domingo, 25 de julho de 2010

Domingo

Com um grande termômetro no chapéu
e um certo ar marcial de gênero equidistante
todos saíram hoje das suas casas na duna
para a rua a soprar o vento que vem de longe
a certeza que há de vir de longe
a formiga que vem de muito muito longe
Os prisioneiros polícias dos polícias prisioneiros
nas montras nos passeios por baixo dos bancos
passam os pontos escuros para o outro lado
sem esquecer o espelho
sem esquecer o aranhiço meticulosamente pequenino
para fazer a surpresa
sem esquecer a borboleta tonta que sobe no horizonte
da cor do sol
o pescoço da nossa felicidade.


Mário Cesariny de Vasconcelos, escritor, mestre do surrealismo português. Esta, acima, que chamou de "Parada" (1962), é das preferidas do blogueiro.

2 comentários:

Carolina disse...

Tonta de felicidade como a cor do sol no horizonte, com uma borboleta subindo de surpresa

;)

João Villaverde disse...

Comentário que segue a risca a comentarista: uma gracinha só.
:-)

Beijos

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