quarta-feira, 22 de junho de 2011

A tropicália gourmet

Sou um apaixonado por restaurantes.

Como qualquer ser humano, sinto fome. E, como muitos, adoro comer bem. Como poucos, no entanto, gasto muito tempo pensando no que vou comer -- quando tenho esse privilégio. Durante a semana, com a correria que as pessoas apelidam, nos tempos modernos, de "jornalismo", fica impossível pensar muito. Mas sempre dou um jeito. Se é nos dias em que tudo o que resta é o cachorro-quente da barraca do Davydson, que fica estacionado em frente ao comitê de imprensa do Ministério da Fazenda, aqui em Brasília, não reclamo. Até porque o Davydson é ótimo papo e gosta de ouvir as histórias que minha mente custa em não esquecer.

Mas o que eu gosto mesmo é de comer fora. Como também gosto muito de conversar e trabalhar, almoçar e jantar fora já virou lei.

Quando estava em São Paulo, sempre tratava de marcar os almoços em lugares diferentes: fosse um bistrô nos Jardins, uma cantina na Bela Vista, um churrasco na Santa Cecília, num boteco na Vila Madalena. Em Brasília, não fujo da regra.

É assim, com almoços e jantares com fontes, durante a semana, e refeições com os amigos, no fim de semana, que tenho sido apresentado aos restaurantes de Brasília.

E, posso dizer sem medo, não deixa saudades de São Paulo.

Já tenho comigo que, tal qual São Paulo, Brasília tem também a chef coqueluche para meu paladar: Mara Alcamim, que toca dois restaurantes (sim, dois) -- o Universal Diner e o Zuu a.Z. d.Z. -- e um empório: o Quitinete.

Mara tem todas as características que fazem da Janaína Rueda e da Ana Luiza Trajano, chefs do Bar da Dona Onça e do Brasil à Gosto, respectivamente, as melhores chefs de São Paulo.

Todas praticam a tropicália gourmet.

O que é a tropicália gourmet? É a sabedoria da comida brasileira -- a melhor que há, por saber combinar o doce e a pimenta em tudo quanto é receita -- à falta de vergonha em combinar com o que de melhor existe em outras culinárias. Daí que podemos comer o melhor bife à milanesa do mundo, e ao mesmo tempo experimentar as incríveis massas preparadas pelo marido de Janaína, Jefferson Rueda, no Dona Onça. Ou a comida paraense feita com todo o charme do Brasil à Gosto. Ou a maravilha que é o peito de pato ao molho de tangerina e pimenta-de-cheiro, com minimoranga recheada de purê de mandioquinha e queijo brie, do Universal Diner.

Os tropicalistas se foram com o AI-5 e a pornochanchada, mas reencarnam no trio Janaína, Mara e Ana Luiza.

***

Sinto sim saudade de São Paulo. Nada supera um jantar no Dona Onça, instalado no Edifício Copan, desenhado por Oscar Niemeyer no centro da cidade, com o atendimento especial do Will, que vi saltar de garçom à mètre, e do David, que é um prosador de mão cheia.

2 comentários:

Joel Bueno disse...

Dicas:

O Ninny's, na Asa Norte, uma cantina despretensiosa com massa sempre al dente. O dono - que dá nome ao restaurante - é um italianão imenso, falastrão, engraçadíssimo. Escolha á vontade no cardápio. Se harmonizar, peça um tinto Nero D´Avola. Ao final, pergunte se tem limoncello. (escreve assim?) É o Ninny mesmo quem faz, mas o problema é que ele bebe tudo, então nem sempre tem. Se tiver, é oferta da casa.

Oca da Tribo - fica no Setor de Clubes Sul. É uma oca, mesmo. No almoço, bufê vegetariano de alta qualidade. Mas também pode pedir uma carninha pra acompanhar. Eu gostava também do jantar a la carte, uma culinária fusion bem interessante, carne de caça brasileira, temperos indianos, apresentação francesa. Mas da última vez fiquei meio decepcionado. Vale arriscar.

Feijoada do Ki-Filé, na 405 Norte. Se prepara, que é um botecão. Mas a feijoada é boa. Não tem aquela frescura de feijoada-bufê, com feijão sem gosto. Vem tudo misturado no pote, conflito na áfrica pra valer. O preço - honestíssimo - é por pessoa. Já viu que eu sou chegado a uma baixa gastronomia...

Trattoria da Rosário, no Lago Sul. Um italiano mais chique que o Ninny's. As massas são OK. Mas eu prefiro pedir o coelho, quando tem. Coma de joelhos.

Boas carnes na Parrilla Porteña, na
411S, ou no Brasília Grill, 304(?)N, que ainda tem umas esfihazinhas de entrada ótimas. Sushis e sashimis sem heresias no Nipon, na Asa Sul. Pizza não é muito fácil, mas abriu o Avenida Paulista, perto da ponte JK, que é legal.

Aproveite Brasília. A cidade esconde seus melhores lugares. Vá descobrindo...

Mirna disse...

Uma das coisas mais divertidas é conhecer restaurantes diferentes e experimentar a comida diferente. Eu gosto de ir a restaurantes em jardins diferentes e olhar para os cartões. Se eu encontrar um alimento que eu gosto, que eu considero meu restaurante favorito e eu vou lá todos os sábados.

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