que o governo federal tem de fazer passada as eleições é mexer no câmbio. A atual cotação do dólar, de R$ 1,69 (fechou hoje, sexta-feira pré-eleição em R$ 1,67), depois de ter passado todo o ano oscilando abaixo de R$ 1,80 e vindo de um processo de agressiva valorização cambial -- 37% em dois anos! -- está começando a formar uma bomba relógio.
Não é só na indústria, que diminui muito as exportações. Também não é só no emprego, que começa a se concentrar em firmas importadoras, como ocorre em Espírito Santo, e nas empresas que prestam serviço ao mercado doméstico, que cresce forte.
Mas refiro-me à possível formação de bolha, com a crescente entrada de capital externo. Ele é bom, nos ajuda -- e muito -- a crescer, pois complementa a poupança e os investimentos nacionais. Mas se continuar crescendo assim, tendo no câmbio um grande incentivo, problemas podem vir.
É uma missão, claro, para o próximo presidente. Mas o atual governo já pode começar a se mexer agora, seja elevando a alíquota do IOF, seja implementando alguma medida mais criativa. Tenho minhas ideias, mas não vou encher os leitores com elas agora.
Fica o recado.
É, amigo, o problema é deste tamanho mesmo. (foto: Marcos de Paula/AE)


10 comentários:
João, medidas extramercado ou "criativas" são válidas. Entretanto creio que a única forma de acabar com a apreciação da taxa de câmbio de modo duradouro e consistente é reduzir a taxa de juros interna.
Convecer a atual diretoria do BC disso é impossível porém...
Exatamente, Jorge. Inverter a trajetória do câmbio passa por reduzir os juros, mas não pode ficar só aí.
A questão é que há muito capital entrando em bolsa, mercado financeiro e investimentos. Em boa parte, especialmente os investimentos, esse dinheiro é ótimo -- e vai continuar vindo, com pré-sal, Copa, Olimpíadas, Petrobras etc.
A redução dos juros acaba por permitir que o capital que vêm fique apenas nos ativos que auxiliam o crescimento, e não no rentismo desenfreado.
Abração
Temos acordo total. Inda mais nesses tempos onde o Brasil entra no radar do mercado financeiro como potência "in the making". Vai é convecer os neoclássicos e/ou neokeynesianos do BC disso hehe...
Postarei seguido neste teu excelente blog.
Abração aqui dos pampas.
A grande miopia do pensamento neoclássico, que tem grandes méritos, diga-se, é sempre achar que as coisas se ajustas por si mesmo. Que as empresas se auto-regulam, que o mercado encontra seu patamar de funcionamento sozinho.
Bobagem, como vc deve saber, caro Jorge Ussan.
Sempre as coisas podem mudar -- no setor público, nas empresas, nas ONGs, tribos indígenas, até o Flamengo está mudando! Ficar esperando que as coisas aconteçam é falta de criatividade.
Como estão as coisas aí dos pampas? Acaba no primeiro turno mesmo?
Abração
Tenho medo de medidas muito "criativas"...
Mas em economia não meto o "bedelho"!
#_#
Não confunda "criatividade" na economia com Plano Collor, hein, #_# hehe.
Nesse caso, a criatividade se faz necessária porque a questão do câmbio é complexa de virar...
Saudações!
Mexer no câmbio depois das eleições. Me lembra... FHC em 98.
:-)
Hehe pois é, F.Arranhaponte. Mas há uma diferença crucial: naquela eleição o jogo era levar os juros às alturas para compensar o capital que fugia após o estouro da crise russa e, assim, sustentar o câmbio do 1 x 1 entre real e dólar. As reservas, que estavam em US$ 78 bilhões no começo do ano foram a zero e, passada as eleicoes, foi aquele estouro de janeiro de 1999.
Aliás, essa questão do câmbio e eleições lembra também 1986, quando o governo Sarney levou o Cruzado ao limite da responsabilidade em novembro, quando, PMDB já rei da cocada preta, foi tudo para o saco. (não era só câmbio, então, mas a comparação é justa ;-)
O negócio, meu caro F.Arranhaponte, e aí estou certo que concordamos, é que se for preciso mexer algo na política econômica em ano eleitoral, isso só ocorre depois de outubro-novembro...
Abração!
Concordo, a situação não é a mesma de transições passadas. O Brasil não vai quebrar com esse nível de reservas. Sem contar que os movimentos especulativos não são os mesmos anteriores.
De qualquer forma, respondendo tua pergunta João, as coisas por aqui estão boas. Estranhamente boas para a turma da esquerda. Tarso tem grandes chances de se eleger já amanhã. Caso não dê o 2o turno está bem encaminhado.
De qualquer forma um instituto local (Methodus) divulgou pesquisa ontem à noite:
Tarso Genro, PT, 54,9%
José Fogaça, PMDB, 26,4%
Yeda Crusius, 15,3%
E segundo o Ibope de hoje:
Tarso Genro, PT, 48%
José Fogaça, PMDB, 26%
Yeda, PSDB, 15%
- Sobre os votos válidos, Tarso teria 52%, Fogaça 28% e Yeda apenas 16%
Exatamente, Jorge, os movimentos especulativos são outros -- em menor intensidade, uma vez que há mais capital entrando via investimentos e bolsa que para títulos públicos, diferente dos anos 90, quando era concentrado em Selic e operações de privatizações.
E sobre a situação do Rio Grande, parece que o jogo já está jogado para o Tarso Genro. Será um dos primeiros resultados do dia: a expectativa por aí é que até as 22h já se conheça o novo governador.
Abração!
Postar um comentário