quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Itália vai quebrar

O governo italiano acabou de fazer uma nova oferta de títulos públicos, para rolar sua dívida, e viu os investidores cobrarem as mais altas taxas de juros pelos papeis em décadas: 7%. Uma taxa de juros de 7% ao ano por um título de um país fortemente endividado, como a Itália, é quase impagável.

Em 2011, sempre que um título público europeu ultrapassou a marca de juros de 7% ao ano, o país quebrou e precisou ser resgatado com recursos do Fundo Europeu de Estabilização Financeira.

Foi o que ocorreu com Grécia, Irlanda e Portugal.

Nem a notícia de que o premiê Silvio Berlusconi deixará o governo italiano tão logo tenha aprovado sua proposta de orçamento para 2012 serviu para acalmar o mercado. Quando os investidores entram em pânico, não há racionalidade que resolva. A situação econômica da Itália não é tão dramática quanto é a da Espanha por exemplo, e os italianos também estão muito longe de Grécia, Portugal e Irlanda.

Mas o mercado está em pânico e a Itália vai quebrar.

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Este gráfico interativo é interessantíssimo para quem gosta de exercícios econômicos> aqui. É possível testar o superávit primário que a Itália terá de fazer em 2012, dado uma previsão de crescimento do PIB, para reduzir sua dívida líquida como proporção do PIB tendo, ao mesmo tempo, que pagar juros de 7% ao ano.

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Se nada for feito rapidamente, assistiremos em 2012 um cenário trágico: as maiores e mais complexas economias da zona do euro entrarão no radar do mercado -- Espanha e, em seguida, França.

Se a União Europeia não atuar rapidamente na integração fiscal, como argumenta o economista Nouriel Roubini, os europeus provavelmente vão ver sua unidade monetária se desintegrar.

4 comentários:

Eduardo Valle disse...

União Fiscal??vc realmente acha isso tangível?? É mais fácil o Vasco ser campeão brasileiro...

Uma coisa engraçada...por mais que eu tenha estudado o processo de integração da UE mil vezes, nunca me ocorreu (e nunca vi ninguém escrever isso antes da crise)que realmente é impossível alguém praticar política fiscal e abdicar de praticar a política monetária e cambial. Ou faz os 2 ou não faz nenhum.

O que faz tanto sentido hoje, nunca foi aventado por ninguém (até prova em contrário) e como para arrecadar, você tem que escolher como gastar...seria a estadualização/provincialização dos países...(aliás uma coisa também que até hoje não entendo é a Commonwealth...como um país que não possui chefe de Estado próprio pode ter uma representação diplomática???).

Desnecessário dizer que é impossível. Acho inclusive que se fosse feito uma pesquisa, as opiniões favoráveis à transformação em Estado dos países seria maior na França do que na Alemanha...qual será o país mais xenófobo da zona do euro?

Dionísio disse...

Eduardo,

Nao acho que a uniao fiscal total eh necessaria para uma uniao monetaria. Mas sem ela, se faz necessaria uma grande preocupacao com a propria conducao da politica monetaria, de forma a nao gerar a inflacao na perfieria que houve nessa ultima decada. Tambem seria necessario mais consenso e mais estima de todos os paises com a moeda: se tivessem feito e gastado metade do que gastam agora ha 2 anos, nao estariamos vendo essa tragedia.

A macroeconomia era contornavel. A indiferenca nao.

Eduardo Valle disse...

Dionísio, os seus argumentos são contraditórios. Ao dizer que os governos deveriam ter gastado menos, isso é explicitamente, política fiscal na veia, seja com renúncia fiscal, seja com subsídios, etc... Acho impossível a coexistência de autonomia política sem o domínio dos instrumentos monetários e fiscais.

Inclusive, um enorme problema decorrente dessa autonomia fiscal é o impacto no mercado de trabalho. É conta básica de formação de preço: onde que o empresário pode ter vantagem comparativa, se a sua produtividade não aumenta e os outros fatores de produção não exatamente..."mutáveis"?? no baixo salário. Com países com produtividade alta como a Alemanha, vendendo na mesma moeda pra Portugal, Espanha, que não podem mexer no câmbio pra proteger seus mercados sobra o que?? aumentar alíquota, renúncia fiscal, subsídio e em último caso, medidas de salvaguarda comerciais (que evidentemente seria paradoxal imaginar ser aplicável intramercado comum).

Fim de jogo pra Europa (Infelizmente)

André disse...

Eduardo, e a conta para a competitividade dos países periféricos ainda se complica quando vemos que os salários na alemanha estão mais ou menos congelados. A produtividade cresce muito mais do que os salários. O que forçaria a periferia a cortar ainda mais os salários deles (a um grau politicamente incaceitavel eu diria).

Se persistir nesse caminho, ou a economia mata o euro ou a política o fará.

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