A crise financeira iniciada em 24 de julho do ano passado, após a explosão da bolha imobiliária nos Estados Unidos já aniversariou e continua provocando quebradeira e reflexões acerca do modelo econômico no mundo todo.
Segundo noticiou o Wall Street Journal, o KfW, banco estatal alemão, vendeu sua participação de 90,8% no banco IKB. O IKB, valia, na semana passada US$ 415,9 milhões. A venda da parte do KfW portanto, gerou pouco menos disso. O que isso tem a ver com a crise?
O IKB foi uma das primeiras vítimas dessa crise financeira originada nos EUA. Com o apodrecimento dos títulos atrelados a hipotecas americanas de alto risco, o IKB iria a falência. Com ele, todos os correntistas do banco - que nada tinham a ver com essa esbórnia toda - sairiam prejudicados. O Estado alemão interviu. Por meio do KfW saiu adquirindo papéis do IKB, para dar sustentação financeira ao moribundo. Ao todo, o resgate foi de US$ 15,3 bilhões.
Esse dinheiro, bom que se diga, originário do povo.
Então vale repetir. O banco estatal alemão, se utilizando de dinheiro do povo alemão, deu mais de 15 (quinze) bilhões de dólares para um banco privado metido na fanfarra financeira americana. Depois de um ano o banco estatal saiu do negócio com menos de 400 milhões de dólares na mão.
Fosse um estrategista de fundos de mercado, diria que esse foi um dos negócios mais ridículos da história. Se algum operador privado de mercado fizesse uma coisa dessas, seria demitido. Trabalhasse para o governo, certamente iria para Guantánamo.
Mas na hora que a corda aperta, e o pescoço envolvido é o seu, essa operação ganha ares de mágica. É a benevolência dos deuses, a boa-causa do público aos azarados do mercado.
Histórico
A crise nasceu nos EUA mas alcançou todo os países ricos. A falta de controle dos fluxos de capitais e a excessiva liquidez gerada pelas baixas taxas de juros mundiais desde 2001 proporcionou uma interligação financeira nunca vivida. Bancos franceses, ingleses, alemães, japoneses, etc., aplicavam em papéis vendidos por instituições hipotecárias americanas, que negociavam com clientes sem condições de honrar os empréstimos concedidos.
Afrouxou-se a concessão de crédito barato (mas reajustável) para qualquer um. Quando os juros subiram, as parcelas ficaram impagáveis e o calote começou. Os bancos começaram então a exercer o direito contratual da hipoteca, tomando as residências dos "caloteiros" e vendendo de novo. Mas como não havia mais dinheiro barato, essas casas começaram a acumular. Muita oferta, pouca procura e bingo! Os preços das casas começaram a cair. Quando isso aconteceu (e não para de acontecer desde então) até os bons pagadores sofreram. Com suas casa valendo menos, seu acesso à crédito diminuiu.
Na outra ponta, os papéis vendidos aos bancos dos países ricos pararam de ser pagos. O mico sobrou para todo mundo. As pessoas perderam suas casas, o crédito sumiu para os ricos, o comércio geral despencou, os bancos americanos quebraram, os bancos dos países ricos choraram, e os bancos centrais colocaram dinheiro do povo (oriundo dos impostos) para a praça financeira sobreviver.
Viva o capitalismo.

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