quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Os 30 anos das reformas chinesas

Há trinta anos, começava no dia 18 uma reunião estratégica na China. Duraria 4 dias, terminando na noite do dia 22. A reunião entrou para a história do país e do mundo como o início simbólico das reformas liberais e abertura do país comunista ao comércio mundial.

Era a vitória do grupo de Deng Xiaoping sobre os seguidores de Mao Tsé Tung, morto dois anos antes, em 1976.

Iniciou-se um processo de reforma liberais, desmantelando a mão forte do Estado na economia, aos poucos. Nos anos 90 esse modelo chinês começou a gerar crescimentos de 10% anuais, recebendo o apelido de "comunismo de mercado".

Meses depois daquela reunião, explodiria a segunda crise do petróleo, que desencadearia numa grave crise econômica mundial. Naquele mesmo ano de 1979, Margaret Thatcher assumia a liderança na Inglaterra. Em 1981, Ronald Reagan assumia nos Estados Unidos. O neoliberalismo dos economistas anglo-saxões era colocado em prática.

A China de 18 de dezembro de 2008 está a dois passos de seguir a cartilha neoliberal à risca: permitir aos agricultores que usem suas terras como garantia para empréstimos bancários e reduzir a participação do Estado no mercado financeiro.

A crise econômica que vivemos hoje é o resultado das reformas de liberalização econômica, do "mercado que tudo sabe", do enxugamento do Estado. E a China, super inserida no comércio global, é tragada para dentro do furacão.

2 comentários:

Luiz Henrique Mendes disse...

Companheiro, é legalização retórica da propriedade privada. Uma beleza!

João Villaverde disse...

O mais irônico de tudo é que o Partido Comunista chinês pode ser lançado numa grave crise política, não pelo colapso do comunismo em 1989 - mas pelas convulsões do capitalismo em 2009.

E obrigado pelo e-mail, Luiz. A força dos amigos é o mais importante quando se encara o esgoto.
Forte abraço

Site Meter