Em 22 de agosto de 1981, há quase trinta anos, morria Glauber Rocha. Foi um dos três maiores cineastas da história do cinema mundial -- ao lado de Jean-Luc Godard e Pier Paolo Pasolini -- e um dos maiores artistas da história do Brasil.
Muito se falará de Glauber nos cadernos culturais dos jornalões e na blogosfera entre julho e agosto. Aliás, até Nelson Motta está com livro pronto para sair do forno (coincidência com o aniversário da morte de Glauber...?) sobre Glauber.
Baiano que tocou fogo em Salvador e no Rio de Janeiro, venceu prêmio de mehor diretor no mais prestigiado Festival de Cinema, o de Cannes, em 1969, se exilou em Moscou (URSS), Havana (Cuba), no Congo (África), em Hollywood (EUA), em Paris (França) e em tudo quanto é lugar. Voltou ao país pouco antes da Anistia, em 1977, e abriu uma cisão monstruosa na cultura e na política brasileira, ao defender a abertura desenhada por Goldbery do Couto e Silva (a cabeça por trás do governo Ernesto Geisel, então ditador de plantão no país). Entre 1979 e 1980 apresentou um programa justamente chamado de Abertura na TV Cultura, e a linguagem daquele programa influenciaria todos os programas ditos "criativos" da TV brasileira desde então -- do Ernesto Varella ao CQC.
Vejam o fervor de Glauber em um dos meus Abertura preferido, em 1979, em que o cineasta entrevista Brizola. Não o futuro governador do Rio de Janeiro, cuja campanha em 1982 o colocaria em evidência nacional por rachar com a Rede Globo, mas um rapaz de Botafogo, bairro da zona sul do Rio de Janeiro, chamado Brizola. O Brizola de Glauber não sabe o que é democracia ou ditadura, torce para o Flamengo e está preocupado em vencer o jogo do bicho.
Glauber filmava o povo brasileiro. Ninguém tinha feito aquilo antes, muito menos daquela forma, de camisa aberta, falando o linguajar popular, com cabelo mal penteado, barba por fazer.
A situação do povo e do Brasil melhorou muito de lá para cá. Não só retomamos a democracia, como aprendemos a lutar contra nossos grandes males (a hiperinflação, a pobreza extrema).
Mas perdemos muito, também. Não temos mais Glauber. Temos Fernando Meirelles. Que azar o nosso.

7 comentários:
Um dos 3 maiores cineastas mundiais? Menos, né Villaverde, menos. Inegávelmente nosso maior cineasta, mas que tal mencionar antes o nome de quem mais influiu em sua obra, o russo S Einsestein?
P.S.: a minha santíssima trindade seria, Ozu, Chaplin e John Ford.
O Eisenstein está nos 10 maiores, Marola, com certeza. Mas, para mim, os gênios máximos são Glauber, Pasolini e Godard. Eisenstein, tal qual o trio, revolucionou uma arte -- o cinema -- e, por isso, a forma como as pessoas veem o mundo.
Foi um gênio.
Mas Godard, Pasolini e Glauber ainda revolucionaram a arte e a si mesmo mais de uma vez.
Mas, cara, Eisenstein, Renoir, Vigo, Pudovkin, Rosselini, De Sica, Visconti, todos estão no mesmo patamar de Godard, Glauber e Pasolini. Mas para escolher três... ;-)
Abração!
P.S. Boa lista. Assino embaixo de Ozu e Chaplin, e adoro John Ford, mas coloco Ford num patamar inferior, vá...
Pelo visto vc deve ser daquelas figuras fáceis de encontrar nas mostras de cinema que de vez em quando acontecem em SP. Uma coisa acho que podemos concordar, que FALTA faz no debate político-cultural brasileiro a pessoa do Glauber Rocha, é realmente uma pena êle ter morrido tão cedo, e pior, ter que aturar uma nulidade como o Marcelo Madureira vir a público desancar a obra dêle.
Pelo visto vc deve ser daquelas figuras fáceis de encontrar nas mostras de cinema que de vez em quando acontecem em SP. Uma coisa acho que podemos concordar, que FALTA faz no debate político-cultural brasileiro a pessoa do Glauber Rocha, é realmente uma pena êle ter morrido tão cedo, e pior, ter que aturar uma nulidade como o Marcelo Madureira vir a público desancar a obra dêle.
Hahaha sou sim, Marola, mas conta a favor do meu vício por cinema outros dois pontos:
1) tenho uma videoteca (a sério) em casa, porque compro tudo de raro que é lançado em DVD (e, assim, deixo de ir em certas mostras).
2) meu irmão é cineasta.
Mas minha passagem por mostras de cinema em SP vão acabar, mas por outro motivo... que oportunamente explicarei cá no Blog ;-)
Abração
Agora, só me explica mais uma coisinha, essa camiseta do Botafogo, vc é + 1 carioca exilado em SP?
Vai pra Brasólia eh? ou pros States?
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