Se este Blog fosse colombiano, votaria em Mockus, no segundo turno.
Se este Blog fosse israelense, pediria para seu governo parar de atacar navios de estrangeiros humanitários que levavam remédios, comida e roupa para os moradores de Gaza, a região mais densamente habitada do mundo. Até agora, foram 16 o número de humanitários assassinados.
Se este Blog fosse flamenguista, ficaria muito encucado com esse tipo de coisa.
Vivemos em um país em que os jovens já nascem conservadores, e se tornam ainda mais conservadores conforme envelhecem. São incentivados pelo anacronismo e pelas facilidades a evitar o pensamento crítico. O escapismo é a ordem e o progresso é a intolerância.
segunda-feira, 31 de maio de 2010
domingo, 30 de maio de 2010
sábado, 29 de maio de 2010
Festival literário
O Blog, acompanhado da linda Carolina, passa o fim de semana acompanhando o Festival da Mantiqueira, em São Francisco Xavier, interior de São Paulo. Programação por aqui.
Fiquem a vontade para mandar perguntas aos debatedores. Coloco as respostas por aqui, se gerar um debate interessante.
Bom fim de expediente à todos.
Fiquem a vontade para mandar perguntas aos debatedores. Coloco as respostas por aqui, se gerar um debate interessante.
Bom fim de expediente à todos.
sexta-feira, 28 de maio de 2010
30 anos depois, sindicalistas recriam Conclat
Matéria especial, publicada hoje no Valor, dividida em três, sobre movimento sindical. Na primeira, a Conferência Nacional da Classe Trabalhadora (Conclat) é apresentada e discutida. Cinco das seis centrais sindicais reconhecidas pelo Ministério do Trabalho promovem assembleia para mais de 30 mil trabalhadores no Estádio do Pacaembu, em São Paulo, na semana que vem, dia 01 de junho.
Ao todo, gastaram R$ 808 mil para realizar o evento, incluindo R$ 130 mil de aluguel do Estádio -- o Corinthians, que também aluga o Pacaembu, paga, no máximo, R$ 62 mil.
O evento recria a Conclat original, realizada em 1981. Só que enquanto aquele evento fora realizado com viés anti-Estado, devido ao arrocho salarial e a repressão de liberdades promovido pelo Estado militar, esta Conclat de 2010 apela no contrário: é francamente pró-Estado, uma vez que as centrais foram contempladas como nunca no governo Lula.
Desde 2008, com a aprovação de lei que altera o regimento da contribuição sindical, as seis centrais passaram a receber uma parte do que é arrecadado com o imposto: algo como R$ 146,5 milhões divididos por CUT, Força Sindical, UGT, CTB, NCST e CGTB. O DEM contesta esse repasse, bem como centrais à esquerda, como Conlutas (PSTU) e Intersindical (PSOL).
Na segunda matéria, conto como ocorreu a primeira Conclat, realizada na Praia Grande (SP), em agosto de 1981. A conferência uniu os três grandes nomes do sindicalismo organizado brasileiro, que até então não haviam sentado juntos: Lula, presidente do sindicato dos metalúrgicos do ABC, Hugo Perez, presidente da Federação das Indústrias Urbanas de São Paulo e Joaquinzão, presidente dos metalúrgicos de SP. Ao mesmo tempo que se uniram, ali também estava o embrião do racha que marcaria o movimento sindical brasileiro.
Finalmente, na terceira matéria, conversei com Marcio Pochmann, professor licenciado do Centro de Estudos Sindicais da Unicamp e presidente do Ipea. Pochmann avalia que os sindicatos vão na contramão dos partidos. Enquanto os partidos perdem filiados e militantes, os sindicatos ganham força e representatividade.
As matérias podem ser lidas no Valor de hoje, na versão impressa, e também no site do jornal, clicando aqui.
***
Atualização de 12:32
Quatro dias depois, a partir de 05 de junho, as outras duas centrais: Conlutas e Intersindical vão promover um Congresso próprio, também chamado de Conclat. A amiga Luka Amorim chama a atenção para o evento, que vai unificar as duas centrais (ligadas, respectivamente, a PSTU e PSOL) à outras organizações, como MTST, MTL, etc. A ideia é criar uma entidade organizada de esquerda que une tudo.
Há, acho, uma certa confusão ao juntar no mesmo balaio trabalhadores urbanos sem terra com sindicalistas, mas é uma operação interessante no sentido político: é simplesmente bisonho que haja discórdia entre gente do PSTU e do PSOL, como já cansei de escrever aqui no Blog. Se unir, ainda que no lado sindical, faz muito mais sentido que ficar alimentando intriguinhas intermináveis sobre Marx...
Ao todo, gastaram R$ 808 mil para realizar o evento, incluindo R$ 130 mil de aluguel do Estádio -- o Corinthians, que também aluga o Pacaembu, paga, no máximo, R$ 62 mil.
O evento recria a Conclat original, realizada em 1981. Só que enquanto aquele evento fora realizado com viés anti-Estado, devido ao arrocho salarial e a repressão de liberdades promovido pelo Estado militar, esta Conclat de 2010 apela no contrário: é francamente pró-Estado, uma vez que as centrais foram contempladas como nunca no governo Lula.
Desde 2008, com a aprovação de lei que altera o regimento da contribuição sindical, as seis centrais passaram a receber uma parte do que é arrecadado com o imposto: algo como R$ 146,5 milhões divididos por CUT, Força Sindical, UGT, CTB, NCST e CGTB. O DEM contesta esse repasse, bem como centrais à esquerda, como Conlutas (PSTU) e Intersindical (PSOL).
Na segunda matéria, conto como ocorreu a primeira Conclat, realizada na Praia Grande (SP), em agosto de 1981. A conferência uniu os três grandes nomes do sindicalismo organizado brasileiro, que até então não haviam sentado juntos: Lula, presidente do sindicato dos metalúrgicos do ABC, Hugo Perez, presidente da Federação das Indústrias Urbanas de São Paulo e Joaquinzão, presidente dos metalúrgicos de SP. Ao mesmo tempo que se uniram, ali também estava o embrião do racha que marcaria o movimento sindical brasileiro.
Finalmente, na terceira matéria, conversei com Marcio Pochmann, professor licenciado do Centro de Estudos Sindicais da Unicamp e presidente do Ipea. Pochmann avalia que os sindicatos vão na contramão dos partidos. Enquanto os partidos perdem filiados e militantes, os sindicatos ganham força e representatividade.
As matérias podem ser lidas no Valor de hoje, na versão impressa, e também no site do jornal, clicando aqui.
***
Atualização de 12:32
Quatro dias depois, a partir de 05 de junho, as outras duas centrais: Conlutas e Intersindical vão promover um Congresso próprio, também chamado de Conclat. A amiga Luka Amorim chama a atenção para o evento, que vai unificar as duas centrais (ligadas, respectivamente, a PSTU e PSOL) à outras organizações, como MTST, MTL, etc. A ideia é criar uma entidade organizada de esquerda que une tudo.
Há, acho, uma certa confusão ao juntar no mesmo balaio trabalhadores urbanos sem terra com sindicalistas, mas é uma operação interessante no sentido político: é simplesmente bisonho que haja discórdia entre gente do PSTU e do PSOL, como já cansei de escrever aqui no Blog. Se unir, ainda que no lado sindical, faz muito mais sentido que ficar alimentando intriguinhas intermináveis sobre Marx...
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quarta-feira, 26 de maio de 2010
Interlúdio

Ela, de traços suaves e olhos verdes bem demarcados no rosto, combinando com o véu. Ele, de rosto duro, sorria de maneira incontida. Não falavam nada. Estamos em Istambul, do lado europeu. Em frente, o Bósforo, rio que divide Istambul em dois. Do outro lado do Bósforo, Istambul oriental, o lado asiático, que os turcos chamam de Anatolia. Era a antiga capital do Império Otomano.
A mais bela foto que tirei em minha passagem pela Turquia.
segunda-feira, 24 de maio de 2010
Mundo de hipócritas
Sabem o que eu acho do Irã levar a cabo seu projeto de construir uma bomba nuclear?
Acho isso aqui, ó: "Documentos comprovam que Israel possui armas nucleares". Segundo o The Guardian, dos maiores jornais do mundo, Israel tentou vender ao regime de racistas brancos que mantinham o apartheid na África do Sul uma série de bombas nucleares.
Estamos falando de negociações que rolaram em 1975. Não foi outro dia, mas 35 anos atrás. Isso quer dizer que, se Israel não desenvolveu mais nada de lá para cá, ainda possui armamento nuclear. Mas, como até o mais burro dos seres sabe (não, Berlusconi, não é você), Israel ampliou -- e muito -- sua tecnologia bélica.
No mês passado, o Pentágono, numa atitude louvável, admitiu, pela primeira vez, que os Estados Unidos possuem armamento nuclear. Mais que isso, disse exatamente quantas ogivas nucleares eles têm: são 5.113. Exatamente, cinco mil cento e treze ogivas nucleares. E tudo isso estava no bolso do Bush até outro dia, um cara que, convenhamos, é ainda mais louco que Ahmadinejad, o presidente iraniano.
Então, meus caros, como já disse em entrevista à MTV, na semana passada, o negócio é o seguinte: sou contra armas nucleares. Mas, a partir do momento que países como Israel e Estados Unidos têm, deixem o Irã ter também. Ou todos têm, ou ninguém têm. Agora ficar dizendo quem pode e quem não pode é muita hipocrisia.
E quem mais critica a política interna do Irã? Justamente Estados Unidos e Israel.
Acho isso aqui, ó: "Documentos comprovam que Israel possui armas nucleares". Segundo o The Guardian, dos maiores jornais do mundo, Israel tentou vender ao regime de racistas brancos que mantinham o apartheid na África do Sul uma série de bombas nucleares.
Estamos falando de negociações que rolaram em 1975. Não foi outro dia, mas 35 anos atrás. Isso quer dizer que, se Israel não desenvolveu mais nada de lá para cá, ainda possui armamento nuclear. Mas, como até o mais burro dos seres sabe (não, Berlusconi, não é você), Israel ampliou -- e muito -- sua tecnologia bélica.
No mês passado, o Pentágono, numa atitude louvável, admitiu, pela primeira vez, que os Estados Unidos possuem armamento nuclear. Mais que isso, disse exatamente quantas ogivas nucleares eles têm: são 5.113. Exatamente, cinco mil cento e treze ogivas nucleares. E tudo isso estava no bolso do Bush até outro dia, um cara que, convenhamos, é ainda mais louco que Ahmadinejad, o presidente iraniano.
Então, meus caros, como já disse em entrevista à MTV, na semana passada, o negócio é o seguinte: sou contra armas nucleares. Mas, a partir do momento que países como Israel e Estados Unidos têm, deixem o Irã ter também. Ou todos têm, ou ninguém têm. Agora ficar dizendo quem pode e quem não pode é muita hipocrisia.
E quem mais critica a política interna do Irã? Justamente Estados Unidos e Israel.
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domingo, 23 de maio de 2010
Domingo
Não se afaste de nós,
podemos errar e você pode ter razão, portanto
não se afaste de nós!
Que o caminho curto é melhor que o longo, ninguém nega
Mas quando alguém o conhece
E não é capaz de mostrá-lo a nós, de que nos serve sua sabedoria.
Seja sábio conosco,
Não se afaste de nós!
Bertold Brecht, escritor e dramaturgo alemão.
podemos errar e você pode ter razão, portanto
não se afaste de nós!
Que o caminho curto é melhor que o longo, ninguém nega
Mas quando alguém o conhece
E não é capaz de mostrá-lo a nós, de que nos serve sua sabedoria.
Seja sábio conosco,
Não se afaste de nós!
Bertold Brecht, escritor e dramaturgo alemão.
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Domingo
sexta-feira, 21 de maio de 2010
Fim de expediente
Perdão pela palavra. Mas o Dio era foda. Dentre os vocalistas de rock, ele, seguramente, era o que tinha a voz mais ampla. Conseguia segurar melodias suaves ao piano e, no instante seguinte, partir para o vozerão, acompanhado de guitarra e bateria. Ronnie James Dio tinha 1m63, pouco cabelo -- o que, para um roqueiro, significa muito -- e não era dos mais bonitos, o que não o ajudava nos anos 80, quando o músico, antes de saber tocar, tinha que ser bonito. Mas nada disso importava. Dio foi das figuras mais importantes da música: ele criou o gesto disseminado mundialmente do metal, aqueles chifrinhos com as mãos, além de ter pertencido a duas das maiores bandas do estilo -- Rainbow e Black Sabbath.
Uma das minhas preferidas da fase solo, "Mystery", do disco Last in Line, de 1984. O clipe abaixo, além de acompanhar a música, também serve para resgatar os anos 80: o clipe é absolutamente ridículo e, como todos dos anos 80, tenta contar uma história. Agora tudo é lenda.

Bom fim de expediente a todos.
Uma das minhas preferidas da fase solo, "Mystery", do disco Last in Line, de 1984. O clipe abaixo, além de acompanhar a música, também serve para resgatar os anos 80: o clipe é absolutamente ridículo e, como todos dos anos 80, tenta contar uma história. Agora tudo é lenda.
Bom fim de expediente a todos.
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Fim de expediente
quarta-feira, 19 de maio de 2010
Ficha Limpa é aprovado...
O projeto Ficha Limpa foi aprovado hoje, por unanimidade, no Senado. Chega a ser curioso. A emenda Dante de Oliveira, que previa eleições diretas para presidente da República, em 1984, não passaram. O fim da CPMF foi aprovado sem unanimidade. Mesmo a cassação do ex-presidente Fernando Collor não foi unânime.
Mas o projeto Ficha Limpa foi unânime.
Não, os senadores não estão todos, sem exceção, do mesmo lado. Diferentemente dos outros projetos e emendas e mesmo do impeachment, o projeto da Ficha Limpa foi votado em ano eleitoral. Isso muda tudo. Todos querem ser bacanas frente a opinião pública neste 2010, principalmente depois da força que esse projeto ganhou na mídia e na internet.
Juro que quero gostar do Ficha Limpa. Ele tem tudo para ser perfeito na teoria. Afinal, se o mundo fosse bacana e hippie mesmo, os políticos enrascados com esquemas, processados e julgados culpados, não poderiam se candidatar a cargos públicos, que estariam abertos para pessoas do bem, que andam a cavalo e matam dragões.
Não é o que me parece.
Sejamos honestos. Ser uma figura pública no Brasil é sinônimo de processo na Justiça. Mesmo um secretário de limpeza pública num município dos cafundós do Brasil profundo tem problemas com a Justiça. Toda e qualquer ação de alguém que ocupa um cargo público é contestada na Justiça. Aquele que se sente lesado entra com um processo contra o gestor público. Não tem jeito, todo mundo sabe que é assim.
Claro que há nuances. Não estou defendendo gente como o Paulinho, por favor. Mas sejamos menos felizes e ufanos com projetinhos bonitinhos que colam na opinião pública como chiclete. Vamos pensar se o Ficha Limpa resolve mesmo a ineficiência do Legislativo ou se uma ação mais séria no compartilhamento do Judiciário, no controle maior na indústria do processo corporativo, na democracia participativa não seria mais eficiente.
Até porque é muito mais fácil ficar usando camiseta mambembe com o nome do projeto estampado e se achando politizado defendendo o Ficha Limpa do que exercer sua função como ente privilegiado de uma sociedade miserável e cobrar e controlar o Congresso ao longo de um mandato.
Enfim, o Ficha Limpa foi aprovado.
Mas o projeto Ficha Limpa foi unânime.
Não, os senadores não estão todos, sem exceção, do mesmo lado. Diferentemente dos outros projetos e emendas e mesmo do impeachment, o projeto da Ficha Limpa foi votado em ano eleitoral. Isso muda tudo. Todos querem ser bacanas frente a opinião pública neste 2010, principalmente depois da força que esse projeto ganhou na mídia e na internet.
Juro que quero gostar do Ficha Limpa. Ele tem tudo para ser perfeito na teoria. Afinal, se o mundo fosse bacana e hippie mesmo, os políticos enrascados com esquemas, processados e julgados culpados, não poderiam se candidatar a cargos públicos, que estariam abertos para pessoas do bem, que andam a cavalo e matam dragões.
Não é o que me parece.
Sejamos honestos. Ser uma figura pública no Brasil é sinônimo de processo na Justiça. Mesmo um secretário de limpeza pública num município dos cafundós do Brasil profundo tem problemas com a Justiça. Toda e qualquer ação de alguém que ocupa um cargo público é contestada na Justiça. Aquele que se sente lesado entra com um processo contra o gestor público. Não tem jeito, todo mundo sabe que é assim.
Claro que há nuances. Não estou defendendo gente como o Paulinho, por favor. Mas sejamos menos felizes e ufanos com projetinhos bonitinhos que colam na opinião pública como chiclete. Vamos pensar se o Ficha Limpa resolve mesmo a ineficiência do Legislativo ou se uma ação mais séria no compartilhamento do Judiciário, no controle maior na indústria do processo corporativo, na democracia participativa não seria mais eficiente.
Até porque é muito mais fácil ficar usando camiseta mambembe com o nome do projeto estampado e se achando politizado defendendo o Ficha Limpa do que exercer sua função como ente privilegiado de uma sociedade miserável e cobrar e controlar o Congresso ao longo de um mandato.
Enfim, o Ficha Limpa foi aprovado.
terça-feira, 18 de maio de 2010
segunda-feira, 17 de maio de 2010
Hoje, à meia-noite, na MTV
Cheguei em São Paulo, depois de sete dias rodando pela Turquia, e já corri para a nova redação do Valor, que inaugurou hoje sua nova sede. Amanhã sai matéria minha sobre como os turcos veem a relação de seu governo com o Brasil, no diálogo com o Irã.
Ainda arranjei tempo para dar entrevista ao pessoal da MTV sobre o acordo entre Brasil-Irã-Turquia. Hoje, à meia-noite, no MTV Notícias, ancorado pelo Cazé.
Ainda arranjei tempo para dar entrevista ao pessoal da MTV sobre o acordo entre Brasil-Irã-Turquia. Hoje, à meia-noite, no MTV Notícias, ancorado pelo Cazé.
domingo, 16 de maio de 2010
Domingo
Boas ações nunca são perdidas ou esquecidas.
Ditado turco, presente no senso comum desde, pelo menos, o século XIV.
Ditado turco, presente no senso comum desde, pelo menos, o século XIV.
quarta-feira, 12 de maio de 2010
terça-feira, 11 de maio de 2010
Na Turquia
Estou desde ontem a tarde em Istambul, onde ficarei até a manhã de quinta-feira, quando parto para Ankara, a capital, e em seguida Cappadocia. Volto ao Brasil no dia 16, chegando em São Paulo no dia 17, indo direto trabalhar -- porque trabalho nunca é demais ;-)
Viajo a convite do governo turco, pelo Valor. Embora a correria seja tremenda, dá para captar a beleza disso aqui. Fora a dicotomia entre ocidentalismo e islamismo, com meninas em minissaias convivendo harmoniosamente com mulheres escondidas por burcas, há muita mistura étnica e popular.
Quando estiver de volta, com mais calma, desenvolvo por aqui minhas impressões.
Viajo a convite do governo turco, pelo Valor. Embora a correria seja tremenda, dá para captar a beleza disso aqui. Fora a dicotomia entre ocidentalismo e islamismo, com meninas em minissaias convivendo harmoniosamente com mulheres escondidas por burcas, há muita mistura étnica e popular.
Quando estiver de volta, com mais calma, desenvolvo por aqui minhas impressões.
domingo, 9 de maio de 2010
Domingo
De manhã escureço
De dia tardo
De tarde anoiteço
De noite ardo.
A oeste a morte
Contra quem vivo
Do sul cativo
O este é meu norte.
Outros que contem
Passo por passo:
Eu morro ontem
Nasço amanhã
Ando onde há espaço:
– Meu tempo é quando.
Vinícius de Moraes, poetinha e compositor brasileiro.
De dia tardo
De tarde anoiteço
De noite ardo.
A oeste a morte
Contra quem vivo
Do sul cativo
O este é meu norte.
Outros que contem
Passo por passo:
Eu morro ontem
Nasço amanhã
Ando onde há espaço:
– Meu tempo é quando.
Vinícius de Moraes, poetinha e compositor brasileiro.
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Domingo
sexta-feira, 7 de maio de 2010
Fim de expediente
Pegue dois dos maiores gênios da música brasileira. Deixo-os à vontade, na casa de um deles, com a família de ambos reunidos. Entre os familiares, temos também músicos de primeira. Distribua instrumentos ao pessoal, como violões de seis e sete cordas, um acompanhamento na bateria suave, e uma flauta, para o filho cantor. Mas deixe o piano para um e mantenha o silêncio para o outro, mais velho.
Tom Jobim, ao piano. Dorival Caymmi, canta. "Saudades da Bahia", composição dos dois mestres. Câmera de família ligada para pegar esse momento, que este blogueiro calcula ser entre o fim dos anos 1980 e 1991 ou 1992. Na última casa do Tom, no Jardim Botânico, cidade maravilhosa. As meninas, já crescidas, de Tom, cantam ao final. Danilo, caçula de Caymmi, aparece improvisando na flauta.
Nada supera.

Bom fim de semana a todos.
Tom Jobim, ao piano. Dorival Caymmi, canta. "Saudades da Bahia", composição dos dois mestres. Câmera de família ligada para pegar esse momento, que este blogueiro calcula ser entre o fim dos anos 1980 e 1991 ou 1992. Na última casa do Tom, no Jardim Botânico, cidade maravilhosa. As meninas, já crescidas, de Tom, cantam ao final. Danilo, caçula de Caymmi, aparece improvisando na flauta.
Nada supera.
Bom fim de semana a todos.
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Fim de expediente
quarta-feira, 5 de maio de 2010
O banco mais sortudo do mundo
Por aqui, os bancos dão lucros enormes, mês a mês. A grande disputa, no Brasil, é ver qual banco lucra mais. Ora é um, ora é outro, mas é sempre recorde atrás de recorde. Nos países ricos, desde a explosão da crise em setembro de 2008, os bancos lutam para permanecerem vivos. Os que não faliram, receberam empréstimos do Estado. Agora, os mais hábeis já começam a colocar a cabeça para fora d'água, restituindo o Estado.
Mas nenhum banco, no mundo todo, é mais sortudo que o IKB Deustche Industriebank AG.
Nos dias 15 e 16 de setembro de 2008, como os leitores mais antigos do blog devem se lembrar, o mundo financeiro ruiu. O Lehman Brothers, quarto maior banco de investimentos dos EUA faliu e, no dia seguinte, a AIG, a maior seguradora americana, pediu concordata. A partir dali, as bolsas de valores pelo mundo todo fecharam diversas vezes devido à quedas acionárias, moedas se desvalorizaram, bancos e empresas faliram. Não havia mais crédito num mundo viciado em empréstimos.
Dois anos antes, o IKB montou uma grande carteira de títulos subprime das hipotecas americanas. Pouco antes do terremoto de setembro de 2008, o IKB tinha investimentos enormes nesse tipo de papel. Como se sabe, 90% dessas aplicações sofreram calote.
O IKB se salvou por pouco.
As coisas se amainaram e hoje quase ninguém mais fala de subprime ou crise americana. O foco do noticiário passou a ser todo europeu, tendo a crise grega à frente.
Assim que 2010 começou, o mercado começou a ver que a Grécia estava mal das pernas. Na realidade, estava péssima. Havia forjado sua condição fiscal, com ajuda de bancos de investimentos e agências de rating, para ingressar no euro, em 1999. Com a crise de 2008 e 2009, o país entrou no buraco. Tem uma dívida enorme e uma situação crônica interna: ninguém quer emprestar, há desemprego e o governo passa por problemas morais. A dívida pública grega fechou 2009 em impagáveis 273,4 bilhões de euros. Cerca de 10% dessa dívida está nas mãos de bancos e seguradoras alemãs.
Sabem quem estava abarrotado de empréstimos aos gregos? O IKB Deustche Industriebank AG.
Depois de quatro longos meses de sangria, de medo contra calote da Grécia, a União Europeia e o Fundo Monetário Internacional (FMI) acertou, na noite do domingo, um empréstimo salvador aos gregos, de US$ 146 bilhões. Pediu um monte de coisas em troca, é claro, como as velhas exigências de "aperto fiscal e monetário", que, entre nós, são piores que a dívida que estavam carregando. Mas isso é outra história.
Fato é que o IKB, mais uma vez, saiu ileso, na hora H.
Mas nenhum banco, no mundo todo, é mais sortudo que o IKB Deustche Industriebank AG.
Nos dias 15 e 16 de setembro de 2008, como os leitores mais antigos do blog devem se lembrar, o mundo financeiro ruiu. O Lehman Brothers, quarto maior banco de investimentos dos EUA faliu e, no dia seguinte, a AIG, a maior seguradora americana, pediu concordata. A partir dali, as bolsas de valores pelo mundo todo fecharam diversas vezes devido à quedas acionárias, moedas se desvalorizaram, bancos e empresas faliram. Não havia mais crédito num mundo viciado em empréstimos.
Dois anos antes, o IKB montou uma grande carteira de títulos subprime das hipotecas americanas. Pouco antes do terremoto de setembro de 2008, o IKB tinha investimentos enormes nesse tipo de papel. Como se sabe, 90% dessas aplicações sofreram calote.
O IKB se salvou por pouco.
As coisas se amainaram e hoje quase ninguém mais fala de subprime ou crise americana. O foco do noticiário passou a ser todo europeu, tendo a crise grega à frente.
Assim que 2010 começou, o mercado começou a ver que a Grécia estava mal das pernas. Na realidade, estava péssima. Havia forjado sua condição fiscal, com ajuda de bancos de investimentos e agências de rating, para ingressar no euro, em 1999. Com a crise de 2008 e 2009, o país entrou no buraco. Tem uma dívida enorme e uma situação crônica interna: ninguém quer emprestar, há desemprego e o governo passa por problemas morais. A dívida pública grega fechou 2009 em impagáveis 273,4 bilhões de euros. Cerca de 10% dessa dívida está nas mãos de bancos e seguradoras alemãs.
Sabem quem estava abarrotado de empréstimos aos gregos? O IKB Deustche Industriebank AG.
Depois de quatro longos meses de sangria, de medo contra calote da Grécia, a União Europeia e o Fundo Monetário Internacional (FMI) acertou, na noite do domingo, um empréstimo salvador aos gregos, de US$ 146 bilhões. Pediu um monte de coisas em troca, é claro, como as velhas exigências de "aperto fiscal e monetário", que, entre nós, são piores que a dívida que estavam carregando. Mas isso é outra história.
Fato é que o IKB, mais uma vez, saiu ileso, na hora H.
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terça-feira, 4 de maio de 2010
Quid pro quo
Veja faz matéria, com chamada de capa, criticando índios e antropólogos.
Na matéria, Veja cita frase de dois dos maiores antropólogos brasileiros vivos, Eduardo Viveiros de Castro, da UFRJ, e Mércio Gomes, da UFF.
Veja sai nas bancas na sexta-feira e os assinantes recebem no sábado. Os que leem, o fazem, predominantemente, no domingo.
No domingo mesmo, Eduardo Viveiros de Castro, que além da UFRJ, já foi professor da École des Hautes Études en Sciences Sociales (Paris), na Universidade de Chicago e em Cambridge, diz que não falou com ninguém da Veja e que a frase citada na matéria nunca foi dita por ele a qualquer repórter ou sequer foi escrita por ele em alguma publicação (onde Veja poderia ter pegado).
Na segunda, Mércio Gomes, que recebeu de Darcy Ribeiro, um dos maiores brasileiros do século XX, a dedicatória do clássico "O Povo Brasileiro", diz que falou com Veja, mas sua fala foi distorcida.
Hoje é terça-feira, cinco dias depois que a matéria foi escrita, quatro dias depois que chegou às bancas, três depois de chegar na casa dos assinantes, dois depois de ser desmentida por um dos "entrevistados" e um depois de ser desmentida por outro.
E nada é dito por Veja.
Na matéria, Veja cita frase de dois dos maiores antropólogos brasileiros vivos, Eduardo Viveiros de Castro, da UFRJ, e Mércio Gomes, da UFF.
Veja sai nas bancas na sexta-feira e os assinantes recebem no sábado. Os que leem, o fazem, predominantemente, no domingo.
No domingo mesmo, Eduardo Viveiros de Castro, que além da UFRJ, já foi professor da École des Hautes Études en Sciences Sociales (Paris), na Universidade de Chicago e em Cambridge, diz que não falou com ninguém da Veja e que a frase citada na matéria nunca foi dita por ele a qualquer repórter ou sequer foi escrita por ele em alguma publicação (onde Veja poderia ter pegado).
Na segunda, Mércio Gomes, que recebeu de Darcy Ribeiro, um dos maiores brasileiros do século XX, a dedicatória do clássico "O Povo Brasileiro", diz que falou com Veja, mas sua fala foi distorcida.
Hoje é terça-feira, cinco dias depois que a matéria foi escrita, quatro dias depois que chegou às bancas, três depois de chegar na casa dos assinantes, dois depois de ser desmentida por um dos "entrevistados" e um depois de ser desmentida por outro.
E nada é dito por Veja.
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segunda-feira, 3 de maio de 2010
O lulismo e o sindicalismo
Passei o sábado cobrindo os eventos de 1º de maio das centrais. Pela manhã, estive na Praça Campo de Bagatele, com meio milhão de pessoas, para o evento promovido pela Força Sindical e CGTB. À tarde, na festa conjunta da UGT, NCST e CTB. Jornada das 08h às 19h, que só não contou com o evento da CUT, porque a amiga Ana Paula Grabois esteve lá.
Para acompanhar a matéria que fechamos ontem, publicada na edição de hoje do Valor, conversei com o sociólogo Ricardo Antunes, dos maiores especialistas em sindicalismo brasileiro.
Segundo Antunes, Lula, ao aprovar o repasse do imposto sindical às centrais -- que, desde 2008, embolsaram R$ 146,5 milhões do governo -- completou o processo iniciado por Getúlio Vargas. Nos anos 30, antes da ditadura do Estado Novo, Getúlio criou o imposto sindical, que todos os trabalhadores formais (pelo contrato CLT, também criação de Vargas) pagam desde então. Esse dinheiro, recolhido pelo governo, é depois repassado aos sindicatos, federações e confederações sindicais.
A partir dos anos 1980, quando as centrais sindicais foram criadas (CUT foi a primeira, em 1983), passaram a ser o elo que agrega tudo: lá estão sindicatos, federações e confederações. Todas recebendo o imposto sindical, menos as centrais.
Em 2008, com a aprovação de lei por parte do Executivo, o governo Lula abriu mão de parcela do imposto que ficava com o Estado, repassando às seis centrais reconhecidas pelo Ministério do Trabalho: CUT, Força, UGT, CTB, NCST e CGTB. Ao todo, como disse, foram R$ 146,5 milhões repartido entre as seis, de 2008 para cá.
Antunes avalia que, com isso, Lula levou o "getulismo sindical ao limite extremo", completando o processo de "estatização" dos sindicatos. Para ler a entrevista, o leitor do Blog pode visitar o site do Valor, clicando aqui. É possível ler a entrevista por aqui, também (gracias, linda Carolina)
***
O Valor completa hoje 10 anos. Com projeto gráfico mais leve e um novo colunista, que estreou hoje: o mestre Luiz Werneck Vianna.
Foi um orgulho só abrir o jornal e ver a matéria sobre o 1º de maio e a entrevista com Ricardo Antunes dividir página com a coluna de estreia de Vianna, famoso por, entre outros livros, o clássico "Liberalismo e sindicatos no Brasil".
Para acompanhar a matéria que fechamos ontem, publicada na edição de hoje do Valor, conversei com o sociólogo Ricardo Antunes, dos maiores especialistas em sindicalismo brasileiro.
Segundo Antunes, Lula, ao aprovar o repasse do imposto sindical às centrais -- que, desde 2008, embolsaram R$ 146,5 milhões do governo -- completou o processo iniciado por Getúlio Vargas. Nos anos 30, antes da ditadura do Estado Novo, Getúlio criou o imposto sindical, que todos os trabalhadores formais (pelo contrato CLT, também criação de Vargas) pagam desde então. Esse dinheiro, recolhido pelo governo, é depois repassado aos sindicatos, federações e confederações sindicais.
A partir dos anos 1980, quando as centrais sindicais foram criadas (CUT foi a primeira, em 1983), passaram a ser o elo que agrega tudo: lá estão sindicatos, federações e confederações. Todas recebendo o imposto sindical, menos as centrais.
Em 2008, com a aprovação de lei por parte do Executivo, o governo Lula abriu mão de parcela do imposto que ficava com o Estado, repassando às seis centrais reconhecidas pelo Ministério do Trabalho: CUT, Força, UGT, CTB, NCST e CGTB. Ao todo, como disse, foram R$ 146,5 milhões repartido entre as seis, de 2008 para cá.
Antunes avalia que, com isso, Lula levou o "getulismo sindical ao limite extremo", completando o processo de "estatização" dos sindicatos. Para ler a entrevista, o leitor do Blog pode visitar o site do Valor, clicando aqui. É possível ler a entrevista por aqui, também (gracias, linda Carolina)
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O Valor completa hoje 10 anos. Com projeto gráfico mais leve e um novo colunista, que estreou hoje: o mestre Luiz Werneck Vianna.
Foi um orgulho só abrir o jornal e ver a matéria sobre o 1º de maio e a entrevista com Ricardo Antunes dividir página com a coluna de estreia de Vianna, famoso por, entre outros livros, o clássico "Liberalismo e sindicatos no Brasil".
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domingo, 2 de maio de 2010
Domingo
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Oswald de Andrade, escritor brasileiro.
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