terça-feira, 26 de agosto de 2008

Profunda crise bancária nos EUA

A secretaria federal de seguros de depósitos dos Estados Unidos (Federal Deposit Insurance Corporation) deu hoje novos números da situação americana.

Eles estão bem. (modo irônico desligado)

Segundo a secretaria federal, o número de bancos listados em sua "lista suja" cresceu de 90 para 117, de março para junho desse ano. Foram 27 bancos, 30% mais, em apenas três meses. Isso significa que são 117 instituições financeiras com problemas de crédito, com dificuldades para honrar saques e pagamentos de títulos. É o maior número desde o início de 2003, no final da crise anterior, das empresas de informática.

A diferença é que agora os números são maiores. Proporcionalmente, inclusive.

O que está acontecendo é que os bancos americanos surfaram várias ondas de irresponsabilidade nos últimos anos. Todas as invenções (chamadas de "inovações", como algo incrível) dos anos 90 e do início dos anos 2000 foram aperfeiçoadas após 2003, quando a economia mundial começou a crescer depois da crise de 2000-2002.

Entre as inovações estavam os SIV (Strutured Investment Vehicles). O que são (ou eram) os SIVs? Como os bancos tinham de seguir as regras de Basiléia (que relacionava os empréstimos aos ativos), criaram carteiras de títulos estruturados (SIV) que não eram computados nos balanços. Assim, aumentavam seu poder de fogo sem serem penalizados como contraventores.

Esses SIVs eram carregados de títulos subprime, aqueles das hipotecas de alto-risco americanas. Quando a crise nesse mercado explodiu, entre julho e agosto do ano passado, os SIVs apodreceram. E com isso, vieram à tona.

Conforme o tempo vai passando, mais SIVs vão saindo do esgoto e derrubando balanços e demonstrações dos bancos. Com isso, os investidores vendem suas ações, aumentando o rombo dessas instituições. Para não quebrarem, resta à elas apenas uma alternativa. O Estado.

Nunca se defendeu tanto intervenção estatal em tempos neoliberais quanto agora.

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