Na semana passada, o Jean, um dos chargistas da Folha, fez uma charge sensacional, que reproduzo abaixo.


Vivemos em um país em que os jovens já nascem conservadores, e se tornam ainda mais conservadores conforme envelhecem. São incentivados pelo anacronismo e pelas facilidades a evitar o pensamento crítico. O escapismo é a ordem e o progresso é a intolerância.


Observação:
"Maré" = Mercado. Afinal, todos os movimentos da Selic foram antecipados pelo mercado financeiro. Não houve, inclusive na decisão de hoje, nenhuma surpresa. O mercado já esperava.
A discussão ocorreu no fim da tarde desta quarta-feira. Ocorreu na sessão do Supremo, assistida pelos setoristas dos grandes jornais, que logo contactaram as redações. A sessão também era gravada pela red interna do STF, que costuma retransmitir em canais públicos. As palavras de Joaquim em minutos já repercutiam nos blogs e nos sites noticiosos. Mais alguns minutos e o recorte das fitas gravadas já estavam no youtube, enriquecendo o material dos blogs e dos sites de notícias. Em seguida, esteve na escalada do Jornal Nacional e daí ganhou a notoriedade que será ampliada ao longo da quinta-feira e do fim de semana. A discussão será capa dos principais jornais - não necessariamente manchete principal, mas notícia de primeira página com certeza. Também haverá material nas revistas semanais, que terão toda a quinta-feira para apurar e repercutir a história, uma vez que elas fecham na sexta pela manhã.
Rápida análise do que está por vir: A Veja, a revista de maior circulação do Brasil, terá de repercutir o ocorrido. E ficará numa sinuca: nos julgamentos do "mensalão" elevou Joaquim Barbosa à condição de Santo Guerreiro contra os "40 ladrões" (expressão da revista), mas mais recentemente tem sido o principal canal de comunicação de Gilmar Mendes.
Foi na Veja, aliás, que surgiu aquela fábula incrível do ano passado, em que Mendes aparecia grampeado e chancelando a tese da revista de que havia sido a Abin - assim mesmo, sem provas - quem o grampeara. O episódio resultou na tese de "vivemos num Estado policial" de Gilmar Mendes, que tratou de botar medo em todo a República, afirmando que tanto a Polícia Federal quanto a Abin estavam "descontroladas" e tudo o mais. O episódio resultou na desmoralização de Protógenes Queiroz, o delegado que conduziu a Operação que prendeu Dantas, no afastamento de Paulo Lacerda da Abin, o delegado que primeiro iniciara as investigações contra Dantas, e na perseguição à Fausto De Sanctis, o juiz que condenara Dantas a 10 anos de encarceramento. Todas as teses foram amplamente repercutidas, todas foram amplamente benéficas à defesa de Daniel Dantas, e todas foram baseadas em provas que até hoje nunca se comprovaram.
Como se comportará a revista de maior circulação do país diante desse impasse no Supremo? Seguirá os interesses ideológicos de atacar os "mensaleiros" e defender Barbosa? Seguirá interesses também ideológicos de atacar o "Estado policial" e defender Mendes? Ou fará uma cobertura isenta, repercutindo os dois lados e discutindo o papel do Supremo e do Judiciário brasileiro como um todo?

No vídeo, há imagens do filme "Baile Perfumado" (que levou o prêmio de Melhor Filme no Festival de Brasília e Melhor Cartaz no Festival de Havana) , com direção de Paulo Caldas e Lírio Ferreira, cenas do eterno Chico Science e Nação Zumbi interpretando a música "Sangue de Barro" e, para quem ver com calma, imagens em preto e branco do bando de cangaceiros de Lampião, captadas em 1936 pelo jornalista Benjamin Abrahão.
Hoje é domingo e ainda há muito por fazer.
16/04/2009 - 08h37
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colaboração para a Folha Online