segunda-feira, 14 de junho de 2010

O modo DEM de fazer política

Na semana passada, movido pelos acordos hierarquizados fechados pelo PT nos estados em torno de um projeto de poder -- no post "As escolhas do PT e o futuro da política" --, discuti, ao final, o que ocorreu com o DEM, o ex-PFL.

Não comparei e não comparo PT e DEM, por favor.

O DEM é o PFL de nome novo. O PFL, Partido da Frente Liberal, recebeu esse nome porque se tratava de um grupo de parlamentares do PDS, o partido que sustentava o regime militar, rompeu com as diretrizes do PDS e criou a Frente Liberal do PDS. Isso foi em 1984, quando o movimento das Diretas pressionava o governo, que já estava esquálido pela crise econômica que explodia a inflação. Os caras do PDS, então, sacaram que o negócio não ia ficar bem e resolveu romper. Não foram para o PMDB, que à época era centro-esquerda.

Como PFL desenvolveram um projeto de partido, com a tática de fortalecer bases regionais e lançaram candidatura própria à Presidência, em 1989. Depois, no governo Collor, passaram a se ligar ao PSDB, num acordo costurado com as lideranças tucanas, tendo Fernando Henrique Cardoso à frente. FHC era senador ilustre e, como ministro da Fazenda de Itamar se lançou candidato, em 1994. O PFL fez uma escolha em 1994, que manteve intacta até 2001.

Em 2001, o PFL teve um lampejo. Roseana Sarney, então filiada ao partido, lançou-se pré-candidata à Presidência e, até fevereiro de 2002, aparecia com grandes chances de disputar com Lula (PT) as eleições. Houve um racha com o PSDB, aprofundado pelo episódio de março, quando a Polícia Federal, chefiada por Marcelo Itagiba, colega de José Serra, então candidato pelo PSDB, desbaratou um esquema mal resolvido de Roseana e o marido. Ela deixou a candidatura e o PFL não esteve com Serra nas eleições.

A partir de 2003, no entanto, voltaram para o jogo de 1994: se ligaram, como unha e carne, ao PSDB. Todos os nomes fortes do PFL foram ruindo, culminando com três episódios sintomáticos.

O partido mudou de nome, no começo de 2007, para Democratas, o DEM.

No fim daquele ano, Antônio Carlos Magalhães, o ACM, a maior figura política do PFL, ex-PDS, ex-Arena, morreu. Morreu, inclusive, fora do poder. No ano anterior, seu candidato, Paulo Souto, perdeu a disputa pelo governo da Bahia para Jacques Wagner (PT).

Depois, em 2009, o único governador do partido, José Roberto Arruda, foi cassado por corrupção ativa.

O DEM chega em 2010 totalmente ligado ao PSDB. Abandonou completamente seu projeto de partido, trata-se de um projeto de poder apenas. Vale tudo para chegar lá. As discussões internas do partido, que já não contam com grandes lideranças, só discutem as melhores estratégias para o PSDB. O DEM discute Serra, discute Aécio, discute tudo, menos nomes do DEM.

Pior ainda: em São Paulo, onde o DEM ainda conta com a Prefeitura, por meio de Gilberto Kassab, o DEM ainda fez questão de rachar com o PSDB.

Na semana passada, Milton Leite, um dos vereadores mais influentes aqui em SP anunciou apoio à candidatura de Aloizio Mercadante (PT) ao governo do Estado. O natural seria o DEM apoiar Geraldo Alckmin, candidato do PSDB. Mas, em 2008, quando Kassab se elegeu, PSDB e DEM racharam. O PSDB lançou Alckmin, ao invés de, pela lógica partidária, apoiar o candidato do DEM.

Hoje, Carlos Apolinário, o líder do DEM na Câmara Municipal de São Paulo, anunciou apoio a Mercadante.

O modo DEM de fazer política é curioso. É um mix de projeto de poder com falta de coloração partidária. Se o PSDB não quer, o DEM, ao invés de ganhar autonomia, se liga a outro. Mesmo que esse outro seja o PT, o eterno rival político do ex-PFL.

2 comentários:

Leonardo Bernardes disse...

O DEM é como a antiga aristocracia falida, vive de fama e de pose. Não há razão para que a imprensa lhe conceda tanto espaço. Toda a pouca projeção que tem, deve à relação simbiótica que mantem com o PSDB.

(Embora abrigue, curiosamente, figuras limpas como Marco Maciel e Claudio Lembo)

Ficou massa o novo template, João. Parabéns. Achou onde? Ou mandou fazer?

João Villaverde disse...

A comparação é ótima, Leo Bernardes hehe. Como ainda é um partido grande, tem essa história de agregar todo tipo de gente. Isso existe nos tradicionais, mas estão sumindo...

Que bom que gostou no novo layout, meu caro. Não mandei fazer não, foi na raça mesmo hehe. Aidna estou experimentando algumas mudanças, quero ver até onde dar. Fiz no blogspot mesmo e tentei encontrar cores semelhantes a que usava antes, para não ficar com uma cara parecida.

Abração

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