionamento mais antigo desde Adão e Eva. Outros, menos históricos, eram formados em cima da hora, como que para curtir mais a festa.

Estes, o adolescente adorava. Mas, para aquela festa, algo lhe dizia que uma, em especial, não deveria ser de nenhum outro, mas dele apenas. Mas, feita esta afirmação para si mesmo, isso queria dizer que daquela festa poderia sair comprometido?

Esse era um temor capaz de deixar mesmo os mais destacados generais de guerra apavorados, pensava o adolescente.

"Você deveria arriscar. Depois, como todos sabem da sua fama, você inventa alguma história e segue sua vida. Convidar para te acompanhar na festa não significa que vocês vão casar", disse, no intervalo do recreio, a amiga Carolina.

E desde quando a Zanatta poderia dar esse tipo de conselho para alguém?

Da cabeça do adolescente não paravam de saltar exemplos em que Carolina, eternamente enamorada por um rapazinho do interior, vivia a perguntar a ele, o amigo, se deveria ligar para ele ou mesmo escrever uma carta. Logo ela, que pensava tanto em casar com o sujeito, viria dizer que é "fácil" deixar tudo de lado depois de um encontro?

É claro que não era. Nunca é.

Sempre que colocamos na cabeça que alguém é o predestinado da vez, pensar em planos subsequentes, como deixar a conquista de lado, é algo impossível. E este sentimento, o de definir um predestinado, teima em bater e rebater, sem que tenhamos estabelecido um ponto pacífico sobre seu surgimento. Só sabemos que surge.

Daí, feita a escolha, é preciso combinar com os russos. Será que o outro está pensando a mesma coisa? Será que não há um terceiro no caminho? Será que devo deixar minhas intenções mais evidentes? Será que um presente, dado assim sem muita antecipação, resultaria em sorrisos sinceros ou jogaria fora, por impulso, a grande chance?

Poucos têm respostas simples para isso.

"Você deveria pensar duas vezes", gritou a amiga, correndo pelas calçadas para não perder o ônibus que a levaria para sua casa.

Pensar duas vezes, como pensar duas vezes se pensar o adolescente já pensara trinta vezes? Era pós-graduado em pensar. Adorava pensar novas sacadas para dizer em voz alta, na classe, para fazer os outros rir, ou fazer constranger aquele mais sisudo. Pensava dias inteiros em artimanhas, jogadas no futebol e flertes nas meninas. Não era um problema de pensar. A grande questão estava em saber o que viria à frente.

Mas nunca sabemos.

Num front de batalha, as grandes vitórias não estão em aniquilar mais rápido o rival, ou mesmo em antecipar os pontos de ataque dos inimigos. A estratégia definitiva está em definir o ataque mais fulminante, e não necessariamente o mais rápido, antecipando todas as saídas e escapatórias dos inimigos. Isso vale também para a diplomacia, como ensinou Bismarck. Mais que entregar e discutir, a questão do grande homem público está em saber oferecer aquilo que o outro nem sequer sabia que queria, de forma a conquistar, de uma vez só, coração e mente. Tornar o inimigo um companheiro é a melhor forma de se precaver de ataques futuros -- aqueles que nenhuma estratégia consegue antecipar.

Vale se arriscar. Arriscar em tudo. Mas não é aquela impulsão que nos caracteriza na fase primária, mas aquela tomada de risco que nos deixa atentos, ciosos dos erros. Uma impulsão premeditada, quase como um grito antecipado. Há, é claro, do clichê de que mesmo quando erramos, acertamos. Não deixa de ser verdade, embora os clichês mais atrapalham do que ajudam a mente atribulada. Gostoso é fazer primeiro, é descobrir o que os outros nunca descobriram ou descobrirão. É saber que se alguém fizer igualzinho, nunca será igual aquela vez.

Porque não pode ser.

***

O adolescente, que tanto pensava, tomou suas chances. Fez o pedido e foi para aquela festa, marcada no meio do carnaval, confiante de que tinha feito a coisa certa.

Quando a amiga piscou, no meio dos samba-enredos que encerravam aquela noite, já não tinha mais volta. Tinha sido seu melhor carnaval em todos os tempos.

Domingo

Porque quem não pede perdão não é nunca perdoado.


Antônio Carlos Jobim em "Insensatez", de longe a mais linda canção de mestre Tom, numa rara composição sem um co-autor.

sexta-feira, 4 de março de 2011

Todos ouvem cantar canções


Rio de Janeiro, Carnaval de 1965, o primeiro depois de instaurado o regime militar por meio de golpe de Estado. Foto de Pedro de Moraes.

quinta-feira, 3 de março de 2011

Sobre o PIB de 2010

Como o leitor cá do Blog já sabe, o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro cresceu 7,5% em 2010, como foi divulgado pela manhã. Trata-se do maior crescimento em 24 anos -- sim, desde 1986 não crescíamos 7,5% num ano. O melhor resultado nesses últimos 24 anos foi o 6,1% de 2007, início do segundo governo de Luiz Inácio Lula da Silva, e o pior resultado foi o tombo de 2,5% de 1992, ano do impeachment de Fernando Collor.

O que o leitor do Blog talvez não saiba é que o crescimento de 2010 já nos deixou, em 2011, com um avanço de 1,1% do PIB.

Essa "herança estatística" no crescimento, que os economistas chamam de “carry-over”, representa o ritmo herdado do ano anterior. Isso quer dizer que se a economia registrar crescimento zero em todos os trimestres de 2011 na comparação anual, ainda assim o PIB deste ano registrará avanço de 1,1% - mesmo número observado em 2003, por exemplo.

Em 2009, quando a economia sofreu os impactos da crise mundial deflagrada no fim de 2008, o PIB registrou queda de 0,6%, mas legou à 2010 um “carry-over” de 3,6%. Assim, o último ano do governo de Luiz Inácio Lula da Silva já começou com um crescimento de 3,6% — superior à média de crescimento do PIB observada entre 1990 e 2004.

Por que, então, o PIB negativo de 2009 legou um “carry-over” excepcional para 2010, enquanto o expressivo avanço econômico do ano passado — o maior em 24 anos — deixa para 2011 apenas 1,1% de crescimento?

Isso ocorre porque o cálculo que o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) faz do PIB é resultado da comparação entre a média do crescimento de um ano e a média do crescimento do ano anterior. Como a média do crescimento de 2009 foi desigual — ritmo fraco no primeiro semestre, contagiado pela crise mundial, e muito acelerado no segundo —, os dados de 2010 começaram com um efeito estatístico poderoso, oriundo da comparação anual.

De forma inversa, o ritmo do ano passado perdeu força a partir do segundo semestre — basta ver que o menor avanço trimestral dos últimos dois anos foi justamente o verificado nos últimos três meses de 2010.

***

Agradeço a todos que comentaram aqui no Blog, no Twitter e também mandaram e-mails. Ainda não tive tempo -- com a divulgação do PIB hoje + trabalho normal -- para responder cada um, mas li todos com atenção. A força que vocês me passaram foi genial, e será toda canalizada para o livro.

Obrigado.

quarta-feira, 2 de março de 2011

O novo projeto do blogueiro

Quando, em 07 de fevereiro, anunciei uma pequena parada cá no Blog, disse, pela primeira vez, que estava tocando um novo projeto pessoal. Naquele dia, estava em San Francisco, California, Estados Unidos. Depois, fui à Los Angeles. Estava de férias do Valor, mas totalmente absorvido pelo novo projeto, que continuo tocando agora, já de volta ao expediente, e que entra na fase final.

Voltei ao Blog algumas vezes, mas de cabeça mesmo, o Blog voltou na segunda-feira, com a análise dos cortes promovidos pelo governo brasileiro no Orçamento de 2011. No fim daquele post disse que anunciaria o projeto ainda nesta semana.

É o que faço a seguir.

***

Onde você estava quando o Lehman Brothers, o quarto maior banco de investimentos dos Estados Unidos, faliu, em 15 de setembro de 2008?

Certamente, poucos hão de lembrar. É mais fácil lembrar onde você estava quando Ayrton Senna acertou seu Williams no muro, em 1º de maio de 1994, ou quando dois aviões atingiram o World Trade Center, em Nova York, no 11 de setembro de 2001. Eventos pessoais, como a conquista de campeonato do seu time, ou quando viu seu filme preferido pela primeira vez, o primeiro beijo, a primeira grande decepção amorosa, fazem parte de cada um.

No entanto, quem viveu o 15 de setembro de 2008 viveu um dia mais importante que todos estes somados.

Naquele dia, os Estados Unidos entraram numa gravíssima crise financeira, que saiu dos bancos e atingiu varejistas e montadoras, em outubro, viajou ao Japão, à Inglaterra, à Europa, Rússia, os países da Ásia e da América Latina. Em apenas três meses, no Natal de 2008, o mundo inteiro estava em crise -- só se falava em crise, as pessoas perdiam seus empregos, fábricas fechavam portas, governos antes tranquilos se viram às voltas com um turbilhão de mídia.

Ali acabava o século XX. Quando o governo americano deixou o Lehman Brothers falir, tendo diante de si a possibilidade de resgatá-lo, tal como fez com outros bancos, o tiro no pé se reverberou no mundo inteiro. Da noite para o dia, o déficit orçamentário americano bateu em US$ 1 trilhão e ninguém estava disposto a pagar. Mais que isso: o mundo estava em crise, e, pela primeira vez em quase 100 anos, a maior potência econômica do globo nada podia fazer.

O 15 de setembro marcou o fim da era americana.

Mas, como tudo que tem um fim, tem, necessariamente um começo, precisamos entender quando e onde começou a século XX, o século da era americana.

Para grandes historiadores, como Eric Hobsbawn e Giovanni Arrigui, o século XX tem início em 1914, quando o assassinato de Franz Ferdinand, arque-duque do Império Austro-Húngaro desencadeia o conflito entre Alemanha, França e Inglaterra, que passou a história como Primeira Guerra Mundial. Aquela carnificina gerou, entre outros, a Revolução Russa, em 1917, que desembocaria na União Soviética.

E o conflito ideológico entre capitalismo (Estados Unidos) e comunismo (URSS) definiria, segundo esses historiadores, o século XX. Assim, para Hobsbawn, o século XX acabou com o fim da União Soviética, em dezembro de 1991. Para Arrigui e Immanuel Wallerstein, o fim do século XX ocorreu pouco depois, em 11 de setembro de 2001, quando o poder americano é discutido pela primeira vez de maneira séria.

Como vimos, a era americana não acabou em 2001, por um simples motivo: os EUA continuaram ditando a agenda econômica e cultural do mundo depois daquilo. Seu poder militar, e portanto político, perdeu força com as guerras no Afeganistão e no Iraque, mas o presidente que enviou tropas para lá, George W. Bush, conseguiu se reeleger em 2004, então a oposição às guerras não era tão grande naquele momento. Mas seu poder ideológico, e portanto cultural e artístico, só decaiu com a decadência econômica provocada pela crise mundial, de setembro de 2008.

Bom, se a era americana acaba em 2008, com a crise americana, como pode começar em 1914, com uma guerra eminentemente europeia? A Primeira Guerra Mundial foi um conflito que envolveu Alemanha, Inglaterra, França, Império Otomano, Austro-Húngaro e Rússia. Os Estados Unidos entraram no final, em 1917 apenas, e para decidir o conflito à favor de franceses e ingleses. Quando aquilo ocorreu, os americanos já detinham o maior poder econômico mundial, mas todos ainda viam as coisas de uma perspectiva europeia.

A era americana começou um pouco antes, em 1908, quando a primeira manifestação cultural diretamente ligada ao século XX atinge seu primeiro ápice. O cinema, criado em 1894, na França, ganha nos EUA uma linguagem totalmente nova. Passamos a ver atores e atrizes, enredo envolvente, e histórias que tocam. Em 1908, o então ator fracassado David Wark Griffith assina um contrato com o primeiro estúdio de cinema, a Biograph, de Nova York. Pelos sete anos seguintes, Griffith gravaria 458 filmes. Ele foi o primeiro a contar histórias de gangsters, o primeiro a usar a ideia de grandes astros, o primeiro a filmar em Hollywood, em 1910, e o primeiro a fazer um longa-metragem, em 1913.

A era americana, de Mickey Mouse, Coca-Cola, Ford, Hollywood, rock stars, heróis de revistas em quadrinhos, John Kennedy e Ronald Reagan, começa com o cinema.

É essa a história que vou contar no meu novo projeto, o livro O Fim da Era Americana (1908-2008).

Trata-se de um livro de história cultural escrito por um jornalista econômico. Esperem por uma linguagem jornalística, com pesquisa bibliográfica aliada a reportagem (minha ida aos EUA), e uma série de personagens.

Nele, meu esforço maior. Ainda em fase final, aviso aqui quando estiver pronto.

terça-feira, 1 de março de 2011

Amanhã, meu novo projeto

Fiquem de olho. Amanhã conto aqui no Blog sobre meu novo projeto -- sim, aquele que vem sugando todas minhas energias desde o início do ano.

Se em janeiro e, agora, a partir de março, consigo dividir meu expediente no Valor, os posts no Blog e meu novo projeto, em fevereiro, fiquei totalmente absorvido pelo projeto. Ele me levou aos Estados Unidos e a uma pesquisa que impressionou até meus planos iniciais.

Fiquem de olho. É amanhã.
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