quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

A cabeça israelense

É inexplicável, mas todos se sentem mais convencidos quando a crítica vem de dentro. Quer dizer, se um botafoguense diz que seu time foi superior ao Flamengo numa vitória qualquer, esse comentário é fanatismo. Só será validado por outros torcedores se, nesse exemplo, o flamenguista assumir que o Botafogo jogou melhor. Isso é futebol, passa pela torcida assumida por determinado clube.

É assim também na política e na religião.

Pois bem. O artista plástico Gershon Knispel é judeu. Sua família fugiu da Alemanha nazista em 1935, indo morar na Palestina. Knispel tinha dois anos de idade. Foi criado entre os árabes palestinos e tinha 15 anos quando, naquele país, foi criado outro. A partir de 1948, Knispel passou a ser, portanto, israelense. Knispel ama e mora em Israel.

Aos que, como os torcedores de futebol, precisam de uma crítica de alguém de dentro para levar algum assunto a sério, aí vai o que Gershon Knispel pensa da vida política recente de Israel:

"Depois do assassinato de Rabin, fizeram um cerco contra seu parceiro Yasser Arafat em Ramallah. Não deixaram durante dois anos e meio que ele visse a luz do dia. Deixaram Arafat morrer devagar, pelo veneno que o serviço secreto israelense, por ordem de Ariel Sharon, conseguiu pôr na comida do líder palestino (veja o protocolo revelado pelo historiador israelense Amnon Kapeliuk). Depois que Arafat morreu, o governo israelense se negou a tratar com seu sucessor Abu Mazem - e quando o Hamas foi eleito democraticamente, chamaram esse grupo de terrorista, que quer liquidar com Israel. Com quem a gente precisa fazer conversações de paz? Com amigos? Ou com o inimigo? E como se pode reconhecer o direito à existência de um país que não tem fronteiras - e que dentro do próprio governo tem uma minoria dos que acreditam em 'dois povos, dois Estados', e uma maioria que se orgulha da 'Grande Israel' e que nunca vai aceitar devolver a Palestina aos palestinos?"

A questão Palestina-Israel é muito complexa. Existem, no entanto, uma série de possibilidades para negociar. Ainda assim, o recado que a maioria dos israelenses passou nas últimas votações (analisadas aqui) é um só: a Palestina continuará ocupada. E quem se insurgir, morre.

2 comentários:

Joao Pereira disse...

Uma única ressalva no eu texto.
O Botafogo ou o Botafoguense não se acha nunca melhor que o flamenguista. Ele é melhor que o flamenguista.

João Villaverde disse...

hahaha claro

Site Meter