terça-feira, 6 de abril de 2010

As chuvas no Rio

Hoje pela manhã, o grande cronista Ruy Castro disse, em entrevista à rádio aqui de SP, que as chuvas torrenciais no Rio de Janeiro ainda não superavam à trágica chuvarada de fins de 1966 e início de 1967.

Já superaram.

Desde ontem à noite, já foram mais de 288 milímetros de chuva despejados sobre o Rio. Naquele 66-67, foram 245 mm. Quando escrevo esse pequeno texto, o setor público fluminense contabiliza 93 mortes, devido aos enormes desabamentos de morros. Esse número deve aumentar.

As chuvas de quarenta anos atrás, como mestre Ruy deve se lembrar, levaram, entre outros, Paulinho Rodrigues, irmão mais novo de Nelson, dramaturgo. Paulinho estava em casa, em Laranjeiras, com os dois filhos, comemorando o aniversário de sua esposa, quando sua casa -- junto a outras -- desabaram devido às chuvas. Em dezembro de 1967, com a cidade ainda cicatrizada pelas mortes trágicas provocadas pela chuva, a família Rodrigues ainda sofreria mais uma baixa: a viúva de Mário Filho, filho mais velho de Mário Rodrigues, pai de Nelson e Paulinho, cometia suicídio.

Hoje é mais um dia de lástima no Rio. E continua chovendo.

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