quarta-feira, 27 de abril de 2011

A leniência com a qualificação dos trabalhadores

Para cada R$ 100 gastos com o seguro-desemprego, o governo federal usa apenas R$ 1 em programas de qualificação de mão de obra. No Estados Unidos, para cada US$ 100 gastos com os benefícios aos desempregados, o governo de Barack Obama investiu US$ 11,25 em qualificação no ano passado. O descompasso entre as duas despesas no Brasil preocupa desde técnicos do governo até empresários, que já apontam a falta de qualificação dos trabalhadores como um dos principais entraves para o crescimento econômico. Sete em cada dez empresários sofrem com a falta de qualificação profissional, de acordo com pesquisa realizada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) com 1,6 mil empresas.

No governo federal, o gasto com qualificação de trabalhadores aumentou 32% entre 2009 e 2010, mas os R$ 227,9 milhões aplicados no ano passado foram muito inferiores aos R$ 961,1 milhões empregados em 2001, pico dos últimos 15 anos. No governo do Estado de São Paulo, onde não há utilização de recursos federais para cursos de qualificação desde 2006, as despesas ficaram em torno de R$ 90 milhões nos últimos dois anos.

Para saber mais detalhes, veja a matéria especial que escrevi sobre o tema, publicada no Valor, ontem.

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Aqui, a bela arte que a Renata Gonçalves fez para acompanhar a matéria:



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E, agora, uma rápida lição de como funciona a relação entre mídia e política.

A matéria foi publicada ontem, na página Especial do Valor, com chamada na primeira página, ao lado da manchete. O jornal é publicado pela manhã.

Pouco depois do almoço, os deputados federais Roberto Santiago (PV) e Rubens Bueno (PPS), protocolaram um pedido de audiência pública junto à Comissão do Trabalho, na Câmara dos Deputados. Sugeriram trazer ao Congresso para falar sobre o descompasso entre os gastos com seguro-desemprego e com qualificação profissional justamente as fontes de minha matéria: Ana Paula Silva, diretora do Departamento de Qualificação do Ministério do Trabalho; Davi Zaia, secretário do Trabalho e do Desenvolvimento de São Paulo; João Sabóia, professor do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro; e Luige Nese, presidente do Codefat – Conselho Deliberativo do FAT.

Além disso, teve repercussão no Twitter de um ex-candidato à Presidência da República.

5 comentários:

Luka disse...

Quem falou que o jornalismo não podia mudar o mundo, hein João?
Opa fui eu mesma ;D

Luiz Henrique Mendes disse...

João, o tema é importantíssimo, mas a informação sobre o déficit de camimhoneiros me desconcertou.

Eu já imagino como vai ser difícil o trabalho dos caminhoneiros, apertado, a cumprir horários impossíveis para qualquer corpo humano.

Como gostava de dizer Jairo, caminhoeiro com quem viajei até Brasília na época do TCC, "o trabalho é arrochado". Na ocasição, ele explicava o porquê de ter assumido para sua esposa o uso de rebites.

Abração,
Luiz Henrique Mendes

João Villaverde disse...

Hahaha exatamente, Luka!

João Villaverde disse...

O Luiz Henrique Mendes citou o melhor trabalho de conclusão de curso da turma que se formou em Jornalismo na PUC-SP em 2009.

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Aliás, Luiz, amanhã o Ipea divulga amplo trabalho sobre qualificação profissional, na Av. Paulista (SP), as 14h. Vou acompanhar, pelo Valor.

Abração

Luiz Henrique Mendes disse...

Bondade sua, João.

Tivemos brilhantes trabalhos em 2009, como o livro sobre a Bósnia do ótimo Gustavo Silva, o da Marina Dias sobre as eleições em El Savador e, claro, um trabalho que aguardo ansiosamente pela leitura - li apenas um capítulo - acho que você deve conhecer ;:), sobre cultura brasileira, de um tal João Villaverde...

Abração,
Luiz Henrique Mendes

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