terça-feira, 31 de maio de 2011

A pré-campanha americana para 2012

Ok, tenho que admitir: detesto televisão, mas a única coisa que me faz, mesmo, ligar a TV são três canais/programas americanos. Pronto, já disse. São eles: os canais são CNN e Fox News e o programa é o do David Letterman.

Como já fiz meu mea culpa -- um livro de 196 páginas sobre a americanização da cultura brasileira nos anos 1990 e 2000 -- não posso ser condenado, vá.

Dito isso, tenho acompanhado muito de perto a pré-campanha dos candidatos republicanos à Presidência dos Estados Unidos nas eleições de 2012. Do lado democrata não há dúvida: o atual presidente Barack Obama já é pré-candidato e, não é só este Blog que diz, sairá vencedor novamente.

Mas Obama poderia ao menos ter competição, né?

Não é o que parece.

Primeiro foi Donald Trump (!) que se lançou candidato. Sua principal plataforma? Provar que Obama era um presidente ilegal, por não ter nascido em solo americano (!!). O carnaval feito pela Fox News -- que, como o leitor deve saber, faz campanha escancarada pelos republicanos -- fez Obama levar, por meio de uma coletiva de imprensa, sua certidão de nascimento, do Hawai (que é território americano, diga-se). Trump, é claro, foi ridicularizado. Desistiu da candidatura e ainda se saiu com essa: "sinto-me realizado, por ter feito um bem para o país, ao fazer o presidente provar sua certidão" (!!!).

A melhor resposta que vi para esse conto ridículo tipicamente americano foi dado por Anderson Cooper, na CNN, quinze dias atrás, em sua The Ridiculist.

Depois foi a vez de Sarah Palin "admitir" (porque os colegas jornalistas usam este verbo de maneira tão insolente?) que é uma pré-candidata do Partido Republicano. Palin, que tem como mérito administrativo ter governado o Alaska (onde, diz-se por aí, a principal preocupação dos gestores públicos é evitar que o gelo atrapalhe o fluxo de veículos), é a candidata do Tea Party.

O Tea Party, como muitos sabem, é um movimento de gente séria, que acredita, piamente, que Stálin=Hitler=Mao=Obama, e avalia que os EUA estariam melhor, hoje, se tivessem deixado todos os bancos falirem, se o Federal Reserve (o Fed, banco central americano) fosse extinto e se o governo deixasse de existir.

Vivo fosse, meu querido avô Victor Villaverde, entusiasta do anarquismo espanhol dos anos 1940, teria enfiado a cabeça em um balde. Não é que o Tea Party seja anarquista. Suas bandeiras são essas por outra razão: avaliam que os indíviduos, especialmente as empresas e os empreendedores, gerariam mais riqueza sem um governo que os taxassem para redistribuir aos menos afortunados.

Só gente boa, né?

Pois então, Sarah Palin é a candidata dessa turma. E, ó, já está fazendo campanha pesada.

Um terceiro pré-candidato é Tim Pawlenty, que foi governador do Minnesota. Assisti Paul Gigot, um dos poucos caras realmente competentes e razoavelmente neutros da Fox News (até porque ele é o editor de Opinião do The Wall Street Journal), entrevistá-lo, no fim de semana. Sobre o corte no orçamente, o que diz Pawlenty? "Meu programa de governo trará uma resposta para isso". Sobre a elevação da idade mínima para se aposentar? "Meu programa de governo trará uma resposta para isso". Sobre por quê alguém se lança candidato sem ter resposta para nada? "Meu programa de gov..."

Vocês pegaram a ideia.

Do jeito que está, Pawlenty parece ser o candidato com mais chances. Claramente ele será massacrado por Obama, mas sua plataforma (??) é, no entanto, muito mais consistente que de Trump e de Palin.

Os dois grandes nomes dos republicanos, no entanto, já disseram estar fora: Mitt Romney, ex-governador de Massachusetts, e Mike Huckabee, ex-governador do Arkansas. São espertos: a economia americana deve começar a realmente melhorar justamente em 2012, o que vai impulsionar o governo em exercício, de Obama, ao mesmo tempo que a morte de Osama Bin Laden, algo totalmente republicano, foi bem recebido pela parcela conservadora da sociedade. Para fechar, Obama é um orador quase imbatível.

Ou seja, Romney, que fala fundo aos empresários, e Huckabee, o tradicional e bonzinho populista de direita, sacaram que, em 2012, não tem para ninguém.

Em outras palavras: teremos um ano e meio de diversão acompanhando a luta entre os republicanos para decidir quem é o candidato mais boçal.

***
Duas correções, feitas por um fera no assunto: Pawlenty é governador de Minnesota (já corrigido no post) e Romney é sim pré-candidato republicano.

Um comentário:

Gustavo S. disse...

Assim como você, João, acho difícil aparecer um nome forte entre os republicanos para bater de frente com Osam.. (ops, isso é Fox) digo, Obama.

Se me permite uma recomendação, meu xará, Gustavo Chacra, escreveu uma análise muito boa sobre os possíveis pré-candidatos republicanos em seu blog. O link é esse aqui: http://blogs.estadao.com.br/gustavo-chacra/de-ny-a-iowa-quem-e-o-republicano-que-pode-vencer-obama/

No mais, enxergo Sarah Pallin como a propaganda de um filme da Sessão da Tarde. Não espero nada dela do que não 'uma aventura que vai botar o mundo de cabeça pra baixo, junto de uma turminha muito louca!'.

Abraços

Site Meter