Vejam a manchete de hoje do Estadão:
"Hillary anuncia mudança na política externa dos EUA. Intenção de dialogar até com inimigos marca ruptura com a era Bush."
Agora a manchete de hoje d'O Globo:
"Hillary descarta diálogo com Hamas. Em sabatina no Congresso, a futura secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, disse que o governo Obama não negociará com o Hamas enquanto o grupo não reconhecer Israel e renunciar à violência."
E então, Hillary aceitará conversar com inimigos ou não? Muda ou não muda?
O impasse é grande na imprensa, não apenas brasileira, porque o discurso da Secretária de Estado do governo Obama, Hillary Clinton, estabeleceu uma série de relações. Enquanto a tendência é de uma posição mais aberta por parte dos americanos - praticamente imposta após o acirramento irracional da política unilateral do governo Bush - Hillary não apresentou nada de novo.
Disse que "há possibilidade de diálogo com o Irã e a Síria", dois países tidos como "inimigos mortais da democracia" pelo governo Bush. É um passo positivo, mas possibilidade por possibilidade, pode ficar só no discurso bonito. Ao mesmo tempo que acena com maior abertura para conversa, Hillary mantém a diplomacia atual ao negar um diálogo com o Hamas, que continua sendo considerado grupo terrorista.
Para dialogar é preciso entender. Se alguém quiser acertar a vida no Oriente Médio não pode escolher os interlocutores. Aceitar dialogar só com um lado é deixar as coisas como elas estão. Conversar com o Hamas não significa aceitar as ações suicidas e os ataques contra civis israelenses que o grupo promove. Mas significa compreender que o grupo existe dadas as circunstâncias históricas.
A palavra chave é entender, não compactuar. Os Estados Unidos se negam a entender o Hamas. Mas compactuam com os crimes de Israel. Na ponta, incorrem no mesmo erro ideológico e oportunista do Irã, que não entende Israel e compactua com o Hamas.
É preciso entender o que é o fundamentalismo islâmico. E perceber que os Estados Unidos vivem sob o fundamentalismo cristão.
Só resta notar o óbvio: para mudar é preciso realmente mudar.

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