segunda-feira, 18 de maio de 2009

EUA-Israel-Irã

Hoje o primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, se reuniu com Barack Obama, presidente dos Estados Unidos, em Washington, capital americana. Obama recebeu Netanyahu uma semana após a visita do papa à Israel. Ambos, o papa e Obama, defenderam a criação do Estado palestino como resolução para os conflitos no Oriente Médio.

Netanyahu discorda. A maioria israelense também, não à toa, escolheram Netanyahu como seu novo líder nas eleições realizadas em fevereiro último.

O que o primeiro-ministro israelense defende é que toda atenção internacional deve se focar no Irã, e não na criação do Estado palestino.

Durante os anos perdidos da Idade Média intelectual - também chamados de "anos George W.Bush" - essa tese era hegemônica: defendia-se e repetia-se incessantemente que o problema era o Irã. Que o Irã se preocupa em desenvolver uma bomba atômica, que o Irã financia e treina os militantes do Hezbollah no Líbano e do Hamas na Faixa de Gaza, que o Irã pratica descriminação internacional, etc.

A tese de Netanyahu é de que, isolando o Irã, resolve-se o problema dos "terroristas" no Oriente Médio.

Esta é uma tese que induz ao erro. É um sofisma exemplar.

O Irã tem vivido um governo realmente conservador, elevando a doutrina religiosa à patamares históricos. De fato, há um desrespeito às normas internacionais quanto ao desenvolvimento de tecnologia nuclear por parte do governo de Ahmadinejad. E há dinheiro - e know how - iraniano passando pelo caixa de grupos de insurgentes, como o Hezbollah e o Hamas.

Querem ver o sofisma?

O governo Bush Junior foi mister em desrespeito às normas internacionais. E nem por isso houve qualquer boicote internacional quanto aos EUA. A Inglaterra disse alguma coisa? E Israel, tão preocupado com as normas? Aliás, tratar de normas internacionais e Israel é tratar também de termos como soberba, desrespeito e desleixo. Falam dos programas nucleares do Irã. E os programas israelenses, como andam?

Antes de recriminar o Irã é preciso entender porque o Irã faz isso. É porque o Irã é anti-Israel? É porque Ahmadinejad simplesmente não gosta de Israel? Os militantes do Hezbollah e do Hamas, cada um a sua maneira, odeiam Israel porque são malucos e pronto? Não é bem assim.

Entender porque existem Hezbollah, Hamas e porque o Irã está nessa ajuda a entender porque a tese defendida por Binyamin Netanyahu é um sofisma. Ele mesmo sabe que é. O problema é que a maioria leva a sério.

A conta de mantermos os olhos fechados para tudo isso vai ficando cara...

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