quarta-feira, 8 de agosto de 2012

A vida é um sopro

Amigos e amigas, leitores do Blog,

Venho por meio desse post anunciar que o Blog vai ficar algum tempo inativo -- não será longo, adianto. Está ficando impossível compatibilizar o trabalho em Brasília com análises diferenciadas para cá. Como já estou aqui no front diário desde dezembro de 2006 (sim, quase seis anos), fui me esforçando além do limite.
Não estou parando com o Blog, esta é apenas uma suspensão temporária.

Conto com a compreensão de todos.

Voltarei, meus amigos.

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Um ano de medidas para estimular a economia

Arte que acompanha minha matéria no Valor de hoje, mostrando todos os estímulos à economia que o governo fez do fim de julho de 2011 para cá.



Mas, ao menos até agora, o resultado tem sido tímido.

Crescimento só em 2013?

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Anotações

Nada é mais relevante, em Brasília, do que o julgamento do mensalão, no Supremo Tribunal Federal (STF). A cidade ganhou contornos novos, como bem captou Mônica Bérgamo na coluna de sexta-feira na Folha, com o relato dos advogados dos 38 réus na cobertura do Hotel Naoum -- sim, o mesmo do episódio envolvendo um dos réus, José Dirceu (PT), e um repórter de Veja.

Enquanto houver mensalão no STF, nem as sessões de esforço concentrado no Senado e na Câmara vão chamar atenção.

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O governo volta com tudo nessa semana. Dilma recebe na semana que vem 29 empresários de grandes companhias -- como Eike Batista, Itaú, Bradesco, Benjamin Steinbruch, JBS Friboi, e outros tantos -- no Palácio do Planalto na terceira reunião entre governo e grandes empresas.

Ela vai ouvir deles que a atividade econômica está começando a apresentar melhoras, e vai dizer a eles que além dos vários pacotes baixados em 2012 outros três estão a caminho: um, chamado PAC-Concessões, vai apresentar várias concessões de projetos de infraestrutura (aeroportos, portos, rodovias e ferrovias) à iniciativa privada; outro calcado na simplificação (aleluia!) do PIS/Cofins e na ampliação da desoneração da folha de pagamentos a outros setores; e, finalmente, na redução do custo de energia elétrica para a indústria e grandes consumidores.

Esses pacotes serão lançados a partir de agora e vão ocupar a agenda de Dilma até meados de setembro, quando o governo para, por alguns dias, já que outubro será realmente travado por conta das eleições municipais.

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A agenda de agosto e setembro de Dilma ainda terá mais dois pacotes, anotem aí:

Em 22 de agosto, no Palácio do Planalto, Dilma vai lançar o Plano Nacional da Cultura Exportadora, com a apresentação de 14 mapas estratégicos, que vão dividir o Brasil em regiões com potenciais exportadores. A ideia é unir os técnicos do Ministério do Desenvolvimento, da Receita Federal e da Apex para fomentar fortemente a exportação no país. Isso inclui um gás nas Zonas de Processamento das Exportações (que já venho relatando há tempos), e outras ações.

Dilma também vai lançar o Plano Nacional do Turismo 2012-2016, que vai nortear as ações do Ministério do Turismo, do Esporte e da Embratur a partir de agora. A ideia é mapear todas as obras em ação hoje, acelerar aquelas atrasadas, e disparar todas as medidas para estimular o turismo no país.

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As eleições em São Paulo e no Recife são de Lula, já definiu o PT. Lula vai entrar com tudo, a partir do fim de agosto, na campanha de Fernando Haddad, em SP, e de Humberto Costa, no Recife. Em SP, Lula quer reeditar o Lula x Serra de 2002, e, no Recife, disputar sua hegemonia com o governador Eduardo Campos (PSB).

Mas a Dilma cabe Belo Horizonte, onde Patrus Ananias (PT) terá campanha difícil contra o atual prefeito Marcio Lacerda (PSB), que conta com o apoio dos populares Eduardo Campos e o senador Aécio Neves (PSDB).

O melhor cenário, para o Palácio do Planalto, é uma vitória de Patrus e Humberto Costa, que desarticularia o PSDB e o PSB, de Aécio e Eduardo Campos, respectivamente, e seus projetos nacionais para 2014.

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Os Jogos Olímpicos de Londres estão sensacionais, não?

Ironia. Não estou assistindo nada. Mas, justiça seja feita, a abertura foi realmente linda.

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Não preciso nem dizer para o leitor que acompanha o Blog há um tempo. Mas é sempre bom reforçar: no organograma político partidário norte-americano, o Blog apoiou os candidatos democratas nas eleições para o Congresso em 2006, apoiou Barack Obama nas presidenciais de 2008, e novamente os democratas nas legislativas de 2010.

Em 2012, não há dúvida, portanto: o Blog defende entusiasticamente a reeleição do presidente Barack Obama, ainda que reconheça em Mitt Romney um dos melhores candidatos republicanos desde Ronald Reagan, nas eleições de 1980. O problema dos republicanos é o mesmo desde 2009: o Tea Party.

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Na semana que vem, no máximo, o governo vai detalhar as novas regras do Regime Automotivo 2013-2017. Ele é que vai balizar o que as montadoras instaladas no Brasil vão fazer a partir de agora. Ouvi que o governo vai também criar estímulos aos fornecedores das montadoras, a indústria de autopeças.

A conferir.

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O melhor café em Brasília é o Ernesto Cafés Especiais, na 115 Sul. Se alguém visitar Brasília nos fins de semana, é grande a chance de encontrar o blogueiro... e o presidente do STF, Carlos Ayres Britto, que está sempre lá.

O melhor lugar para almoçar é a Churrascaria Paranoá, que fica na barragem do Lago Paranoá. Lugar lindo, aberto desde 1956 (sim, antes do início das obras que levantaram Brasília em 1957, e, portanto, antes de existir qualquer coisa aqui). Mas isso no fim de semana. Almoço no meio da semana só pode ser no Fred, dono do melhor picadinho do Brasil.

Já o melhor jantar fico dividido: o Grand Cru, no Lago Sul, é o lugar perfeito para comer bem e tomar um bom vinho, sem pagar muito. Já o Dom Francisco, na 402 Sul, é o lugar para pagar um pouco mais, por um ambiente ainda mais formal.

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O melhor restaurante de São Paulo continua sendo o Bar da Dona Onça, no Edifício Copan, do mestre Oscar Niemeyer. Não tem restaurante melhor que esse.

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E o Seedorf no Botafogo, hein?

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O disco mais bacana lançado em 2012 é o novo da Tulipa Ruiz. Assisti a shows dela na Rua Augusta, em SP, umas três vezes entre o fim de 2009 e o fim de 2010. Vi também em Brasília, no fim de 2011 (ou começo de 2012, já nem lembro) no Teatro Oi!.

Essa menina é fera.

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Chega, né?

domingo, 5 de agosto de 2012

Domingo

Eu perdi um pouco dessa coisa de humildade. Aprendi uma coisa que a análise me ajudou -- a aceitar a minha grandeza, a aceitar o fato de ser bom. Porque te dá um medo filho da puta: ser feliz, medo de amar, medo de ser bom. Tudo que faz bem pra gente, a gente tem medo.


Cazuza, poeta brasileiro, morto em 1990.

sábado, 4 de agosto de 2012

Porque hoje é dia de...

Futebol, e futebol é sinônimo de Botafogo...



...dia de música brasileira, onde reina o samba de mestre Caymmi e a leveza magistral de Tom Jobim...



...e sábado é dia de rock, porque é o dia da noite... área de Queen, no auge, à lá Elvis Presley..



...porque hoje, amigas e amigos, é sábado!

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

A música de uma geração

Supertramp, com "Breakfast in America", de 1979, ao vivo em show quatro anos mais tarde.


Clique aqui para ouvir e assistir.

Conhecida como música de uma geração nos EUA, "Breakfast in America" veio num período singular do país: naquele ano, toda a frágil popularidade do presidente democrata Jimmy Carter se esvaiu quando o segundo, e mais poderoso, choque nos preços do petróleo fez ruir a economia americana da noite para o dia. Além disso, a União Soviética deu sua última cartada como império, ao invadir o Afeganistão, pressionando os EUA no Oriente Médio. FInalmente, naquele mesmo 1979, os iranianos se insurgiram contra o xá Reza Pahlevi, colocado e sustentado pelos americanos, dando cabo à Revolução Iraniana.

Era o início do fim de uma geração incrível, que começou no pós-guerra, em 1945. Os americanos sangrariam entre 1979 e 1984, período em que o republicano Ronald Reagan venceu as eleições de novembro de 1980, os juros foram elevados para forçar uma recessão na economia e, assim, derrubar os preços, e a guerra na Nicarágua levou mais soldados americanos.

Mas, ao final desse período de transição, a partir de 1985, os Estados Unidos viram sua hegemonia mundial ganhar um novo patamar. Naquele 1985, o Japão e a Alemanha aceitaram o Acordo de Plaza proposto por Reagan para valorizar suas moedas (o iene e o marco, respectivamente), forçando, consequentemente, o encarecimento de seus bens industriais, o que ajudou a impulsionar a indústria americana a partir de 1986. Naquele 1985, também, sobe ao poder na União Soviética o reformador Mikhail Gorbatchev, iniciando a grande revolução que terminaria em 1991, com o fim da URSS. O ano de 1985 marca também o início da geração em que Hollywood volta a ocupar todas as salas de cinema do mundo -- é daquele ano o clássico "De Volta para o Futuro" -- e também a música entra no estágio avassalador, com o início da MTV e dos supergrupos, como Bon Jovi, Mötley Crüe, Metallica, e dos cantores, como Michael Jackson e Madonna, utilizados pelo governo Reagan para massificar a cultura americana.

Já o Supertramp passou a ser o grupo daquela difícil transição, de 1979 a 1984. Antes de 79 eram um grupo de rock progressivo, de pouca expressão em um panteão que tinha Pink Floyd, Yes e Genesis. Depois de 1984 entraram num pop exagerado, onde outros, como Duran Duran, eram melhores.

A geração que cantou "Breakfast in America" durou pouco.

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

O julgamento do mensalão no STF

Começou hoje.

Abaixo, linda foto de André Dusek, do Estadão. Mostra os 11 ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), tendo o presidente Carlos Ayres Britto no centro, à esquerda o Procurador-Geral da República, Roberto Gurgel, responsável pela acusação dos 38 réus do caso, e, à direita na foto, o ministro Joaquim Barbosa, relator do caso.

Em primeiro plano, caminhando, o advogado Márcio Thomaz Bastos, que fora ministro da Justiça quando do mensalão, entre 2003 e 2007, e hoje defende um dos réus.

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Interlúdio

A linda sede antiga do Ministério da Educação (e Saúde), no Rio de Janeiro. O prédio é considerado a inauguração da arquitetura moderna brasileira, com projeto de Oscar Niemeyer sobre desenhos de Lúcio Costa e do mestre de todos eles, o francês Le Corbusier.

A sede ficou pronta em 1937 e, de lá, até 1960, quando Brasília foi inaugurada, recebeu os ministros de Educação -- o mais brilhante deles sendo Gustavo Capanema.

O efeito IPI baixo para as montadoras

Hoje, a Fenabrave, associação dos vendedores de veículos, anuncia quantos carros novos foram vendidos em julho, mês que terminou ontem. A Fenabrave deve anunciar um número superior a 350 mil veículos.

Sim, mais de 350 mil carros novos foram vendidos em julho. Trata-se, portanto, do segundo melhor mês da história -- ficou abaixo apenas dos 363 mil veículos vendidos em dezembro de 2010.

Todo esse desempenho se deu por conta, principalmente, da medida emergencial tomada pelo governo em 21 de maio: o Ministério da Fazenda reduziu o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para as montadoras, e, além disso, liberou R$ 18 bilhões do depósito compulsório mantido pelos bancos no Banco Central (BC) para fortalecer a liberação de financiamento para a compra do carro novo.

O crédito nem liberou tão rápido assim, me disse ontem o empresário Rogélio Golfarb, diretor da Ford e ex-presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). Mas o IPI funcionou perfeitamente: as montadoras reduziram os preços dos automóveis e, voilá, os consumidores correram atrás.

A medida emergencial termina no fim deste mês: o IPI reduzido vale até 31 de agosto.

Quem quiser carro novo barato tem que correr em agosto...

...mas o Blog já ouviu que a medida pode ser prorrogada por mais dois meses. Não há nenhuma definição, mas estudos do Ministério da Fazenda apontam que a prorrogação por mais dois meses (isto é, o IPI reduzido valeria até 31 de outubro) estimularia ainda mais o setor e, portanto, a economia. Já em novembro e dezembro os incentivos tributários não se fariam necessários porque são meses em que o consumo é tradicionalmente forte.

A conferir.

terça-feira, 31 de julho de 2012

Brasil pode ter em 2012 menor saldo comercial em dez anos

Por João Villaverde e Sérgio Leo

O saldo comercial brasileiro neste ano deve ser de, no máximo, US$ 15 bilhões, avalia a área econômica do governo. A estimativa é inferior à projeção do Banco Central (BC), que estima em US$ 18 bilhões o saldo da balança comercial do país em 2012. Mesmo acima de projeções mais pessimistas como as da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), que prevê um superávit de US$ 8 bilhões, a revisão da área econômica indica que, pelo sétimo ano seguido, a balança comercial do Brasil terá influência negativa sobre o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB).

"Uma parte do estímulo à demanda está vazando para o comércio exterior, e isso vai continuar neste ano", comentou o economista da Fundação Getulio Vargas (FGV), Régis Bonelli. Especialistas da FGV preveem uma leve subida nas exportações neste ano e calculam que, sem surpresas desagradáveis no cenário externo, o saldo comercial poderá ficar acima de US$ 16 bilhões. Caso se comprove a estimativa da AEB, de queda também nas exportações, porém, em 2012 o PIB terá duas pressões negativas vindas do comércio exterior: a queda nas vendas dos exportadores e o aumento nas importações.

De janeiro até a semana passada, a diferença entre as exportações e as importações acumulou US$ 8,5 bilhões, resultado 47,6% inferior a igual período do ano passado. Se confirmada a estimativa, o saldo comercial de até US$ 15 bilhões será o menor desde 2002, quando o resultado chegou a US$ 13,1 bilhões. A pessimista AEB espera déficits no segundo semestre devido à queda nos preços das commodities metálicas, ao esgotamento do efeito positivo dos embarques de soja, antecipados neste ano, e ao contínuo aumento nas importações.

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