Bom moçada, estou, como o pessoal que aqui me acompanha, em Paraty, Rio de Janeiro, acompanhando a Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), que ocorre pelo oitavo ano consecutivo. Estou cobrindo pelo Valor -- que, aliás, publicou hoje em sua revista mensal Valor Investe, minha última matéria da Turquia, de turismo. Lá, mais especificamente no caderno EU&FimdeSemana, que circula na próxima sexta-feira (não o de hoje), escrevo a matéria especial.
Por aqui, meninos e meninas (estou todo tranquilão, né?), faço um rápido apanhado das impressões que estou tendo aqui em Paraty. Vamos lá.
Jornalistas x escritores I
Tem mais jornalistas que escritores aqui, sério. Para cada escritor -- são 31, ao todo -- há, pelo menos, 386 jornalistas. Cameramen, pessoal de produção, repórteres de TVs, de rádios, de jornais (rá, cá estou eu), de revistas, de internet, de blogs (sim, cá também), correspondentes internacionais.
Jornalistas x escritores II
É fácil distinguir um e outro. Não é só pelo crachá -- o dos jornalistas é cinza, dos escritores amarelo -- mas principalmente pelos apetrechos. Os escritores estão de chapéu panamá. Os jornalistas, além dos bloquinhos, a indefectível jaqueta, para os homens, e os vestidos com jaquetas jeans, para as mulheres.
Os fotógrafos
Estes, os artistas -- não os fotógrafos de jornal, diga-se -- são os mais fáceis: usam óculos com armações enormes, que ocupam todo o rosto da pessoa. Muito bonito.
Ironia
Estou sendo irônico. Esses óculos são horríveis, mas o pessoal usa mesmo.
O público conhece, jornalistas parece que não
Sério isso. Muitos repórteres parecem desconhecer totalmente os escritores -- não só sua aparência física, mas principalmente suas obras. O público conhece mesmo. Há, claro, muita gente que nada conhece. Mas o "F" de Flip é "Festa", né? Então vale tudo, não posso reclamar.
E isso aqui é uma festa mesmo
Está cheio para burro. Onde se olha, aqui no centro histórico, de onde escrevo, têm gente. Quem gosta de multidão, como o blogueiro, se delicia. Quem detesta, se suicida.
A mais charmosa
De longe, Carola Saavedra.
A mais louca
Com certeza Wendy Guerra, escritora cubana que, além de escrever bem -- li, em apenas duas noites, seu belíssimo "Nunca fui primeira-dama" -- também conta com sorriso arrebatador. Aliás, fica a dica ao pessoal que vai a Cuba: ela nunca sai da ilha (até porque não é das coisas mais fáceis, como ela me contou) e já posou nua. Mas isso fica entre nós, não digam a ela que eu vazei essa.
A mais educada
Isabel Allende. Um primor de escritora, de honestida e de carinho.
O mais engraçado
Entre os mediadores, de longe, Humberto Werneck, rato velho do jornalismo paulistano. Entre os autores, Robert Darnton.
A melhor entrevista
Por enquanto -- porque ainda tenho três dias inteiros pela frente -- com Isabel Allende.
A melhor mesa
A inaugural, com Fernando Henrique Cardoso e Luis Felipe Alencastro discutindo Gilberto Freyre. Falaram do homem, da obra e não ficaram presos à louvação vazia. FHC criticou veementemente as ideias de Freyre e Alencastro bateu no escritor de Recife por seu posicionamento político.
A melhor refeição
Dizem, todos aqui, que o Banana da Terra. O repórter e blogueiro aqui não pode dizer. Não teve muito tempo para comer decentemente ainda. (E ao invés de fazê-lo quando tem tempo, prefere blogar).
O que dizem os corredores
Em todo o espaço que você ocupar na Flip você vai ouvir uma história diferente sobre Lou Reed. Todas elas, diga-se, críticas a ele. Roqueiro dos anos 60 -- um muito fraco, se me permitem. Conheço bem aquela época e acho o Velvet Underground um pastiche do que The Doors faziam e do que os Beastie Boys já tinham feito tempos antes -- Lou Reed foi convidado, confirmou, os ingressos para sua mesa esgotaram em horas e, depois de tudo, ele cancelou sua visita à Paraty.
Recorde
Ontem me superei: 13 cafés expressos ao longo do dia, que foi das 8h às 01h20min.
***
Vamos que vamos que hoje tem mais e está só começando.

Um comentário:
beastie boys tinha feito antes? não seria beach boys?
q vacilo!
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