Temos três grandes discussões no campo de política fiscal e monetária brasileira, que impactam decisões futuras e o rumo da economia nacional.
São elas: 1) A inflação de alimentos; 2) A criação de uma contribuição que financiará os gastos públicos com Saúde; e 3) Os índices inflacionários brasileiros.
Todas são polêmicas, por diferentes razões, mas principalmente pelas razões expostas no primeiro parágrafo.
A discussão 3 ainda está nos meios acadêmicos, portanto tem um curso limitado. Temos 3 índices que medem a inflação: o IPC (Índice de Preços ao Consumidor, calculado pela Fipe), o IGP-M (Índice Geral de Preços do Mercado) e o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo, o índice oficial do governo).
Enquanto o IPC e o IPCA andam juntos nas suas variações, os IGPs (são 3 ao todo) desandam para valores maiores. São os IGPs que estão assustando à todos os economistas ortodoxos e seus jornalistas de plantão. O IGP é formado por três índices diversos, com peso maior, 60%, para o Índice de Preços por Atacado (IPA). O IPC responde por 30% e o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC), por 10%. Essa composição é a mesma desde sua criação, em 1947.
A vantagem dos IGPs é que são índices que são lançados a cada 10(IGP-10) ou 20 (IGP-20) dias. Para os participantes do mercado na época da hiperinflação (final dos anos 80 e início dos 90), quando esses desmembramentos foram criados, era ótimo.
Hoje os críticos dizem se tratar de índice que não tem conformidade com a realidade, justamente por se tratar de um misto, em diferentes proporções, de diferentes áreas, mesclando varejo e atacado. O melhor seriam índices separados, um de varejo, outro de atacado, um para o produtor (que está sendo preparado pelo IBGE e deve ser lançado no ano que vem) e outro para o consumidor.
Outra questão é que os IGPs indexam uma série de contratos na economia, além de títulos públicos. Como eles sobem mais que os outros índices, e mais que a "inflação real", por assim dizer, acabam gerando um aumento de renda para aqueles que tem salários ou títulos públicos corrigidos. Do outro lado, por corrigirem tarifas públicas como luz e telefonia, tiram dinheiro do bolso do consumidor, especialmente se este tiver sua renda corrigida pelo IPCA ou o IPC, geralmente mais baixos.
Uma discussão importante, que deveria ser melhor avaliada.
