quinta-feira, 6 de outubro de 2011

O incentivo ao carro elétrico

O governo está avançado na modelagem de um novo regime automotivo. O objetivo principal das medidas que estão sendo analisadas no Ministério da Fazenda é incentivar os investimentos em inovação tecnológica na indústria automobilística de forma a ampliar a participação de veículos elétricos e híbridos no mercado brasileiro.

Brasília quer que a indústria instalada no país produza veículos elétricos. Para isso, o governo estuda zerar a alíquota de 25% do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) que incide sobre os veículos elétricos e híbridos. Também planeja tornar compulsório o selo de certificação do Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro), ainda de adesão voluntária e pouco conhecido pelos consumidores de automóveis, como condicionante para a participação de montadoras em licitações públicas.

Uma fonte do alto escalão do governo explicou ao Valor a motivação das medidas que constarão do novo regime: "Se o governo não criar um elemento que mude a conta das empresas, não vai acontecer. É preciso incentivar". A iniciativa de popularizar o "carro verde" segue uma tendência principalmente europeia.

O governo mantém, desde maio, conversas com representantes da indústria, filiados à Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), e também com dirigentes da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE). "Já conversamos com a indústria", diz uma fonte graduada, "algumas empresas estão mais à frente que outras, mas todas sabem que cedo ou tarde o futuro da indústria automobilística é o carro elétrico".

Há no governo divisões quanto ao forte incentivo a veículos híbridos e elétricos. Há aqueles que veem no etanol a principal "saída para o futuro" da indústria automobilística do país. Outro grupo entende que os veículos elétricos aumentarão muito a demanda por esse tipo de energia, exigindo esforços das usinas termelétricas, que são mais poluentes. Além disso, criticam a "lenta" evolução da bateria elétrica.

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Esta é manchete do Valor de terça-feira, assinada por este blogueiro. Fiquei embrenhado na apuração deste furo há algum tempo.

Divido com os leitores do Blog com uma razão específica, que é perguntar a vocês o que acham do carro elétrico.

Tenho comigo que é o futuro da indústria.

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A matéria foi a manchete do Valor na terça. No dia seguinte, quarta-feira (ontem), o colunista de Economia do Estadão, mestre Celso Ming, discutiu minha matéria... mas, infelizmente, não citou a fonte.

Seja como for, Ming defende que diante do potencial que a enorme camada de pré-sal, o governo deveria se preocupar mais com o petróleo que com o carro movido a eletricidade. "É necessário saber se, em vez de um pacote de incentivos ao carro elétrico, não seria melhor estimular a fabricação de novos motores a gasolina e diesel, mais eficientes e menos nocivos".

Trata-se de uma visão que olha para trás, não para frente. Os motores a gasolina e diesel são, sem sombra de dúvida, mais eficientes que aqueles movidos a eletricidade.

Por que?

Ué, porque os motores movidos a gasolina são desenvolvidos por indústrias do mundo todo desde 1870. É óbvio que com 140 anos de progressos o motor a gasolina e diesel sejam mais eficientes. Bom lembrar que a nata do desenvolvimento automobilístico -- a Fórmula 1 -- utiliza motores a combustão de gasolina.

Se a indústria passar a focar o carro elétrico, apenas os ganhos de escala iniciais já derrubarão os preços (hoje elevados) da bateria e aumentarão a eficiência.

O petróleo do pré-sal é, para o Brasil, a dádiva que pode virar tragédia. Se abrirmos mão do desenvolvimento de uma cadeia de veículos elétricos por causa do petróleo, ou de outros setores industriais, porque a exportação do pré-sal já banca nossa balança comercial, estaremos assinando nosso atestado de óbito.

Porque o petróleo acaba.

8 comentários:

Patrick disse...

Eu acho até que já fiz esse comentário aqui no seu blogue, mas repito: entendo que o petróleo tem inúmeras aplicações nobres para as quais é extremamente necessário e dificilmente substituível. Mas, dentre elas, não está o uso em transporte motorizado individual. O Ming "esqueceu" esse detalhe. Portanto, a exploração do Pré-Sal não perde nenhuma importância se reduzirmos significativamente o consumo de petróleo em automóveis.

Mas, observando a questão por outro lado, fico um tanto decepcionado com o governo. Porque eu acho que seria mais ecológico, mais barato e mais relevante investir (ou desonerar) numa malha de transporte público eficiente para nossas cidades, na forma que for mais interessante para cada caso (ônibus, trem de superfície, bonde, metrô, etc).

Luis Macedo disse...

O futuro é elétrico, a eficiência do motor é maior (~80% contra ~35% do motor a combustível), carro é menos barulhento (poluição sonora) e não emite gases poluentes.

Pode-se criticar que a matriz elétrica é poluente, então tanto faz pois a eletricidade virá da queima de petróleo na usina geradora de eletricidade, porém lembro que a queima na usina não se encontra nos grandes centros e suas emissões podem ser mais facilmente controladas, ou seja, o potencial nocivo a saúde humana diminui.

Com o carro elétrico a tendencia de alto percentual da matriz energética ser de fonte fóssil diminui, pois para o carro elétrico existe alternativa 100% verde, para o a combustão, não.

Mais um adendo é que o carro hibrido não precisa carregar na tomada, já é o motor a combustão mais eficiente que o Ming sugere.

Dionísio disse...

Discordo João,

O carro eletrico tem vários problemas, e, como o etanol dessa geração, resolve menos do que vale a pena.

O lítio, indispensável às baterias, é um recurso bem mais escasso que o petróleo, igualmente não renovável e com condições adversas geopolíticas de extração que fazem o petróleo parecer minério de ferro: as reservas quase todas estão na Bolívia e no Tibet. Além disso, simplesmente não há lítio o suficiente no mundo para atender uma frota crescente de automóveis.
(peak lithium)

O problema das emissões e da geração continua, agora sob um perigoso verniz verde. (só a pegada de carbono da fabricação de um carro elétrico é imensa)

Como já foi dito aqui, de longe a alternativa mais verde e eficiente (em redução de emissões/$) é o investimento em urbanização e transporte público eficiente. Na minha opinião, esse é o futuro, dando ao carro um papel cada vez mais secundário.

PS: o etanol é uma promessa igualmente desalentadora: a quantidade de terra arável necessária para abastecer a frota atual é quase um Brasil!

Anônimo disse...

João excelente ideia essa... Pena que uma andorinha só não faz verão...se o eua seguirem o mundo vai junto...não sei se vc chegou a checar mas a world wide foundation tem ideias bem inovadoras sobre isso bem como o zeitgeist moving foward...

Paulodaluzmoreira disse...

Concordo com muito do foi dito nos comentários e com a importância de priorizar um modelo de transporte público, mas acho que seria interessante investir mesmo assim na diversificação das opções de consumo. Para mim que vivo no exterior, é claro que a grande sacada do sistema brasileiro é justamente o motor flex, que deu ao sistema flexibilidade de escolha.

Beto Macedo disse...

Pra mim é novidade isso do Lítio. Se não tem lítio suficiente, a idéia é errada de início. Mas só tem o Lítio como elemento que pode compor as baterias? E hoje li uma experiência que fazem de aproveitamento de gasolina. Conseguiram rodar mais de 3 mil quilômetros com um litro. Mas aí ficam os poluentes etc.

Transporte público já. Metrô, principalmente.

Para as cidades, quem sabe carros urbanos menores, tipo do tamanho do Smart como padrão pra transporte individual? Sempre pensei nisso (e no meu pensamento livre eles são elétricos). Em São Paulo, onde estou morando há pouco, acho que 80% de carros são dirigidos por uma só pessoa. E não são só Corsas: tá cheio de Pajeros, Ecosports e mesmo Corollas. Pra um só? Olha quanto espaço desperdiçado, que atrapalha o trânsito.

São Paulo vai travar em 10 anos. O ar é horrorosa, a cidade cheira a fumaca. Tem que achar aternativas, e rápidas.

Anônimo disse...

Vejam isso, novas baterias com 450km de autonomia.
São pelo menos 89% mais baratas, 29% mais leves,
recarga em 6 minutos, precisam ser substituidas a cada 20 anos http://www.youtube.com/watch?v=9XC24EG0VJI

Bianca disse...

Acho que o Ministério da Fazenda está certíssimo, João!

Moro nos EUA, mas quando estive na Itália, no começo do ano, cheguei a dirigir um carro elétrico e achei maravilhoso.

Tem que incentivar mesmo pra ter no Brasil!

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