terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Uma frase e uma imagem

soldado israelense em Hebron, Cisjordânia, 2008


"Os árabes não gostam de sangue e sacríficio mais que qualquer outro grupo humano. Submetidos a décadas de humilhações, invasões e ocupações, reagem como qualquer outro grupo humano, ou seja, num leque de alternativas que vai desde a violência suicida mais desesperada até a perda completa da capacidade de ter esperanças. Os africanos não gostam de matar suas crianças mais que qualquer outro grupo humano. Mas incontáveis africanos e afrodescendentes recorreram ao infanticídio como forma desesperada de tentar salvar seus filhos do opróbrio da escravidão. Os indígenas da Mesoamérica não gostam de se suicidar mais que qualquer outro grupo humano. Mas incontáveis mexicas, toltecas e chichimecas recorreram ao suicídio como forma de fugir dos horrores da colonização espanhola. A idéia de que “os árabes cultuam o martírio” é nada mais que isso: um estereótipo racista. Em incontáveis conversas com amigos árabes, escutei sempre, invariavelmente, a mesma história: “por que não nos percebem como humanos? Por que achariam que vamos viver contentes sob botas estrangeiras
dentro da nossa própria casa? Vocês viveriam?"
Idelber Avelar, acadêmico brasileiro, professor da Universidade de Tulane, nos Estados Unidos, rebatendo o discurso difundido de que "árabe gosta de sangue".

2 comentários:

é disse...

taí outra foto que poderíamos fazer paralelo com a nossa Gaza Tupiniquim, quantas vezes vemos imagens como esta já tão naturalizadas para nós em nossos morros e favelas? coma diferença é que na maioria das vezes nossos pequenos palestinos são as crianças negras e nossos sionistas são a PM

tô te linkando no post do occupation lá no blog da história em projetos, abraços Frô
ps. meu outro espaço: www.mariafro.blogspot.com

Anônimo disse...

Pois se não gostam de sangue e sacrifício, os fatos demonstram exatamente o contrário.
Desde o estabelecimento do Estado de Israel, ou seja, desde 1948, já foram massacrados cerca de 12 milhões (12.000.000!!!) de árabes e muçulmanos mundo a fora, a maioria deles executados pelos próprios 'irmãos' árabes e muçulmanos . A contribuição de Israel para este número foi de 60 mil vítimas, incluindo aí todas as guerras e intifadas e mesmo as primeiras revoltas árabes na Palestina da década de 20.
Ou seja: 99,05% das mortes ocorridas no mundo árabe/islâmico foi ocasionada pelos próprios ou entre si. Basta saber fazer contas e uma pitada de honestidade intelectual.

Concordo com o Idelber, quanto ao estereótipo racista em relação aos árabes, apenas que o principal estereótipo racista que vejo, vem das próprias esquerdas e dos compassivos humanistas que minimizam suas matanças e os eximem de culpas por considerá-los "as inimputáveis crianças atrasadas do mundo".
Tenham dó, Adão e Avelar. Poupem a nossa inteligência.

Amilcar

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