domingo, 19 de setembro de 2010

Domingo

Arrependo-me de tudo, de não ter sido um outro, de não seguir os caminhos batidos e esperar que eu tivesse sucesso, onde todos fracassaram. Tenho orgulho de me ter esforçado muito para realizar o meu ideal; mas me aborrece não ter sabido concomitantemente arranjar dinheiro ou posições rendosas que me fizessem respeitar. Sonhei Spinoza, mas não tive força para realizar a vida dele; sonhei Dostoiésvski, mas me faltou a sua névoa.


Lima Barreto, um dos cinco maiores escritores brasileiros de todos os tempos, em relato íntimo, inacabado, de sua última obra: Diário do Hospício.

8 comentários:

Anônimo disse...

Joao, vc leu a reportagem do Raimundo na Piaui?
Estou achando estranhissimo a total falta de repercussao. A noticia e pesadissima, sobretudo se for pesado de quem vem...

João Villaverde disse...

Não vi não, vc tem o link?
Abs

Mateus Toledo disse...

Esta fechado apenas para assinantes.
E a reportagem de capa da Piaui.

João Villaverde disse...

Ah legal, Mateus, obrigado pelo toque. Vou ler a matéria do Raimundo e depois comento aqui.

Acompanhei de perto a Satiagraha para o Contraponto e tenho uma série de histórias guardadas. Vou checar com o que diz o Raimundo.

Abraços

Paulodaluzmoreira disse...

Li o Cemitério dos Vivos com muita emoção. Esse trecho me lembra o Fernando Pessoa de "Livro do Desassossego":
Fragmento 1 – Autobiografia sem factos
“Nasci em um tempo em que a maioria dos jovens haviam perdido a crença em deus, pela mesma razão que os seus maiores a haviam tido - sem saber porquê. E então, porque o espírito humano tende naturalmente para criticar porque sente, e não porque pensa, a maioria desses jovens escolheu a humanidade para sucedâneo de deus. Pertenço, porém, àquela espécie de homens que estão sempre na margem daquilo a que pertencem, nem vêem só a multidão de que são, senão também os grandes espaços que há ao lado. Por isso nem abandonei deus tão amplamente como eles, nem aceitei nunca a humanidade. Considerei que deus, sendo improvável, poderia ser, podendo pois dever ser adorado; mas que a humanidade, sendo uma mera idéia biológica, e não significando mais que a espécie animal humana, não era mais digna de adoração do que qualquer outra espécie animal. Este culto da humanidade, com seus ritos de liberdade e igualdade, pareceu-me sempre uma revivescência dos cultos antigos, em que animais eram como deuses, ou os deuses tinham cabeças de animais.
Assim não sabendo crer em Deus, e não podendo crer numa soma de animais, fiquei, como outros da orla das gentes,naquela distância de tudo a que se chama decadência. A decadencia é a perda total da inconsciência; porque a inconsciência é o fundamento da vida. O coração, se pudesse pensar, pararia.”
Em bem mais de cento e poucos caracteres... :)

Mateus Toledo disse...

Legal. Pode-se ate achar a materia inconsistente - eu mesmo acho -, mas nao da pra ignora-la.
Escrevi pro Nassif (se nao me engano, amigo pessoal do Raimundo), pro Idelber, pro Celso Barros, nao recebi resposta de ninguem.
Como eu disse, acho que o texto dele nao sustenta suas conclusoes (ou insunuacoes).

Mas o Raimundo, ate provem o contrario, e um sujeito honrado.
As acusacoes la sao gravissimas e, vindo dele, merecem resposta.

Esse silencio todo assusta...

Mateus Toledo disse...

Quero dizer, merece resposta, ainda que seja a de chamar materia (e o autor) de leviana...
Ou mesmo uma resposta espantada, do tipo: nao sei o que pensar.

João Villaverde disse...

Maravilha de trecho, Paulodaluzmoreira :-)

Posso aproveitá-lo para um Domingo cá no Blog?

Abração

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