sexta-feira, 22 de outubro de 2010

A pior campanha desde 1989

Isso é indiscutível. Nada, na história do Brasil, foi tão baixo quanto a disputa do segundo turno de 1989. Se continuar assim, este segundo turno de 2010 pode ultrapassar.

Em baixaria, 1989 ainda está à frente, mas esta de 2010 ainda não acabou -- falta uma semana ainda, e tudo pode acontecer.

Em debate de ideias, no entanto, 2010 já levou o prêmio de pior campanha da história moderna do Brasil. Em 1989, ao menos, havia um incessante debate sobre as ideias privatistas de Collor contra o Estado social de Lula. E em 2010? Nada se fala. Nada se discute.

Que terror.

***

Por Paulodaluzmoreira:

Eu vejo os dois candidatos se esforçando para mandar graças a Deus e ir à missa e se dizer contra o aborto e não serem a favor do casamento de homossexuais e eu me lembro desses reality shows em que os candidatos são obrigados a comer baratas ou correr pelados na neve. Minha impressão é que se para ganhar um marketeiro disser a esses dois que eles precisam do voto português para ganhar mais uns 4% de eleitores, saem os dois dançando o vira e se empanturrando de bacalhau em praça pública.

4 comentários:

Daniel Nascimento disse...

Caro João, o mais triste disso tudo é ver que quem conduziu a campanha a estes termos foi um candidato que diz que se preparou a vida toda para ser Presidente da República e leva isso com uma obstinação tal que joga todo seu passado político - concorde com sua ideologia ou não, mas ele se fazia respeitar como homem público - na lata de lixo da história ao se aliar com setores ortodoxos da nossa sociedade, de forma que um eventual governo seu se inviabiliza logo de cara devido aos pares que escolheu para ficar a seu lado. Falo do senhor José Serra.
Parabéns pela matéria com Paulo Setúbal, embora eu discorde da visão dele.

Paulodaluzmoreira disse...

Eu vejo os dois candidatos se esforçando para mandar graças a Deus e ir à missa e se dizer contra o aborto e não serem a favor do casamento de homossexuais e eu me lembro desses reality shows em que os candidatos são obrigados a comer baratas ou correr pelados na neve. Minha impressão é que se para ganhar um marketeiro disser a esses dois que eles precisam do voto português para ganhar mais uns 4% de eleitores, saem os dois dançando o vira e se empanturrando de bacalhau em praça pública.

João Villaverde disse...

Legal, Daniel N., obrigado pelo elogio.

A campanha está lastimável para todos os lados. Nunca, nem mesmo quando pensava com meus botões "o que de pior poderia ocorrer" eu cheguei em cenários como esse: aborto sendo colocado como o principal assunto da nação, e todo mundo cedendo à Jesus, como se isso fosse passaporte para bom governo, dois mil anos depois da morte do dito cujo...

Abração

P.S. Entendo seu comentário quanto à campanha do PSDB. Mas a campanha do PT também poderia ter sido mais politizada, especialmente no primeiro turno, quando, ao invés de levantar temas sobre o que poderia ser feito a partir de 2011 e quem tocaria, se preferiu dizer que "é a continuidade, a escolhida do presidente Lula, isso e aquilo".

A ideia de personalizar campanhas políticas é algo muito perigoso, justamente porque ignora o que é importante do termo: campanhas políticas.

Isso é algo que o PSDB também abraçou, algo lamentável e incoerente. Lamentável porque joga toda a história do partido no lixo, preferindo vender-se à demagogia barata de prometer salário mínimo e aposentadorias melhores (justamente um partido que sempre se balizou pela responsabilidade fiscal...), e ao esgoto do debate público.

E incoerente porque, diante da abertura que o PT deu ao despolitizar sua campanha, a bola estava pingando para o PSDB politizá-la: algo que não foi feito.

João Villaverde disse...

Hahaha boa, Paulo. Puxei seu comentário para o post.

Abraços

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