O Partido Social Democrata (PSD) nasce com um importante trunfo no movimento sindical: Ricardo Patah, o presidente da União Geral dos Trabalhadores (UGT), a terceira maior central sindical do país, anunciou na terça-feira sua filiação ao partido. Responsável por um orçamento que deve atingir R$ 30 milhões neste ano, e representante de pouco mais de mil sindicatos, a UGT foi a única das seis maiores centrais que permaneceu neutra nas eleições presidenciais do ano passado — as outras cinco declararam apoio à candidatura da presidente Dilma Rousseff (PT). Depois de filiar presidentes de associações comerciais em vários Estados do País, o partido agora fecha com a central sindical melhor representada entre os comerciários.
A união entre o presidente do PSD e o líder da UGT gerou um outro resultado simbólico. O presidente da Federação dos Trabalhadores Rurais da Bahia, Edson Pimenta, anuncia hoje a troca partidária e sindical. Pimenta, que desde o início do ano cumpre mandato em Brasília como deputado federal pelo PCdoB, preencherá a ficha de filiação ao PSD ao mesmo tempo que transfere sua federação da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) para a UGT.
A filiação de Patah encerra um longo período de negociações entre o líder sindical e o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, que será o presidente do PSD.
As sondagens de Kassab começaram em dezembro do ano passado, mas o primeiro convite foi feito em abril deste ano, quando os dois se encontraram na prefeitura. A reunião foi intermediada por Luiz Antônio de Medeiros, que acabara de assumir o cargo de secretário-adjunto de Trabalho no município. Medeiros foi fundador da Força Sindical, em 1991, central em que Patah servia de tesoureiro até o início de 2007, quando saiu para fundar a UGT.
Kassab venceu uma disputa que envolveu também o PTB e o PMDB. Amigo de Michel Temer, presidente de honra do PMDB, Patah manteve reuniões com o atual vice-presidente da República ao longo do primeiro semestre. O sindicalista também recebeu convite de Campos Machado, presidente do PTB em São Paulo, em reunião que ocorreu na UGT no início de junho.
A ideia de “construir” um partido novo foi central para a decisão de Ricardo Patah. Foi essa a avaliação vendida por Kassab ao presidente da UGT na penúltima reunião que tiveram, há duas semanas, na sede da entidade em São Paulo.
“Somos radicais de centro”, disse Kassab naquela oportunidade, referindo-se ao perfil do PSD . O prefeito ofereceu a Patah um cargo na executiva nacional do partido e também deu a UGT a gestão do futuro instituto do partido. Quando Patah comentou do interesse da central em ver José Francisco, presidente da UGT no Pará e primeiro suplente a deputado estadual como titular na Assembleia Legislativa do Estado , Kassab não titubeou. Ligou ao governador do Pará, Simão Jatene (PSDB), e passou a ligação a Patah. Na conversa, Jatene afirmou que “aquilo não era um problema”.
A decisão foi tomada em reunião realizada na quinta-feira da semana passada, na casa de Kassab em São Paulo. O prefeito estava acompanhado de Guilherme Afif Domingos, vice-governador do Estado, e de Alfredo Cotait, secretário de Relações Internacionais da prefeitura. Cotait também é vice-presidente da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), interlocutora de Patah há anos — Patah é presidente do Sindicato dos Comerciários de São Paulo, entidade que representa 470 mil trabalhadores no Estado.
São os comerciários a principal categoria representada pela UGT. Além do sindicato em São Paulo, a UGT representa também a categoria na cidade do Rio de Janeiro (315 mil trabalhadores) e nos Estados do Paraná (505 mil comerciários) e da Bahia (300 mil trabalhadores). A central também representa o Sindicato dos Trabalhadores na Construção Pesada do Rio, que comanda a greve dos operários na reforma do Maracanã.
Entre abril de 2008, quando o repasse federal de recursos oriundos do imposto sindical começou, e o fim do ano passado, a UGT embolsou R$ 41 milhões — o terceiro maior orçamento, atrás apenas da Central Única dos Trabalhadores (CUT) e da Força Sindical. Neste ano, a UGT deve receber cerca de R$ 21 milhões no reparte do imposto sindical. Os recursos representam cerca de 70% do orçamento total da entidade.
Em nota que será distribuída hoje entre os dirigentes da UGT, Patah afirma que a central “não pertence a nenhum partido político”, e que “a UGT continuará a manter amplas, respeitosas e solidárias relações com todas as organizações partidárias”. A entidade conta com três vice-presidentes ligados a partidos — Davi Zaia, secretário do Trabalho no Estado de São Paulo, é o presidente do PPS no Estado; Roberto Santiago é deputado federal pelo PV paulista; e Salim Reis, vice-prefeito de Carapicuíba (SP), é presidente do DEM na cidade.
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Esta foi minha matéria publicada no Valor de terça-feira, que trago ao Blog para iniciar um debate sobre o PSD.

5 comentários:
"radical de centro", esta expressão cunhada pelo "digníssimo prefeito de SP", mostra que é um partido que não servirá para nada.
No programa da REDEVIDA, que Vc participou o Deputado (fugiu-me o nome), que está capitaneando a nova reforma política, fala em "voto nos partidos".
Que partidos?
Eu não sei direito hoje no Brasil, para que serve um partido, ou melhor sei, sim, é um guarda-chuva para alguém se eleger.
Ideologias?
Não consigo enxergar nenhuma que diferencie o joio do trigo.
O que é ser "radical de centro", deve ser uma nova nomenclatura, para DEMonstrar que não tem idéias.
O DEMonstrar é de propósito
O tal PSD vai certamente inchar com generosas fatias da direita [centro radical, não é?] que quer simplesmente descartar o ônus de ser oposição e do passado.
Assim:
centro da ARENA=PFL=DEM
e direita da ARENA=PDS=PPB=PP
agora desembocam felizes no ralo do PSD, "radicais de centro".
Lembro de um professor meu de Direito Constitucional que disse que o partido foi uma ideia que "não pegou" no Brasil.
Entretanto, o que me parece é que quando se trata de políticos da banda da "direita" (ou os auto denominados "extremo centro"), a mídia é muito mais amena ao cobrar transparência ideológica.
É quase como se fosse normal alguém que se sabe de direita - e quer permanecer assim - apareça agora em público com vestes de centralidade.
É uma oposição envergonhada de ser reconhecida como tal.
Lendo o comentário do Luiz Otávio, me lembrei da expressão "Direita envergonhada".
A Direita nesse país não tem partido. A multiplicidade de siglas, as trocas de nome, as trrocas de partido por políticos... Isso tudo não são características do sistema político brasileiro, são característica da nossa direita. Veja os números de pessoas que se identificam com algum partido no brasil, mais da metade se identifica com o PT, mas esse partido tem o q? um quinto dos votos pra câmara?
O PSD me parece mais um capítulo desse "sistema de organização" da direita, uma permanente metamorfose para evitar parecer o que realmente é.
Vocês todos passaram por um ponto que acho curiosíssimo da vida política brasileira: temos zilhões de partidos de esquerda (PSTU, PSOL, PCO, PCB, PC do B, PDT, PT) e nenhum que se diz de direita!
Acho, no entanto, que o PSD nasce com uma cara de centro-direita, e não simplesmente de direita, que ainda pertence ao DEM e PP, por mais que esses partidos estejam enfraquecidos.
Abraços!
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