terça-feira, 4 de agosto de 2009

Os bônus bancários e a indignação popular

Os bancos americanos -- copiados com maestria pelo mundo "desenvolvido" -- pagavam enormes bônus aos seus dirigentes, antes da crise. Esses dirigentes estavam fazendo todo tipo de operação, que acabaria desembocando na crise financeira de 2008, mas ninguém se preocupava com isso: o lucro estava crescendo e, com isso, seus bônus também.

A crise explodiu, esses bônus caíram. Passados alguns meses -- e algumas nacionalizações por parte do governo -- depois, esses bônus retornaram. Hoje, estão em patamares semelhantes ao que estavam antes da crise explodir.

Veja bem: as instituições financeiras receberam bilhões de dólares por parte do governo americano -- e isso significa maior endividamento do Estado -- para não falirem, depois de terem produzido maluquices financeiras. E, depois de tudo isso, voltam a pagar bônus absurdos a seus dirigentes. É justo isso?

O Prêmio Nobel de Economia e colunista do New York Times, Paul Krugman, escreveu o seguinte, em sua coluna de hoje (republicada no Estadão):

Os americanos estão com raiva de Wall Street, e com razão. Primeiro a indústria financeira nos mergulhou numa crise, e depois foi resgatada à custa do contribuinte. E agora, com a economia ainda em depressão profunda, a indústria está distribuindo imensas bonificações a seus membros. Se você ainda não se indignou, é porque não deve estar prestando atenção.

Mas acabar com a economia e esfolar o contribuinte não são os únicos pecados de Wall Street. Mesmo antes da crise e dos resgates, muitos nomes de sucesso da indústria financeira ganharam fortunas com atividades que podemos considerar, do ponto de vista social, como desprovidas de valor -- quando não destrutivas. E continuam a fazê-lo.

Vou desenvolver melhor estes pontos assim que conseguir arranjar um tempo do livro que estou escrevendo.

2 comentários:

Anônimo disse...

Genial este artigo. Favoritei o seu blog. Era algo que eu precisava ter lido para me conscientizar de duas coisas: PRIMEIRA - eu tenho de pensar, falar e agir como um "banco" se eu quiser continuar vivendo, enquanto cidadão, ou consumidor, que é o que parecemos ser, atualmente. SEGUNDA - parece que só os golpistas conquistam seu lugar ao céu, pelo menos neste mundo. Há algum tipo de "vacina" contra isto? 90 milhões de pessoas no mundo viverão em nível máximo de pobreza com a crise, e os "cabeças" vão continuar lucrando com isso? E impotência que sentimos com isso, deve se transformar em que, em ódio, passividade, revolução?
Gentileza gera gentileza, violência gera violência, ódio gera ódio, amor gera amor, stress gera stress, golpe gera golpe... Inteligência gera inteligência???

Um sólido abraço!

José Barbosa - celular (54)9178.5333
Caixa Postal 43
Vacaria-RS
95200-000

João Villaverde disse...

Olá José Barbosa,

Obrigado pelos elogios, fico feliz que tenha gostado.
Abração

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