segunda-feira, 21 de março de 2011

O dilema dos jornais

Este gráfico diz muito:




Trata-se da curva de financiamento do The Washington Post, um dos maiores jornais dos Estados Unidos -- foi de lá que Carl Bernstein e Bob Woodward derrubaram o presidente Richard Nixon, em 1974.

A linha de cima mostra as receitas oriundas de publicidade na versão impressa. A de baixo, mostra quantos dólares vêm da publicidade em seu site. De 2004 a 2010, enquanto as receitas do impresso despencam de US$ 170 milhões para US$ 82 milhões, a grana que entrou no online subiu bem menos: de US$ 17 milhões para US$ 36 milhões.

Ou seja, enquanto cada vez mais fica caro manter uma grande equipe de jornalistas para a versão impressa -- que perde leitores e anunciantes, num processo que se retro-alimenta --, a versão online, onde os leitores não param de chegar, não consegue se bancar com os anúncios que recebe.

Como ficará a mídia nesta década em que mais e mais pessoas farão a transição do jornal impresso para os sites de internet?

***

A partir de segunda-feira, 28 de março, o The New York Times, que tem uma das melhores plataformas na internet, vai fechar seu conteúdo, num modelo misto. Hoje, qualquer matéria do jornal pode ser acessada e lida na íntegra. A partir da semana que vem, cada computador terá acesso à dez matérias livres por mês -- além disso, o site bloqueará o acesso. A ideia central é incentivar as assinaturas.

Conteúdo livre é algo ótimo, todos concordam. Mas como pagar o jornalista que gera o conteúdo se tudo é livre?

3 comentários:

Luiz Henrique Mendes disse...

João,

É tema dos mais sérios e com o potencial de desestrututrar e todo o modelo de negócios dos jornais.

Acho que ainda vai demorar um pouco, mas o mesmo preoceso tende a acontecer no Brasil. Eu daria uns dez anos para isso..

Abração,
Luiz Henrique Mendes

Paulodaluzmoreira disse...

Vale a pena, João, ler o perfil que a revista New Yorker fez do executivo da AOL que tem apostado de forma sistemática no jornalismo online para reinventar a sua empresa. O processo que era discreto chegou aos olhos de todos com a compra do Huffington Post.

Anônimo disse...

Ele vai ser contratado por uma empresa de telefonia, que provavelmente absorverá o jornal para o qual ele trabalha. Essa empresa será comandada por investidores institucionais, i.e. fundos de pensão - em sua maioria loteados por sindicalistas que influirão na pauta do hebdomadário...Triste fim para uma profissão tão interessante...

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