"Se um dia você resolver apresentar essas imagens da minha pessoa, você me avise com cinco dias de antecedência que é pra eu sumir ou dar um tiro na minha cabeça ou te matar."
Segundo Durval Barbosa, secretário de Relações Institucionais do governo do estado do Distrito Federal até sexta-feira passada, a frase acima foi dita pelo governador José Roberto Arruda (DEM) e se referia à divulgação das fitas gravadas por Barbosa que mostravam a propina cobrada e recebida por Arruda.
As fitas foram divulgadas na sexta-feira à noite. Desde então, o governo de DF vive um bombardeio.
As imagens são claras e evidentes: Arruda aparece recebendo sacos com notas de 100 reais enroladas em maços, somando, segundo Barbosa, R$ 50 mil. Não foram poucas vezes. Ao que parece, o pagamento ocorria mensalmente. Quem pagava? Empresas privadas e públicas, que, em troca, recebiam contratos do governo sem licitação.
Segundo consta, é um esquema que funciona desde o primeiro mandato do ex-governador Joaquim Roriz, quando Barbosa fazia parte do governo. Deixou o esquema Roriz prontinho, em 2006, para tocar a campanha de Arruda, que venceu as eleições. A partir de 2007, portanto, o governador mudou, alguns quadros mudaram, a população acreditou que valeu a pena, mas o esquema se manteve e, na frente dele, Barbosa, mais uma vez.
A Polícia Federal, por meio da Operação Caixa de Pandora, investiga as ramificações da "organização criminosa". Barbosa fez acordo de delação premiada com o Ministério Público e o Judiciário, livrando-se de inquéritos e tendo penas reduzidas em processos por corrupção no tempo em que servia ao governo de Roriz (2003-2006), antecessor de Arruda no comando do DF. Ao longo do fim de semana , foram cumpridos 29 mandados de busca e apreensão em 24 endereços - 21 no DF, um em Goiânia e dois em Belo Horizonte. A PF mobilizou 150 agentes e recolheu R$ 700 mil, além de US$ 30 mil e 5 mil euros. Documentos, dezenas de computadores, pen drives e outras mídias eletrônicas com gravação de dados também foram apreendidos.
Ontem à noite, Arruda liberou primeira nota sobre o caso. Se disse "perplexo".
Vivemos em um país em que os jovens já nascem conservadores, e se tornam ainda mais conservadores conforme envelhecem. São incentivados pelo anacronismo e pelas facilidades a evitar o pensamento crítico. O escapismo é a ordem e o progresso é a intolerância.
segunda-feira, 30 de novembro de 2009
domingo, 29 de novembro de 2009
Domingo
A Terra era irreconhecível. Estamos acostumados a contemplar a forma agrilhoada de um monstro vencido, mas ali -- ali podíamos ver a monstruosidade à solta. Não era uma coisa deste mundo, e os homens... Não, não eram desumanos. Bem, vocês sabem, era isso o pior de tudo -- essa desconfiança de que não fossem desumanos. Era uma ideia que nos ocorria aos poucos. Eles berravam, saltavam, rodopiavam e faziam caretas horríveis; mas o que mais impressionava era a simples ideia de que eram dotados de uma humanidade.
Joseph Conrad, escritor inglês, 1902.
Joseph Conrad, escritor inglês, 1902.
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quinta-feira, 26 de novembro de 2009
A divisão das esquerdas entre os estudantes
Dentre a infinidade de boletins e jornais estudantis que circulam pela Universidade de São Paulo (USP), um deles, em especial, me chamou a atenção: "Suplemento do jornal Juventude Revolucionária", feito pela juventude do Partido da Causa Operária (PCO). Trata-se de uma folha, redigida frente e verso, com tiragem, segundo o boletim, de 10 mil exemplares.
O informativo trata da crise da USP e lança ideias. É algo importante, isso, de lançar ideias. Mas, afora qualquer coisa, destaco o seguinte parágrafo:
Aqui, o PCO acusa o PSTU e o P-SOL de atuarem "contra a realização de uma assembleia geral". É um ponto. Aqui, portanto, deve ser discutido: 1) a crise da USP, 2) como resolver, 3) qual deve ser a participação dos estudantes, 4) se uma assembleia geral é o caminho. Pelo informativo, é possível supor que, neste caso, PSTU e P-SOL dividem a mesma opinião.
No entanto, conversando com qualquer pessoa ligada à juventude do PSTU e do P-SOL, podemos perceber que os dois não chegam a quase nenhum consenso. Ou seja, o PCO discorda do PSTU e do P-SOL, que discordam entre si.
Como os partidos de esquerda querem arregimentar alguém com essa zona toda? Sério, qual é a diferença tão crucial que separa PSTU, P-SOL, PCO? Não quero ser ingênuo. Eu sei que, a depender do tema, sempre teremos opiniões divergentes. Não estou defendendo a união forçada. Mas o bom senso. É simplesmente ridículo acreditar que, cada grupinho de 100 nêgo fazendo seu jornalzinho, discutindo uma vírgula n'O Capital, vão fazer alguma diferença entre todo o resto dos estudantes, que nada querem com nada. Para romper a alienação geral, o individualismo ou a pressão que o status quo exerce sobre o bem resolvido é preciso muito mais que isso.
Ou alguém dentro do PCO, do PSTU e do P-SOL acha que do jeito que está é possível, sozinho, mudar o regime do país?
Façam-me o favor.
O informativo trata da crise da USP e lança ideias. É algo importante, isso, de lançar ideias. Mas, afora qualquer coisa, destaco o seguinte parágrafo:
A atual direção do Diretório Central dos Estudantes (DCE, controlado pelo PSTU) e do Conselho de Centros Acadêmicos (CCA, dirigido pelo P-SOL) atuam contra a organização dos estudantes. Impediram a realização do Congresso dos Estudantes da USP, que deveria ter sido feito neste segundo semestre e agora trabalham para impedir a convocação de uma assembleia geral (...)
Aqui, o PCO acusa o PSTU e o P-SOL de atuarem "contra a realização de uma assembleia geral". É um ponto. Aqui, portanto, deve ser discutido: 1) a crise da USP, 2) como resolver, 3) qual deve ser a participação dos estudantes, 4) se uma assembleia geral é o caminho. Pelo informativo, é possível supor que, neste caso, PSTU e P-SOL dividem a mesma opinião.
No entanto, conversando com qualquer pessoa ligada à juventude do PSTU e do P-SOL, podemos perceber que os dois não chegam a quase nenhum consenso. Ou seja, o PCO discorda do PSTU e do P-SOL, que discordam entre si.
Como os partidos de esquerda querem arregimentar alguém com essa zona toda? Sério, qual é a diferença tão crucial que separa PSTU, P-SOL, PCO? Não quero ser ingênuo. Eu sei que, a depender do tema, sempre teremos opiniões divergentes. Não estou defendendo a união forçada. Mas o bom senso. É simplesmente ridículo acreditar que, cada grupinho de 100 nêgo fazendo seu jornalzinho, discutindo uma vírgula n'O Capital, vão fazer alguma diferença entre todo o resto dos estudantes, que nada querem com nada. Para romper a alienação geral, o individualismo ou a pressão que o status quo exerce sobre o bem resolvido é preciso muito mais que isso.
Ou alguém dentro do PCO, do PSTU e do P-SOL acha que do jeito que está é possível, sozinho, mudar o regime do país?
Façam-me o favor.
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quarta-feira, 25 de novembro de 2009
P-SOL e Marina Silva
A ex-senadora e ex-candidata à Presidência da República (2006) Heloísa Helena, anuncia que, entre 05 e 06 de dezembro o P-SOL anunciará apoia à candidatura da senadora Marina Silva (PV) à eleições presidenciais de 2010.
É um movimento que diz muito.
Conversei com gente da base do partido nesta semana. Não há consenso quanto ao apoio e, mais que isso, há certa indisposição ao grupo majoritário no partido, liderado por Heloísa Helena e Luciana Genro. Para as bases do partido, o P-SOL deve lançar candidato próprio à Presidência no ano que vem. É a única forma, dizem, de marcar a posição partidária.
O P-SOL, há tempos, vem se isolando no cenário político brasileiro. Não é de hoje que, nas votações em comissões na Câmara e no Senado, o partido vota junto ao DEM e ao PSDB. Claro, é compreensível num primeiro momento. Tanto os socialistas quanto os demistas e tucanos fazem oposição ao governo Lula. Há diferença, no entanto, quanto ao discurso. Enquanto o P-SOL faz oposição à esquerda, DEM e PSDB se colocam à direita. Mas é aí que está. Essa diferença de discurso, que deve ser programática e ideológica, antes de mais nada, não é percebida pela sociedade em geral.
No jogo político, o discurso do P-SOL está travado no mesmo lugar desde 2005. O pessoal do partido vive repetindo a mesma lengua-lengua de que "é contra a corrupção", de que o "governo se alia à caciques políticos" e que o "PT se vendeu aos podres da política brasileira". Primeiro detalhe: esta é a mesma tecla batida pelo DEM e pelo PSDB. Segundo detalhe: DEM e PSDB estão perdendo capital político e eleitoral simplesmente porque essa história não tem dado pontos. Terceiro detalhe: criticar corrupção é fácil, não é não?
Aí que mora o perigo do ostracismo.
Caciques e membros graduados do DEM e do PSDB já sacaram que não adianta porcaria nenhuma ficar criticando corrupção. O governo FHC, mantido por uma aliança entre os dois, também fez pactos pela governabilidade e também passou por escândalos. E mais: tinha lá Geddel Vieira, José Sarney, Edison Lobão, Romero Jucá etc. O pessoal normalmente reconhecido ao clientelismo e à ineficiência técnica esteve presente nos dois governos. O PT batia lá trás. O PSDB bate hoje. Dá certo? O escândalo dos "fantasmas do Senado" deixou claro que não. Subia na tribuna Arthur Virgílio (PSDB) para reclamar "ética no trato da coisa pública" e logo era surpreendido por vazamento de que ele também usara serviços do Senado para privilégios privados (no caso, enquanto viajava à Paris com a esposa teve contas pessoais pagas pelo diretor-geral do Senado).
Criticar corrupção ou aparelhamento é babaquice. Você nunca vai ver alguém se eleger dizendo ser "favorável à corrupção". É óbvio que 10 em 10 pessoas são à favor da ética pública. É como aquelas pessoas que dizem, quando estão gripadas, que "odeiam ficar com febre". E por acaso alguém gosta de ter febre?
Pois então, viciar-se numa crítica moralista fica num jogo sem saída. O DEM, nada mais é que um nome bonitnho do antigo PFL. O PFL, por sua vez, era a "frente liberal" da Arena, o partido que dava sustentação à ditadura militar. Já o PSDB nasceu da costela do PMDB. Um grupo de peemedebistas, inconformados com o esquema de poder montado pelo ex-governador de São Paulo (1986-1990) Orestes Quércia, rompeu com o partido e criou o PSDB. Entre eles, estavam Mario Covas, FHC, Franco Montoro e José Serra. Hoje, o principal aliado do grupo de Serra à Presidência em 2010 é justamente Orestes Quércia.
Política é um jogo danado. Mas os leitores nunca encontrarão neste Blog algo do tipo "os políticos são todos iguais", ou aquele criticismo capenga e escapista de "vote nulo". Isso é coisa de gente que prefere ignorar as dificuldades do dia a dia. A política é um jogo danado sim. Mas, para mudá-la é preciso agir. Para agir é preciso pensar, estudar, refletir, conversar, cruzar informações, desafiar e ser desafiado. Isso não é fácil, é claro. Fácil é reclamar dos políticos e votar nulo nas eleições.
O P-SOL não ganha pontos políticos ao entrar nessa baboseira de crítica moralista. Neste campo, como vimos, ele disputará votos com o pessoal do DEM e do PSDB que, no entanto, tem muito mais capital (político e econômico) e, por isso, largam na frente. É preciso que o partido, e suas bases, se conscientizem que não basta cruzar os braços e dizer que discorda da corrupção. E quê mais? Ah, discorda da política econômica. Tudo bem, mas discorda do quê? E faria o quê para alterar?
Os partidos -- e aí incluo todos nesta conta -- precisam entender que na política do século XXI, para ser expurgar os caciques e profissionalizar a gestão do Estado é necessário estudar. Estudar muito. Entender Previdência, papel do Banco Central, política externa, crise americana, avanço chinês, déficit em conta corrente, hidrelétricas na Amazônia, repartição das receitas etc. É aí que o país é tocado. É aí que está o rumo do país. É aí, portanto, onde devem estar as divergências, as disputas, os consensos.
P-SOL se aliando ao PV para bancar Marina Silva é uma saída? Não sei. Mas alguém, dentro do P-SOL e entre os próprios verdes parou para discutir o que será defendido em 2010? O que será criticado e o que será apoiado? O que verdes e socialistas tem a ver? Aliança por aliança temos aos montes. Mas o país só vai ganhar alguma coisa com isso se houver discussão de lado a lado.
É um movimento que diz muito.
Conversei com gente da base do partido nesta semana. Não há consenso quanto ao apoio e, mais que isso, há certa indisposição ao grupo majoritário no partido, liderado por Heloísa Helena e Luciana Genro. Para as bases do partido, o P-SOL deve lançar candidato próprio à Presidência no ano que vem. É a única forma, dizem, de marcar a posição partidária.
O P-SOL, há tempos, vem se isolando no cenário político brasileiro. Não é de hoje que, nas votações em comissões na Câmara e no Senado, o partido vota junto ao DEM e ao PSDB. Claro, é compreensível num primeiro momento. Tanto os socialistas quanto os demistas e tucanos fazem oposição ao governo Lula. Há diferença, no entanto, quanto ao discurso. Enquanto o P-SOL faz oposição à esquerda, DEM e PSDB se colocam à direita. Mas é aí que está. Essa diferença de discurso, que deve ser programática e ideológica, antes de mais nada, não é percebida pela sociedade em geral.
No jogo político, o discurso do P-SOL está travado no mesmo lugar desde 2005. O pessoal do partido vive repetindo a mesma lengua-lengua de que "é contra a corrupção", de que o "governo se alia à caciques políticos" e que o "PT se vendeu aos podres da política brasileira". Primeiro detalhe: esta é a mesma tecla batida pelo DEM e pelo PSDB. Segundo detalhe: DEM e PSDB estão perdendo capital político e eleitoral simplesmente porque essa história não tem dado pontos. Terceiro detalhe: criticar corrupção é fácil, não é não?
Aí que mora o perigo do ostracismo.
Caciques e membros graduados do DEM e do PSDB já sacaram que não adianta porcaria nenhuma ficar criticando corrupção. O governo FHC, mantido por uma aliança entre os dois, também fez pactos pela governabilidade e também passou por escândalos. E mais: tinha lá Geddel Vieira, José Sarney, Edison Lobão, Romero Jucá etc. O pessoal normalmente reconhecido ao clientelismo e à ineficiência técnica esteve presente nos dois governos. O PT batia lá trás. O PSDB bate hoje. Dá certo? O escândalo dos "fantasmas do Senado" deixou claro que não. Subia na tribuna Arthur Virgílio (PSDB) para reclamar "ética no trato da coisa pública" e logo era surpreendido por vazamento de que ele também usara serviços do Senado para privilégios privados (no caso, enquanto viajava à Paris com a esposa teve contas pessoais pagas pelo diretor-geral do Senado).
Criticar corrupção ou aparelhamento é babaquice. Você nunca vai ver alguém se eleger dizendo ser "favorável à corrupção". É óbvio que 10 em 10 pessoas são à favor da ética pública. É como aquelas pessoas que dizem, quando estão gripadas, que "odeiam ficar com febre". E por acaso alguém gosta de ter febre?
Pois então, viciar-se numa crítica moralista fica num jogo sem saída. O DEM, nada mais é que um nome bonitnho do antigo PFL. O PFL, por sua vez, era a "frente liberal" da Arena, o partido que dava sustentação à ditadura militar. Já o PSDB nasceu da costela do PMDB. Um grupo de peemedebistas, inconformados com o esquema de poder montado pelo ex-governador de São Paulo (1986-1990) Orestes Quércia, rompeu com o partido e criou o PSDB. Entre eles, estavam Mario Covas, FHC, Franco Montoro e José Serra. Hoje, o principal aliado do grupo de Serra à Presidência em 2010 é justamente Orestes Quércia.
Política é um jogo danado. Mas os leitores nunca encontrarão neste Blog algo do tipo "os políticos são todos iguais", ou aquele criticismo capenga e escapista de "vote nulo". Isso é coisa de gente que prefere ignorar as dificuldades do dia a dia. A política é um jogo danado sim. Mas, para mudá-la é preciso agir. Para agir é preciso pensar, estudar, refletir, conversar, cruzar informações, desafiar e ser desafiado. Isso não é fácil, é claro. Fácil é reclamar dos políticos e votar nulo nas eleições.
O P-SOL não ganha pontos políticos ao entrar nessa baboseira de crítica moralista. Neste campo, como vimos, ele disputará votos com o pessoal do DEM e do PSDB que, no entanto, tem muito mais capital (político e econômico) e, por isso, largam na frente. É preciso que o partido, e suas bases, se conscientizem que não basta cruzar os braços e dizer que discorda da corrupção. E quê mais? Ah, discorda da política econômica. Tudo bem, mas discorda do quê? E faria o quê para alterar?
Os partidos -- e aí incluo todos nesta conta -- precisam entender que na política do século XXI, para ser expurgar os caciques e profissionalizar a gestão do Estado é necessário estudar. Estudar muito. Entender Previdência, papel do Banco Central, política externa, crise americana, avanço chinês, déficit em conta corrente, hidrelétricas na Amazônia, repartição das receitas etc. É aí que o país é tocado. É aí que está o rumo do país. É aí, portanto, onde devem estar as divergências, as disputas, os consensos.
P-SOL se aliando ao PV para bancar Marina Silva é uma saída? Não sei. Mas alguém, dentro do P-SOL e entre os próprios verdes parou para discutir o que será defendido em 2010? O que será criticado e o que será apoiado? O que verdes e socialistas tem a ver? Aliança por aliança temos aos montes. Mas o país só vai ganhar alguma coisa com isso se houver discussão de lado a lado.
terça-feira, 24 de novembro de 2009
Versão brasileira - prévia
Ainda vou escrever um texto decente sobre a banca e sobre o livro Versão Brasileira. Quero apenas deixar registrado aqui o agradecimento a todos que participaram e torceram pelo sucesso do trabalho.
A sala estava cheia, linda. Obrigado aos amigos e amigas que se dispuseram a participar de uma banca numa segunda-feira chuvosa, às 21 horas, em São Paulo. Espero que tenha valido à pena. Agradeço também à todos que, mesmo não comparecendo, torceram junto.
O livro foi aprovado com nota 10 com louvor pelos dois examinadores, Antônio Pedro Tota e José Salvador Faro, que ainda o indicaram para publicação.
Agora começa nova batalha.
Mas as forças deste blogueiro, sempre muito positivo e alegre, foram recarregadas.
Obrigado à todos.
A sala estava cheia, linda. Obrigado aos amigos e amigas que se dispuseram a participar de uma banca numa segunda-feira chuvosa, às 21 horas, em São Paulo. Espero que tenha valido à pena. Agradeço também à todos que, mesmo não comparecendo, torceram junto.
O livro foi aprovado com nota 10 com louvor pelos dois examinadores, Antônio Pedro Tota e José Salvador Faro, que ainda o indicaram para publicação.
Agora começa nova batalha.
Mas as forças deste blogueiro, sempre muito positivo e alegre, foram recarregadas.
Obrigado à todos.
segunda-feira, 23 de novembro de 2009
Convite - Versão Brasileira, hoje
Ocorre hoje, na Faculdade de Comunicação e Filosofia (Comfil) da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), a banca que examina o livro Versão Brasileira.
Os leitores do Blog estão mais do que convidados a participar.
Para saber mais sobre o livro, clique aqui. E para ler sobre as motivações do blogueiro, clique aqui.
Na banca, estarão presentes, além dos autores do livro (é claro), o orientador Hamilton Octávio de Souza, chefe do Departamento de Jornalismo da PUC-SP, e os examinadores José Salvador Faro e Antônio Pedro Tota.
Serviço:
Quando: hoje, 23 de novembro.
Horário: às 21 horas.
Onde: Sala 35 CA, no prédio da Comfil, na PUC-SP.
Local: Rua Monte Alegre, 971, entre as ruas Bartira e João Ramalho. Perdizes, SP.
Os leitores do Blog estão mais do que convidados a participar.
Para saber mais sobre o livro, clique aqui. E para ler sobre as motivações do blogueiro, clique aqui.
Na banca, estarão presentes, além dos autores do livro (é claro), o orientador Hamilton Octávio de Souza, chefe do Departamento de Jornalismo da PUC-SP, e os examinadores José Salvador Faro e Antônio Pedro Tota.
Serviço:
Quando: hoje, 23 de novembro.
Horário: às 21 horas.
Onde: Sala 35 CA, no prédio da Comfil, na PUC-SP.
Local: Rua Monte Alegre, 971, entre as ruas Bartira e João Ramalho. Perdizes, SP.
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domingo, 22 de novembro de 2009
Domingo
Agora eu estou cego, mas quiçá estar cego não seja uma tristeza. Embora me baste pensar nos meus livros, tão próximos e tão longe de mim para, bom, para querer ver. E chego a pensar que se eu recuperasse a visão, eu não sairia desta casa, e ficaria lendo todos os livros que tenho aqui, e que mal conheço, embora os conheça pela memória, que modifica as coisas.
Jorge Luís Borges, escritor argentino, falecido em 1986.
Jorge Luís Borges, escritor argentino, falecido em 1986.
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sexta-feira, 20 de novembro de 2009
Fim de expediente
Para este Dia da Consciência Negra, curto e grosso, vamos fechar o expediente com o que há de melhor na música brasileira: Itamar Assumpção desfilando "Não posso ficar", do mestre Tim Maia.
Saudosismo puro. Uma alegria só lembrar Itamar e cantar Tim.
Saudosismo puro. Uma alegria só lembrar Itamar e cantar Tim.
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quarta-feira, 18 de novembro de 2009
Sindicalismo à la Telemarketing
Na edição mais recente de CartaCapital, Gilberto Nascimento levanta uma questão importante: os novos militantes, os novos sindicatos, o novo operariado: os operadores de telemarketing. Eles ainda estão longe -- muito longe -- de ganhar a musculatura que os sindicatos de metalúrgicos tinham no fim dos anos 70. Mas, de qualquer forma, os tempos são outros.
Há diferença não apenas no processo histórico, nacional e internacional, mas também de atuação. A forma de se organizar e o nível cultural são completamente distintos entre metalúrgicos e operadores de telemarketing. Veja o que relata Nascimento:
Já tinha levantado essa bola aqui no Blog, tempos atrás (leia aqui). As coisas estão mudando e novas organizações sindicais, uma nova militância está sendo formada, num processo ainda difícil de problematizar.
Podem anotar, para virem cobrar aqui do Blog no futuro: este será um dos temas quentes dos próximos anos. Começará, timidamente, com aquelas matérias de cadernos aos domingos. Depois, passará ao noticiário e, dali, para a tevê. Fechará o círculo na política partidária. Onde, aliás, já há movimentação. O presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Telemarketing de São Paulo (Sintratel), Marco Aurélio de Oliveira, é filiado ao PC do B.
Conhecidos pelo uso do gerúndio e pelo bordão "vamos estar solucionando", os operadores de telemarketing são considerados os metalúrgicos dos dias atuais. A função surgiu como fruto das novas relações de trabalho e do avanço tecnológico, mas carrega problemas parecidos com os das antigas linhas de produção industrial. Os operadores de telemarketing somam 1,075 milhão de profissionais hoje no país. A maioria é jovem no primeiro emprego, com idade entre 18 e 29 anos. É a categoria que mais cresceu no Brasil: 10% ao ano em uma década. Setenta por cento são mulheres.
Há diferença não apenas no processo histórico, nacional e internacional, mas também de atuação. A forma de se organizar e o nível cultural são completamente distintos entre metalúrgicos e operadores de telemarketing. Veja o que relata Nascimento:
Os jovens líderes sindicais da área de telemarketing, alguns com pouco mais de 20 anos, se organizam de forma diferenciada. Para atingir o público, realizam assembleias durante festas fechadas em casas noturnas, com DJs e outros atrativos. Num determinado momento, a música para, começam os discursos e as informações importantes são transmitidas. A tecnologia é utilizada na comunicação com a base.
Já tinha levantado essa bola aqui no Blog, tempos atrás (leia aqui). As coisas estão mudando e novas organizações sindicais, uma nova militância está sendo formada, num processo ainda difícil de problematizar.
Podem anotar, para virem cobrar aqui do Blog no futuro: este será um dos temas quentes dos próximos anos. Começará, timidamente, com aquelas matérias de cadernos aos domingos. Depois, passará ao noticiário e, dali, para a tevê. Fechará o círculo na política partidária. Onde, aliás, já há movimentação. O presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Telemarketing de São Paulo (Sintratel), Marco Aurélio de Oliveira, é filiado ao PC do B.
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terça-feira, 17 de novembro de 2009
Moeda caindo, caindo...
Quando o governo baixou a cobrança de 2% do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), instaurou-se um chororô de que aquilo "afastaria os investimentos em Bolsa", "afugentaria o capital externo das contas brasileiras" e tudo o mais.
Como se sabe, um blablabla que não chegou a lugar nenhum.
Também não chegou em lugar algum a tentativa do governo de, por meio do IOF, segurar a valorização da taxa de câmbio. Antes do IOF, o dólar já estava testando a barreira dos R$ 1,70. O IOF fez subir um pouco, para R$ 1,74, e ficou por ali por 30 dias. Não mais que isso. Hoje, no mercado de câmbio, a cotação já chegou a bater nos R$ 1,69 antes de voltar a R$ 1,70.
Quer dizer, o IOF não serviu ao governo e nem ao mercado, que criou um fuzuê com pouco -- se algum -- fundamento.
Atualização de 18/11 às 18h46min
A cotação voltava a testar a barreira dos R$ 1,70 e, tal como no mês passado, o governo anuncia nova taxação. Agora, Guido Mantega, ministro da Fazenda, acaba de anunciar, em Brasília, a taxação de 1,5% sobre as ADRs, as ações de empresas brasileiras listadas na Bolsa de Nova York.
Com o IOF, alguns investidores e empresas passaram a aproveitar as ADR para driblarem o imposto nacional. Agora, terão de ser mais criativos.
E dá-lhe chororô. Os próximos dias serão quentes no mercado, na academia e na mídia.
Como se sabe, um blablabla que não chegou a lugar nenhum.
Também não chegou em lugar algum a tentativa do governo de, por meio do IOF, segurar a valorização da taxa de câmbio. Antes do IOF, o dólar já estava testando a barreira dos R$ 1,70. O IOF fez subir um pouco, para R$ 1,74, e ficou por ali por 30 dias. Não mais que isso. Hoje, no mercado de câmbio, a cotação já chegou a bater nos R$ 1,69 antes de voltar a R$ 1,70.
Quer dizer, o IOF não serviu ao governo e nem ao mercado, que criou um fuzuê com pouco -- se algum -- fundamento.
Atualização de 18/11 às 18h46min
A cotação voltava a testar a barreira dos R$ 1,70 e, tal como no mês passado, o governo anuncia nova taxação. Agora, Guido Mantega, ministro da Fazenda, acaba de anunciar, em Brasília, a taxação de 1,5% sobre as ADRs, as ações de empresas brasileiras listadas na Bolsa de Nova York.
Com o IOF, alguns investidores e empresas passaram a aproveitar as ADR para driblarem o imposto nacional. Agora, terão de ser mais criativos.
E dá-lhe chororô. Os próximos dias serão quentes no mercado, na academia e na mídia.
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segunda-feira, 16 de novembro de 2009
Convite

Todos os leitores do Blog estão convidados: na próxima segunda-feira, 23 de novembro, às 21 horas na PUC-SP.
Endereço: Rua Monte Alegre, 971 - Perdizes, São Paulo.
***
O local da banca está definido e, no convitinho acima, está errado. A banca ocorrerá na sala 35 CA, na Faculdade de Comunicação e Filosofia (Comfil). É possível entrar pela Monte Alegre, 971, pelo portão ao lado da banca de jornais, e também pela Cardoso de Almeida, por trás.
***
Os examinadores serão: José Salvador Faro e Antônio Pedro Tota. Faro mantém um ótimo blog, enquanto Tota têm um livraço disponibilizado na internet.
Pitacos sobre o Brasileirão 2009
O Brasileirão está de lascar. Não pelo futebol arte, é claro, mas pela emoção. Até duas semanas atrás, eram 6 times brigando pelo time simplesmente porque nenhum deles foi capaz de disparar. O único que parecia demonstrar alguma coisa, o Palmeiras, faz campanha risível. Nos últimos oito jogos, perdeu quatro, empatou três e ganhou apenas um.
Hoje, restando apenas três partidas, são três times na disputa pelo título: o líder São Paulo (62 pontos), Flamengo (60 pontos) e Palmeiras (59 pontos). Acho, no entanto, que a próxima rodada já deixa este último definitivamente fora. Enfrenta o Grêmio, no Olímpico. E, se manter esse futebolzinho frouxo que vêm apresentando há meses, não consegue nem o empate. Assim, a disputa real está entre o São Paulo e o Flamengo.
Um comentarista sério, o Paulo Vinícius Coelho (da Folha e da ESPN), diz que “o melhor, para o futebol, seria o São Paulo perder o título”. Seu argumento, justificável, é que, como o tricolor levou os últimos três campeonatos (2006, 2007 e 2008), para não viciar o justo seria passar o caneco à frente.
Seja como for, o São Paulo, diferentemente do Flamengo, tem parada dura. Na próxima rodada pega o Botafogo, desesperado, no Rio de Janeiro. O estádio estará cheio, afinal, o jogo é decisivo para o alvinegro. Como o Fluminense deve ganhar mais uma vez (enfrenta o já rebaixado Sport), se o Botafogo não ganhar do São Paulo, ele entrará na zona de rebaixamento faltando dois jogos. Isso significa que, ao ganhar, o Botafogo se salva, momentaneamente, mas pode dar a liderança ao arqui-rival Flamengo, que enfrenta o Goiás no Maracanã lotado.
Aí está a graça do Brasileirão. Todo jogo é decisivo e faltando três jogos apenas tudo pode mudar.
Futebol por futebol, o melhor seria o Atlético PR (43 pontos) cair. O Fluminense (39 pontos) fez um campeonato medíocre, mas há tempos vêm jogando bonito, ganhando tudo, com show de bola do atacante Fred e do meia argentino Conca. O Botafogo (41 pontos) fez um campeonato razoável, com lampejos positivos.
Infelizmente, time por time, parece que as coisas estão piores para o alvinegro carioca. Estive na Arena Barueri ontem – no Barueri 3 x 0 Botafogo – e o que vi foi terrível. O Botafogo não jogou nada. É uma pena, porque, como já disse aqui, este Blog tem raízes botafoguenses. Ficará dividido no domingo, mas, me conformo, tudo por culpa do Botafogo, que não vem jogando nada. Se já estivesse tranquilo não teria problema em enfrentar o São Paulo podendo abrir as pernas para dificultar a vida do Flamengo.
A próxima rodada, portanto, será decisiva. O Palmeiras, por um milagre, pode voltar à briga. Se isso acontecer, pode até sair líder, para não largar mais. O Flamengo pode sair na primeira posição e, tal qual o Palmeiras, não perderá mais. O São Paulo pode manter a liderança, o que manterá a emoção até o final, até porque o Flamengo não perderá de jeito nenhum do Goiás no Maracanã.
***
No ano passado, faltando três jogos, o São Paulo enfrentou o Vasco da Gama, no Rio. O tricolor acabara de assumir a liderança, como agora, e precisava vencer. O Vasco, desesperado, apostava suas fichas num tudo ou nada contra o líder e atual campeão diante da torcida que enchia o estádio. Foi difícil, mas, no fim, lá estava. São Paulo 2 x 1 Vasco. Dois jogos depois, São Paulo campeão; Vasco rebaixado à segunda divisão.
Torço, sinceramente, para que o Botafogo se salve.
***
Mas o melhor mesmo foi o Uruguai. No primeiro jogo da repescagem, contra a Costa Rica, em Costa Rica, a seleção celeste mandou bala ao seu estilo característico: raça e, para poucos, alguma maestria. Na partida, só deu Lugano. O gol, da vitória por 1 x 0, foi dele.
Hoje, restando apenas três partidas, são três times na disputa pelo título: o líder São Paulo (62 pontos), Flamengo (60 pontos) e Palmeiras (59 pontos). Acho, no entanto, que a próxima rodada já deixa este último definitivamente fora. Enfrenta o Grêmio, no Olímpico. E, se manter esse futebolzinho frouxo que vêm apresentando há meses, não consegue nem o empate. Assim, a disputa real está entre o São Paulo e o Flamengo.
Um comentarista sério, o Paulo Vinícius Coelho (da Folha e da ESPN), diz que “o melhor, para o futebol, seria o São Paulo perder o título”. Seu argumento, justificável, é que, como o tricolor levou os últimos três campeonatos (2006, 2007 e 2008), para não viciar o justo seria passar o caneco à frente.
Seja como for, o São Paulo, diferentemente do Flamengo, tem parada dura. Na próxima rodada pega o Botafogo, desesperado, no Rio de Janeiro. O estádio estará cheio, afinal, o jogo é decisivo para o alvinegro. Como o Fluminense deve ganhar mais uma vez (enfrenta o já rebaixado Sport), se o Botafogo não ganhar do São Paulo, ele entrará na zona de rebaixamento faltando dois jogos. Isso significa que, ao ganhar, o Botafogo se salva, momentaneamente, mas pode dar a liderança ao arqui-rival Flamengo, que enfrenta o Goiás no Maracanã lotado.
Aí está a graça do Brasileirão. Todo jogo é decisivo e faltando três jogos apenas tudo pode mudar.
Futebol por futebol, o melhor seria o Atlético PR (43 pontos) cair. O Fluminense (39 pontos) fez um campeonato medíocre, mas há tempos vêm jogando bonito, ganhando tudo, com show de bola do atacante Fred e do meia argentino Conca. O Botafogo (41 pontos) fez um campeonato razoável, com lampejos positivos.
Infelizmente, time por time, parece que as coisas estão piores para o alvinegro carioca. Estive na Arena Barueri ontem – no Barueri 3 x 0 Botafogo – e o que vi foi terrível. O Botafogo não jogou nada. É uma pena, porque, como já disse aqui, este Blog tem raízes botafoguenses. Ficará dividido no domingo, mas, me conformo, tudo por culpa do Botafogo, que não vem jogando nada. Se já estivesse tranquilo não teria problema em enfrentar o São Paulo podendo abrir as pernas para dificultar a vida do Flamengo.
A próxima rodada, portanto, será decisiva. O Palmeiras, por um milagre, pode voltar à briga. Se isso acontecer, pode até sair líder, para não largar mais. O Flamengo pode sair na primeira posição e, tal qual o Palmeiras, não perderá mais. O São Paulo pode manter a liderança, o que manterá a emoção até o final, até porque o Flamengo não perderá de jeito nenhum do Goiás no Maracanã.
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No ano passado, faltando três jogos, o São Paulo enfrentou o Vasco da Gama, no Rio. O tricolor acabara de assumir a liderança, como agora, e precisava vencer. O Vasco, desesperado, apostava suas fichas num tudo ou nada contra o líder e atual campeão diante da torcida que enchia o estádio. Foi difícil, mas, no fim, lá estava. São Paulo 2 x 1 Vasco. Dois jogos depois, São Paulo campeão; Vasco rebaixado à segunda divisão.
Torço, sinceramente, para que o Botafogo se salve.
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Mas o melhor mesmo foi o Uruguai. No primeiro jogo da repescagem, contra a Costa Rica, em Costa Rica, a seleção celeste mandou bala ao seu estilo característico: raça e, para poucos, alguma maestria. Na partida, só deu Lugano. O gol, da vitória por 1 x 0, foi dele.
domingo, 15 de novembro de 2009
Domingo
De quando em quando, um sinal de clarim. Tocava-se a reunir e fazia-se a distribuição das gulodices. Muitos não compareciam. Às quatro horas a banda de música assinalou com o hino nacional o grande momento da festa campestre. De todos os pontos do jardim começaram a chegar magotes pressurosos de uniformes brancos. Os vigilantes, enérgicos, regularizavam a ocupação dos lugares. Ao correr da mesa, fechou-se o bloqueio ameaçador de dentaduras. No centro alinhavam-se as peças, sem conta, frias, sem molho, apetitosas, entretanto, da cor tostada e do aroma suculento. Os garfos agitavam-se inimigos, amolavam-se os trinchantes nas mãos dos copeiros...
Obrigados a uma sobranceira estóica de filósofos, depois da provação definitiva do forno, nem os perus, nem os leitões, nem os tímidos frangos mostravam aperceber-se da situação arriscada.
Raul Pompéia, escritor brasileiro.
Obrigados a uma sobranceira estóica de filósofos, depois da provação definitiva do forno, nem os perus, nem os leitões, nem os tímidos frangos mostravam aperceber-se da situação arriscada.
Raul Pompéia, escritor brasileiro.
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Domingo
sábado, 14 de novembro de 2009
Brasil chega forte em Copenhague
O governo acerta e dá um passo gigante ao anunciar meta de reduzir em até 38,9% as emissões de gases que causam o aquecimento global. Segundo caracterizou o Estadão, a meta brasileira é a "mais radical dos emergentes" e causará um impacto forte no cenário internacional.
Para cumprir a meta, o país terá de reduzir o desmatamento da Amazônia em 80% e o do cerrado em 40% até 2020, tendo o ano de 2005 como base. Será um avanço tecnológico, cultural e político imenso. Mais que isso: tudo ocorrerá no mesmo período em que teremos o pré-sal, a Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos.
A reunião que se realizará em Copenhague, Dinamarca, no próximo mês, é crucial para o jogo mundial de redução do aquecimento global. Já passou da hora dos países ricos e emergentes apresentarem -- e cumprirem -- metas. A meta brasileira, além de ousada, é, simbólicamente, uma grande tacada diplomática. Deixa os outros dois grandes emergentes, China e Índia, numa situação de constrangimento, caso não apresentem compromissos.
Mais que isso, o Brasil abre um capítulo importantíssimo na história mundial. Podemos, em Copenhague, pela primeira vez, deixar Kyoto (1997) para trás.
Para cumprir a meta, o país terá de reduzir o desmatamento da Amazônia em 80% e o do cerrado em 40% até 2020, tendo o ano de 2005 como base. Será um avanço tecnológico, cultural e político imenso. Mais que isso: tudo ocorrerá no mesmo período em que teremos o pré-sal, a Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos.
A reunião que se realizará em Copenhague, Dinamarca, no próximo mês, é crucial para o jogo mundial de redução do aquecimento global. Já passou da hora dos países ricos e emergentes apresentarem -- e cumprirem -- metas. A meta brasileira, além de ousada, é, simbólicamente, uma grande tacada diplomática. Deixa os outros dois grandes emergentes, China e Índia, numa situação de constrangimento, caso não apresentem compromissos.
Mais que isso, o Brasil abre um capítulo importantíssimo na história mundial. Podemos, em Copenhague, pela primeira vez, deixar Kyoto (1997) para trás.
quinta-feira, 12 de novembro de 2009
O julgamento de Battisti
O Supremo Tribunal Federal (STF) conclui, neste momento, o julgamento sobre o pedido de extradição do preso político Cesare Battisti. A votação decide se o refúgio concedido pelo ministro da Justiça, Tarso Genro, é legítimo. O Supremo decide, portanto, se Battisti volta à Itália -- onde será preso -- ou se permanece no Brasil -- livre.
A votação foi interrompida, em 09 de setembro, quando o placar estava em 5 x 4 pela extradição. Restavam os votos de Marco Aurélio Mello, que solicitou a interrupção, e do presidente da Casa, Gilmar Mendes. À eles, hoje, se somaria José Antônio Dias Toffoli, ministro recém-empossado no STF, mas este já solicitou dispensa do julgamento.
A tendência é que o ministro Mello vote pelo refúgio, enquanto Mendes deve seguir o voto do relator do caso, ministro Cesar Peluso, que manifestou-se à favor da extradição. Assim, o Supremo deve decidir pela extradição de Battisti. Esta, no entanto, pode não ser a decisão final.
Em última instância, como assegura o artigo 84 da Constituição brasileira, o caso alcançará o presidente da República, que tem a voz soberana sobre assuntos entre nações que envolvem concessão de refúgio político. Lula deve seguir a opinião de Tarso Genro.
Este Blog tem opinião sobre o caso. Já a manifestou duas vezes: Primeiro, num texto publicado em maio, baseado em extensa pesquisa. Depois, em setembro, quando a votação iniciou, o Blog contou com grande participação dos leitores, engrandecendo o debate sobre o refúgio.
Para ler sobre o caso Battisti, clique aqui.
Atualização das 19:25
O Supremo suspendeu o julgamento mais uma vez. Marco Aurélio Mello votou pelo refúgio, empatando a votação em 5 x 5 e, em seguida, os cinco ministros (apenas cinco, dos onze estavam presentes) que estavam no salão do STF decidiram suspender a sessão porque não havia tempo hábil para finalizarem o caso.
Falta, portanto, apenas um voto: do presidente do STF, Gilmar Mendes.
Cesare Battisti continua preso, esperando por uma decisão. Há dois anos.
A votação foi interrompida, em 09 de setembro, quando o placar estava em 5 x 4 pela extradição. Restavam os votos de Marco Aurélio Mello, que solicitou a interrupção, e do presidente da Casa, Gilmar Mendes. À eles, hoje, se somaria José Antônio Dias Toffoli, ministro recém-empossado no STF, mas este já solicitou dispensa do julgamento.
A tendência é que o ministro Mello vote pelo refúgio, enquanto Mendes deve seguir o voto do relator do caso, ministro Cesar Peluso, que manifestou-se à favor da extradição. Assim, o Supremo deve decidir pela extradição de Battisti. Esta, no entanto, pode não ser a decisão final.
Em última instância, como assegura o artigo 84 da Constituição brasileira, o caso alcançará o presidente da República, que tem a voz soberana sobre assuntos entre nações que envolvem concessão de refúgio político. Lula deve seguir a opinião de Tarso Genro.
Este Blog tem opinião sobre o caso. Já a manifestou duas vezes: Primeiro, num texto publicado em maio, baseado em extensa pesquisa. Depois, em setembro, quando a votação iniciou, o Blog contou com grande participação dos leitores, engrandecendo o debate sobre o refúgio.
Para ler sobre o caso Battisti, clique aqui.
Atualização das 19:25
O Supremo suspendeu o julgamento mais uma vez. Marco Aurélio Mello votou pelo refúgio, empatando a votação em 5 x 5 e, em seguida, os cinco ministros (apenas cinco, dos onze estavam presentes) que estavam no salão do STF decidiram suspender a sessão porque não havia tempo hábil para finalizarem o caso.
Falta, portanto, apenas um voto: do presidente do STF, Gilmar Mendes.
Cesare Battisti continua preso, esperando por uma decisão. Há dois anos.
segunda-feira, 9 de novembro de 2009
O muro deve ser derrubado - 20 anos depois

Nos últimos dias, o noticiário tem sido eficiente em nos fazer recordar a lástima que foi o muro que dividia Berlim, símbolo máximo do acirramento ideológico entre EUA e URSS durante o período da Guerra Fria. O auge se deu nos anos 50 e 60 e o muro, levantado em 1961, representava, ao mesmo tempo em que John Kennedy, o presidente mais carismático dos Estados Unidos no pós-guerra, era eleito.
O simbolismo foi latente na subida e na derrocada. Durante os anos 80, quando Gorbatchev relaxava os controles e costumes de um país a beira da falência e, ao mesmo tempo, Ronald Reagan liderava o novo mundo neoliberal, o muro de Berlim era o símbolo do esgotamento, do atraso e sua derrubada, em novembro de 1989 sinalizou o fim de uma era.
Era o nascimento de mundo bonitinho, sem muros, sem divergências, sem guerras e unido. Todo aquele blablabla neoliberal, de que a globalização era o caminho para a modernidade, estava no auge. Era o pensamento hegemônico na política, na economia, na diplomacia, na cultura. O símbolo da união foi o acordo fechado por líderes palestinos e israelenses em 1993 e 1994, que legou o prêmio Nobel da Paz aos negociadores Yitzhak Rabin, Shimon Peres e Yasser Arafat. Ao lado deles, Bill Clinton, o presidente americano nos anos 90, era o signo do sucesso, do mundo moderno.
Como todos sabemos, foi tudo por terra. A "paz mundial" durou bem pouco. Os próprios americanos entraram numa guerra -- no Golfo, em 1991 -- além dos massacres na Sérvia, em 95 e outros conflitos, que permearam toda a década de 1990 e 2000. Rabin seria assassinado por um israelense ortodoxo, em 1995, jogando o país num turbilhão irracional, a partir de 1996. Não havia mais volta para os palestinos, os afegãos, os iraquianos, africanos e outros tantos.
Na economia, todas as "grandes ideias" neoliberais também, como o sofismo "paz mundial", duraram bem pouco. O México quebrou em dezembro de 1994 exatamente por praticar, uma a uma, as sugestões do FMI e dos neoliberais anglo-saxões, que se uniram sob o Consenso de Washington. Além dos mexicanos, também os países asiáticos (em 1997), a Rússia (1998), o Brasil (1999) e a Argentina (2001) sofreram graves crises. Os asiáticos ficaram tão traumatizados que, a partir de 98, passaram a ignorar as teorias "modernas" do FMI e perseguiram políticas próprias. Foram essas políticas asiáticas que fizeram com que, dez anos mais tarde, a região passasse praticamente intacta pela crise norte-americana.
Nós não aprendemos porcaria alguma com os eventos de 1989.
Em 2004, o premiê israelense Ariel Sharon determinou a construção de um muro que separaria a Cisjordânia do território de Israel. O muro foi levantado e está de pé até hoje. Trata-se de um crime, tão passível de punição internacional quanto o absurdo feito em Berlim em 1961. A Cisjordânia não é um país: ele é um espaço, um corte na Jordânia, feito por Israel para agrupar os palestinos expulsos de sua terra. Israel vem aumentando de tamanho, vagarosamente, desde 1948, quando foi criado. É o único país em expansão num mundo "globalizado".
O muro que vemos na imagem acima não é Berlim, não é Guerra Fria, não é a separação entre capitalismo e socialismo no mundo em preto e branco dos anos 60. É o muro dos tempos pós-modernos, colorido e globalizado.
Tal qual como fizeram os alemães, o muro deve ser derrubado.
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domingo, 8 de novembro de 2009
Domingo
O fato moderno é que já não acreditamos neste mundo. Nem mesmo nos acontecimentos que nos acontecem -- o amor, a morte --, como se nos dissessem respeito apenas pela metade.
Gilles Deleuze, pensador francês.
Gilles Deleuze, pensador francês.
sexta-feira, 6 de novembro de 2009
Divagações de uma mente cansada
A consciência é uma coisa engraçada. Por vezes somos lançados em jogos mentais que não controlamos, como os sonhos, e que, ainda assim, representam boa parte de nosso cotidiano. Temos rotinas aceleradas -- pela manhã fazemos algo, à tarde já é outra história e à noite nem lembramos o que ocorria antes. Entramos numa dinâmica tão voraz que, muitas vezes, não conseguimos controlar o que pensamos.
Isso é curioso, afinal, o que nos diferencia (olha o clichê) é justamente a capacidade de organizar tarefas, cruzar informações e raciocinar. Quando, ao longo dos dias, semanas e meses, nos deparamos com uma rotina que nos impulsiona sem pensar, fica até esquisito admitir que, no fundo, não pensamos nada.
O sonho faz parte da consciência? É claro que faz. Só entra ali quem você quer, por mais que você não queira. É como um amigo indesejado. Podemos ambicionar um distanciamento, por uma razão ou outra, mas, no fim das contas, trata-se de um amigo.
A consciência não é nada além de um amigo indesejado, portanto.
Isso é curioso, afinal, o que nos diferencia (olha o clichê) é justamente a capacidade de organizar tarefas, cruzar informações e raciocinar. Quando, ao longo dos dias, semanas e meses, nos deparamos com uma rotina que nos impulsiona sem pensar, fica até esquisito admitir que, no fundo, não pensamos nada.
O sonho faz parte da consciência? É claro que faz. Só entra ali quem você quer, por mais que você não queira. É como um amigo indesejado. Podemos ambicionar um distanciamento, por uma razão ou outra, mas, no fim das contas, trata-se de um amigo.
A consciência não é nada além de um amigo indesejado, portanto.
segunda-feira, 2 de novembro de 2009
A revanche do blogueiro
Quando comecei a pesquisa para meu livro, entre novembro e dezembro do ano passado, apresentar o tema de meu trabalho a colegas era sempre um desgaste. Falar em "americanização" da cultura brasileira soava, aos ouvidos do adulto jovem do século XXI, como "aquela velha história do imperialismo ianque dos anos 60". Empolgado com o tema, sempre tratei de defende-lo -- num ótimo exercício para a banca, diga-se -- mas, invariavelmente, cansava.
As reações eram, via de regra, as mesmas. A percepção era de que o trabalho repetiria as teses de "dependência econômica e cultural dos países de Terceiro Mundo com o eixo rico", de "hegemonia norte-americana no campo das ideias" etc.
O livro está escrito, diagramado, com capa e tudo. São quase 200 páginas (197, mais especificamente) e será levado à gráfica ainda nesta semana.
Sem entrar nos méritos do meu trabalho em si, destaco apenas três matérias, publicadas hoje no caderno Ilustrada, do jornal Folha de S. Paulo. São três matérias distintas -- uma de cinema, outra de televisão e a última de música -- publicadas no mesmo dia. Repito: publicadas hoje, início de novembro de 2009. Vejamos o quão "velho" é o tema de "americanização":
Capa da Ilustrada. Manchete: "Triste cinema brasileiro". O que é: o grande Jean-Michel Frodon, um dos maiores pensadores de cinema -- que dirigiu recentemente a Cahiérs du Cinemá -- fala, em entrevista, sobre cinema contemporâneo e, mais especificamente, sobre cinema brasileiro. Vejamos dois trechos:
Matéria três. Título: "Sambista faz disco enquanto é tempo". O que é: Edu Krieger, sambista da nova geração carioca, acaba de lançar seu segundo disco e, em entrevista, avisa que é preciso aproveitar o momento de "nacionalismo" porque, após os Jogos Olímpicos de 2016, haverá um desgaste e o campo vai ficar aberto para o pop americano.
As reações eram, via de regra, as mesmas. A percepção era de que o trabalho repetiria as teses de "dependência econômica e cultural dos países de Terceiro Mundo com o eixo rico", de "hegemonia norte-americana no campo das ideias" etc.
O livro está escrito, diagramado, com capa e tudo. São quase 200 páginas (197, mais especificamente) e será levado à gráfica ainda nesta semana.
Sem entrar nos méritos do meu trabalho em si, destaco apenas três matérias, publicadas hoje no caderno Ilustrada, do jornal Folha de S. Paulo. São três matérias distintas -- uma de cinema, outra de televisão e a última de música -- publicadas no mesmo dia. Repito: publicadas hoje, início de novembro de 2009. Vejamos o quão "velho" é o tema de "americanização":
Capa da Ilustrada. Manchete: "Triste cinema brasileiro". O que é: o grande Jean-Michel Frodon, um dos maiores pensadores de cinema -- que dirigiu recentemente a Cahiérs du Cinemá -- fala, em entrevista, sobre cinema contemporâneo e, mais especificamente, sobre cinema brasileiro. Vejamos dois trechos:
FOLHA - Como vai o cinema brasileiro?
JEAN-MICHEL FRODON - É um cinema sem maior brilho. Vi alguns documentários interessantes, mas o cinema brasileiro não é tão bom quanto poderia ser, ou o quanto imaginamos que seria. O último filme brasileiro do qual eu gostei foi "Mutum".
FOLHA - Por o cinema brasileiro era visto como promessa?
FRODON - Porque o Brasil parece um país obviamente feito para o cinema. As paisagens, a riqueza cultural, a genialidade de um diretor como Mário Peixoto... Alguém poderia até questionar o seguinte: os mesmos ingredientes que fazem o futebol brasileiro ser único não poderiam ser também utilizados no cinema? O Brasil vem ganhando visibilidade internacional e poderia traduzir esse movimento histórico em filmes, mas, ao contrário da China e de outros países asiáticos, não tem feito isso.FOLHA - O senhor vê algo de brasileiro em filmes como "Ensaio sobre a
Cegueira" ou "O Jardineiro Fiel", de Fernando Meirelles?FRODON - Eu os vejo como filmes internacionais. E ruins.
Matéria dois. Abre de página da coluna "Outro canal", que cobre televisão brasileira. Título: SBT dobra audiências com enlatados americanos". O que é: depois de meses com o telejornal da emissora no horário das 21h15 às 22h batendo abaixo dos 4 pontos de audiência, o SBT conseguiu emplacar 8 pontos com a transmissão de duas séries de TV dos EUA: "Harper's Island" e "Supernatural".
Vejamos um trecho da matéria:
Com a exibição de séries consagradas nos EUA em seu horário nobre, estratégia iniciada no meio de setembro, o SBT dobrou a audiência que tinha das 21 h 15 às 22 h. Pelo Twitter, Daniele Beyruti, diretora geral da emissora, anunciou a seus seguidores que tenta a liberação de "The Vampire Diaries", série sobre vampiros que estreou nos EUA em setembro, para o início de 2010.
Matéria três. Título: "Sambista faz disco enquanto é tempo". O que é: Edu Krieger, sambista da nova geração carioca, acaba de lançar seu segundo disco e, em entrevista, avisa que é preciso aproveitar o momento de "nacionalismo" porque, após os Jogos Olímpicos de 2016, haverá um desgaste e o campo vai ficar aberto para o pop americano.
Vejamos o que diz o Edu:
O tempo está se esgotando. Dentro de seis ou sete anos, a Lapa carioca, hoje efervescente reduto sambista, estará às moscas. O cavaco, o pandeiro e o tamborim serão instrumentos fora de moda. As rádios segmentadas de música brasileira terão enfraquecido e mudado desse para algum outro nicho -o rock, possivelmente. "A euforia nacionalista que a gente vive deve chegar ao auge nas Olimpíadas de 2016. Em seguida, virá a sensação de desgaste", aposta. "O sucesso da Mallu Magalhães, que é uma artista que não tem nada de Brasil, já é o começo disso. Quando esse ufanismo olímpico passar, muitas outras Mallus vão tomar conta do espaço -e com todo o direito."
****
O que depreendemos disso tudo?
A avaliação é individual do leitor, e a caixa de comentários está aberta, como sempre.
A banca do livro que discute a mercantilização da cultura brasileira nos anos 90, oriunda de um intenso processo de americanização dos costumes, ocorre dia 23 de novembro. Espero ver os colegas que acreditam que "americanização" é discussão do passado por lá :-)
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domingo, 1 de novembro de 2009
Domingo
Durante os trinta anos de governo dos Bórgias na Itália, eles tiveram guerras, terror, assassinatos e derramamento de sangue, mas eles produziram Michelangelo, Leonardo da Vinci e o Renascimento. Na Suiça, eles tiveram amor fraternal; eles tiveram quinhentos anos de democracia e paz e o que eles produziram? O relógio de cuco.
Orson Welles, cineasta, em frase cunhada para seu personagem Harry Lime, 1949.
Orson Welles, cineasta, em frase cunhada para seu personagem Harry Lime, 1949.
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