quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Sindicalismo à la Telemarketing

Na edição mais recente de CartaCapital, Gilberto Nascimento levanta uma questão importante: os novos militantes, os novos sindicatos, o novo operariado: os operadores de telemarketing. Eles ainda estão longe -- muito longe -- de ganhar a musculatura que os sindicatos de metalúrgicos tinham no fim dos anos 70. Mas, de qualquer forma, os tempos são outros.

Conhecidos pelo uso do gerúndio e pelo bordão "vamos estar solucionando", os operadores de telemarketing são considerados os metalúrgicos dos dias atuais. A função surgiu como fruto das novas relações de trabalho e do avanço tecnológico, mas carrega problemas parecidos com os das antigas linhas de produção industrial. Os operadores de telemarketing somam 1,075 milhão de profissionais hoje no país. A maioria é jovem no primeiro emprego, com idade entre 18 e 29 anos. É a categoria que mais cresceu no Brasil: 10% ao ano em uma década. Setenta por cento são mulheres.


Há diferença não apenas no processo histórico, nacional e internacional, mas também de atuação. A forma de se organizar e o nível cultural são completamente distintos entre metalúrgicos e operadores de telemarketing. Veja o que relata Nascimento:

Os jovens líderes sindicais da área de telemarketing, alguns com pouco mais de 20 anos, se organizam de forma diferenciada. Para atingir o público, realizam assembleias durante festas fechadas em casas noturnas, com DJs e outros atrativos. Num determinado momento, a música para, começam os discursos e as informações importantes são transmitidas. A tecnologia é utilizada na comunicação com a base.


Já tinha levantado essa bola aqui no Blog, tempos atrás (leia aqui). As coisas estão mudando e novas organizações sindicais, uma nova militância está sendo formada, num processo ainda difícil de problematizar.

Podem anotar, para virem cobrar aqui do Blog no futuro: este será um dos temas quentes dos próximos anos. Começará, timidamente, com aquelas matérias de cadernos aos domingos. Depois, passará ao noticiário e, dali, para a tevê. Fechará o círculo na política partidária. Onde, aliás, já há movimentação. O presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Telemarketing de São Paulo (Sintratel), Marco Aurélio de Oliveira, é filiado ao PC do B.

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