domingo, 8 de novembro de 2009

Domingo

O fato moderno é que já não acreditamos neste mundo. Nem mesmo nos acontecimentos que nos acontecem -- o amor, a morte --, como se nos dissessem respeito apenas pela metade.


Gilles Deleuze, pensador francês.

Um comentário:

Hugo Albuquerque disse...

Creio que nós vivemos uma espécie de depressão, de um tipo diferente daquelas que sempre acometeram a humanidade em tempos de guerra, fome ou praga...é uma processo silencioso, lento e que vai nos corroendo aos poucos...tem a ver com a forma como o processo civilizatório do ocidente entrou em crise: Durante boa parte do século 20º, o Socialismo despontou como a promessa de um avanço, de uma próxima etapa e o que ameaçava nem era tanto um outro projeto, mas sim o anti-projeto socialista; passamos décadas tentando aplicar o modelo socialista ou dizendo porque não deveríamos aplica-lo, mas não havia outra alternativa.

O fato é que o socialismo de inspiração russa, por mais que nos enganassemos, foi um fracasso: O modelo bolshevik, depois arruinado mais ainda por Stalin, retirou praticamente todo o potencial transformador de um evento como a Revolução Russa e jogou o país num conservadorismo tecnocrático em poucas décadas.

Tal modelo acabou e o que o restou no lugar é um espécie de nada. Socialistas e anti-socialistas entraram em crise, o engôdo neoliberal rapidamente se provou falso e vivemos um embate político meio bobo entre social-liberais e social-democratas em boa parte do mundo onde há liberdade eleitoral. Esse projeto civilizatório entrou em crise, só que a História não finda, ela segue e tal ferida se transforma...deste vácuo, evidenciado pelo descompasso entre a grande capacidade técnica humana e a sua atrofia filosófica, disso pode nascer um desastre ou uma revolução filosófica, tudo depende da nossa ação.

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