sábado, 3 de julho de 2010

Espanha está como nunca



Essa é a manchete do El País, o principal jornal espanhol e um dos maiores jornais do mundo, que conta com um modelo online que é copiado por 9 em 10 jornais.

A seleção espanhola passou pelo Paraguai hoje na África do Sul e agora fará a semi-final com a Alemanha. Será uma repetição da final da Eurocopa de 2008, quando a Espanha despachou os alemães, que melhoraram de lá para cá.

Depois da vitória esmagadora da Alemanha hoje contra a Argentina, acho que a situação da Espanha fica difícil. Do outro lado, enfrentam-se Holanda e Uruguai. Torço pelos latinos -- Uruguai de Fórlan, Diego Lugano e Loco Abreu, e Espanha de Iniesta, Xavi, Pedro, Casillas e David Villa.

No fundo quem tem de se preocupar são os alemães. A Espanha está como nunca.

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Aqui, o gol de Villa, o artilheiro da Copa do Mundo.
Os Villaverde, na Espanha e no Brasil, adoraram o grito da torcida espanhola: "Illa, Illa, Illa, Villa maravilla"
***
Não falo como torcedor espanhol, mas apenas repito o que outros -- mais qualificados que eu para falar de futebol -- já falaram: a escola espanhola de futebol é uma das mais belas do mundo. Jogam fácil, bonito, de pé em pé. Tiveram uma bela coroação em 2008, quando se tornaram a melhor equipe da Europa.
Melhor que isso, na realidade, é o banho de alegria que dá no país, que passa por sua mais grave crise econômica desde o franquismo, que se esgotou nos anos 1970.

20 comentários:

Raphael Tsavkko Garcia disse...

Gol de Villa pra... Espanha? Engraçado, ele é Asturiano ou Bable... Os melhores jogadores? Fábregas, Piqué, Xabi... Catalães! E o craque Xabio Alonso? Basco!

Espanha é o ca*****...

João Villaverde disse...

Você está certo. Na Alemanha ocorre fenômeno parecido: um dos atacantes é mexicano e outro é brasileiro, nascido em Santo André (SP).

Nossa seleção também, toda formada por jogadores que atuam há tanto tempo fora do país que até se enrolam no português.

Mas se ficar nessas frescurinhas, Tsavkko, não vai torcer para ninguém. Ou torcer para o Vasco. O que dá no mesmo.

Seu comentário foi correto, mas foi uma infantilidade sua xingar "Espanha é o ca*****...". Não por ser a Espanha, você pode xingar quem você quiser. Mas é de uma imaturidade ímpar isso.

Abraços

Hugo Albuquerque disse...

João,

Obrigado pelo elogio, assim fico todo-todo - mas tenho me esforçado ao máximo na cobertura desta Copa ;-)

Sobre a Espanha, sim, joga bonito. Assisti quase todos os seus jogos - o de Honduras, vi o compacto. O problema é que Fernando Torres não está em grande fase. Llorente poderia virar titular. Iniesta é um grande jogador, mas atuaria melhor como meia - gostei mais de Navas pela ponta-direita. O time acaba dependendo muito de David Villa para concretizar o que produz - e ele só falhou mesmo contra a Suiça. Seja como for, é um time que joga um futebol plástico, leve, bem tocado como nenhum outro nesta Copa.

um abraço

Raphael Tsavkko Garcia disse...

A situação da Espanha é MUITO diferente da do BRasil ou da Alemanha, não há qualquer relação. Uma coisa é um jogador ser naturalizado ou ser de família de imigrantes, outra é o jogador fazer parte de uma minoria oprimida e, no caso dos Bascos, até muito mais antiga que a própria idéia de nação espanhola.

Os Bascos, Catalães, Canários e etc são proibidos de ter sua própria seleção, são nações subjugadas.

Hugo Albuquerque disse...

Tsavkko,

É uma situação complexa. Em um primeiro lugar, quando tratamos de seleções de futebol, o elemento político já está presente, mas eu, pelo menos, advogo em prol de uma via de desconstrução disso por meio de um enfoque no esporte e numa lateralização do componente nacional. Inclusive, debati essa questão recentemente no meu blog.

Nação é um conceito do mundo antigo e adquire o atual significado com a burguesia. Marx e os velhos comunistas sabiam que, no fim das contas, a ideia de nação não servia para outra coisa senão a representação da relações patriarcais, normal entre as famílias daquele tempo - e de hoje -, em escala macroscópica, o que servia para a justificação ideológica do domínio da burguesia em relação aos trabalhadores.

Depois, surge a ideia de que os povos oprimidos também deveriam ter direito a uma 'autodeterminação' - isto é, o direito de se tornarem independentes, livres, felizes etc. Bem, por detrás disso, em muitos casos estava o interesse de uma elite local ou o simples auto-engano de um determinado grupo humano de que o melhor caminho seria a independência de cada povo.

Daí eu pergunto: Se as culturas estão em constante afetação, em tempo e espaço, como podemos estipular isso como critério para construir fronteiras entre uma mesma espécie? É evidente que isso não vai se mudar da noite para o dia, mas é interessante ir construindo, lentamente, mecanismos que subvertam o nacionalismo.

Eu não deixo de pensar dessa maneira. É da reunião das gentes que se constrói algo, não de sua maior divisão. Isso não quer dizer que eu defenda o Estado espanhol tal como ele é. Não, muito pelo contrário. Muito embora a autonomia de muitas daquelas regiões - países, a rigor - tenha aumentado, ela não é satisfatória. O separado ainda está unido enquanto separado. É necessário que se aprofunde isso, como também se republicanize e se federalize o país também.

Não sei se é mais divisão, seja de cidades - ou de ruas quem sabe - que resolverá a situação daquelas pessoas. E creio que existe um consenso cada vez maior na Espanha nesse sentido. Mais do que outrora. Não será, com efeito, de uma forma errada de união que se construirá nada, nem de secessionismo também. Ainda assim, ver uma seleção de castelhanos, catalães, bascos, canários etc jogando juntos é sim um bom sinal e um bom caminho para escapar à essa armadilha.

um abraço

Raphael Tsavkko Garcia disse...

Eu não vejo grande complexidade. A situação se resume à opressão de um Estado - Espanha - contra nações - Catalunya, Euskal Herria, Galiza, Astúrias, etc.

Da mesma forma que Inglaterra, Escócia, Irlanda do Norte, Ilhas Faroe e afins jogam sem problemas, não vejo razão para a Espanha impedir. NA verdade vejo sim, seria o primeiro passo para a independência, o que a Espanha não permite, se advoga no direito de manter numa prisão quem não quer ser espanhol.

A questão da "nação" é simples, Catalão fala catalão, tem história em comum, cultura em comum e não são espanhóis, forma conquistados. Bascos nem precisa citar as diferenças, são o povo mais antigo da europa com características inconfundíveis.

Sou ferrenho defensor da total independência de TODAS as nações que são forçadas e ser espanha, isto não é novidade.

Hugo Albuquerque disse...

Eu sei e discordo,. A nação não é dado natural, uma inerência do homem, mas sim um elemento culturalmente construído - não um elemento construtor de cultura, pelo menos não primeiramente nem exclusivamente. Assim fosse, seria impossível nações se alterarem conforme o tempo ou, especialmente, melhorassem com a sua interação e trocas entre si, dentro de uma mesma época - ou ainda, esse conceito teria existido durante toda história humana, não é o caso. O Estado espanhol, ressalto, ainda precisa progredir bastante, embora não seja um monolito. Também não acho que todo o tipo de dominação ou violência que aconteceu na Europa deva ser impeditivo para traçar algo para o futuro - porque aí nada seria possível ali dentro - assim como a solução para essas questões não passa pelo crivo de mais e mais divisões. Do contrário, o horizonte que resta é tamanho atomismo que os habitantes das Ilhas Faroe tem sua própria seleção.

abraço

Raphael Tsavkko Garcia disse...

A nação é de fato uma construção, mas por vezes ela é apenas o reflexo da realidade. A França ou a Espanha são nações construídas, falsas, não existem. Já os Bascos podem se considerar uma nação através de um processo natural, eles são o melhor exemplo que existe. Sua própria diferença cultura, linguística e em alguns casos até em termos físicos os diferenciam naturalmente de TODOS à sua volta.

Eles não tem o direito de terem um Estado para defender suas características contra o desaparecimento e a opressão? Devem se submeter ao mando Espanhol e sumir no mapa?

O papo da unificação é lindo, mas só esbarra em um pequeno problema: E quem não quer?

Aí está o problema. Não adianta filosofia, boa vontade ou má vontade, nem tortura e armas e muito menos a tentativa de conversa. Bascos, Catalães e muitos outros querem sua independência e não interessa se A ou B acha que o bonito é integrar. Eles são mortos, torturados, oprimidos e não vão aceitar esta situação, na verdade não aceitam.

Pensa com a cabeça dos espanhóis é bom para os espanhóis, não para quem eles oprimem.

Hugo Albuquerque disse...

Tsavkko,

Eu discordo. A nação é reflexo da realidade enquanto construção discursiva do poder - portanto, tanto o conceito quanto suas formas. Nem sempre houve "nação" e nem sempre haverá, sua existência diz respeito a uma particular forma de exercício do poder, opressiva e que não será pela sua repetição ad infinitum que irá funcionar. É como supor que os problemas do capitalismo seriam resolvidos pelo enriquecimento de todos - como se fosse possível.

A própria Linguística é uma prova disso. Todos os homens na face da terra falam e sua fala possui regras comuns - o que varia são as formas, que mudam com o tempo por si e pela relação entre os vários idiomas.

Não sou um cara muito popular porque entre as saídas postas - unionismo forçado ou atomismo -, eu sou pela denúncia da dicotomia falsa. A saída é a integração, seja enquanto meta ou como passos pragmáticos. Hoje na Europa existem dois forças aparentemente paradoxais: O unionismo forçado da União Europeia e um atomismo étnico, via separatismos vários. Não há paradoxo porque a atomização coordenada com uma centralização designativa é a pedra de toque para se compreender os rumos - em suma, os descaminhos - do Capitalismo Europeu Contemporâneo.

Uma união de países não pressupõe de forma necessária aniquilação de culturas. Pode significar integração e trocas também. Dizer que a necessidade nessa possibilidade é o mesmo que renunciar a qualquer projeto humanista, admitindo, no máximo, que é possível unir o separado enquanto separado. Não creio que reste esperança se for isso. Por ora, as evidências que eu tenho, felizmente, apontam para outro lado.

um abraço

Luis Henrique disse...

Que me permitam um pitaco no assunto, creio que um bom primeiro passo é Cortar la cabeza del Rey, por mais que o resultado disso acabe sendo mais simbólico do que prático.

Futebolisticamente falando, é mais interessante jogar como Espanha, oras. Como reunir tantos craques assim fosse o contrário?

Hugo Albuquerque disse...

Luís Henrique,

De acordo e...de acordo.

Raphael Tsavkko Garcia disse...

Nação não pode ser reduzida a isso. Ou você vai me dizer que Bascos e Espanhóis são a mesma coisa? Um Basco com sua língua e cultura únicas são a mesmíssima coisa e tudo que é diferente é uma mera criação moderna?

O NOME nação é moderno, mas as diferenças são antiquíssimas. A idéia de nação moderna é uma coisa, as diferenças reais entre os povos são algo que vão além. Hoje nós damos o nome de nação, mas antes eram tribos, povos, grupos, como quiser chamar.

O Basco não tem qualquer emelhançacom o Espanhol. E, mems oque em algum tempo remoto fosse tudo a mesma coisa, hoje não é. Não adianta forçar o que não é mais igual ou semelhante.; Catalães, Bascos, Galegos, eles não são espanhóis e não se identificam assim.

Conceitos antigos, modernos, isto tudo é ótimo pra um papo acadêmico ou num bar, mas a realidade está posta. São diferentes, se consideram diferentes e não querem viver juntos.

Temos de trabalhar com esta realidade e não com conjecturas e sonhos de unidade que não existe e não é desejada pelas partes.

Há de se ter em conta o que querem as partes, uma que quer dominar e a outra que não quer ser dominada. A solução é defender o dominador que mata, tortura e acultura?

A união com a Espanha significa a culturação, a eliminação de um povo, isto vê-se historicamente, é um processo em andamento. Se os Bascos querem independência eles tem o direito de serem livres, seja por qualquer conceito encontrado.

Luis: Dos 23 jogadores da Espanha pelo menos 7 são catalães, o que manteria uma seleção forte. O que, de qualquer forma, não é desculpa para submeter um povo.

Gustavo Franceschini disse...

Não me meto na discussão política, e se a Espanha seria melhor ou pior dividida em mil partes.
No futebol, dá pra dizer que Alemanha e Espanha têm similaridades, sim.
Nos dois países se celebra uma miscigenação, por assim dizer. A Alemanha reúne descendentes de tunisianos, nigerianos, turcos e ganenses. Além disso, tem brasileiros, sérvios e poloneses naturalizados. A mídia e a população dão sinais de que essa é a cara da nova Alemanha, cosmopolita.
Na Espanha, ninguém vai tão longe. Mas há, verdadeiramente, uma empolgação com a seleção ultra misturada. Se não superaram as diferenças, muitas das partes esqueceram os problemas para torcerem pelo time. Segundo relatos de jornalistas que estão por lá, a manifestação pública em torno da Fúria é superior à que aconteceu no Brasil, por exemplo.

Hugo Albuquerque disse...

Tsavkko,

Se quer debater a saída que eu propus, ótimo, mas sofismar não. Volte e releia o que eu escrevi. Eu não disse que os castelhanos e os bascos são a mesma coisa, eu disse que são culturas diferentes, mas que podem interagir dentro de um modelo federativo civilizado, superando assim a armadilha do nacionalismo que, aliás, já foi responsável pela morte de milhões de pessoas na Europa, opondo seres humanos em trincheiras de maneira cruel e arbitrária.

Não é o nome nação que é moderno, na verdade, ele é antigo, mas tinha uma conotação bem diferente entre os romanos, entre nós, o conceito moderno que preponderou e a forma de organização na qual ela se consubstancia, seu processo de exclusão/inclusão e respectiva organização, determina sim como os grupos interagem internamente e com os demais grupos. A interação cultural entre os povos europeus na Idade Média, muito embora as diferenças fossem grandes, era muito diferente do que se viu com a modernidade.

A experiência da União Europeia, mesmo com as inúmeras críticas que se faça - e que eu não me excuso de fazer, especialmente no tocante à política econômica - traz não a saída, mas boas pistas quanto o modo que a Europa possa buscar a paz: Como mais coordenação - de forma mais eficiente - e integração, não com divisões. A pior tragédia que o unionismo provocou na Europa não se igual às tragédia médias do nacionalismo.

Desde que a ideologia nacionalista foi posta em prática, ela, como todo ideologia, sempre tem o seu discurso inicial fundado no combate ao imperialismo, na autodeterminação, e na construção de unidades arbitrárias, com fronteiras que não existem, não atestando diferenças naturais, mas culturais - portanto, mutáveis - e as aprofundando. Nação não é cultura diferenciada posta junto, é cultura em diferenciação e alheamento dos grupos uns dos outros. Ela deve ser subvertida pelo multiculturalismo ou simplesmente posta de lado.

Também desconheço que realidade seja essa. Uma realidade, cuja montagem do quebra-cabeças na qual ela se constitui exclua a necessidade da filosofia e não goste muito de bares só há de ser teológica - ou ideológica, mas no Ocidente, tanto faz.

um abraço

Raphael Tsavkko Garcia disse...

Hugo,

Seu modelo "federativo civilizado" encontra só um problema: Nem espanhóis, nem Bascos o querem.

Os espanhóis querem aculturar os Bascos e os Bascos querem resistir.

Vamos lidar com a realidade, e a realidade é esta. Só interessa aos bascos a independência ou um modelo similar aos Fueros, coisa que defende o PNV ou alas dele, o que talvez se aproxime mais do que você propõe. Mas é um modelo bem específico.

Temos uma realidade posta, um movimento que exige reconhecimento de um povo, de uma nação ou de uma cultura - não importa o nome - contra a opressão imperialista de um Estado que se diz plurinacional mas na verdade é excludente.

João Villaverde disse...

A questão aqui é simples:

Uma coisa é Copa do Mundo. Outra coisa é política nacional. São duas linhas que, eventualmente, se tocam. O futebol passa pela política, é claro, porque constituído em determinada situação histórica.

Nesse sentido, concordo com a visão do Hugo, de que uma série de nações átomos se enfraquecem -- e isso é humano. Podem existir por um tempo, mas logo uma delas ganha força (por uma série de razões circuntanciais) e abocanha as mais frágeis. Isso independe de leste-oeste, cor de pele, cultura ou ideologia.

Entendo perfeitamente o que o Tsavkko diz. Os bascos, mais que catalães e galegos, são um exemplo disso: língua diferente, cultura tradicionalíssima, francamente instalados na região, que pouco tem a ver com a cultura espanhola -- até tem, viu, mas isso é outra história.

Minha família é toda galega. A parte Canabal Cardesín, de minha avó, vive lá desde os primórdios. A outra, os Villaverde, de meu avô, se instalaram na Galícia no começo do século XX. Uma parte pequena veio ao Brasil -- 90% da família ainda está lá. Os espanhóis, bem como os brasileiros no Rio, estão torcendo loucamente pela seleção. Ninguém vê problemas nesse ponto.

Justamente porque uma coisa é futebol e outra coisa é política nacional.

O que diz o Gustavo encontra eco no que tenho ouvido: "a manifestação pública em torno da Fúria é superior à que aconteceu no Brasil".

E não deixa de ser lindo uma seleção unindo todos eles, como bem lembrou o Luís Henrique.

Abraços

João Villaverde disse...

Um dia ainda escrevo sobre a história dos Canabal Cardesín e dos Villaverde. E também a bela história das três menininhas Maria Luísa, Nelita e Glória, que resultaram da união entre o avô Villaverde e a avó Canabal Cardesín, filha do prefeito de Pontevedra nos anos 30 pré-Franco.

As três meninas, no Rio dos anos 50 e 60, têm histórias impagáveis. Enquanto isso, do outro lado, estava o pai botafoguense, mineiro de Ponte Nova, instalado no Rio no imediato pós-golpe de 1964.

No dia que o jornalista aqui assentar, ainda escrevo essa história.

Abraços

João Almeida disse...

Na pequena Ponte Nova, aprendi alguns valores que carrego comigo até hoje.
O principal deles, é ser contra toda e qualquer ditadura. Ainda, tenho viva na memória a lembrança de meia dúzia de recrutas armados quando da redentora de 1964.
Mas a memória mais viva, é o meu Pai, sentado numa cadeira ao lado de um rádio a válvulas, sintonizado na rádio Nacional, ouvindo a decisão de 1962.
Lógico que o Botafogo foi Campeão.
Neste instante aprendi a ser apaixonado pelo Botafogo e que o Flamengo é sempre inimigo.
Lembro-me do primeiro aparelho de TV, uma tv Phillips, assistindo um jogo na TV Tupi.Uma imagem de qualidade horrível.
Mudamos para o Rio de Janeiro, onde pude presenciar "in loco", o que imaginava ouvindo a Rádio Nacional.
Pude ver Garrincha, Nilton Santos, Quarentinha, Zagalo entre outros.
Solidificou, em mim, a paixão pelo Botafogo.
Aprendi amar o Rio, sem deixar de ter saudades das sessões de cinema, nos muros de algumas casas, promovida pelas "Casas Pernambucanas".
Vim para SP, onde meus filhos nasceram, cresceram e se tornaram Homens, adultos e com valores morais e de caráter que me orgulho.
Aprendi a amar SP, um caos de stress, mas maravilhosa cidade que me acolheu.
Mais de tudo isso aprendi que minha pátria, meu País, é onde eu seja bem tratado.
MG, RJ, SP, são estados em que vivi, e hj sou tão paulista quanto qualquer paulistano.
A única coisa que nunca irá mudar, minha admiração pelos filhos, pela espanhola linda, a Nelita, com quem me casei, e pelo Botafogo.

Obrigado por citar em seu Blog, minhas origens.
Um carinhoso abraço do seu Pai.

João Villaverde disse...

Pronto, pai que comenta pela primeira vez no Blog do filho dá nisso: discurso todo apaixonado ;-)

Abraços alvinegros pro pai mineiro, carioca, paulista e espanhol convertido.

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